Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
terça-feira, maio 22, 2012
quinta-feira, maio 17, 2012

As escolhas feitas com o coração,
O perfume de ser e estar na solidão
A viajem sem destino ou identidade?
Como descrever a penumbra
Em que mergulham os que não existem
Os que são úteis na batalha ocasional
Dos interesses do pudor.
Como descrever a omissão
Soletrada nas palavras silencio
Na ausência do tacto e dos dedos
No frio e no desdém do sorriso.
Como descrever a normalidade
De viver em liberdade?
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, maio 03, 2012
Toda a gente que me lê
sábado, abril 28, 2012
terça-feira, abril 24, 2012
EM ABRIL

O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em encantar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, abril 20, 2012

Atento vejo o teu andar
O sentido prenhe do olhar
E desespéro por um canto
Que me resgate o desencanto.
Mas tudo tarda em chegar.
Há uma barca no mar.
Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos
Já não há flores neste jardim
Onde o meu sonho não tem fim
Na monotonia destes dias
Nunca entendi o que sentias
E o tempo no o seu trabalho
Fez do oceano gota de orvalho
Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos
E volto a ver o teu andar
Não encontro o teu olhar
Do desespero fiz um canto
Que resolveu o desencanto
Já nada mais há a esperar
Há tanto mundo para abraçar
Manuel F. C. Almeida
domingo, abril 15, 2012

Com a voz de Léo Férre em fundo
Não consigo deixar de pensar
No vazio de tudo isto, isto! aquela
Vida sem vida, aquele falar do nada
Que se instala na alma e do qual
Tememos sair.
E não deixa de ser estranho este ser
Sem nada ser. Esta espera amordaçada
Que se tatua no silêncio da verdade,
Este sonho de ser parte de algo
Que não existe. Um livro lido
E algures esquecido, porque é
Da natureza humana silenciar
O medo.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, abril 12, 2012

Como se eu fora diferente
Como se fosse possível ler
O que se constrói dentro da gente
O Certo, errado, o bem e o mal
A alegria a tristeza, o júbilo, a dor
As razões, os equívocos, são de tal
Modo estranhos, como estranho
É querer entender o outro
Sem nos entendermos a nós.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, abril 06, 2012

Abre a porta
e as janelas
Algures lá fora
alguém olha
Liberta o que és
a nada te prendas
A vida é só uma não
há tempo a perder
Desfralda as
tuas velas
Faz do teu tempo
a tua escolha
Não sejas cordeiro
de oferendas
Não há deuses ou
deusas, só há viver.
Firme na tarde
de um dia sem tempo
Faz do ser livre
o mote da vida
Faz do olhar uma
obra de arte
Faz da paixão uma
luz que te guia
E como um rochedo
moldado pelo vento
Desfaz-te em mil
pedaços e de seguida
Reinventa tudo
e livre parte
Só na liberdade
pode existir alegria.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, abril 02, 2012
terça-feira, março 27, 2012
quarta-feira, março 21, 2012
sexta-feira, março 16, 2012
segunda-feira, março 12, 2012
segunda-feira, março 05, 2012
quinta-feira, março 01, 2012

Corro atrás do pensamento,
Que teima sempre em fugir.
Suplico asas ao vento,
No vento que está para vir.
Estendo os braços e em vão.
Lanço os dedos para o nada.
Fica presa a minha mão,
No desenho desta estrada.
E lá vai o pensamento
Que não se deixa domar.
E em cada doce momento
Há sempre algo novo a sonhar.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Que nos consome
E se consome no tempo.
As memórias apontam-nos
Caminhos dispersos.
Não há nascente ou poente.
Perde-se o senso e o caminho
Na cegueira de um silencio oco.
Já não resta nada para lá
Do hábito inerte do conformismo.
Os desenhos feitos com esperança
Tornam-se notas breves de uma
Sinfonia inaudível e é nelas
Que prendemos o que resta nós,
E da sombra do que fomos.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, fevereiro 22, 2012
sexta-feira, fevereiro 17, 2012
terça-feira, fevereiro 14, 2012
domingo, fevereiro 12, 2012

parte 3 sobre moral e ética a partir de um texto anónimo
quinta-feira, fevereiro 09, 2012

