quarta-feira, fevereiro 27, 2008







PERDIÇÃO









Foto by:Amanda Com

Vagueio ao som adocicado
Das marés, e transporto no olhar
A ternura de um luar
Presente nos sonhos.



Manuel F.C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 25, 2008




SUSSURRO




FOTO BY:Hugo Macedo



Desafiei o poema que bailava
Entre os meus dedos.
E as palavras que saltaram
Sussurraram-me teus segredos.


Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 23, 2008





TU





foto by:Amanda Com








Ocupas no meu corpo o universo
Que um dia quis ter conhecido
Desenho-te em cada verso,
Que nos segreda o que por nós
Já foi vivido
Cheiro, sabor, recordação
Da troca que fizemos tantos dias
Dos corpos nus, agitação
Dos mil orgasmos
Que sentias.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 21, 2008






POUSO



FOTO BY:Fernando Bagnola







Nesta estranha acalmia dos dias, meditar um poema nas páginas de um livro qualquer, é como deixar crescer o silêncio dentro da alma sem que nada impeça o tempo de nos conduzir através do seu vector invisível. É nestes momentos que descubro a tua silhueta em contra mão e pouso o olhar na tua sombra.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 18, 2008






OLHAR



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion



No fim da tarde, quando as cores se desvanecem e as aves se recolhem
Encontro enfim o teu canto, na linguagem contemplativa
De um olhar apaixonado. Mistério da existência. Corrida amarga
Contra o tempo. A teu lado o ópio entorpece-me os sentidos e a visão tolda-se ao leve toque do olhar.


Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 16, 2008








PORQUE AINDA HÁ HOMENS COM ESPINHA DORSAL

(Embora corram o risco de ser presos como o sindicalista).

ESPECTACULO:

CANÇÕES ANARQUISTAS


Não me pergunto onde vou

Os caminhos nunca acabam

Andorinhas de asa negra

Só vivem enquanto voam·

De polícia já estou farto

Civil ou republicana

De presidente de estado

Bem fardado ou à paisana·

Chapéu preto bem nos olhos

Residente em parte incerta

Trago bombinhas com mel

E os sentidos sempre alerta·

Da natureza nascemos

Vivemos com a razão

Vendo luas e não pago

Imposto de transacção.

Composição: Vitorino Salomé

quinta-feira, fevereiro 14, 2008








Descoberta

foto by:DDiArte



Não mais esqueço aquela face branca que se colocou á minha frente de lábios entreabertos no convite claro ao beijo. Recordo ter misturado os meus lábios com os dela e o sabor a canela ter tomado os meus sentidos. Beijamo-nos longa e calmamente, saboreando cada gota de saliva e desenhando com as mãos o corpo do outro. Quando acabámos deixámos os olhos falarem. Naquele dia descobri que o prazer é algo mais que um momento fugaz.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, fevereiro 12, 2008





DESERDADOS

Crianças esqueléticas deambulam
Nos montes de gordura supérflua
Da cidade,
Longe,
Dos olhos da cidade.
Dos despojos privilegiados
Da cidade.
Escondidas da cidade,
Escondidas da obscenidade
Que empesta as modas
Ricas da cidade.
E a cidade adormece devagar
Ao ritmo sacrossanto das igrejas,
Dos bares de diversão,
Dos centros comerciais e
Das consciências de avestruz, que falam
A inevitabilidade da pobreza e da fome,
E justificam as esmolas
Na nossa hipócrita existência.
As crianças esqueléticas
Um dia vão voar e exigir
O seu quinhão de humanidade.
Deixarão de ser coitados
Submissos.
Sairão dos seus lugares
Miseráveis
E virão, rumo à cidade tomar,
Com os olhos ocos de sentimentos,
A vida que lhes roubaram.
Abandonarão a inocência
Que a cidade tanto aprecia
E como DESERDADOS
Virão cobrar a herança da vida
Que lhes foi negada.
Numa raiva sem forma,
Sem história, sem nada...


Manuel F.C. Almeida

domingo, fevereiro 10, 2008






I



Foto by:Vinicius Andre Rodrigues Parente







Nos gestos com que te desenho
Esconjuro a escuridão do abandono
E do luar em que te descubro
Erguem-se os desejos
Dos lábios em comunhão.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 08, 2008





JÁ!



