sábado, abril 13, 2013

















De tudo o que a vida me tem dado

O que de mais belo tenho guardado

É o reflexo a luar no teu corpo

E o teu cheiro a madrugada.

Memórias que trago comigo

Nesta deserta e longa estrada.



Manuel F. C. Almeida


sábado, abril 06, 2013






















Nos meus olhos ávidos

P’lo teu ser

Reina a lascívia própria

Dos humanos

Feita de sonhos e escuridão

Amálgama secreta

Dos silêncios

Sem culpa ou moralidade

Sou pois um arremedo

De ave

Que nos céus se diverte

Com o vento

E olha o mundo sem

Grades

E sem barreiras à

Liberdade

Uma flor rara e selvagem

Que teima e ocupar

Os espaços livres

Das dunas,

E se protege

Dos olhares implacáveis

De quem vive com dedos

Apontados ao mundo.


E no interior de cada hora

Aspiro a ser aquele

Que chega e se

Demora.


Manuel F. C . Almeida

sábado, março 30, 2013


Esperei-te sentado, na alvorada dos dias

Numa praia de areia e negras pedras

Engalanada pela névoa da manhã,

E quando vieste o sol abriu-se num sorriso

E o oceano lavou-me a alma.

Finalmente a areia clareou.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 26, 2013





















Dás o que tens, apenas e só o que tens
Como reserva de ti
O amor e os beijos a espaços não são
Dirigidos a outro, são beijos em ti.
Beijas e ao beijar, não beijas mais
Que a tua necessidade de beijar
É o teu corpo que beijas
E sorris como criança traquina
Que prega partidas sem valor
O sorris por dentro do outro
Que se detêm suspenso num limbo entre
Flores de um jardim abandonado
E a ideia do que foram dias de paixão
E amaste se é que amaste. Hoje
Tudo é um labirinto de olhares
Que se escondem dos olhares.
Toda a verdade é em ti silêncio.
Tristeza amordaçada de uma
Paixão presente de costas voltadas.
E a esperança que o passo a dar
Não seja dado por ti


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 21, 2013

DIA MUNDIAL DA POESIA 21-03-2013
Nada fazes que seja novo,

Nem o que escreves é importante.

Tudo o que existe, é apenas tempo.

A criação é algo ilusório,

Pois as palavras que alinhas

E que alimentam os teus sonhos

Já eram palavras vivas

Antes de as escreveres.

É tempo pois de abandonar essa

Pretensa novidade

Porque os poemas já foram

Todos escritos....

Só que alguns ainda não

Se deram a conhecer.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 19, 2013





















E eis que o silencio


Se instala

No vento que chega

Se instala

Nas palavras ditas

Se instala

No canto do teu peito

Se instala

Nas manhãs de orvalho

Se instala



E só nos campos floridos

Do teu olhar

Se deixa ler o teu segredo

Que nunca teve o meu nome

Nem o teu amar.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 12, 2013

Numa noite fria de silencio


Em que a solidão me tomou

Esperei sempre o teu gesto

Mas o teu gesto não chegou

E o tempo lá foi passando

E nada nas noites mudou

E a solidão do meu mundo

Em silencio se quedou.



E quando um dia chegaste

E disseste “ estou aqui”

O silencio dos meus olhos

Respondeu “ eu estou ali”



E tudo pareceu estar normal

Já nada disso importava

O teu chegar era hábito

Não chegar de quem amava

E a espaços e em silencio

Passamos a ser quem usava

O outro para nosso prazer

Em nada mais ele estava.



Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, março 07, 2013



Nas vagas que cavalgam o mar

Vive toda a eternidade

Espuma branca, nosso lar

Sonho acordado, saudade

Da comunhão do olhar

Nas ondas da liberdade.


E quando a morte chegar

Eu regresso à unidade.




Manuel F. C. Almeida



sábado, março 02, 2013

















Desço pelo teu


Corpo como

Um rio de águas

Agitadas

Á espera que

Se desbravem

Ao toque dos

Meus lábios

De seda e veludo.

Os teus seios

Erguem-se

Ao encontro

Dos céus

E o teu ventre

Agita-se como

Vento,

Como onda

Que se eleva

E se cava

Num remoinho

De prazer



Desço pelo teu

Corpo para

Nele me perder.