Naquela tarde sem fim
O tempo tinha parado
E não passava por mim
Caminhei ao longo da estrada
Que desenhei no papel
E fui encontrando no nada
As palavras que perdi
Nos dias em que procurava
O teu odor a jasmim.
Uma a uma as juntei,
Num feixe de sentimentos
Tentei encontrar o sentido
Naquelas palavras perdidas
Mas tudo parecia trocado
Eram já só sedimentos.
E o tempo teimoso, parado
Deu-me então a recordar
Os dias em que ao correr
Soletrava o verbo amar.
E vi tudo envelhecer
E vi as aves voarem
Só não encontrei nos teus olhos
Aquela centelha de luz
Que transforma a noite no dia
E faz o tempo avançar
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, fevereiro 07, 2012
Continuação da reflexão sobre a moral e a ética a partir de um texto de autor desconhecido

Este princípio, genericamente, tem como ponto de partida a constatação de que o ser dotado de sensibilidade procura naturalmente o que lhe propicia prazer e aparta de si o que lhe provoca dor e angústia. Assim verificamos as reacções quer de animais, quer de plantas para a procura desse estado. Nos humanos, e desde que se nasce (o primeiro choro, fruto da queima pulmonar), até ao ultimo momento, este principio faz parte e é central na nossa existência. O que se altera é a forma de o manifestar, já que as circunstancias do meio também se alteram à medida que vamos envelhecendo. Mas o que fica e está sempre presente é a procura do que se nos afigura bom, em contraponto ao que cremos ser mau. E chegámos ao cerne da questão e a um dos mais intricados problemas da filosofia, o bem e o mal, ou seja, aos objectos sobre os quais a ética se debruça.
A Ética mais não é que o espelho das preocupações humanas com os conceitos de bem e de mal, sobre o que se nos apresenta como certo e como errado, e é algo presente na vida de todo o ser humano em todos os momentos decisórios. E é nesse ponto, na “praxis” desta tensão interna que se funda a dicotomia ética/moral.
Desde sempre os pensadores procuraram sistematizar e determinar as fronteiras dos dois conceitos. De Aristóteles a Kant, de Santo Agostinho a Nietzsche todos procuram resposta para estas questões. Assim para uns a moral refere-se à “praxis” e a ética será o fundamento que disciplina essa prática. Assim é frequente ouvir falar em moral judaico/cristãs, Kantiana, Marxista, Oriental etc, mas para alguns os fundamentos de todas teriam como base a ciência universal que suporta todos estes universos; A ética já que só ela se debruça sobre os conceitos universalizáveis e logo só ela pode guindar-se ao conceito de ciência.
domingo, fevereiro 05, 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
Reflexão sobre O ser, a ética e a moral a partir de um texto lido anónimo

É recorrente ouvir a frase “gostos não se discutem”. Nada mais errado. Ter o gosto como algo imutável e subjectivo choca claramente com a realidade de todos os dias. É verdade que a cada indivíduo corresponde opinião e gosto próprios e usualmente diferente de outros. Mas também é verdade que quase todos nós mudamos de opinião em vários aspectos da vida, o que só vem provar que o “ser” muda ao longo da aprendizagem e contradiz de forma clara a frase do senso comum com que iniciei este texto.
Ao mesmo tempo muitos de nós pretendem ver na personalidade de cada um a presença do mundo natural, como se a personalidade fosse resultado aleatório da acção da natureza sobre o indivíduo. Significa isto que a aprendizagem seria uma coisa aberrante já que a natureza se encarregaria de tudo nos dar. Assim o que é natural seria inato e assim sendo a personalidade seria algo independente do “ser” mas criada pela natureza. Na realidade a génese dos conceitos pessoa e personalidade tem a mesma raiz, Persona,. Logo todo o ser humano á nascença seria apenas e só algo em potência e nunca uma pessoa. Já que no momento de nascer não é possível manifestar um sistema de gostos.
Ora se tomar-mos como certa a afirmação de que a personalidade se forma através de um conjunto de condições subjectivas e claramente mutáveis existe um principio inerente a toda a espécie, o princípio do prazer.
continua
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
Que me encontro nu
A razão adormece
Acordada a guerra
E o sabor a sangue cru
Mergulho nas águas
Gélidas do oceano.
Despedaço a pele
Porque estou sujo
Da vida, ano após ano.
Deram-me a ilusão de voar
Mas só sobrevivem
No meu pensamento
E na voz das sereias que ouço cantar
E nos olhos que tenho
Deixo que o fogo renasça
E se aviva e cresça
Como se fora vivo
E sendo vivo se refaça.
sábado, janeiro 28, 2012
terça-feira, janeiro 24, 2012
quinta-feira, janeiro 19, 2012

Quantas noites sem sentido habitaram
Os olhares curiosos que se perderam
No vazio da escuridão?
A perversão imensa dos objectos inanimados
Que se confundem com corpos sem alma
Solenemente deitados. Ali quietos. Num, existir
Sem acontecer.
A morte das paixões é a vitória do vazio
E a glória do abandono útil.
Manuel F. C. Almeida
sábado, janeiro 14, 2012