FOTO BY:Fernando Figueiredo

Com licença! Com licença!
Tenho pressa em comprar;
O voar de uma gaivota,
Uma flor de encantar,
Um planeta de ar puro,
Um prado pra dormitar,
As areias de uma praia,
Um lugar pra descansar.
Tenho pressa! Tenho pressa!
De um mundo novo criar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 06, 2008







ilusions
foto by:António Louro


Não tenho sonho maior
Nem ilusão que se compare
Que ver-te contra o luar,
E querer adivinhar-te
Envolta na bruma da noite
Para na noite te amar.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 04, 2008









Maré








Guardo a linha do teu espaço
No jardim do meu olhar
E percorro com as mãos
O mistério que te trouxe à orla

Do meu amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, fevereiro 02, 2008



Pensar-te









foto by:Amanda Com



Da escuridão da alma
Que posso dizer?
Sente-se em cada interrogação
Do olhar
E entre o vai e vem
Do desejo
Liberta-se a luxúria
Do pensar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 31, 2008







Abrigo







Foto by:grENDel



Vou percorrer na madrugada
O caminho da bruma
E abrigar-me nos teus lábios
Até o sol raiar.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 29, 2008





saudade



foto by:TIAGOXAVIER





Foi no tempo
Perdido,
Em que estavas
Ausente
Que sem nunca te ver,
Sentia
Que eras sempre
Presente.

Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 27, 2008












ANDAMENTO





Não te me mostres
Deixa que te descubra nos
Teus silêncios e segredos.
O amor não se resolve
Em palavras, mas na procura
Dos lábios e no ritmar
Dos corpos enlaçados.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 25, 2008






SENSIVEL



FOTO BY:n...o






Teimo em procurar nos dias que passam a chama que um dia me iluminou a alma. Deambulo pelo vazio dos meus dias, convencido que o tempo tem sentido e justiça. Sou aquele que um dia deixou apagar o fogo e que fez dos dias um inferno de gelo. Não me transformei, nem me transmutei. Sou o mesmo que fui, aquele que nunca quis ser o que foi mas que luta por ser o que não é. Suprema contradição esta procura de mim, na fuga que um dia encetei de mim. Ausente, sou uma sombra do meu “eu”. Prisioneiro nesta estatua que criei, há muito que me hipotequei à inevitabilidade do real. Não procuro rios de águas sem cor ou jardins supostamente suspensos, não procuro deuses ou deusas.
Só aspiro à transparência das palavras, e já agora a um olhar desassombrado.

(POEMA em memória do HOMEM desconhecido, ou como se implode a existência)

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 23, 2008



TO LEONARD










Foi como ave num fio que te conheci.
Tentavas ser livre à tua maneira,
E eu escutava a tua voz nascida
Do fundo da alma.
Fui ouvindo a poesia que te brotava
Do peito como fonte. Foi assim que
Contigo aprendi a amar as mulheres
Na madrugada,
A beija-las de forma terna e a apreciar
Os seus cabelos caídos sobre os seios.
Contigo chorei os amores perdidos
E aprendi a lutar pela liberdade,
Com palavras nas mãos,
E o charme nos gestos e no olhar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 21, 2008





AQUI



FOTO BY:Olga










Já não quero fugir deste lugar.
Aqui, cativo do enigma da paixão
Navego as ondas da planície
Que se perdem na linha do olhar,
Angustiosamente repetida.
Aqui, celebro a tempestade
Redentora, a vida renovada
Numa centelha de fogo.
Aqui, encontro o meu caminho
Por entre pedras perdidas
E veredas escondidas
Engalanadas de urze e rosmaninho.


Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 20, 2008


NESTE MUNDO DE TANTA RIQUEZA
AINDA MORREM CRIANÇAS DE FORMA
ABSURDA.
A ISTO SE PODE CHAMAR AS MARAVILHAS
DA DISTRIBUIÇÃO DE RIQUEZA.
E ÀS PROMESSAS DE UM MUNDO MELHOR
DEIXO-VOS UMA DAS MAIS TRISTES NOTICIAS QUE LI NOS ULTIMOS TEMPOS.
Cidade do México, 20 Jan (Lusa) - Uma menina mexicana de 12 anos morreu hoje vítima de uma doença viral contraída na água do rio que diariamente atravessava a nado para poder chegar à escola onde estudava, noticiou a agência EFE.
Magali Cortés foi internada no hospital há cerca de quatro meses, na sequência de convulsões, tendo ficado em coma, com um diagnóstico de encefalite viral e intoxicação por estreptococos.
Os médicos do Hospital de Tepic, no México, consideram que a infecção poderá ter-se devido ao consumo de água contaminada do rio Santa Rosa.
Por falta de uma ponte, cuja construção começou há quatro anos, mas nunca chegou a ser concluída, todos os dias a menina tinha de atravessar a nado o rio que a separava da escola.
Antes de ser internada, Magali Cortés tinha pedido a construção da ponte à prefeitura da cidade onde vivia.
JPB.
Lusa/Fim




CONVITE




FOTO BY:




A Serenidade do olhar
Resolve-se na sensualidade
Do convite à luxúria.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 18, 2008


