sexta-feira, abril 06, 2012
















Abre a porta
e as janelas
Algures lá fora
alguém olha
Liberta o que és
a nada te prendas
A vida é só uma não
há tempo a perder
Desfralda as
tuas velas
Faz do teu tempo
a tua escolha
Não sejas cordeiro
de oferendas
Não há deuses ou
deusas, só há viver.

Firme na tarde
de um dia sem tempo
Faz do ser livre
o mote da vida
Faz do olhar uma
obra de arte
Faz da paixão uma
luz que te guia
E como um rochedo
moldado pelo vento
Desfaz-te em mil
pedaços e de seguida
Reinventa tudo
e livre parte
Só na liberdade
pode existir alegria.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 02, 2012














AO MEU FILHO






Tu és uma folha solta num dia de inverno

Uma colina sólida no meu olhar

Moldas-te em mim e tua presença

Como a noite que se repete e se renova

Como o rio que se precipita até ao mar.

Tu és a força da vida,

presente no meu pensar


Manuel Almeida




28-03-2012

terça-feira, março 27, 2012

























Pinto as palavras
Com a cor da musica,
Soletro-as com harmonia,
E faço com elas
Um hino à alegria
De viver,
Desenho-as no espaço
Dos sons falados,
De hinos de amor,
Ou ódio cantados,
Em tardes quentes
Ou manhãs frias
E com as palavras
Desenho no céu...


Poesias.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 21, 2012






















Nesta minha ordem distraída
Entre dias de inverno
E um desejo animal
Sinto o teu abrir de pernas
Como diamantes e esmeraldas
Que se ofertam aos deuses
E ao toque dos teus dedos
Tomo-te o ventre entre os lábios,
Os seios entre os mãos
E deixo a vida pairar,
Em ondas de aluvião.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 16, 2012






















De olhos ávidos
Descubro
Em todo o lado
A paisagem
Do assombro,
Tingida pela
Lascívia dos corpos
Estáticos
Entre casas fechadas e
Abismos na alma.
Que o tempo teima em manter.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 12, 2012
















Arde-me o corpo
E não é febre
É um desejo louco
De te ter.
Tomar-te o seios
Entre os lábios
E gentilmente
renascer.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 05, 2012



















Quantas vezes sou presente
Quantas vezes sou passado
Quantas vezes sou ausente
E quantas estou a teu lado?
Quantas vezes me pergunto
Se é este o lugar certo
Se não serei já defunto
Num caminho sempre incerto.

Quantas vezes olho o espelho
E só lá vejo um deserto….

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 01, 2012

















Corro atrás do pensamento,
Que teima sempre em fugir.
Suplico asas ao vento,
No vento que está para vir.
Estendo os braços e em vão.
Lanço os dedos para o nada.
Fica presa a minha mão,
No desenho desta estrada.
E lá vai o pensamento
Que não se deixa domar.
E em cada doce momento
Há sempre algo novo a sonhar.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 27, 2012





















Há sempre um amanhã
Que nos consome
E se consome no tempo.
As memórias apontam-nos
Caminhos dispersos.
Não há nascente ou poente.
Perde-se o senso e o caminho
Na cegueira de um silencio oco.
Já não resta nada para lá
Do hábito inerte do conformismo.
Os desenhos feitos com esperança
Tornam-se notas breves de uma
Sinfonia inaudível e é nelas
Que prendemos o que resta nós,
E da sombra do que fomos.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

















É minha irmã, minha companheira
O meu outro lado, o desconhecido
Que se adormece e se esquece
Na noite sem luz.
Mas mal me levanto, ela lá está
Sempre pronta a seguir-me, sem descanso
E ergue-se acima daquilo que sou
Muito maior que um dia serei
A sombra que é minha
Mas que nunca terei.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 17, 2012





















Já nada acontece
Já nem há respostas
Para as questões
Que me são postas
Não há razão que resista
Ao meu direito
A sonhar
Explicações?
Procurem no ar.
Porque este meu estar
E as minhas palavras
Estão vivas no olhar
Nas cores da madrugada
E na poesia
Porque falar de amor
É falar de magia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 14, 2012















Ouço a relva
E vejo as borboletas
Que se entregam
Ao vento.
Sento-me debruçado sobre
A minha cegueira
Num canto onde invoco
As mãos que deixei
Presas nos teus seios.
Os dedos dançam
Loucos, embriagados.

Só o teu corpo se ausentou
E os sonhos tocam o infinito.

