sexta-feira, fevereiro 06, 2009






foto:Sara Sa







Há sempre um dia
Em que os espelhos
Se quebram.
Só então se descobre
Que o amor
Significa verdade
Que as imagens baças
Também podem ser
Transparentes.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 04, 2009


















Na chama que anima
Todo o meu ver,
Vive o passado
Do meu viver.
Teu corpo entesado,
Meu malmequer.
Doce pecado
Para me perder.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 02, 2009













Por todo o mundo são milhares os que nos dias de hoje perdem os seus empregos, os seu haveres e por vezes até a vontade de “ser”. A crise dos mercados financeiros e dos especuladores arrasta consigo milhões de pessoas anónimas e que a única culpa que têm é acreditar nos que lhes sugam o sangue, a alma e a vida. África é um continente nas mãos dos interesses das multinacionais do hemisfério norte. Os seus governantes, corruptos como os antigos colonizadores, têm mantido os seus povos na maior das misérias humanas, culturais e materiais. Na Ásia os povos são escravizados pelos detentores do poder através da repressão e de uma cultura milenar que faz deles escravos do estado e do patronato. A América latina, dominada em parte por fantoches do ocidente e por populistas sedentos de poder, vê manterem-se as condições de desigualdade que caracterizam a sua existência desde há séculos. Na Europa de leste um sistema capitalista de estado deu lugar a um sistema de corrupção e capitalismo selvagem como não há memória. A mão-de-obra, alguma altamente qualificada, é desvalorizada, os nacionalismos voltaram a florescer e os povos são cada dia que passa mais infelizes. Na Europa e na América do Norte o processo de empobrecimento generalizado cria cada vez mais um enorme exército de gente sem vida, sem esperança e sem futuro, nesta sociedade. Um exército sem comandante e sem rumo. Um exército de desesperados, que mais tarde ou mais cedo vai explodir.
Os governos, braços políticos do poder económico, consertaram entre si o mais odioso processo de escravização humana. A globalização.
Apontada como a arma para combater as desigualdades do mundo em matéria de produção de riqueza e de desenvolvimento e implementada de forma quase imediato, serviu apenas para que as empresas do ocidente se deslocalizassem para os locais do planeta onde a mão-de-obra era mais barata e as obrigações sociais não existissem, desta forma o sonho capitalista de dominar o planeta á escala mundial e de fazer circular pelo mundo grandes massas financeiras como, quando e para onde lhes apetecesse foi finalmente atingido.
Simultaneamente o processo de destruição do ensino teve lugar. Aos jovens não se lhes pede para pensar. Antes são confrontados com a necessidade de se sentirem parte de algo, uma formiga no carreiro, como diria José Afonso, o direito ao prazer e ao lazer foi pervertido. Disciplinas como filosofia, história ou literatura foram estruturadas no sentido de criar gente amorfa e sem desejo ou capacidade de pensar. O mundo dos conteúdos facilmente obtidos, caiu de para quedas com a internet. Os governos promovem retrocessos civilizacionais em nome de um progresso que não acontece e que nunca foi explicado.
O sistema cria a mistificação da democracia, uma mistificação que assenta em pressupostos altamente falaciosos e profundamente desonestos. A eleição de fantoches como Lula da silva, é o exemplo acabado desta mistificação. Chegado ao poder, o ex sindicalista torna-se num aríete contra os que o elegeram. O poder económico cobra-lhe o facto de o ter apoiado. A esperança colocada em Obama, não irá ser mais que isso. Esperança.
Por todo o mundo o silêncio dos que deveriam e podem denunciar este estado de coisas é ensurdecedor. Magoa. Dói.
Tudo está em sintonia. Milhões serão sacrificados nas fogueiras desta crise. Mas serão sempre os filhos de outros milhões que o já foram no passado.
A urgência de uma alternativa a este sistema é uma necessidade histórica. Criar algo de novo exige rupturas. Um mundo diferente, onde o “ser” volte a ter direito e lugar a existir. Desiludam-se os reformistas, os pacifistas os colaboracionistas. Não vai ser uma “revolução vermelha” ou “azul”. Terá de ser uma coisa sem nome. Ou antes e só apenas um salto da civilização. Isto nunca aconteceu de forma pacífica, ou gradual. Quando surge, é como uma lava, que tudo destrói no seu caminho. Sem que fique algo do passado. A necessidade de destruir os alicerces desta civilização é cada vez mais premente. E o tal exército espreita uma oportunidade. Em cada dia que passa as suas fileiras são engrossadas. As castas mais ricas da sociedade vivem em condomínios dourados, fechados nas suas fortalezas, acham que nada nem ninguém lhes poderá tocar. Blindados em leis que eles mesmos promovem, julgam-se a salvo das marés. Mas nada está a salvo do desespero.
Um dia, não sei quando, mas um dia, a quadra de António Aleixo será uma realidade:

Vós que lá do vosso Império
prometeis um mundo novo,
calai-vos, que pode o povo
qu'rer um Mundo novo a sério.
quadra de António Aleixo.
texto de Manuel F. C. Almeida








domingo, fevereiro 01, 2009










foto:PauloVieira galeria de Nu








Nem o teu cheiro
Afasta os beijos
Nem os meus lábios
Se sobressaltam
Com o sabor
Do teu ventre.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 30, 2009


foto:Francisco Tico

ELEGIA SIMPLES

Quando partir
Não me vou esquecer de
Fechar a porta.
Prometo!
Deixarei a chave
No sitio.
E tu… fecha as janelas
Não vá o vento
Roubar-te as memórias
Que guardas em silencio.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 29, 2009


DARDOS OFERECIDOS POR http://bloguite.blogspot.com/
"Com o Prémio Dardos se reconhece o valor que cada blogueiro emprega ao transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. que, em suma, demonstram a sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre as suas letras, entre as suas palavras. Esses selos foram criados com a intenção de promover a confraternização entre os blogueiros, uma forma de demonstrar carinho e reconhecimento por um trabalho que agregue valor à web."
Quem recebe o Prémio Dardos e o aceita deve:
Escolher 15 outros blogs a quem entregar o Prémio Dardos;
Linkar o blog pelo qual recebeuExibir a distinta imagem.

quarta-feira, janeiro 28, 2009


foto:Timóteo Domingos Gaspar


Reciclar
Tudo o que sobra
Mas antes usar
Exaustivamente...
Até ao limite da
Verdade escondida.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 26, 2009




foto:angelica

Nu, te dei de mim
O fogo, a água, a terra e o ar
E no arco-íris do sonho
Dei também o respirar
Dei o corpo, dei a alma
Dei os olhos e o olhar
Dei os dedos, dei os lábios
Para teu corpo beijar.


Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 24, 2009




UMAS QUADRAS


ERÓTICO-PORNOGRAFICAS

(Ao estilo Bocage)










Na terra era conhecida
Como mulher recatada
Nunca faltava a uma missa
Era solteira e honrada.

Mas eis que surge na terra
Um cavalheiro distinto
Que lhe pôs o corpo em guerra
E lhe despertou o instinto.

Simpático, bem-educado
Bem vestido e bem cheiroso
De corpo sempre cuidado
Pôs-lhe o cono em alvoroço.

E a moça que sempre sonhava
Com os deveres da oração
Agora quando acordava
Estava sempre com tesão.

Estranha com tanta mudança
Com o padre foi falar
Se poderia ter esperança
De com a oração se acalmar.

O padre, nada espantado
Pelo que estava a ouvir
Disse-lhe para ter cuidado
E na tentação não cair.

Mas quis deus nessa tarde
Depois do terço rezar
A boa mulher encontrasse
A tentação a andar.

Sentiu um aperto no peito
E o cheiro de homem no ar
Inexperiente e sem jeito
Sente a cona a latejar.

Já sabido o cavalheiro
Depressa se apercebeu
Arrastou-a pra um palheiro
E logo ali a fodeu.

A moça que se estreava
Nas andanças do foder
Ora gemia, ora gritava
Sentia o cu a arder.

Ingénua, pouco experiente
Perguntou a cavalheiro
Se seria diferente
Ser comida no trazeiro.

Em face de tão bela oferta
O cavalheiro avançou
E ela com peida aberta
À primeira estocada… o cagou.

Com os tomates cagádos
E sem saber que dizer
Ficou de olhos esbulhados
E com o caralho a tremer.

A senhora envergonhada
Pela caricata situação
Lavou-lhe a picha emerdada
E beijou-a com paixão.

E foi tanto o seu cuidado
Tão grande a dedicação
Que pouco tempo passado
Todo o corpo era tesão.

