
Onde as paisagens se perdem
Nas sombras que teimo em mudar,
E as margens se apertam,
Em noites de pleno luar.
Tenho um canto nas asas do meu querer,
Onde as palavras vagueiam
Na procura do meu ser
E os sentidos se perdem,
No meu efémero viver.
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ



Cegueira
foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares
De olhos abertos tacteio a memória à tua procura.
Recupero os cheiros dos nossos encontros
E o sabor adocicado dos nossos beijos.
Num trago de saudade sinto o meu corpo preso
Em ti, com um espinho que nos une, ainda.
Saúdo a vida que conheço
E recordo o teu olhar, da cor do mel, quando
A leveza das palavras nos dava a cumplicidade
Dos amantes que se tinham eternos.
A beleza selvagem e pura do que fomos
Ergue-se como um monumento ao que seremos.
E isso…
Só os deuses, se estiverem atentos, nos impedirão
De acontecer.
Manuel F. C. Almeida

É de prata, a noite no deserto.
Ali onde os homens se encontram e
se perdem,na procura do seu nome,
num ritual secular que desafia a modernidade,
O tempo toma a forma de uma planície.
Calma, pacata, imóvel.
O deserto dá ao tempo a forma dos nomes,
E descobre no sol a sua vivência.
Naquele lugar onde tudo se apaga,
Tudo é miragem, tudo foi sonho,
Tudo é nada.
Manuel F.C. Almeida


foto by: ABrito
Arrancaste do olhar uma chama
De ternura.
Com a tua mão deste-me a chama
Com o teu olhar
Um convite à loucura.
Manuel F. C. Almeida

Sei que caminhas aqui, a meu lado
E eu a par de ti, a proteger-te.
É certo que ficarei sempre mais velho
Mas tu também.
Seremos cúmplices no teu assalto à vida
e cúmplices no cumprir do meu tempo.
Resta-nos um não sei quê de sentidos
E a vivência dos dias por abrir
Num longo acontecer.
O meu tempo é o teu tempo,
Mas o teu tempo é só o teu tempo.
Manuel F.C. Almeida


SÓ PRA DIZER QUE TE ......
Foto by:Alba Luna
Eu queria dizer que te amo,
Minha aurora boreal.
De uma maneira só minha
que nada tem de banal.
Fazer-te sentir este amor,
que me levou à loucura.
Compensar os maus momentos,
com momentos de ternura.
Eu queria dizer que te amo,
em mil noites de procura.
Manuel F.C. Almeida.

Nada me contas dos dias que faltam viver. Apalpo o teu regaço, sinto o desejo a crescer.
Na sombra projectada uma alma, atormentada, segue o caminho das estrelas e o meu olhar pousa sobre a árvore da tua existência. Cadencia. Sim! Cadencia sintomática, repetida, suada, sentida na alma, que a pele… essa está deslembrada.
Nada te posso dizer. Tudo é segredo. Também me pensei assim. Numa revolução incandescente onde a cadencia me marcasse o tempo. Chegar e partir. Entrar e sair. Repetir. Repetir.
Sim, sim, faria tudo até à exaustão. Corpo livre, corpo sentido. Tesão. Marcharemos algures numa história esquecida, perdida. Para lá do ventos de carmim e das nuvens de algodão. Silencio. Recupero o sentido na vastidão cósmica da minha alma…da nossa alma.
Manuel F.C. Almeida

foto by: angelica
Deixa-me falar-te agora dos segredos
Que carrego.
Vou falar-te sobre a transmutação
Das plantas.
Do trigo em oiro e do lírios em diamantes.
Vou descrever-te o nome que o luar
Trás à solidão da memória
E o calor das mãos feitas sol.
Aqui, neste lugar onde o incenso
Se liberta da vida, o mar
Não para de se fazer sentir
Em cada célula que se descobre
Em nós.
E de mãos enlaçadas
Caminhamos de cabeça erguida
Na procura do lugar que um dia
Desenhámos.
Manuel F. C. Almeida

DESDE ENTAO OS EUA ATACARAM SEM MOTIVO DEZENAS DE PAISES SUBJUGANDO OS SEUS POVOS

Foto by:Ana Rita Vaz Cruz
O teu corpo eu quero beijar
Tua silhueta eu vou tomar
Numa paixão
Numa tesão
Que em ti eu espero matar.
Nos teus seios me vou deitar
No teu ventre saciar
Esta paixão
Esta tesão
Instaladas no meu sonhar.
Com teus olhos eu vou chorar
Com tua voz vou cantar
A minha paixão
A minha tesão
Vividas por um dia te amar.
Manuel F. C. Almeida

Insane não é?
O homem fica com
a alma escura.
Sobra o desprezo pela
Realidade.
Mas nada justifica, essa face
Escura.
Nada se entende, em tanta
Maldade.
Já não és pessoa, indivíduo
Apenas gente
Ali resumido, és massa
Disforme
Não há passado ou futuro
Só presente
Toda a visão é de terror
Enorme.
A morte escolhe os seus
E os seus Tempos
Tem como meta alimentar
O pó do deserto
Lancinantes gritos vivem
Nos ventos
Só a crueldade é dado
Certo
No fim, sobram gentes sem rumo
gentes isoladas.
Fome, doenças e uma enorme
Tristeza.
A vida, deixa de o ser, destruída em
Nadas.
Tudo o que somos são só
impurezas.
Manuel F.C. Almeida


Para o fim de semana
que me vou a banhos
foto by: angelica
De mãos dadas com o tempo tatuei o coração
Teus lábios sabiam a vento, o teu odor a ilusão
Tuas palavras unguento, teu respirar oração
Teu olhar era um momento, teus beijos uma canção
Teu corpo era um tormento, pra toda a minha paixão.
Manuel F.C. Almeida