sexta-feira, dezembro 01, 2006

AO JEITO DO VATE MAS COM MENOS QUALIDADE















Nesta terra de encantar
Douta pessoa surgiu,
Alguém me veio segredar
Que de segredos fugiu.

Rapaz de vários ofícios
Capaz de tudo tratar
Se lhe faltam orifícios
Ele trata de os encontrar

Como é douto tem valor.
Mais fácil fazer o que quer.
O poder traz sempre o amor
Aos olhos de uma mulher

De falas mansas, cuidadas,
Com um ar sempre bem airoso
Trá-las sempre bem tratadas
Prova que não é um ranhoso

O douto tem sempre poder
E sabe mentir a preceito
Para uma dama comer
Ele lá vai dando o seu jeito

Quando fica incomodado
Move suas influências
Envias para outro lado
Pra não sentir flatulências

Mestre no bem porfiar
Dizem que usa um apito
Prás conseguir encantar
e assim lhes comer o pito.

em singela homenagem a bocage.

Manuel F. C. Almeida

FERNANDO PESSOA.



Quero ser teu amigo
Nem demais e nem de menos
Nem tão longe e nem tão perto
Na medida mais precisa que eu puder
Mas amar-te como próximo, sem medida,
E ficar sempre em tua vida
Da maneira mais discreta que eu souber
Sem tirar-te a liberdade
Sem jamais te sufocar
Sem forçar a tua vontade
Sem falar quando for a hora de calar
E sem calar quando for a hora de falar
Nem ausente nem presente por demais,
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo,
Mas confesso,
É tão difícil aprender,
Por isso, eu te peço paciência
Vou encher este teu rosto
De alegrias, lembranças!
Dê-me tempo
De acertar nossas distâncias!

quinta-feira, novembro 30, 2006

sophia. sempre tao bela



O luar enche a terra de miragens

E as coisas têm hoje uma alma virgem

,O vento acordou entre as folhagens

Uma vida secreta e fugitiva,

Feita de sombra e luz, terror e calma,

Que é o perfeito acorde da minha alma.

WELCOME TO MY NIGTHMARE




















Paraíso marcado de sonhos
Paraíso feito de nada
Nos olhos de uma sereia
Uma canção feita na
Estrada.
Caminhos por encontrar
Salpicados de prazer
Pintados da cor do sexo
Uma canção feita a
Tremer.
Sentimentos enganados
Alma nua, indefesa
Sacrifícios na arena
Banquete pronto
Na mesa.
Um dócil corcel
Que se acalma
Olha o mundo de soslaio.
Procura alimentos
Para a alma.

Ao fundo, numa janela, os deuses estão a brincar.
Diversão até cansar.

Magoados os amantes
Deixam de ser racionais
Não passam de marionetas
Movidas por simples cordéis
Unicamente animais.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 29, 2006

UMA CAPA



Uma capa fiz do canto
De baixo a cima
Bordada
De antigas mitologias;
Mas tomaram-na os tolos
Para exibi-la ao mundo
Como se fora por eles lavrada.
Deixa, canto, que a tomem,
Pois maior feito existe
Em andar nu

W.B.YEATS

poema sobre poemas de amor




















Os mais belos poemas
São poemas de amor,
Patéticos
Feitos de retalhos
E de prantos
De sonhos e de esperanças
De traições e de paixões.
Mas que seria da vida
Sem pessoas patéticas
Que amam e choram,
E se indignam
Que seria do mundo
Sem paixão
E sem amor?

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 28, 2006



Esta noite acordei em sobressalto, na casa do lado alguém gritava, o ruído fazia-se ouvir ao longe. Não sei que diziam, não sei que falavam. Sei apenas que gritavam. E o choro de uma criança também se fez ouvir. Na rua alguns bêbados tardios também ouviram e saudaram a algazarra com outra ainda maior. No meu quarto quedei-me a pensar na pessoa que gritava. Eu conheci-a, era jovem e bonita. Costumava deliciar-me a vê-la andar pela rua. Ela não andava, dançava; e o seu corpo de rapariga mulher sempre me despertou desejos inconfessáveis. E ali estava eu. Só. A ouvi-la gritar sem saber como ajudar. De repente o silêncio caiu sobre a noite. A criança calou-se. Os bêbados foram-se, os gritos pararam. Mas no meu cérebro milhares de vozes faziam-se ouvir. Milhares de pessoas obrigavam-me a ouvir o seu barulho. Puxei as mantas para cima de mim, numa vã tentativa de calar tudo. Mas as vozes não se foram. Ficaram ali. A zombar de mim. Pensei-me já louco. E no entanto os cisnes do quadro não se mexiam, nem as fotografias da mesa-de-cabeceira falaram para mim. Levantei-me. Estava com medo, com frio, e acima de tudo com aquela gente toda na cabeça. Ouvia crianças a chorar. Ouvia homens a chorar. Ouvia gente sem ver. Fui ver-me ao espelho. Cabelo desgrenhado, solto. Os olhos raiados de sangue. Fiquei ali a olhar-me. Finalmente todas as vozes se calaram. Estava eu e a minha imagem do espelho. Fixei-me, olhei nos meus olhos e de repente fui engolido por mim. Ainda hoje estou preso no espelho. Mas felizmente não há mais ruído.