Manuel F. C. Almeida

domingo, fevereiro 12, 2012











parte 3 sobre moral e ética a partir de um texto anónimo







Um dos exemplos deste tipo de moral provém do movimento estoico, o estoicismo mais não é que a afirmação individual da independência espiritual, quer os 1ºs cristãos quer alguns imperadores de Roma adotaram posturas próximas do estoicismo. Para estes nada acontece por acaso ou seja tudo o que se manifesta faz-se pela necessidade e mais não é que a manifestação do princípio inteligente do cosmos, assim a indiferença e a apatia são o modo certo de enfrentar a vida. Tudo é passível de ser suportado desde que a racionalidade seja bem direcionada. Toda a Acão está predeterminada, escrita, destinada a…ao sábio estoico exige-se o controle total sobre as emoções e quando tal não for possível então o suicídio é a única saída. Também os epicuristas recusam os prazeres do corpo, valorizando a amizade e a reclusão em circuitos muito fechados, afastados da urbe o sábio epicurista voltava-se para si e para a procura do eu espiritual.

quinta-feira, fevereiro 09, 2012















Havia algo de errado
Naquela tarde sem fim
O tempo tinha parado
E não passava por mim

Caminhei ao longo da estrada
Que desenhei no papel
E fui encontrando no nada
As palavras que perdi
Nos dias em que procurava
O teu odor a jasmim.

Uma a uma as juntei,
Num feixe de sentimentos
Tentei encontrar o sentido
Naquelas palavras perdidas
Mas tudo parecia trocado
Eram já só sedimentos.

E o tempo teimoso, parado
Deu-me então a recordar
Os dias em que ao correr
Soletrava o verbo amar.

E vi tudo envelhecer
E vi as aves voarem
Só não encontrei nos teus olhos
Aquela centelha de luz
Que transforma a noite no dia
E faz o tempo avançar

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, fevereiro 07, 2012

Continuação da reflexão sobre a moral e a ética a partir de um texto de autor desconhecido




















Este princípio, genericamente, tem como ponto de partida a constatação de que o ser dotado de sensibilidade procura naturalmente o que lhe propicia prazer e aparta de si o que lhe provoca dor e angústia. Assim verificamos as reacções quer de animais, quer de plantas para a procura desse estado. Nos humanos, e desde que se nasce (o primeiro choro, fruto da queima pulmonar), até ao ultimo momento, este principio faz parte e é central na nossa existência. O que se altera é a forma de o manifestar, já que as circunstancias do meio também se alteram à medida que vamos envelhecendo. Mas o que fica e está sempre presente é a procura do que se nos afigura bom, em contraponto ao que cremos ser mau. E chegámos ao cerne da questão e a um dos mais intricados problemas da filosofia, o bem e o mal, ou seja, aos objectos sobre os quais a ética se debruça.
A Ética mais não é que o espelho das preocupações humanas com os conceitos de bem e de mal, sobre o que se nos apresenta como certo e como errado, e é algo presente na vida de todo o ser humano em todos os momentos decisórios. E é nesse ponto, na “praxis” desta tensão interna que se funda a dicotomia ética/moral.

Desde sempre os pensadores procuraram sistematizar e determinar as fronteiras dos dois conceitos. De Aristóteles a Kant, de Santo Agostinho a Nietzsche todos procuram resposta para estas questões. Assim para uns a moral refere-se à “praxis” e a ética será o fundamento que disciplina essa prática. Assim é frequente ouvir falar em moral judaico/cristãs, Kantiana, Marxista, Oriental etc, mas para alguns os fundamentos de todas teriam como base a ciência universal que suporta todos estes universos; A ética já que só ela se debruça sobre os conceitos universalizáveis e logo só ela pode guindar-se ao conceito de ciência.

domingo, fevereiro 05, 2012




















Por vezes o brilho
Dos teus olhos
Ofusca o brilho
Das estrelas
E é neles que viajo
Á noite, quando
Adormeço e carrego
Os sonhos que um dia
Sonhei.
Mas os teus olhos
Estão ausentes e a mim
Só me resta sonhar
Com a beleza
Dos meus sonhos
Espalhados nas
Estrelas.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Reflexão sobre O ser, a ética e a moral a partir de um texto lido anónimo
















