Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
sábado, dezembro 20, 2014
domingo, dezembro 14, 2014
Despojado acendo uma vela
No centro do todo o meu querer
E com cuidado cuido que ela
Não se recuse a arder
Ilumino o meu caminho
Com a luz que ela me dá
Vejo pouco, vou sozinho
O que tiver de ser…será
Desta forma sem amarras
Vou desbravando o meu tempo
No caminho cantam cigarras
Dançam andorinhas no vento
Espantado com o mundo
Que a todo o tempo se altera
Pinto uma tela sem fundo
No mundo que sempre me espera.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, dezembro 10, 2014
sexta-feira, dezembro 05, 2014
Não há nome no caminho
Nem melodias no vento
O som da chuva ao cair
É apenas um momento
Bebo todo o esquecimento
Numa garrafa de tédio
Tomo o meu corpo esquecido
Pelo absinto remédio
E sem nome para me guiar
Vagueio pelo mundo à deriva
E sento-me a beira da estrada
E de vazio encho a vida
Manuel Almeida
sábado, novembro 29, 2014
terça-feira, novembro 25, 2014
sexta-feira, novembro 14, 2014
POEMA DE UM AMOR TRISTE
Este frio de Outono, esta chuva que anuncia
Os dias tristes e pequenos em que vivemos
Traz-me á memória os sons de um corpo
Que não conheci. E com eles uma canção
Que se esbate no rochedo da minha existência
E se espraia pela alma como uma nuvem sem
Esperança e sem futuro.
Uma canção feita de letras mascaradas,
Letras que magoam não pelo que dizem, mas
Pelo que não dizem, pelo que ficou no ar, suspenso
Num tempo matizado de cinzento.
E no meio de tudo, que se salvem as flores.
Aquelas flores que simbolizam as mãos
Estendidas e o crescer de pontes entre mundos.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 06, 2014
sexta-feira, outubro 31, 2014
domingo, outubro 26, 2014
sexta-feira, outubro 17, 2014
sábado, outubro 11, 2014
quinta-feira, setembro 25, 2014
quinta-feira, setembro 18, 2014
Debruei o teu corpo com grinaldas
De mil flores e mil odores
Numa intensa transparência de amar
Onde só o eco do olhar nos trazia o outro
E o timbre das melodias dos lábios
Nos dava o nome frágil do desejo.
E o tempo foi construindo o hábito
Mas as nossas mãos continuam
A tecer uma teia equilibrada
De ternura e segredos
Sussurrados ao luar da vida.
Manuel F. C. Almeida
sábado, setembro 06, 2014
Abro o teu corpo
Como se fossem paginas
De um livro em branco
Ou como se desfolha
Um malmequer
Na procura das palavras
Certas
Para te escrever
E aspirar o teu perfume
Abro o teu corpo
Como se ouve uma sinfonia
Ou se aprecia o canto
Das cigarras
Numa noite de estio
Abro o teu corpo
Como se fossem ondas
Num rio de águas revoltas
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 27, 2014
Foste um dia o início de tudo
Ficaste preso a mim com algemas invisíveis
Debruadas a ouro e prata com
Diamantes sempre a brilhar
Diamantes sempre a brilhar
E fomos crescendo juntos,
E juntos separámos o tempo
Passaste a ter o teu tempo e eu o meu
Nada mais quis ter na vida
Um par de algemas cravadas na pele
Indestrutíveis aos tempos e às intempéries
Inevitavelmente um dia serão cortadas
Mas iremos tê-las sempre presentes.
Manuel F. C. Almeida
sábado, agosto 23, 2014
sexta-feira, agosto 15, 2014
time to sleep
Apaguem a luz,
A noite acontece ao rasgar
Da esperança e do silencio
Quando o olhar se petrifica
No leito de um rio de águas
Pintadas.
Apaguem o tempo,
O sol deixará de morrer e
O horizonte será apenas
Uma linha muda
Numa tela a convidar
Ao sonho
Apaguem os conceitos
Chega de palavras vãs
Cheias de intenções
Coloridas e prenhes
De interrogações sobre
Nada
Apaguem tudo,
E deixem que o silencio
Nos abrace.
Manuel F. C. Almeida
domingo, agosto 10, 2014
Há dentro de mim
Um oceano, um deserto
Uma floresta tropical
Uma dor que nunca se alcança
Uma gesto, uma estatua de sal,
Uma eterna procura de ser
Apenas um sonho
Pronto a morrer
Há dentro de mim
Mil imagens escondidas
Mil faces feitas ruína
Mil ventres despedaçados
Mil fantasmas encantados
Pelo canto de mil almas
Que um dia aprisionei
Há dentro de mim
Mil odores e mil sabores
De quem amei
Manuel F.C. Almeida
domingo, agosto 03, 2014
O luar é nossa testemunha
Daquela noite em que sem pensar
Voltamos ao ponto suspenso
Do nosso olhar.
O luar é nossa testemunha
De um momento único, ímpar
Em que a força dos instintos
Fez o desejo falar
O luar é nossa testemunha
Que um erro de teimar
Não deixa de ser um erro
A reparar.
Manuel F. C. Almeida
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