terça-feira, junho 10, 2008








A CAMÕES










Sou tão pequeno aos teus pés
de gigante
Que nem me atrevo a nomear

o teu nome.

Manuel F. C. Almeida

domingo, junho 08, 2008



Faina















Areia, sol!
Ao longe o mar;
Tua boca anzol
Teu corpo…
Meu pescar.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 06, 2008






Dança das estrelas




foto by:Nuno Belo


Já tarde, recolhemos o olhar
Sem palavras
E libertámos os corpos,
Numa dança tão imortal
Como a vida,
Iluminando as estrelas
E libertando o sonho.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 04, 2008






ACONTECER



FOTO BY:bernardo coelho







No espasmo
Corporal
De um orgasmo
Infernal
O teu corpo de fera
Rugiu
Na minha mão.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, junho 02, 2008





Alquimia




foto by:Tuta







Foi com estas mãos
que percorri
Os secretos caminhos
do teu perfume
Foi com elas que agarrei
a tua alma
E toquei a crisálida
em formação.
Agora, qual alquimista
Do amor,
Faço dos meus dias
A descoberta
Dos segredos que o teu
Corpo esconde.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 31, 2008



Tudo


















Eu creio que tudo existe…
Em nós.
Somos então o produto material
Que nomeia e se materializa em si mesmo
Tudo o que existe é passível
De existir como mera possibilidade verbal
Nada há para lá do verbo
Sem ele a existência era inócua
Um enorme conjunto vazio
Mera probabilidade de uma matemática
Cósmica inexistente.
O homem é o todo universal
Revelado.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 27, 2008








TEMPESTADE











Evocar os deuses quando chove
É mais que um exercício de temor
É recordar a inocência que se move
Um eco da memória, medo, dor

De um tempo sem ciência ou explicação
De um tempo de crenças e de magia
De um tempo em que a inocência da razão
Explicava o mundo dia a dia .



Manuel F. C. Almeida






RESUMO

foto by:Nuno Manuel Baptista

Não faço promessas vãs, quando te amo.
Faço do meu amor só um poema
De rimas e estrofes enviesadas,
Um estranho e complicado teorema
Que se descobre no ar quando te chamo.

Mas creio que tudo se pode resumir
Num poema feito beijo
Que em nós dois se vai abrir.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 25, 2008






VIDA



Foto: DDiArte







Do tempo fiz meu aliado
Nesta batalha da vida
Mas dela estou alheado
E sinto-a quase perdida

Mantenho a face no ar
A esperança no vencer
Tenho a vida no olhar
Do nascer até morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 23, 2008











A F. Pessoa

Num só corpo conviveram
Varias figuras de gente
E todas elas escreveram
Aquilo que a gente sente

Engenheiro ou pastor
De todas as artes sabias
Visionário, pregador
Sobre tudo tu escrevias.

Teu filosófico saber,
Vivência da tua paixão
Deixou no nosso viver
O melhor desta nação.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 21, 2008















ilusão

foto : Emanuel Oliveira

Eu queria ver o meu pensar
Explicar o que não entendo
Quais as razões de não voar
Quais os motivos porque me prendo

Explorar nele os meus segredos
Olhar-me ao espelho da verdade
Apartar de mim os meus degredos
Abraçar em mim a liberdade.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 19, 2008

















A Florbela


Desenhavas sonetos no olhar
E sentimentos nas palavras
Teus olhos, de tanto chorar
Nunca paravam onde estavas

Teus amores e desencantos
Teus homens, tuas paixões
Trouxeram-te horas de prantos
Engalanaram tuas canções

Mas tanta dor e sofrimento
Tanta genealidade vivida
Terminaram no momento
Em que te subtraíste à vida.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 17, 2008







guitarras








Tocam livres as guitarras
Acordes do meu país.
No seu canto de cigarras
Soltam gemidos, amarras
Dum tempo que não conheci.
Desfraldam notas aos ventos
Num vento feito saudade
Seus acordes são tormentos,
Seus gemidos são momentos
Num abraço de vontade.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 15, 2008





Viuva













Naquela face escura de tristeza
Descobri um livro sem memória
Paginas e paginas de história
Folhas e folhas de beleza

O mar ao fundo que se agitava
Avivava o recordar de lugares
E da angustia vivida em mil lares
Saltava uma pérola que rolava

Da face escura e já sulcada
Pelas lágrimas vertidas junto ao mar.
A mulher olhava o mundo e a chorar
A face do seu homem recordava.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 13, 2008


POR UM DIA
ETERNAMENTE


Meu corpo á beira-rio
Abandonado
Descansa no orvalho
Docemente
E no perfume do sonho
Libertado
Dois corpos que flutuam
Livremente
No encontro de um momento
Esmagado
Pelo amor de um dia…
Eternamente.


Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 11, 2008



MISTERIO

FOTO
VanessaDesigner

É rápido o esquecimento,
Da cor que os dias nos dão,
Dos truques do pensamento,
Do bater do coração...
Mas tão difícil é esquecer
Um corpo visto ao luar
Na hora do entardecer
Quando o mistério do ser
Se resolve num olhar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 09, 2008

MAS QUE BELA PRENDA DE ANOS

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quinta-feira, maio 08, 2008






Corcel






Naquela tarde cavalguei as ondas
E desfiz-me em espuma
No teu ventre…


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 06, 2008





memories



Foto de Manuel Gonçalves





Escondo a face com
A nudez das mãos.
Percorro mentalmente
O tempo que um dia
Me deixou nu face aos
Elementos.
O meu corpo, refém
Da memória
Já me não pertence.
Tudo é apenas tempo
Tudo é somente
Alvorada.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 04, 2008







Ilusão



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion






Não se diga que não tentei.
A verdade incompreendida do
Entardecer escondeu sempre
A face real da dor.
Um fragmento do espaço liberta-se
Em cada olhar incontido e nele
Revivemos a alegre inocência
Dos adolescentes apaixonados.
Mas o cheiro das acácias
E o sabor almiscarado do teu corpo
Mascaram a ilusória passagem
Temporal
E em cada investida que faço
É o jovem que fui
A falar presente.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 02, 2008




Plágio











E tudo o que escrevo é plágio. Exaltação
dos sentidos, repetida como um grito que
se perpetua nas margens do tempo
empurrado pela unicidade do som, e
pelas vozes dos homens que ousaram dizer:
AMO-TE.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 29, 2008



NAUFRAGO:




FOTO BY:DDiArte




Nas palavras que transpiro,
E que carrego nos meus ombros
Deixo que por vezes a solidão
Se solte e se resolva no olhar
Dos outros.
Por vezes acordo do sonho
Numa ária nocturna com cheiro
De oceano.
Sou só um náufrago perdido
Na tempestade das palavras.

Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 27, 2008






BLUE





FOTO: antonio louro







Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Feito de mil cores, perdidas
Lágrimas roladas, esquecidas
Canto o passado... distante
Num cruel silencio gritante
Canto o teu olhar ausente
No meu sofrido presente
Fomos momentos no vento
Memórias espalhadas no tempo
Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Guardo em mim a tua beleza
No meu cofre de tristeza
Teimo em me arrastar na vida
Pássaro de asa ferida
Tu foste a deusa encantada
Num sonho vivo, sonhada
Teu nome ........, é minha bênção
É rosa a florir no meu coração.
É o meu farol, meu porto de abrigo
Vás tu onde fores, estás sempre comigo.


Manuel F. C. Almeida




sexta-feira, abril 25, 2008







repetição








Já estragaram a nossa festa, pá
Destruíram nossos sonhos
Desfolharam nossos cravos
Os cravos de pétalas de liberdade.

Sei que há sonhos que não morrem
Mesmo com tanta mentira
Sei que há homens que não vergam
Mesmo quando a esperança
Lhes tiram

Sei também quando é preciso, pá
Resistir, resistir e lutar
Canto Abril, canto o mar
Canto o sonho de igualdade
Canto a minha irmã liberdade
Canto a esperança de ver o povo
Acordar.

E ouvir em todo o mundo
Um novo Abril a gritar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 23, 2008









IMAGENS





FOTO BY:Caamaño Castro



No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008
















Levanto ao alto a
Espada justiceira
Das mortes adiadas
Do desemprego e da
Fatalidade económica.

Faço do meu peito
Alvo
E das minhas palavras
Balas contra a
Injustiça divina
Dos senhores do mundo.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 18, 2008

















Fiz-me ao largo na espera
De uma onda que me arrancasse
Ao quadro de uma vida
Sem chama.
Das asas fiz meu sonho
Do vento meu futuro
E no rugir do oceano,
Encontrei o teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 16, 2008





















Das pátrias nada quero
Senão o sangue dos mil
Homens mortos sem sentido
Nas guerras engalanadas
Por bandeirinhas e hinos...
No altar da honra nacional.

Manuel F.C. Almeida

domingo, abril 13, 2008













A dança das mãos
Revela-se na inquietação
Ávida dos lábios.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 11, 2008














Apaguei em teus lábios
A sede que me ceifava
A vida.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 08, 2008



Sorriso















No teu sorriso há a frescura
Do rosmaninho e a alegria
Das algas.
Há a folha de um Outono
Qualquer e a cor
De sangue de uma rosa
Por nascer
No teu sorriso...
O meu sorriso
Quer crescer.

Manuel F.C. Almeida

sábado, abril 05, 2008








foto by:Graça Loureiro






Num tempo sem tempo nascidos
No esgar do gozo germinados
Passamos pela vida adormecidos
Corremos sem correr, inanimados.

Miragens perseguidas toda a vida
Levam-nos à terra novamente
A chama intensa já perdida
Esmorece no olhar suavemente.