É recorrente ouvir a frase “gostos não se discutem”. Nada mais errado. Ter o gosto como algo imutável e subjectivo choca claramente com a realidade de todos os dias. É verdade que a cada indivíduo corresponde opinião e gosto próprios e usualmente diferente de outros. Mas também é verdade que quase todos nós mudamos de opinião em vários aspectos da vida, o que só vem provar que o “ser” muda ao longo da aprendizagem e contradiz de forma clara a frase do senso comum com que iniciei este texto.
Ao mesmo tempo muitos de nós pretendem ver na personalidade de cada um a presença do mundo natural, como se a personalidade fosse resultado aleatório da acção da natureza sobre o indivíduo. Significa isto que a aprendizagem seria uma coisa aberrante já que a natureza se encarregaria de tudo nos dar. Assim o que é natural seria inato e assim sendo a personalidade seria algo independente do “ser” mas criada pela natureza. Na realidade a génese dos conceitos pessoa e personalidade tem a mesma raiz, Persona,. Logo todo o ser humano á nascença seria apenas e só algo em potência e nunca uma pessoa. Já que no momento de nascer não é possível manifestar um sistema de gostos.
Ora se tomar-mos como certa a afirmação de que a personalidade se forma através de um conjunto de condições subjectivas e claramente mutáveis existe um principio inerente a toda a espécie, o princípio do prazer.
continua

quarta-feira, fevereiro 01, 2012



















É nos vestígios da terra
Que me encontro nu
A razão adormece
Acordada a guerra
E o sabor a sangue cru

Mergulho nas águas
Gélidas do oceano.
Despedaço a pele
Porque estou sujo
Da vida, ano após ano.


As asas que roubei a Ícaro
Deram-me a ilusão de voar
Mas só sobrevivem
No meu pensamento
E na voz das sereias que ouço cantar

E nos olhos que tenho
Deixo que o fogo renasça
E se aviva e cresça
Como se fora vivo
E sendo vivo se refaça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 28, 2012


















Na noite todas as derrotas se escondem,



Correm-se os medos e os segredos.


Cada minuto é um grito fechado


Em si mesmo, feito de memórias


Que se alteram no suceder do tempo.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 24, 2012















Trato o tempo num instante
Sem olvidar a acção
Nem esquecer a realidade
Em que o "eu" existe fora de mim
E sobrevive para lá da minha
Existência consciente.
Eu sou tudo o que pensam de mim
E sendo assim, sou muitos

Que não sou, sendo apenas
só "eu" entre muitos.





Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 19, 2012


















Quantas noites sem sentido habitaram


Os olhares curiosos que se perderam


No vazio da escuridão?


A perversão imensa dos objectos inanimados


Que se confundem com corpos sem alma


Solenemente deitados. Ali quietos. Num, existir


Sem acontecer.


A morte das paixões é a vitória do vazio


E a glória do abandono útil.



Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 14, 2012
















Já nem dos sonhos te manténs desperto

Nem dos tempos recuperas a sorte.

Tudo o que demandas é a paz do ego

Solta e livre sem derrota e sem vitória.

Altivo o querer deixa-te ser o que és.

Se erras não escondes o olhar nas palavras

Arrependidas da culpa. Porque a não conheces.

Desenhas na vida um arco de esperança

E continuas o teu caminhar, no som breve

Das palavras, na inconstância de existir

E na glória de viver quem és.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 11, 2012

















E por entre palavras e sonhos
Cavalgámos a brisa das manhãs.
Colámos os lábios, fundimos os sexos
E dos corpos amordaçados de prazer,
Fizemos saltar as mãos na ânsia de amar
Para lá da vida.

Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 08, 2012










Elegia sem chama.








Agora tudo parece claro, o olhar foge do olhar
E as palavras banais tomam o lugar do sonho.
Assim se vivem alguns anos, com o conforto
De uma presença útil, uma presença serviçal
A quem se chama meu, como a um copo
Ou uma taça de cristal de segunda qualidade.
E ficamos satisfeitos a espaços, interessadamente
Satisfeitos, passeamos o objeto pela coleira
Invisível da existência socialmente aceite.
Mascaramos os sentidos e os sentimentos
Com palavras de ocasião, esquecemos o prazer,
O riso e a amizade, nesta geometria indecifrável
A que nos submetemos, na vaga esperança
De um dia tudo se resolver, como se por magia
Ou pela arte dos deuses o tédio, e o desinteresse
Não sejam decifráveis no olhar. Mas o que se
Esconde dos olhos nunca se esconde nos gestos.
Ou na falta deles.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 04, 2012





















Já não sou quem um dia fui
Tudo muda quando evolui
E eu fui mudando
Com o vento que me secou a pele
E me apunhalou a inocência.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 31, 2011










Canto de amor livre




No caminho ergueste o prazer
Em torno de silêncios e palavras mudas
Afloraste os sentidos e o corpo
Com olhares de entrega e desejo
Sangraste a paixão libertando assim
A ânsia sôfrega da posse.