E alguns meses depois
E de muita canzanada
Aquela casta solteira
Passou a puta... casada

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 22, 2009





foto:João Félix







Porque não podem dizer
Verdadeira
Mente
O que na alma se esconde.
Natural
Mente
Seria tudo mais fácil…
Simples
Mente.
Porque viver por viver
Sincera
Mente.
Só trás o eterno adiar e
Final
Mente,
Faz-nos viver dia a dia…
Aparente
Mente.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 20, 2009













Só me sinto vulnerável
Quando me perco
No caminho
Quando me deixo usar
E me abandono
No desperdício dos dias.
Isso a que alguns chamam
Reciclável
E outros apenas
Lixo.

Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 17, 2009








foto:Veselin Stefanov Kanchev










Foi com o silêncio
Dos dias
Que encontrei o canto
Do tempo.
O mundo real escondia
A dimensão das coisas,
E nas letras cantadas no vento
Faltava sempre
A razão das pétalas
Caídas em desuso.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 16, 2009



Estarão a preparar a bomba atómica? Listas de disponíveis por escola?

1. O PS levou o país à falência. Governou Portugal dez anos nos últimos treze anos. O PSD do fugitivo deu uma boa ajuda durante quase três anos.

2. A verdade nua e crua é que não há dinheiro para pagar as reformas chorudas dos políticos e dos jovens aposentados milionários do Banco de Portugal. Dois terços dos presidentes das Câmaras Municipais são aposentados da política. Quase todos os ministros e secretários de estado também. Os deputados idem. Portugal está a ser governado e administrado por aposentados milionários da política.

3. É preciso empobrecer gradualmente a população activa para que as receitas geradas possam conservar as reformas milionárias dos políticos.

4. Os filhos e os netos dos governantes, autarcas e deputados com reformas milionárias da política já estão a salvo nas administrações dos bancos e das grandes empresas de Internet, Media, Telemóveis, Energia e Obras Públicas.
É por isso que o PS, e em menor parte o PSD, precisa tanto de dominar essas empresas, colocando nas suas direcções executivas os seus homens de mão.
Em troca, o Governo PS socorre-as quando estão em dificuldades, atirando para cima delas o dinheiro do Povo ou oferecendo-lhes negócios milionários. Veja-se o caso do Magalhães ou o caso dos avales aos bancos.

5. Os professores foram escolhidos pelo Governo PS como cobaias no processo de empobrecimento da população activa. O novo ECD e o modelo burocrático de avaliação servem esse propósito.
O regresso dos directores às escolas mais os 750 euros mensais de suplemento remuneratório e prémios destinam-se a facilitar a concretização do processo de empobrecimento em curso.
Os directores serão o braço repressivo do Governo nas escolas.

6. Mas a crise financeira e económica é maior do que se supunha. O empobrecimento dos professores tem de ser mais rápido. A arma já existe e está pronta para ser usada: chama-se lei dos disponíveis. E serão os directores que farão a escolha dos sacrificados.
Os sacrificados serão os professores que estão no 10º escalão porque são os mais caros.
É pouco provável que o PS use a bomba atómica antes de Outubro.
Mas tenciona fazê-lo na próxima legislatura caso a crise económica e financeira se agrave.

quinta-feira, janeiro 15, 2009



foto :Francisco M S Botelho

Agora estou aqui
Ao lado ti, aqui
Sentado, mudo, quieto
Uma estatua, uma pedra
De adorno, silhueta que
Adormece e acorda
Ao teu cantar.

Agora serei só uma sombra de mim...


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 13, 2009





"War Pigs"Generals gathered in their masses,
just like witches at black masses.
Evil minds that plot destruction,
sorcerers of death's construction.
In the fields the bodies burning,
as the war machine keeps turning.
Death and hatred to mankind,
poisoning their brainwashed minds...
Oh lord yeah!Politicians hide themselves away
They only started the war
Why should they go out to fight?
They leave that role to the poor
Time will tell on their power minds
Making war just for fun
Treating people just like pawns in chess
Wait `till their judgement day comes, yeah!
Now in darkness, world stops turning,
as you hear the bodies burning.
No more war pigs of the power,
hand of god has struck the hour.
Day of judgement, god is calling,
on their knees the war pigs crawling.
Begging mercy for their sins,
Satan, laughing, spreads his wings...
Oh lord, yeah!
BLACK SABBATH LYRICS

segunda-feira, janeiro 12, 2009





foto :Nuno Belo







Recordo e tempo
Em que o nosso olhar
Cortava e o vento
E incendiava a planície
Agora…
Já nem as tempestades
Acordam o olhar.



Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 11, 2009





Também noutra parte do globo, um povo sofre um terrivel genocidio fisico e cultural.