o dia depois de amanha




















Míticas aves
Erguem-se nos céus.
Gritos lancinantes
Saem de véus
Há uma rosa a florir
Em cada canto
Em cada olhar
Já ouve pranto
Esta noite
Matei um amigo
Carrego um fantasma
Como castigo.
Pintei minha alma
Com uma cor escura
Desenhei a carvão
A mulher futura
Míticas aves
Dançam no céu
Até a verdade
Tem o seu véu.

E o mundo gira sem nunca parar
Só amo quem merece amar.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

segunda-feira, novembro 27, 2006

o Mario novamente e sempre um provocador



















De Mário Cesariny

Lembra-te
Que todos os momentos
Que nos coroaram
Todas as estradas
Radiosas que abrimos
Irão achando sem fim
Seu ansioso lugar
Seu botão de florir
O horizonte
E que dessa procura
Extenuante e precisa
Não teremos sinal
Senão o de saber
Que irá por onde fomos
Um para o outro vividos

um pais mais pobre














partiste de madrugada,
sem barulhos
sem alaridos.
coisa que tu
tanto gostavas.
eras um provocador
maricas e honesto.
ficámos mais pobres
hoje.
que os teus poemas,
a tua pintura,
a loucura feliz
do teu olhar
nos diga sempre,
vale a pena viver,
vale a pena ser homem,
vale a pena lutar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 26, 2006

quando o amor














o meu amor partiu, foi-se, acabou
outros estarão pra chegar.
nao vale a pena chorar
quem do nosso amor desdenhou

a vida é como a maré
sobe e baixa, como alua.
e só a realidade crua
nos devolve a vida como é.

olhar então o passado
nao nos dá nada de novo
então, como diz o povo,
fique o passado enterrado

saibamos olhar sempre em frente
com o olhar de quem quer ver
e outro amor ira nascer
feito na hora, feito presente.

e quando o momento chegar
tratemo-lo com todo o carinho
façamos dele novo ninho
pra que o possamos cantar.

poema da memoria















agora que és vida sem retorno
que és madrugada, mas sem côr
canto para ti todo este amor
onde recordo teu corpo morno

agora que és fantasma, sem regresso
que és por do sol em tarde calma
canto para ti um canto de alma
canto o amor que nao te peço

agora que és vela aberta ao vento
que és gaivota, livre no voar
eu canto a terra, o fogo e o ar

canto a vida, e canto o tempo
pra que possa em mim apagar
esta ferida que teima em nao sarar

Manuewl Filipe Carvalho de Almeida

sábado, novembro 25, 2006

Eles eram bons. E ainda sao














Something in the way she moves
Attracts me like no other lover,
Something in the way she woos me.I
don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
Somewhere in her smile she knows
That I don’t need no other lover.
Something in her style that shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.
You’re asking me will my love grow,
I don’t know, I don’t know.
You stick around now it may show,
I don’t know, I don’t know.
Something in the way she knows
And all I have to do is think of her,
Something in the things she shows me.
I don’t want to leave her now,
You know I believe and how.

teoria do beijo




















um beijo dado a rigor
é sempre algo que liberta
se for então com calor
é porta do céu aberta.

abre as portas do prazer
antecipa o que está pra vir
façamos pois por merecer
o nirvana a atingir

nao interessa aqui o amor
nao interessa a intenção
só pesa aqui o ardôr
que traz prisioneira a paixão

nunca esqueçam o momento
muito menos o sabor
dos beijos que em movimento
dão ao mundo nova côr

sexta-feira, novembro 24, 2006

CONFESSO, ESTOU VICIADO EM ESCREVER


















A UMA AMIGA ESPECIAL

Já foste amiga, confidente.
farol prá minha barca,
tesouro da minha arca,
noites de falas presente.

agora serás só memória
das noites de companhia
foi-se o riso, a alegria
ficou tristeza feita história

e hoje vivo a pensar
onde possa ter errado
se na frontalidade do fado
se na confusão do falar

se te equivocaste agora
no meu jeito p'ra contigo
sabe que sou teu amigo
e tenho saudades do " ora ora"