E á noite, quando as memórias
Sangram o tempo e as mãos
Se perdem vazias na doçura
De tactear o passado, estendes
A alma e os teus segredos
No tapete que bordaste à mão.

Olhas quem te tomou o corpo
Mas nunca o espírito, quem te
Desfolha e te seca a carne,
Mas nunca esqueces quem
Te pintou as pétalas do olhar
E livre te deixou para voar.

Porque as memórias são o presente
Que a vida nos dá no caminho.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 28, 2011





















Agora recordo
Que a poesia não
Esconde nada.
Nem as palavras
Nem o silencio.
Só espelha a
Voz no tempo
E o desejo de
Tomar os corpos
E celebrar a
Vida em pleno.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 25, 2011
















Por todo o lado em Portugal
Celebra-se o natal.
Numa estranha unanimidade
Pobres e ricos, são agora como irmãos.
Nos concelhos de todo o país
É tempo de festividades.
As famílias, unem-se, uma vez por ano
Em redor de uma mesa.
Os mais velhos desejosos de sossego,
Os do meio desejosos de sossego
Os mais novos com um sorriso na face
Antecipando gulosamente os presentes da praxe


que de imediato irão mostrar aos meninos sem natal.
É assim o natal, um dia em que todos abdicam
Da sua felicidade em prol da infelicidade coletiva.
Esta época é tão importante em Portugal que,
Todos os portugueses se sentem imbuídos do seu espirito.
Comunistas, socialista, sociais-democratas e outros que tais
Todos celebram o seu natal em paz e harmonia.
São as decorações das ruas que trazem mais cor e brilho
São os presépios de agradecimento ao senhor
São cânticos ao Deus menino que nas palhas
Foi parido.
É tão bonito…o natal
Nas ruas os pobrezinhos são presenteados com
O lavar da consciência dos outros.
Chama-se caridade, há quem lhe chame
Solidariedade, mas vai dar ao mesmo
Dar um pouco daquilo a que todos têm direito
Mas que todos os dias lhes é negado.
E é isto e muito mais o natal
Em Portugal.
E no mundo ocidental.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 22, 2011




















Teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho caderno, que cheire a papel
Quando o voltar a ler.
Nada mais que memórias, confronto
E um rasto de inutilidade nunca
Resolvida.
Sem palavras ou sem olhares
Transformámos a amizade em algo
Externo à nossa vivencia
E nem do toque dos lábios
Ou das letras do nome nos recordamos.

Quem não sabe resolver o passado
Raramente resolve o futuro.
Toda a existência passa então a ser
Uma presença no deserto
Um grito reprimido no peito
Um sentir de não sentir
Um arrastar miserável da existência
Por caminhos sempre incógnitos.

O teu nome, guardei-o a sete chaves
Numa caixa dourada nas folhas de
Um velho papel que o tempo vai
Consumir.
Porque o tempo tudo limpa, e tudo lava
Só não pode tratar os muros
Erguidos pela memória.

Manuel F. C. Almeida



foto: Ana Alba Luna

domingo, dezembro 18, 2011

















Presente nas palavras,
Escondido nos conceitos
O poema resolve-se
No abrir dos lábios em chama
E nos olhares que se
Ausentam
Dos dias e das noites
De paixão, como o anjo
Que reproduz a dualidade
Divina e a isenta de culpa.

Manuel F. C. Almeida

foto : Ana Alba Luna.

quinta-feira, dezembro 15, 2011



















Perdi o olhar
Num local qualquer
Onde também
Ficaram as palavras
E os sonhos inocentes
De felicidade.

Tacteio o horizonte
Com o pouco que me ficou
E questiono-me sobre
O que sou.
Dão-me abraços, beijos
E flores
Muitas flores
Decoradas com estrelas
E lágrimas de cristal.

Mas as flores desfazem-se
No tempo e as lágrimas
Corroem-me os dias.

Tenho mil olhares
Sobre os meus ombros
E o enorme desejo
De explodir
Numa orgia de vida,
Na ultima prova de que vivi.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 11, 2011





Amor









Costumava escrever-te poemas.
Poemas em que derramava
O meu sentir, a doçura que
Escondo do mundo e que me
Trespassa o olhar quando te vejo.
Eram poemas de amor, poemas tolos
Como só os poemas de amor o sabem ser.