Presos entre o capitalismo fascista de uma China dita Comunista e a fé num sistema feudal, o povo do tibete é dia a dia destruido. Mas à boa maneira chinesa, o silêncio do mundo foi vergonhosamente comprado.

sexta-feira, janeiro 09, 2009





até quando?

até quando iremos assistir ao genocideo de um povo?

até quando iremos assistir ao silêncio da comunidade internacional

até quando se continuarão a matar pessoas em nome de uma bandeira, uma pátria ou uma raça?

SÓ UM MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO INTERNACIONAL, SEM RELIGIÕES OU INTERESSES ECONÓMICOS PODERÁ TRAVAR O GENOCIDEO EM MASSA DE MUITOS POVOS.

PARA QUE OS GOVERNOS SEJAM DO POVO, O POVO TEM DE OS ELIMINAR E TOMAR NAS SUAS MÃOS A RESPONSABILIDADE DE ENCONTRAR CAMINHOS QUE FAÇAM DO PLANETA UM LOCAL EM QUE A DIGNIDADE DE EXISTIR DEIXE DE SER UM DIREITO MAS SIM E APENAS ALGO COMUM A TODOS.

MANUEL F. F. ALMEIDA

quinta-feira, janeiro 08, 2009




Nada se houve
Nada se diz
É um silêncio de morte
Que engole a vida.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, janeiro 06, 2009



AGORA

QUE O SONHO

PEQUENO BURGUÊS ESTÁ A RUIR POR TODO O MUNDO

RESTA-NOS UM CAMINHO

FAZER UMA REVOLUÇÃO

POR MINUTO







O aço corta o ar e corta
Os corpos.
Cego no seu caminho
É ele o vencedor único
E ultimo.
Vergados, os homens são
Predadores dos homens.
E nem se dão conta ,
Que morrem para
Glorificar um deus,
Que se esquece deles
E para servirem de repasto
Aos abutres
Escondidos, em qualquer
Grande cidade, num escritório
Com ar condicionado
E rodeado de bem nutridas
Secretarias.
O aço corta o ar e corta
Os corpos.
Disparado por pistolas
Douradas.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, janeiro 05, 2009



EM GAZA MORREMOS TODOS









PAREM A MATANÇA EM NOME DE DEUSES E DE INTERESSES

domingo, janeiro 04, 2009








foto by:Rui j Santos











E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.




Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 02, 2009



SAGA DE UM PISTOLEIRO















Pistoleiro sempre pronto
Da sua pistola sacar
O herói do nosso conto
Já não anda a disparar.

Teve anos que à sua porta
Muita gente veio tocar
Diziam ter vida morta
Pediam para as ajudar.

E o incansável pistoleiro
Com sua arma a brilhar
Percorria o mundo inteiro
Prás fazer ressuscitar.

Agora conta quem sabe
Que se limita a esperar
Na porta que nunca se abre
Pôs a arma a hibernar.

Mas ele a mim não engana
Deve só estar a esperar
E quando lhe der na gana...

A arma volta a trabalhar


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2008






foto:Gisleine Martin


Na janela do meu quarto,
Para além dos limites,
Observo os dias passados
Na inocência da eternidade
E na estranheza do silencio.
No ocaso do olhar
Traço um desenho de vida
Peço à vida o acordar.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 29, 2008



foto:DDiArte

Lá fora a neve pintava de branco os campos outrora verdes e amarelos. Aninhado na minha concha olhava o brincar do vento e admirava a diversidade presente em cada floco. Esta doce loucura a que me tinha abandonado propiciava-me momentos de serenidade indescritíveis. Era possível ouvir e sentir os elementos e a vida. A porta fez-se ouvir. Com curiosidade fui ver quem era. Era algo ou alguém. Vinha reclamar o que era seu por direito e por acaso. Dei-lhe a mão e deixei de passar tempo à espera. Olhei para o lugar que tinha-mos deixado. Caído um corpo, marcava o que eu tinha sido. E nos braços de um anjo voei, finalmente liberto de mim.

Manuel F. C. Almeida


sábado, dezembro 27, 2008





Viajem

foto:Bruno Abreu






Tempos idos
Em que a vida sorria
Ao sol de cada dia .
A terra era uma cornucópia.

Agora cavo
Funda a minha sepultura
E a minha enxada,
Revolve cada dia mais terra
Inerte.
Na busca de um tesouro
Que perdi.
Ao ver-te partir
No olhar da guerra.