Manuel F. C Almeida

terça-feira, fevereiro 26, 2013























Que mais de mim direi
Que fique gravado no vento
Quando de mim nada sei
E perdi o norte no tempo


E entre o mundo que pensei
Ser possível num momento
Resta só o que sonhei
No naufrágio de um lamento.

Mas nunca me irei entregar
A quem quer que me apareça
Antes morrer a lutar
Que viver sem ter cabeça



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 21, 2013





















E eis que descubro a tua alma

E tu ficas nua e indefesa

E só então te sentes salva

E em mim te apoias com firmeza



Soltam-se os beijos e a ternura

Em gestos prenhes de saudade

E em nossos corpos a loucura

Tem o sabor da eternidade



E cai o dia, a noite passa

E os nossos corpos extenuados

Erguem-se como uma taça

Para se tomarem encantados



E quando a fome está saciada

E os nossos sentidos dormentes

Reabre-se a porta ansiada

E renascemos como sementes.



Manuel F. C Almeida

sexta-feira, fevereiro 15, 2013


Olhar-te encantava o


Negro. Eras silhueta sem

Sem imagem.

De onde se soltavam instintos

Animais

E tudo o resto era espelho

Da vontade em mim.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 11, 2013





















As palavras que deixo no ar


São rosas e cravos de jardim

No desejo de encontrar

Em ti o que resta de mim



E se os seios te tomo nos lábios

E se o ventre te tomo nos dedos

Leio em ti o nome de sábios

Para vencer os meus medos



E num frenesim me alimento

Num festim feito de instinto

O teu corpo é o meu templo

O meu ópio e meu absinto.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 01, 2013






















É tempo de mergulhar


A palavra

Nas águas límpidas

Do desespero

Que vive no interior

Do teu peito

E acender nela a tocha

Dos sentidos e da

Luxúria.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, janeiro 28, 2013
















Ao entardecer eu ouço
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 22, 2013





















Nada fiz de relevante na vida


Nunca vendi a alma aos deuses

Nem a vida aos homens importantes

Sou anónimo nos anónimos

Uma singularidade estatística

Mas são muitos como eu

Que criam os homens importantes

E se imolam no alter dos deuses

Tirânicos que alimentam.



Manuel F. C. Almeida



quinta-feira, janeiro 17, 2013




Passam pela vida os segundos

Que não mais irão passar

Unidas são gotas de um rio

Não voltam ao mesmo lugar



Tal a como a vida se vai

Sem que disso demos conta

O rio também vai passando

Gota a gota se faz onda



E se tudo na vida se altera

E se esta tem sempre um final

Também as águas do rio

Morrem doces, renascem sal.



Manuel F. C. Almeida






sexta-feira, janeiro 11, 2013



Quero perder-me na estrada

Sem rumo ou direção

Sem fronteiras

Para lá do mar

Quero perder-me na vida

Sem certezas ou lugares meus

Nem saberes imperativos.

Ser quem vive a sonhar

Quero perder-me nas coxas

De mil mulheres que me tomem

Apenas por aquilo que sou

Um eterno ignorante

Que nem a si se encontrou



Quero perder-me da vida

E é à vida que me dou.





Manuel F. C. Almeida

 


domingo, janeiro 06, 2013




















Que nos os teus lábios

Eu morra todos os dias

Uma morte rápido e indolor

E que pela madrugada

Me levante, volte à vida

E à esperança de voltar

A morrer de amor



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 31, 2012
















É preciso reinventar o amor


Nos caminhos que temos pela frente

Fazer da vida um arco-íris

Sem pote de ouro ou outras crenças

Reinventa-lo simplesmente.



Pode ser reinventado com o olhar

Que pousa em estranhos por momentos

E pinta uma tela de mil cores,

nos faz saltar o desejo

Em ternos e eróticos pensamentos.



E se uma folha de primavera se soltar

Nesse recriar da vida e do encanto

Guardemos essa folha com cuidado

Deixemos que cresça e nos e aqueça

E que reinvente o amor com o seu canto

Um amor que se renove e sempre cresça

e que nos inunde a todos com o seu manto.



Manuel F. C. Almeida