quinta-feira, dezembro 14, 2006

AOS MEUS AMORES ( REPETIDO)
















É no frio das noites que acontecem
Que vivo o teu rosto
Construído de culpas e receios
E, no tempo que corre
E trata a ferida sempre aberta
Descubro a nostalgia de te ter
Sem te possuir.
Percorro o espaço vazio
E um leve rumor a frio
Dilacera os meus sentidos.
Recupero por fim
Os pedaços do teu rosto
Já sem culpas ou receios.
Olha para o lado
E encontro presente
Os odores do teu “eu”
Que o fado fez ausente.
Recolho-me,
Digo obrigado e adormeço
Com a tua alma fechada na mão,
E o teu corpo vivo na mente.

Manuel F.C. Almeida

Novembro de 2004

quarta-feira, dezembro 13, 2006

agora escolha e vote se lhe apetecer claro(pode ouvir as duas versões)


amor ódio parte 1 de nao sei quantas












Amor, ódio, dois sentimentos aparentemente opostos e no entanto quantas vezes não se entrelaçam nas nossas vidas. Aparentemente antagónicos, alimentam-se de momentos diferentes da mesma matéria: a memória.
O amor apela ás memórias dos afectos, ao toque na pele, ao cheiro, ao gosto, ao prazer do sexo, etc. Emfim a todas as memórias boas que carregamos. O ódio remete para o que de menos nobre existe em nós. São as memorias dos maus momentos, da dor, da angustia, do não entender ou não querer faze-lo. No entanto ambos os estados têm a mesma origem: a memória. Ora isto desde logo afasta o possível antagonismo de um em relação ao outro. Mas o que me levou aespecular sobre isto é o de tentar entender a reacção dos humanos a esta realidade. É a sua razão que faz amar e odiar alguém e em muitos casos a mesma pessoa que antes se amava.
Qual será o sentimento mais forte aqui? O amor ou o ódio?

continua...

prata















eu tenho um rio de prata

a nascer na minha mão

e só vou deixa-lo correr

prá foz de um coração

terça-feira, dezembro 12, 2006

penso logo existo













nao creias quando te dizem ter sido por acidente. Os jogos só se jogam quando sao desejados. A mentira é sempre a fuga mais fácil. Nao se ama por caso. Ama-se porque se deseja amar, porque nao há amor previo. nao vale apena falar em duvidas. Quando os nossos olhos se encantam é porque estavam vazios....

Manuel F.C. Almeida

pé ante pé















Olhão 12-12-2006

e pé ante pé

passo a passo

faço o meu auto de fé

tento encontrar meu compasso

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 11, 2006

a florbela espanca





















das magoas fizeste um livro belo,
enchendo de tristeza os versos teus.
somente os torturados podem lê-lo,
fazendo dos teus versos, versos seus.

tu foste, na verdade, a lira eleita!
ninguém como tu a dor cantou.
até no sofrimento insatisfeita,
tao cedo a tua vida se finou.

colocaste o coração em cada verso.
nada ficou ao acaso ou disperso
na tua existência triste, dolorida!

tu, que escreveste tanto sobre o amor,
um rosário fizeste em versos-dor
com pedaços da tua própria vida

in florilégio 4 edições NERP

AUTOR: Silveste Val

brisa
















Já me sopra uma brisa na face
Novidades vindas no vento
Dizem-me que espere plo tempo
Em que tudo vá e tudo passe

Mas esta brisa ligeira
Traz consigo a esperança
De dias em que a bonança
Seja minha companheira

Que tudo pode acontecer
Pra tudo existe uma hora
Seja amanhã ou agora
Outros amores virei a ter.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 10, 2006

poder


















eu queria ter o poder
de ao esticar a minha mão
colocar um arco iris
junto ao teu coração

Manuel F.C. Almeida

basta





















Chega!
Nãos nos enganem mais ao dizer
Que o coração tem razões
Que a própria razão desconhece.
Porque as razões do coração
Só a razão as conhece.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 06, 2006

frio




















http://amoratus.deviantart.com/gallery/


tenho frio hoje.
um frio que me toca
a alma e o coração.
um frio que nao me
deixa ver
mais além.
um frio que me assusta
porque me deixa
tolhido,
vencido pelo peso
da vida.
tenho frio,
um frio de quem está
de partida.


Manuel F.C. almeida

EGOCENTRICO




















Eu sou lobo e sou cordeiro
Sou a noite e também dia
Sou a estepe e seu sequeiro
Sou oceano, maresia

Sou uma parte do passado
Sou o real destruído
Sou o sonho apunhalado
Sou pouco mais que ruído

Sou o amanhã a chegar
Sou futuro radioso
Sou arco-íris no ar
Em “ ser”, sou orgulhoso.

terça-feira, dezembro 05, 2006

PAZ.
















A paz que os meus olhos
Querem
Só a terei no fim
Da jornada
Quando a vida passar
Como filme
E já tudo for memória
E eu quase
Nada.

Manuel F.C. Almeida

CAMINHOS
















Quantas vezes meu irmão, quantas vezes
Pensaste ter encontrado o teu lugar
E quantas vezes tiveste de reinventar
O caminho, enfrentando novos reveses.

Assim se constrói a vida humana
Feita de erros, vitórias, insatisfações
Feita de alegrias, tristezas, ilusões
Umas vezes com sentido, outras insana

Que o ser humano nunca está satisfeito
Objectivo atingido, logo este é desfeito
Porque esta nossa vida é mesmo assim.