Sentido....Meu

Neste trilho
Do caminho
Que me deixam
Percorrer,
De galáxias
E planetas,
Ora em vida
Ora a morrer,
Transporto almas
Comigo
Que teimam
Comigo em
Viver.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, janeiro 15, 2008














FADO



Na tua voz encantada
O meu nome soa a espanto
Parece gume de espada
Parece grito de pranto
Não digas pois o meu nome
Trata-me antes por amor
Que assim matas-me a fome
Do teu corpo, teu calor
Que assim matas-me a fome
Do teu corpo, teu calor


Prometo levar-te uma rosa
Ao altar do meu olhar
Prometo levar-te uma rosa
Ao altar do meu olhar


Farei poemas e prosa
Pró nosso amor declamar
Farei poemas e prosa
Pró nosso amor declamar

E se voltares a cantar
Com tua voz encantada
E se voltares a cantar
Com tua voz encantada
Pela certa vais encontrar
A minha alma deslumbrada
Pela certa vais encontrar
A minha alma deslumbrada.



Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, janeiro 14, 2008










AO ZECA QUE TANTA FALTA NOS FAZ







Do teu cantar
Fiz meu canto
Do teu sonho
Meu sonhar
Com teu olhar
Fiz meu espanto
Com teu crer
Fiz meu lutar.



Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 12, 2008






CRAVOS

( Aos deputados do P.S.)




Trouxeste um cravo
na mão.
Rubra a face do teu
cravo…
Desculpa, peço
perdão
O que tu trazes
na mão
Não é um cravo
encarnado
Mas um sonho
atraiçoado.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, janeiro 10, 2008



GLOSANDO

DAVID MOURÃO FERREIRA













E por vezes vivemos em enganos
Que nos tomam os dias e os meses
E os braços que em delírio nós tomamos
São máscaras de alegria. E por vezes
Julgamos ter nos outros o que amamos,
Mas o sopro do passado e dos meses
Traz-nos a imagem viva do que achamos
Estar ao nosso lado muitas vezes


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 09, 2008

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terça-feira, janeiro 08, 2008








SOU





foto by: grENDel




Mil marés
Que se renovam
Na rebentação do olhar!
Pedaços do meu viver,
Poemas do meu cantar,
No mistério do meu
Ser.
Manuel F.C. Almeida

domingo, janeiro 06, 2008

















Já Morreu e deixou um conselho aos jovens:

- Vão prá puta que os pariu.

Eras poeta, ensaísta,
Chulo e putanheiro
Mulherengo, paneleiro
De Lisboa eras cronista.

Viveste a vida que querias
De costas para o poder
Nunca vendeste o teu ser
A toda a gente fodias

Livre foste camarada
Até ao dia final
Fica cá a carneirada
Neste triste Portugal

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, janeiro 04, 2008



DREAM






O teu corpo canta
No meu olhar
De rapina, e
Inaugura um voo
Ondulante em
Espirais de espuma
Infindáveis, cativas
Da tempestade
Que se espalha
Sobre mim.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, janeiro 02, 2008





COMEÇO


FOTO BY:Nuno Belo










Visitei o vale onde a palavra se esconde
Montado em sílabas e ditongos fáceis.
Carregava comigo o corpo vazio
E distante do mistério.
A meu lado, o verbo submerso de sombras
Abrigava-se no respirar dos sujeitos.
Ao fundo mergulhei nas letras soltas
E amei o soletrar a palavra
Até me fundir com ela.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 31, 2007




















O VELHO ESTA QUASE A PARTIR


O NOVO QUASE A CHEGAR


O VELHO DEIXOU DE SORRIR


O NOVO VEM A CHORAR





ASSIM LÁ VAI O POVINHO


NUMA ILUSÃO RENOVADA


BEBEMOS ALEGRES O VINHO


NUMA TAÇA ENVENENADA.


MANUEL F. C. ALMEIDA

domingo, dezembro 30, 2007

















SOMA

Na matemática da paixão
A adição não é conta certa
Uma mão na outra mão
És tu, sou eu...
somos “nós",
Quando se acerta.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 28, 2007







MEMÓRIAS



foto by:Joao Azevedo






Fragmentos do olhar
Na vida feita em pedaços
Estrofe para cantar
Poema p’ra recordar
Teu cheiro, teu sabor
E teus braços.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 26, 2007






SIMPLICIDADE











Por vezes grito
POEMA
E arranco da
Minha alma
Pedaços de um
Teorema.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 24, 2007








INFINITO

foto by:Helder Mendes








Carregas contigo no tempo
Esse olhar encantador
Solta os cabelos no vento
Faz de mim o teu cantor
Que num infinito momento
far-te-ei o meu calor.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2007






CANTO



foto by:Nuno Manuel Baptista







Estende a tua mão na minha,
Deixa-me colher nela os dias
Que passei sem te conhecer
E descobrir nela o prelúdio
Desta madrugada.
Deixa-me desenhar-te os dedos
Com os dedos.
Tomar-te os seios nos lábios
E o ventre no ventre
Deixa-me respirar o teu perfume
Sobre as águas plácidas do amor
E despertemos de mãos dadas
Numa alvorada imortal.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, dezembro 20, 2007








utopias





Tranquilo, o olhar paira
Sobre as nuvens do néon.
A noite acorda finalmente
A canção estrangulada,
Amarrada às sombras do tempo.
A neve teima em cair.