Costumava cantar o teu corpo
Como se de uma aurora falasse
E espraiava nas palavras o som
Do meu coração.
Eram poemas ternos, de uma ternura
Minha, criada e crescida dentro de mim.

E apaixonei-me pelas palavras
Que te criaram.
Eram minhas, nunca foram tuas.
E como todos nós, apaixonei-me
Pela minha ideia do outro.
Porque o outro vive, tal como todos nós,
Dentro de si e das suas construções
Na liberdade de ser quem é Humano


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 08, 2011






















Quando amar se resolve
Na liberdade de amar
Outra dimensão nos envolve
No reencontro do olhar
Um olhar da liberdade
Que tantas vezes nomeamos
Um olhar feito vontade
Um sentir de quem amamos
E só assim se pode amar
Com toda a essência de ser
Na liberdade de olhar
Quem em liberdade nos quer
E nesse querer sem medida
Nesse amar para lá de ter
Reside o segredo da vida
Sentir que amar é viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 04, 2011




















Há na espera de ti uma magia
Doce e suave
Há a sombra ao cair da tarde,
Um beijo contido no pele,
Um olhar desassombrado

Há na espera de ti um coração
Encantado

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 01, 2011

















Há viagens dentro de nós
Silenciadas pelo mundano.
Viagens ao que somos,
Viagens ao que tememos,
Viagens escondidas dos outros.
Coisas que só nós sabemos que existem.
Segredos inconfessáveis,
Porque em cada um há um mundo
Que deixámos para trás
Um mundo de escolhas
Inutilizadas
Mas que continuamente
Nos interrogam.
Há viagens dentro de nós
Que nunca irão acontecer
Porque é tarde
E escolher é isto mesmo
Sentir as dores das escolhas.




Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 27, 2011



















Meu país
Adiado
Minha casa
Ancorada
Minha bandeira
Escondida
Minha ferida
Infectada
Meu corpo
Inanimado
Minha verdade
Perdida
Minha voz
Amordaçada
Minha vida
Adormecida
Minha morte
Anunciada
Minha esperança
Esquecida.


Na tela da minha mortalha
Só o planeta é vida.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 23, 2011



















Sente-se a confusão dos tempos
Nas folhas soltas de um Outono
Igual a tantos outros.
Os corações soltam-se na angústia
Prenhe de bruma.
A poesia é isto mesmo, um escrever
Nas folhas o que está escrito
Nos dias.
Algures o encanto das palavras
Faz sorrir um coração
E o sonho impossível do poema
Cria orvalho no olhar.
A mão que se estende ou o sorriso
Que nasce ao passar dos dias e dos tempos
Fica muda, sem canções.
O vento brinca com as andorinhas
E o clamor da terra deixa-nos sempre
Assim…
No canto dos poemas vive-se sempre
As angustias da alma.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 20, 2011


















O olhar cerrado grita
O silêncio da loucura
Que se mascara em sorriso.
Nada fica
Tudo parte.
E os pássaros que voam ao sul
Esquecem o céu
E a cor dos loendros.
E o silêncio permanece
Um mistério do olhar cerrado
E de cada vez
Que os olhos se entreabrirem
É a visão da loucura e
O medo do homem que acorda,

Que vão
Encontrar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 17, 2011















E só o sono me encontra
No ventre secreto
De onde retiro
O sonho que me
Anima os dias.

Manuel F. C. Almeida








domingo, novembro 13, 2011
























Já não te chega o dinheiro
Pró teu filho alimentar
Trazes a raiva contida
No coração a sangrar



Vives a vida que querem
Não te deixam levantar
O desespero que sentes
Vai um dia rebentar



Teu mundo é uma tristeza
Que parece não ter para par
Só o olhar do teu filho
Te dá razão pra lutar

Levanta a cabeça e agarra
Tens o futuro a mudar
Nunca te entregues sem luta
A vida faz-se a lutar

Às promessas que te fazem
Não as queiras tu tomar
O teu filho merece
Que venças a ondas do mar.




