
Pétala
foto by:bernardo coelho
Floresta viva
Despida e nua
Tua sombra esquiva
Teu sexo…
Semente crua.
Manuel F.C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Pétala
foto by:bernardo coelho
Floresta viva
Despida e nua
Tua sombra esquiva
Teu sexo…
Semente crua.
Manuel F.C. Almeida

Memória
foto by:Helder Vasconcelos
Nada mais resta que recordar,
Se o tempo existir,
O assomo de uma face, um olhar
No momento de quase partir.
Um espaço para ocupar
Num corpo a resistir.
E a memória que teima em ficar
De um corpo de deusa a sorrir.
Manuel F.C. Almeida



ACONTECER
FOTO BY:bernardo coelho
No espasmo
Corporal
De um orgasmo
Infernal
O teu corpo de fera
Rugiu
Na minha mão.
Manuel F. C. Almeida

Alquimia
foto by:Tuta
Foi com estas mãos
que percorri
Os secretos caminhos
do teu perfume
Foi com elas que agarrei
a tua alma
E toquei a crisálida
em formação.
Agora, qual alquimista
Do amor,
Faço dos meus dias
A descoberta
Dos segredos que o teu
Corpo esconde.
Manuel F. C. Almeida


RESUMO
foto by:Nuno Manuel Baptista
Não faço promessas vãs, quando te amo.
Faço do meu amor só um poema
De rimas e estrofes enviesadas,
Um estranho e complicado teorema
Que se descobre no ar quando te chamo.
Mas creio que tudo se pode resumir
Num poema feito beijo
Que em nós dois se vai abrir.
Manuel F. C. Almeida

VIDA
Foto: DDiArte
Do tempo fiz meu aliado
Nesta batalha da vida
Mas dela estou alheado
E sinto-a quase perdida
Mantenho a face no ar
A esperança no vencer
Tenho a vida no olhar
Do nascer até morrer.
Manuel F. C. Almeida


A Florbela
Desenhavas sonetos no olhar
E sentimentos nas palavras
Teus olhos, de tanto chorar
Nunca paravam onde estavas
Teus amores e desencantos
Teus homens, tuas paixões
Trouxeram-te horas de prantos
Engalanaram tuas canções
Mas tanta dor e sofrimento
Tanta genealidade vivida
Terminaram no momento
Em que te subtraíste à vida.
Manuel F. C. Almeida




Ilusão
foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion
Não se diga que não tentei.
A verdade incompreendida do
Entardecer escondeu sempre
A face real da dor.
Um fragmento do espaço liberta-se
Em cada olhar incontido e nele
Revivemos a alegre inocência
Dos adolescentes apaixonados.
Mas o cheiro das acácias
E o sabor almiscarado do teu corpo
Mascaram a ilusória passagem
Temporal
E em cada investida que faço
É o jovem que fui
A falar presente.
Manuel F. C. Almeida





IMAGENS
FOTO BY:Caamaño Castro
No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.
Manuel F. C. Almeida

foto by:Graça Loureiro
Num tempo sem tempo nascidos
No esgar do gozo germinados
Passamos pela vida adormecidos
Corremos sem correr, inanimados.
Miragens perseguidas toda a vida
Levam-nos à terra novamente
A chama intensa já perdida
Esmorece no olhar suavemente.
Partimos então noutra viajem
Embalados pelo vento solar
Faz-se do passado mensagem
No tempo que está a mudar.
Manuel F. C. Almeida

Semáforo
foto by:ABrito
A luz vermelha acesa…
O teu corpo em espera
Peão,
Avanço
Que o meu corpo
Desespera.
Manuel F.C. Almeida



IV
FOTO BY:junior Franch
No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.
Manuel F.C. aAlmeida

III
FOTO BY:
Luis Mendonça
Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.
Manuel F.C. Almeida

o tempo
I
FOTO BY:bruno silva
O tempo vive no olhar
Dos homens.
Eleva-se rápido de encontro
Ao tédio e á morte.
Manuel F.C. Almeida

criação
foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com
No teu cálice fecundo
faço a vida.
bebo o mundo.
Manuel F. C. Almeida






Sons
Foto by:Amanda Com
Vieste com a minha presença
Por entre o fruto vivo
das coxas
e o esplendor da língua
nos seios.
E o verbo perdia-se
Por entre os sons
Retorcidos
Dos corpos
Em espera.
Manuel F. C. Almeida

Impressão digital
FOTO: BYRafael da Silva Macedo
Uma vaga impressão digital
Pressionando o espírito.
A demência selvagem
Dos corpos putrefactos.
O catalizador
Que de olhar fixo
Exorciza o tempo
E o teu corpo
Dança numa fina
Linha de vento.
Manuel F.C. Almeida