Cortamos os caminhos sempre a eito
Procuramos sempre o mais perfeito
Em nome de uma procura sem ter fim.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 04, 2006

porque gritam os poetas



pintura de amoratus

http://amoratus.deviantart.com/gallery/

Porque gritam os poetas
Poemas sem dizer nada?
Gritam a alma feita estrada
Sentimentos feitos metas.

MANUEL F.C. ALMEIDA

mulher





















Mulher
Quando a vida
Se solta em teus
Olhos
E o vento acontece
Em teus cabelos
Olhar-te mais não é
Que um feitiço
Onde somos argonautas
Perante o desejo e a
Vida.

domingo, dezembro 03, 2006

WAR
















Já soam as bombardas e a metralha
Já se sente o cheiro a morte no ar
Homens e homens, a homens matar,
Escondida, à defesa ficou a canalha.

De fato e gravata tratam da batalha
Como se fossem crianças a brincar
Não lhes repugna a ideia de matar
Jovens que só pensam numa medalha

É nesta insane e cruel verdade
Onde se perde o valor “ humanidade”
Que os poderosos se fazem sentir

Uns farão isto por honra ou vaidade
Outros porque entendem sua a verdade
Outros, porque mais não sabem que destruir.

MANUEL F.C. ALMEIDA

sábado, dezembro 02, 2006

Pensamentos






















A espécie humana tem como base da sociabilidade o valor da palavra. Os romanos exprimiam essa importância com a expressão “ pacta sunt servanda” . Os pactos formam o são a nossa base social. Desde tenra idade aprendemos isso, na escola ao fazer amigos e posteriormente ao crescer, nos sucessivos pactos que vamos fazendo com os nossos amigos. Amigo passa a ser aquele em que podemos confiar, que nos diz sempre o que pensa e a verdade, que não mascara o que sente mesmo que por vezes isso não seja simpático e acima de tudo não fica em silêncio nos momentos que mais necessitamos dele.
No entanto verifica-se que existem quatro tipos de indivíduos que não mantêm a palavra e que, claro, nunca poderão ser amigos de ninguém. O mais conhecido existe no caso dos que amam ou supostamente amam e que por qualquer motivo intrínseco a eles mesmos, não conseguem manter o pacto de sinceridade nem de honestidade formado no início. Em qualquer momento deixam de parte o valor da sinceridade e da verdade e escondem-se em silêncios ou em mentiras.
Mas outros tipos são determinados no tecido social; os que não o fazem pela incapacidade e pela incerteza em relação ao que os rodeia. Rapidamente estes dão o dito por não. Um segundo exemplo surge nos que exigem muito de si próprios, incapazes de tudo controlar, a sua impotência leva-os na procura incessante de quem lhes indique o caminho. Quando tratados como iguais sentem-se desprotegidos e fazem da mentira e da insegurança a sua forma de estar, ao mesmo tempo que procuram sem cessar alguém mais inteligente e manipulador que lhes indique que fazer. Usualmente tornam-se fiéis seguidores fazendo tudo o que este lhe ordenar e deixando para o esquecimento os valores com que convivem.
O terceiro tipo é o de gente vaidosa, usualmente a honestidade para estes não tem qualquer valor desde que persigam um objectivo. Manipuladores natos, sacrificam tudo pela vaidade de acrescentar mais troféus de caça à sua colecção. Cordiais, simpáticos extremamente inteligentes aproximam-se do poder porque desta forma conseguirão fazer sentir ainda mais a sua presença.
O último tipo é composto por gente que se odeia a si mesmo e odeia os outros. Mascara os sentimentos com promessas de paraísos, cria laços que não pensa manter, dá palavra que não tenciona cumprir, faz da mentira e do fingir a sua arma. Quando assume compromissos pretende apenas quebrar as defesas dos outros conseguindo a sua confiança, para num momento qualquer lhes dar com um cutelo, como se de animais se tratassem.
Mas depois de reflectir tanto sobre isto, pergunto a mim mesmo a pergunta que todos deveríamos fazer:
Em que grupo eu estarei?
Será que todos os humanos são assim. Acredito que quase todos teremos comportamentos destes em determinados momentos da nossa vida. Mas se conseguirmos olhar para dentro de nós e descobrir que pelo menos sempre fomos sinceros com os que amamos e amámos, que nunca mentimos ou omitimos, que nunca fizemos fretes, então talvez encontremos algo de bom dentro de nós e tomemos consciência de que mais vale ser honesto e sincero, mesmo que com isso percamos, do que entrar-mos em jogos dos quais no envergonhamos.

Bocage inesgotavel e inigualavel





















Não lamentes, oh Nise, o teu estado;

Não lamentes, oh Nise, o teu estado;
Puta tem sido muita gente boa;
Putíssimas fidalgas tem Lisboa,
Milhões de vezes putas têm reinado:

Dido foi puta, e puta dum soldado;
Cleópatra por puta alcança a c'roa;
Tu, Lucrécia, com toda a tua proa,
O teu cono não passa por honrado:

Essa da Rússia imperatriz famosa,
Que inda há pouco morreu (diz a Gazeta)
Entre mil porras expirou vaidosa:

Todas no mundo dão a sua greta:
Não fiques, pois, oh Nise, duvido
Que isto de virgo e honra é tudo peta

Alentejo














Nas ruas despidas, sem
Gentes
Nas casas fechadas,
Vazias
Nos caminhos, reinos do

No horizonte perdido
Esquecido
Nas planícies onde estás
Sempre só
Aqui, neste lugar
Não tem fim
O Alentejo.

Manuel F. C. Almeida