Já nem dos sonhos te manténs desperto
Nem dos tempos recuperas a sorte.
Tudo o que demandas é a paz do ego
Solta e livre sem derrota e sem vitória.
Altivo o querer deixa-te ser o que és.
Se erras não escondes o olhar nas palavras
Arrependidas da culpa. Porque a não conheces.
Desenhas na vida um arco de esperança
E continuas o teu caminhar, no som breve
Das palavras, na inconstância de existir
E na glória de viver quem és.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, janeiro 11, 2012
domingo, janeiro 08, 2012

Elegia sem chama.
Agora tudo parece claro, o olhar foge do olhar
E as palavras banais tomam o lugar do sonho.
Assim se vivem alguns anos, com o conforto
De uma presença útil, uma presença serviçal
A quem se chama meu, como a um copo
Ou uma taça de cristal de segunda qualidade.
E ficamos satisfeitos a espaços, interessadamente
Satisfeitos, passeamos o objeto pela coleira
Invisível da existência socialmente aceite.
Mascaramos os sentidos e os sentimentos
Com palavras de ocasião, esquecemos o prazer,
O riso e a amizade, nesta geometria indecifrável
A que nos submetemos, na vaga esperança
De um dia tudo se resolver, como se por magia
Ou pela arte dos deuses o tédio, e o desinteresse
Não sejam decifráveis no olhar. Mas o que se
Esconde dos olhos nunca se esconde nos gestos.
Ou na falta deles.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 31, 2011

Canto de amor livre
No caminho ergueste o prazer
Em torno de silêncios e palavras mudas
Afloraste os sentidos e o corpo
Com olhares de entrega e desejo
Sangraste a paixão libertando assim
A ânsia sôfrega da posse.
E á noite, quando as memórias
Sangram o tempo e as mãos
Se perdem vazias na doçura
De tactear o passado, estendes
A alma e os teus segredos
No tapete que bordaste à mão.
Olhas quem te tomou o corpo
Mas nunca o espírito, quem te
Desfolha e te seca a carne,
Mas nunca esqueces quem
Te pintou as pétalas do olhar
E livre te deixou para voar.
Porque as memórias são o presente
Que a vida nos dá no caminho.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, dezembro 28, 2011
domingo, dezembro 25, 2011

Por todo o lado em Portugal
Celebra-se o natal.
Numa estranha unanimidade
Pobres e ricos, são agora como irmãos.
Nos concelhos de todo o país
É tempo de festividades.
As famílias, unem-se, uma vez por ano
Em redor de uma mesa.
Os mais velhos desejosos de sossego,
Os do meio desejosos de sossego
Os mais novos com um sorriso na face
Antecipando gulosamente os presentes da praxe
que de imediato irão mostrar aos meninos sem natal.
É assim o natal, um dia em que todos abdicam
Da sua felicidade em prol da infelicidade coletiva.
Esta época é tão importante em Portugal que,
Todos os portugueses se sentem imbuídos do seu espirito.
Comunistas, socialista, sociais-democratas e outros que tais
Todos celebram o seu natal em paz e harmonia.
São as decorações das ruas que trazem mais cor e brilho
São os presépios de agradecimento ao senhor
São cânticos ao Deus menino que nas palhas
Foi parido.
É tão bonito…o natal
Nas ruas os pobrezinhos são presenteados com
O lavar da consciência dos outros.
Chama-se caridade, há quem lhe chame
Solidariedade, mas vai dar ao mesmo
Dar um pouco daquilo a que todos têm direito
Mas que todos os dias lhes é negado.
E é isto e muito mais o natal
Em Portugal.
E no mundo ocidental.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 22, 2011

Teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho caderno, que cheire a papel
Quando o voltar a ler.
Nada mais que memórias, confronto
E um rasto de inutilidade nunca
Resolvida.
Sem palavras ou sem olhares
Transformámos a amizade em algo
Externo à nossa vivencia
E nem do toque dos lábios
Ou das letras do nome nos recordamos.
Quem não sabe resolver o passado
Raramente resolve o futuro.
Toda a existência passa então a ser
Uma presença no deserto
Um grito reprimido no peito
Um sentir de não sentir
Um arrastar miserável da existência
Por caminhos sempre incógnitos.
O teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho papel que o tempo vai
Consumir.
Porque o tempo tudo limpa, e tudo lava
Só não pode tratar os muros
Erguidos pela memória.
Manuel F. C. Almeida
foto: Ana Alba Luna
domingo, dezembro 18, 2011