(a partir de um tema de Zeca Afonso: menina dos olhos tristes, aproveitando a musica)






Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 08, 2011






















Já nem sei se poderei
Iluminar estas sombras
Que dentro do meu pensar
Se condensam em nuvens
De cinzas.
Já nem posso reaver
O canto das águas
Nas memórias que
Guardam as chaves
Do tempo.
Do nosso tempo.
Daquele tempo em que
Os olhares sorriam e se
Perdiam nas cascatas
Dos corpos em êxtase.
Já nem reconheço os
Cheiros, ou os recantos
Dos nossos segredos
Das nossas cumplicidades.
Ficou de tudo uma brisa suave
Uma brisa de mar
Que vai e vem ao sabor
Das marés, desencontradas.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 03, 2011
















Por vezes há noite, antes dos braços do sonho
Me tomarem, no seu regaço, sinto o desejo de
Pensar que o mundo é linear. Que há gente
Boa e gente má, que ao branco se opõe o negro
Que existe algures um equilíbrio racional.
É nas horas em que me descubro só, cada vez
Mais só, um eclipse humano tomou conta de mim.
Se existo ou não, jamais saberei, porque pensar
Nada prova, para além do vazio do escuro e
Da ausência. Acompanha-me nestas viagens
A incerteza dos sentidos, uma incerteza pulsante
Viva, presente. E quando os murmúrios do silencio
Se descobrem, abandono-me no sonho de que um
Dia alguém surgirá do nada para me estender a mão,
Me afagar os cabelos e me segredar doce e ternamente
Amo-te.
Mas as manhãs trazem sempre um novo dia
E o corrupio sem sentido de me encontrar
Novamente só….no meio da multidão.

Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 29, 2011



















Eu não escrevo poemas para as pessoas.
Nem me importa o que pensam.
Os meus poemas são sinfonias
Que se escondem em mim, para lá dos sons
E da simples existência.
Neles amo, neles odeio
Neles prometo o que não posso
Neles sonho, neles me traio
E neles construo o meu mundo
Longe dos olhares dos outros.

Na minha alma os poemas
Espelham a solidão.





Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 23, 2011




















Um novo dia se segue
Ao dia que já passou
E o sonho que se persegue
É o que nunca se sonhou

E vêm bruxos e bruxas
Esquisitos animais
Sedutoras e alvas coxas
Corpos em mil bacanais.

E despedaçam-se as almas
Em ritos sabotadores
Deflagram-se os olhares
Em bocas de mil sabores

E tudo é como o vinho
Bebido com ansiedade
Em cada corpo acabado
Esconde-se uma verdade

E no dia que se segue
Ao dia que já passou
O sonho não se persegue
Porque o sonho terminou.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 19, 2011

















Recolho nas mãos
Uma gota de memórias
Vertida do olhar.
Reencontro nela
A alma que um dia esqueci
Perdida entre as faces
E corpos em que vivi
E na vã tentativa de me
Resgatar, deixo o sol
Secar as memórias
E guardo nas mãos
O sal que dei á vida.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, outubro 13, 2011

















Uma aurora que desponta
Um barco a navegar
Uma libelinha que pousa
Um grilo no seu cantar
Uma mulher que acena
Com um sorriso no ar
Uma canção já esquecida
Um poema a recordar
Uma aventura que é vida
Uma só vida para amar.

Há um abraço do tempo à
vida, no seu caminhar.


Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 09, 2011
















Correm soltos os rios,

Apertados entre fronteiras,

Nas noites de lua cheia, só os peixes

Brilham ao luar.

Sentado, o olhar perde-se

Nas margems da vida

E as canções brotam

Das fontes onde só as almas

Saciam a sede.



Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 02, 2011






















Amaro no teu ventre
Como o silêncio se faz noite
Cerro os olhos e os sentidos
Numa caixa de magia
Escondida do olhar e das palavras
E em ti me espraio
E me encontro só, oco, vazio

E no fim, não passo de um
Clandestino passageiro
De asas abertas ao vento
E sonhos adormecidos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 23, 2011






















Resgato todo o meu ser


Na solidão da minh’alma,


E no adormecer do olhar


Há um ritual renovado


De quem teima em sonhar


Com o espaço percorrido


Com asas.





Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 17, 2011





















E há a candura no olhar


E uma ausência no agir


Um silêncio a gritar


Uma verdade a fugir


Há um gesto, um canto, uma flor


Uma ave, solitária


Há pedaços soltos de amor


Um poema, uma ária


Há uma vida que adormece


Na paisagem dos meus sonhos


Uma clareira que floresce


No vazio dos meus olhos





Tenho a alma corrompida


Pela traição feita á vida.





Manuel F. C. Almeida