A cidade é um templo
Onde as aves se refugiam
No eterno anonimato
Dos sonhos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 17, 2007



CIDADES












O cansaço apoderou-se dos dias
Sem tempo e sem horários.
Das veias inchadas pelo tédio
Explodem desejos inconfessáveis.
Dormitamos sentados com o cheiro
De mil noites mal dormidas
E da fome deserdada.
Somos pedaços daquilo que fomos
Felizes na nossa infelicidade causal.
Cansados da viajem sem rumo,
Sem esperança e sem motivo.
Somos mortos em vida.
Fomos gente
Somos nada.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 16, 2007








NO OUTRO LADO DO ESPELHO









Que dizer dos sonhos em pó?
E dos dias cinzentos do esquecimento?
Ficaste cada vez mais irreconhecível.
Anonimamente, passeias
Pelas margens escorregadias do
Horizonte vazio de objecto,
Fazendo crer que está preenchido,
Pela cor magica de um olhar.
Então o ruído insuportável
Do silêncio, toma lugar no espelho
Que não queremos ver, mas
Onde guardamos os segredos da alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 15, 2007





RESGATE











Cavalguei os tempos do silêncio,
A teu pedido.
Estendi a mão a tactear a ausência
E estavas lá.
Navegavas certa o desbravar
Da duvida.
E deste-me os dedos, os lábios
E a vida.
E num beijo longo ficaste
Cativa...

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 13, 2007


REFUGIO


foto by:Margarida Gautier

Procuro sentido
No sentido da vida .
Pergunto perdido
O que não sei encontrar.
Agarro a canção
Que passa no ar e
Com ela me encanto,
No leito do mar.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, dezembro 11, 2007







ARTE


foto by:Quark





Pintei a noite de prata,
Fiz do teu olhar o meu rio,
No teu corpo cantata,
Com que me corpo sorriu.
Pintei a noite de prata,
Matei assim este frio.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 09, 2007





BRISA









Ouvir o canto do teu corpo
Numa madrugada de luxúria
É sonhar com o amarelo do
Outono
E com a beleza das aguas
No olhar.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, dezembro 07, 2007





BEIJO










Há um poema que nos espera.


No segredo de um olhar,
No dia quando amanhece,
Ou numa canção inventada
no beijo que sempre acontece.



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 05, 2007



TELA



foto:Tuta











Sinto o teu olhar doce
E tão terno,
Neste meu sentir
Que quero eterno,
No coração da terra
Nua.
Planície, horizonte,
Carne crua.
Tela vazia despida,
P’lo arco-íris
Tingida.

Manuel F. C. Almeida





AUTORETRATO

(PARTE 2)


foto by: Heliz







Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós. A isto tendo a chamar “eu”. Faço destes longos momentos um trilho de percursos errantes, na esperança vã de encontrar algures a resposta para estar aqui. Sou o que não fui. Fui o que não quis. Quis o que não podia. Uma trilogia Hegeliana que me conduziu ao desespero de existir sem acontecer. Abandono-me na vertigem de querer ser o que não sou. Num registo circular condenado. Um momento perdido, sem face, sem nome, sem vida. Um ensaio testado pelos Deuses. Um excremento químico, animado de vida por cordas de marioneta. Uma singularidade atómica. Vida. Morte. Momentos de desespero, ejaculatórios, orgásmicos, em que tudo termina e reinicia sem formulas conhecidas ou teoremas intricados. Não somos nós que nascemos e só nos conhecemos na morte.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 03, 2007







EM TI



foto by:Heliz





Vivi no teu olhar
as madrugadas,
Feitas de sonhos
e de prazer.
No teu amar
Desenho o trilho
Para me encontrar
E me perder.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 01, 2007



INVERNO










É o Inverno que chega
Com dias chuvosos, sombrios
De nevoeiros e de frios
E de lareiras que cantam
No seu doce crepitar.

É um Inverno que adivinha
Todo o pulsar do futuro
O destruir deste muro,
A construção de outro mundo
Na placidez do olhar

Mas é só mais um Inverno
Que a tantos outros se segue
Na vida que sempre persegue
A perfeição que se quer
Num amor a partilhar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 29, 2007


GREVE
DIA 30 ESTOU EM LUTA
(pelos NOSSOS direitos)