segunda-feira, dezembro 31, 2007




















O VELHO ESTA QUASE A PARTIR


O NOVO QUASE A CHEGAR


O VELHO DEIXOU DE SORRIR


O NOVO VEM A CHORAR





ASSIM LÁ VAI O POVINHO


NUMA ILUSÃO RENOVADA


BEBEMOS ALEGRES O VINHO


NUMA TAÇA ENVENENADA.


MANUEL F. C. ALMEIDA

domingo, dezembro 30, 2007

















SOMA

Na matemática da paixão
A adição não é conta certa
Uma mão na outra mão
És tu, sou eu...
somos “nós",
Quando se acerta.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 28, 2007







MEMÓRIAS



foto by:Joao Azevedo






Fragmentos do olhar
Na vida feita em pedaços
Estrofe para cantar
Poema p’ra recordar
Teu cheiro, teu sabor
E teus braços.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 26, 2007






SIMPLICIDADE











Por vezes grito
POEMA
E arranco da
Minha alma
Pedaços de um
Teorema.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 24, 2007








INFINITO

foto by:Helder Mendes








Carregas contigo no tempo
Esse olhar encantador
Solta os cabelos no vento
Faz de mim o teu cantor
Que num infinito momento
far-te-ei o meu calor.

Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2007






CANTO



foto by:Nuno Manuel Baptista







Estende a tua mão na minha,
Deixa-me colher nela os dias
Que passei sem te conhecer
E descobrir nela o prelúdio
Desta madrugada.
Deixa-me desenhar-te os dedos
Com os dedos.
Tomar-te os seios nos lábios
E o ventre no ventre
Deixa-me respirar o teu perfume
Sobre as águas plácidas do amor
E despertemos de mãos dadas
Numa alvorada imortal.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, dezembro 20, 2007








utopias





Tranquilo, o olhar paira
Sobre as nuvens do néon.
A noite acorda finalmente
A canção estrangulada,
Amarrada às sombras do tempo.
A neve teima em cair.

A cidade é um templo
Onde as aves se refugiam
No eterno anonimato
Dos sonhos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, dezembro 17, 2007



CIDADES












O cansaço apoderou-se dos dias
Sem tempo e sem horários.
Das veias inchadas pelo tédio
Explodem desejos inconfessáveis.
Dormitamos sentados com o cheiro
De mil noites mal dormidas
E da fome deserdada.
Somos pedaços daquilo que fomos
Felizes na nossa infelicidade causal.
Cansados da viajem sem rumo,
Sem esperança e sem motivo.
Somos mortos em vida.
Fomos gente
Somos nada.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 16, 2007








NO OUTRO LADO DO ESPELHO









Que dizer dos sonhos em pó?
E dos dias cinzentos do esquecimento?
Ficaste cada vez mais irreconhecível.
Anonimamente, passeias
Pelas margens escorregadias do
Horizonte vazio de objecto,
Fazendo crer que está preenchido,
Pela cor magica de um olhar.
Então o ruído insuportável
Do silêncio, toma lugar no espelho
Que não queremos ver, mas
Onde guardamos os segredos da alma.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 15, 2007





RESGATE











Cavalguei os tempos do silêncio,
A teu pedido.
Estendi a mão a tactear a ausência
E estavas lá.
Navegavas certa o desbravar
Da duvida.
E deste-me os dedos, os lábios
E a vida.
E num beijo longo ficaste
Cativa...

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, dezembro 13, 2007


REFUGIO


foto by:Margarida Gautier

Procuro sentido
No sentido da vida .
Pergunto perdido
O que não sei encontrar.
Agarro a canção
Que passa no ar e
Com ela me encanto,
No leito do mar.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, dezembro 11, 2007







ARTE


foto by:Quark





Pintei a noite de prata,
Fiz do teu olhar o meu rio,
No teu corpo cantata,
Com que me corpo sorriu.
Pintei a noite de prata,
Matei assim este frio.


Manuel F.C. Almeida

domingo, dezembro 09, 2007





BRISA









Ouvir o canto do teu corpo
Numa madrugada de luxúria
É sonhar com o amarelo do
Outono
E com a beleza das aguas
No olhar.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, dezembro 07, 2007





BEIJO










Há um poema que nos espera.


No segredo de um olhar,
No dia quando amanhece,
Ou numa canção inventada
no beijo que sempre acontece.



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, dezembro 05, 2007



TELA



foto:Tuta











Sinto o teu olhar doce
E tão terno,
Neste meu sentir
Que quero eterno,
No coração da terra
Nua.
Planície, horizonte,
Carne crua.
Tela vazia despida,
P’lo arco-íris
Tingida.

Manuel F. C. Almeida





AUTORETRATO

(PARTE 2)


foto by: Heliz







Abraçar os tempos de solidão em que o céu se derrama na nossa alma e o universo se consome dentro de nós. A isto tendo a chamar “eu”. Faço destes longos momentos um trilho de percursos errantes, na esperança vã de encontrar algures a resposta para estar aqui. Sou o que não fui. Fui o que não quis. Quis o que não podia. Uma trilogia Hegeliana que me conduziu ao desespero de existir sem acontecer. Abandono-me na vertigem de querer ser o que não sou. Num registo circular condenado. Um momento perdido, sem face, sem nome, sem vida. Um ensaio testado pelos Deuses. Um excremento químico, animado de vida por cordas de marioneta. Uma singularidade atómica. Vida. Morte. Momentos de desespero, ejaculatórios, orgásmicos, em que tudo termina e reinicia sem formulas conhecidas ou teoremas intricados. Não somos nós que nascemos e só nos conhecemos na morte.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 03, 2007







EM TI



foto by:Heliz





Vivi no teu olhar
as madrugadas,
Feitas de sonhos
e de prazer.
No teu amar
Desenho o trilho
Para me encontrar
E me perder.

Manuel F.C. Almeida

sábado, dezembro 01, 2007



INVERNO










É o Inverno que chega
Com dias chuvosos, sombrios
De nevoeiros e de frios
E de lareiras que cantam
No seu doce crepitar.

É um Inverno que adivinha
Todo o pulsar do futuro
O destruir deste muro,
A construção de outro mundo
Na placidez do olhar

Mas é só mais um Inverno
Que a tantos outros se segue
Na vida que sempre persegue
A perfeição que se quer
Num amor a partilhar.

Manuel F. C. Almeida