Manuel F.C. Almeida



quinta-feira, dezembro 25, 2008

vejam e meditem numa realidade pouco discutida

http://video.google.com/videoplay?docid=-1437724226641382024







Porque o natal é de todos

não deixem que o consumismo

faça esquecer os que nada

ou pouco têm.

Exijam um mundo melhor

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 23, 2008



Punheta
Universal,
Tesão
Amorfa.

Quero
Unidade
Esporródica

Pito
Aberto
Ratas
Indecentes
Urros

Olhos do cú

Bicos
Infindaveis
Broches
Linguas
Orgamismo
Tetas

QUE TUDO O RESTO SAO PETAS

MANUEL F. C. ALMEIDA

domingo, dezembro 21, 2008








foto: Marta Bucher




Amar a sinfonia dos lábios
Como se os instrumentos
Habitassem o espaço
Entre sabores.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2008







A terra



foto by:Altair Castro


Sulca a terra quem a ama
Quem por ela é amado
Abre-a com um arado
Como num ventre
Se recolhe em chama

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 17, 2008





foto: Amanda Com







Há uma tragédia viva nos meus passos
Uma ausência, um vazio a recordar
O cheiro e a ternura dos teus braços
O sabor dos beijos, a musica desse olhar.

Agora ao recordar, meus olhos, baços
De memórias, fazem-no como a cantar
Hinos aos dias, às horas, aos espaços
Que em teu corpo descobria ao beijar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 15, 2008


foto by:http://www.paulocesar.eu%20-%20paulo%20cesar/





Estancou o passo e deu uma última passa na beata. Ao longe, uma mulher passeava um cãozinho, vestido ridiculamente com um casaco de lã. Aproximou-se e o bicho desatou num latido aflitivo. Até os bichos o odiavam. Quando se está na mó de baixo todos nos odeiam e afastam, como se estivéssemos leprosos. Afastou-se do maldito bicho não sem antes deitar um olhar lascivo para a mulher. Há muito tempo que não punha as unhas numa. Entrou na loja de bebidas escolheu um pacote de vinho, pagou, pediu um cigarro à empregada, uma velha conhecida dos tempos em que as mulheres o conheciam e apreciavam a sua presença, com um sorriso e um olhar de piedade ela estendeu-lhe o cigarro e antes que ela começasse a dar-lhe conselhos, agradeceu e saiu. Sentou-se junto á marginal, á sua frente o areal e o mar. Abriu o pacote de vinho e bebeu um trago. Acendeu o cigarro e deixou-se invadir pelas memórias, afinal que mais lhe restava?
Recordava a vida; o que tinha sido a sua vida. Bons carros, boas mulheres. Um filho. Evitava recordar o filho. Há anos que o não via.

Manuel F. C. Almeida
(continua... um dia)

sábado, dezembro 13, 2008












Olhar o sol na linha invisível
Da morte,
Cegou-me o futuro, escureceu-me
O canto,
As estrelas, dos olhos libertas,
Na noite
Carregaram-me os sonhos de faces
Iguais.
O tempo dos gritos vividos
Na sombra
Espelharam-me os dias, a face
E a alma
Mas o retomar furioso das
Marés,
Inundou me o peito de flores
E de Primavera.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 11, 2008







foto Mircea Marinescu











De madrugada o sol raiou
Com ele chegaram os cheiros
Do rosmaninho e alecrim
Que me traziam o odor do teu
Corpo em flor

E no espaço ocupado pela memória
Revivi o oceano do teu corpo…
Perdido
Nas margens do entardecer do
Hábito.

Manuel F. C. Almeida



terça-feira, dezembro 09, 2008




O QUÊ?






Não pensem,! por favor
Não pensem!
Já todos sabemos
Que o caminho
É feito de momentos
Fugazes de alegrias…
E Tristezas

Mas esse é o custo do "eu".

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 07, 2008







foto: SAGHER





Sangram-me os dedos do ócio,
No encanto da harpa
A rosa cobre-se de aromas
Sintéticos e chuvosos.
O corpo teima e dobrar-se
Num calmo e intranquilo
Oceano, ao som dos violinos
Encantados e das cinzas magmáticas
Expelidas como polpa do
Ventre.
O nome?
Não tem! Aliás, dizem ser:
-Segredos roubados no vento.
Fogosamente, tomei-lhe o corpo
E a salvação surgiu num
Raio de sol.

Resta apenas o nada na sua
Prenhe existência.

Manuel F. C. Almeida