Partimos então noutra viajem
Embalados pelo vento solar
Faz-se do passado mensagem
No tempo que está a mudar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 03, 2008





Semáforo




foto by:ABrito







A luz vermelha acesa…
O teu corpo em espera
Peão,
Avanço
Que o meu corpo
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 01, 2008






Existes



foto by:Luis Mendonça







Existes no meu sonho
De olhos abertos…
Despida.


Manuel F.C. Almeida

domingo, março 30, 2008


Como?

Como te meço e te não meço
Como te tomo e te não tomo
Como te vi e te não esqueço
Como te como, como te como…


Manuel F.C. almeida

quinta-feira, março 27, 2008




V





O meu caminho
Descobre-se no desenhar
Do teu ventre e no
Abrir do peito ao vento…
Como num beijo
De magia intemporal


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, março 25, 2008



IV


FOTO BY:junior Franch






No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.


Manuel F.C. aAlmeida

sábado, março 22, 2008







III





FOTO BY:
Luis Mendonça



Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.



Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, março 21, 2008







II

foto by:Ricardo


No anseio húmido
Dos lábios
O tempo cavalga
O impulso da luxúria.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, março 19, 2008




o tempo

I

FOTO BY:bruno silva



O tempo vive no olhar
Dos homens.
Eleva-se rápido de encontro
Ao tédio e á morte.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, março 17, 2008






criação




foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com






No teu cálice fecundo
faço a vida.
bebo o mundo.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 14, 2008





tela




Desenho os teus lábios
Com espuma viva do mar
E em teu ventre
Deposito os frutos
do meu cantar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 12, 2008



Do nada tudo acontece

foto by:MARIAH








Vou um dia levantar os olhos ao universo e agradecer os dias de mistério que me antecederam. Prometo faze-lo no dia em que ao amar uma mulher eu ame todas as mulheres, que ao cheirar uma flor, eu cheire todas as flores ou que ao escrever um poema eu sinta a alma de todos os poemas possíveis. Vou um dia levantar os braços e abraçar o vazio como se fosse vida, porque é da vida que o universo trata. Matéria inanimada que se anima numa faísca de nada. Energia pura, sem essência, que se alimenta em si mesma como probabilidade matemática e se constrói na realidade dos tempos. Vou um dia levantar os olhos aos céus e matar os deuses dos homens, porque o universo já acontecia antes dos homens.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 10, 2008



ele há dias....


Ele há dias assim. Levantamo-nos e damos conta de que tudo o que se segue é igual ao dia anterior. Olhamos o espelho e quem nos olha é um estranho. Uma máquinazinha sem sentido ou objectivo. Nada importa. Arrastamo-nos num mar de tédio e de enganos. Ao nosso lado nada existe. Nem a cor acinzentada dos olhos ainda pouco habituados à luz, parece importar-nos. Estamos sós perante o que não queríamos ser. As palavras que nos dizem não passam de palavras proferidas no calor dos interesses e dos momentos. Quem somos? O que somos?
Nem para isto temos resposta. A mão que surge e nos agarra, não trás com ela nada de vivo. É a mão do hábito, a mão que teima em dar-nos cicuta que nos mantêm enlouquecidos. Até ao dia em que se descobre na sua verdadeira essência e resolve partir deixando no seu lugar um vazio ruidosamente silencioso. ..


Manuel F. C. Almeida

sábado, março 08, 2008




mulher



foto by:Amanda Com









Adormeço junto aos sabores
Do teu corpo
num cofre de cravos e
e alecrim.
E deixo o teu sorriso aplacar
o meu desejo por ti.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, março 06, 2008






Sons



Foto by:Amanda Com



Vieste com a minha presença
Por entre o fruto vivo
das coxas
e o esplendor da língua
nos seios.
E o verbo perdia-se
Por entre os sons
Retorcidos
Dos corpos
Em espera.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 04, 2008







Impressão digital



FOTO: BYRafael da Silva Macedo






Uma vaga impressão digital
Pressionando o espírito.
A demência selvagem
Dos corpos putrefactos.
O catalizador
Que de olhar fixo
Exorciza o tempo
E o teu corpo
Dança numa fina
Linha de vento.


Manuel F.C. Almeida

domingo, março 02, 2008


CONSTELAÇÃO


A suavidade das cores anuncia a chegada dos dias. Do fogo solar falam-nos os raios da madrugada. Da poesia o corpo em contra luz de uma garota de seios pequenos e vivos.
O poeta canta a letra patética e insidiosa do sexo adiado. Das suas mãos solta-se o verbo, dos olhos o desejo e o corpo exala um perfume adocicado a tédio.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 29, 2008






wild side


foto by:carlos pereira


Walk on the wild side
E toma-me o corpo
Num copo de absinto
Translucido...


De azul pálido, carregado


Manuel F. C. Almeida