Presente nas palavras,
Escondido nos conceitos
O poema resolve-se
No abrir dos lábios em chama
E nos olhares que se
Ausentam
Dos dias e das noites
De paixão, como o anjo
Que reproduz a dualidade
Divina e a isenta de culpa.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 15, 2011

Perdi o olhar
Num local qualquer
Onde também
Ficaram as palavras
E os sonhos inocentes
De felicidade.
Tacteio o horizonte
Com o pouco que me ficou
E questiono-me sobre
O que sou.
Dão-me abraços, beijos
E flores
Muitas flores
Decoradas com estrelas
E lágrimas de cristal.
Mas as flores desfazem-se
No tempo e as lágrimas
Corroem-me os dias.
Tenho mil olhares
Sobre os meus ombros
E o enorme desejo
De explodir
Numa orgia de vida,
Na ultima prova de que vivi.
Manuel F. C. Almeida
domingo, dezembro 11, 2011

Amor
Poemas em que derramava
O meu sentir, a doçura que
Escondo do mundo e que me
Trespassa o olhar quando te vejo.
Eram poemas de amor, poemas tolos
Como só os poemas de amor o sabem ser.
Costumava cantar o teu corpo
Como se de uma aurora falasse
E espraiava nas palavras o som
Do meu coração.
Eram poemas ternos, de uma ternura
Minha, criada e crescida dentro de mim.
E apaixonei-me pelas palavras
Que te criaram.
Eram minhas, nunca foram tuas.
E como todos nós, apaixonei-me
Pela minha ideia do outro.
Porque o outro vive, tal como todos nós,
Dentro de si e das suas construções
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, dezembro 08, 2011

Quando amar se resolve
Na liberdade de amar
Outra dimensão nos envolve
No reencontro do olhar
Um olhar da liberdade
Que tantas vezes nomeamos
Um olhar feito vontade
Um sentir de quem amamos
E só assim se pode amar
Com toda a essência de ser
Na liberdade de olhar
Quem em liberdade nos quer
E nesse querer sem medida
Nesse amar para lá de ter
Reside o segredo da vida
Sentir que amar é viver.
Manuel F. C. Almeida
domingo, dezembro 04, 2011
quinta-feira, dezembro 01, 2011

Silenciadas pelo mundano.
Viagens ao que somos,
Viagens ao que tememos,
Viagens escondidas dos outros.
Coisas que só nós sabemos que existem.
Segredos inconfessáveis,
Porque em cada um há um mundo
Que deixámos para trás
Um mundo de escolhas
Inutilizadas
Mas que continuamente
Nos interrogam.
Há viagens dentro de nós
Que nunca irão acontecer
Porque é tarde
E escolher é isto mesmo
Sentir as dores das escolhas.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 27, 2011
quarta-feira, novembro 23, 2011

Sente-se a confusão dos tempos
Nas folhas soltas de um Outono
Igual a tantos outros.
Os corações soltam-se na angústia
Prenhe de bruma.
A poesia é isto mesmo, um escrever
Nas folhas o que está escrito
Nos dias.
Algures o encanto das palavras
Faz sorrir um coração
E o sonho impossível do poema
Cria orvalho no olhar.
A mão que se estende ou o sorriso
Que nasce ao passar dos dias e dos tempos
Fica muda, sem canções.
O vento brinca com as andorinhas
E o clamor da terra deixa-nos sempre
Assim…
No canto dos poemas vive-se sempre
As angustias da alma.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 20, 2011
O olhar cerrado grita
O silêncio da loucura
Que se mascara em sorriso.
Nada fica
Tudo parte.
E os pássaros que voam ao sul
Esquecem o céu
E a cor dos loendros.
E o silêncio permanece
Um mistério do olhar cerrado
E de cada vez
Que os olhos se entreabrirem
É a visão da loucura e
O medo do homem que acorda,
Encontrar.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 13, 2011

Já não te chega o dinheiro
Pró teu filho alimentar
Trazes a raiva contida
No coração a sangrar
Vives a vida que querem
Não te deixam levantar
O desespero que sentes
Vai um dia rebentar
Teu mundo é uma tristeza
Que parece não ter para par
Só o olhar do teu filho
Te dá razão pra lutar
Levanta a cabeça e agarra
Tens o futuro a mudar
Nunca te entregues sem luta
A vida faz-se a lutar
Às promessas que te fazem
Não as queiras tu tomar
O teu filho merece
Que venças a ondas do mar.
(a partir de um tema de Zeca Afonso: menina dos olhos tristes, aproveitando a musica)
Manuel F.C. Almeida




