MANUEL FILIPE CARVALHO DE ALMEIDA

quarta-feira, novembro 22, 2006




















Nos últimos dois meses escrevi quase diariamente neste local. Era o meu confessionário, o local onde deixei as minhas mágoas, as minhas lágrimas, as minhas alegrias e tristezas. Durante dois meses recebi de muitos manifestações de carinho e amizade que a todos agradeço. Mas o texto de Miguel Sousa Tavares deu-me talvez a real percepção do que sou. O texto e infelizmente a minha saúde que se agravou nas ultimas horas. Vou começar um ciclo na minha vida que se não compadece com o que a alma sente. O que me acontecer não será publicada aqui. Aliás nada mais penso publicar.
Não vou nomear nomes, os que se manifestaram de forma sincera sabem o quanto lhes agradeço. Os que o fizeram para auto justificar as suas atitudes, e foi apenas uma pessoa que o fez, não terão mais que justificar o que quer que seja. A todos liberto da minha presença por uns tempo.
Na vida tudo passa meus amigos, guardamos as mágoas em caixinhas e catalogamo-las. Guardamos tudo e em tudo colocamos um rótulo. Somos arquivistas da memória, arquivamos sentimentos, pessoas e equívocos. Muitas vezes o que nos motiva são coisas estranhas.
Eu não tenho poder, não tenho um título, não sou um misto de Zeca Afonso, nem de outra coisa qualquer. Nada sei sobre a protohistória ou sobre como gerir o que quer que seja, nem a mim mesmo eu sei gerir. Sou apenas eu, um português anónimo no meio da multidão. A minha história de vida é pobre. Nunca decidi sobre a vida dos outros, nunca movimentei interesses ou poderes quer para o bem quer para o mal. E ainda bem. Nada me pesa, e agora isso poderia ainda mais complicar a minha vida.
No fundo, como já se devem ter apercebido, não passo de alguém profundamente magoado com a vida que deitei fora, não estou magoado com mais ninguém senão comigo mesmo. Por um eldorado que nunca tinha visto, deixei uma vida, acreditei em futuros construídos de nada e pago agora, quer na saúde quer no espírito, o preço da minha ousadia em querer ser feliz. Mas se não ousarmos será que vivemos?
Ousar é talvez o que resta a todos nós, ousar amar e ousar ser amado é sem sombra de dúvida o que de mais belo podemos fazer na vida. Umas vezes perde-se, outras ganha-se mas quer numas quer noutras a frontalidade é sempre a única forma de ser honesto. Dizer amo-te e dizer já não te amo, nem sempre é simples. Muitas coisas acontecem dentro de nós, mas se o dissermos com respeito por nós mesmos e pelo outro, fazemos o que minimamente se deve fazer em nome do tempo que tivemos o outro ao nosso lado.
E quando assim não é, quando o outro deixa para que sejamos nós a descobrir a verdade, a descobrir que já não somos o centro do seu pensamento, a mágoa torna-se infinitamente maior. Afinal nem só de traições físicas vive o cérebro humano. A que mais nos atinge é a falta de verticalidade e honestidade e essa manifesta-se nas atitudes, nos silêncios e na hipocrisia com que as pessoas, a quem por vezes demos tanto, nos retribuem no fim dos ciclos. Existirá que leia este texto e saiba que eu, quando achei que era hora, as olhei nos olhos e lhes disse ser tempo de parar. Existirá quem leia ( ou se aborreça antes) e entende que parte dele lhe é dirigido. Não! Este texto é apenas um texto, se ele atingir alguém será mais pela consciência do que pela realidade.
Por fim que todos saibam que não guardo ressentimentos, mágoa sim isso guardo. E que desejo a todos, sem excepção, a maior das felicidades.
Os que sentirem a minha falta podem sempre deixar mensagens ou enviar emails.
O sagher vai deixar de existir por uns tempos, e talvez quem sabe para sempre. Este blog será o testemunho de que existi. Como dizia o Poeta “ confesso que vivi”
A todos obrigado.

terça-feira, novembro 21, 2006

DE MIGUEL SOUSA TAVARES




















Quero fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática.Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado.Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido.O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje.




Sonhei esta noite um poema
Feito com o som de um piano
De um lado… um teorema
N’outro lado um lindo plano


Eras céu da minha mente
E quando uma nuvem surgia
Soprava-la timidamente
E a nuvem depressa fugia.


Tua face enevoada
Estava sempre ali comigo
Afastou a trovoada
E fez de mim teu amigo


Não passo de um sonhador
Que leva a vida a sonhar
Comigo trago uma flor
Para um dia te agradar.


Manuel F.C. Almeida

pensamento


















Há uma brisa que corre
Ao sabor dos dias.
Nos olhares que se cruzam
Só o tempo parece
Dar sentido à existência,
Que teima em não se encontrar.
O verme da aparência,
Perfura os sentidos.
Até o olhar se desvanece
E mortifica.
Tudo se resume
A ser,
A querer ser
A querer ser só ser

segunda-feira, novembro 20, 2006




















solitárias as palavras,
acomodam a vontade
dos sentidos.
O instinto queda-se
prisioneiro da razão,
e nós
somos apenas animais
selvagens.
Fazemos da alma dos
outro o nosso alvo.
Que fizemos de nós?