Agarro o sol, que se me dá
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
domingo, maio 01, 2011
quarta-feira, abril 27, 2011
Esta noite sonhei com um vale
Verdejante, entre versosE rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte
sábado, abril 23, 2011
Há uma solidão sinfónica entre
A alma e as gentes.Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.
Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, abril 19, 2011

Preso no limbo de momento
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
fotoDDiArte
domingo, abril 10, 2011
A liberdade de alguns ou a confusão da posse
Criação infernal
De flores e pétalas
Douradas
A liberdade “que é minha”
Tem propriedades
Privadas
Não tem face,
Nem tem existência.
É minha!
Pronto! paciência.
Que eu luto todos os dias
Pela causa da liberdade
Neste mundo de opressão
Mas o objecto “meu”
Encondo-o na palma da mão.
Viva então a liberdade
De quem comigo caminha
Desde que a liberdade só viva
Na liberdade que é minha.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, abril 06, 2011
Teimosamente recuso
As minhas faces reais
E dentro de mim, em refugio,
Vivo dilemas morais
Quem eu sou? É meu tormento.
Tanta é a confusão
Entre o que sou quando “ sou”
E a minha existência no vento.
E lá vou, vendendo a imagem
Que prometi não vender… ~
Fujo para outra margem
Quando me quero esconder.
E só, diante de um espelho
Que parti em mil pedaços
Vejo mil imagens pequenas
No encalço dos meus passos,
Persigo-me sem me encontrar
Nunca sei a quem seguir.
Se aquele que vive o presente
Se um outro que está para vir.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, março 31, 2011
quarta-feira, março 23, 2011

Estamos quietos, pacientes.
Os cães comem os restos da noite
E na penumbra solta-se um poema rebelde.
As damas envelhecem no sonho da eternidade
A mirarem esbeltos corpos de jovens Adónis que elas possuem
No segredo e no silêncio da solidão.
Demoradamente afago os testículos
Num prazer animal tão criticável
Como o arrancar pelos púbicos a uma santidade.
Descerro a hipócrita lápide "Para sempre"
Num verso complicado e cheios de nomes,
Entre cantares solitários e companhias presentes.
As musas cobrem-me o sonho num festim de sexo
E máscaras de lágrimas reprimidas.
O prato principal foi servido quente
E a geometria toma conta da existência.
Todo o poema se encontra encerrado
Nas pregas vermelhas da minha loucura
E teima em se descobrir á tona da demência
Saudável dos corpos em êxtase.
Teço uma teia com as faces incógnitas
Mas vivas do passado.
E nas ruas de uma qualquer cidade já morta
Pela moral e pelos bons costumes
Os corpos nus dos homens e mulheres,
Teimam em se manter como faróis da liberdade.
Manuel F.C. Almeida
domingo, março 20, 2011

DIA MUNDIAL DA POESIA
No canto da noite
Escondem-se os poetas
E as vidas.
No canto da noite
As ondas choram
Repetidas,
No canto da noite
A tua ausência
São asas perdidas.
Manuel F. C. Almeida
foto cassio sales
quinta-feira, março 17, 2011

Solta o silencio
contido
nesse silencio
de ti
que o silencio que
te habita
é o silencio
de mim.
Abraçamos os silencio
que se espraia
entre nós
como se não houvesse
vida
na voz.
Pouco a pouco,
devagar,
mas como bicho de traça
vai-se o amor no olhar
e este silencio
não passa.
E até, quando em
em desejo,
teimamos em burlar
o silencio
Burlamos o que
já foi amor
e é hoje apenas
cio.
Manuel . C. Almeida
domingo, março 13, 2011

Era tarde na avenida da liberdade
Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.
Manuel F.C. Almeida
Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.
Manuel F.C. Almeida
fotoIsabel Arim
terça-feira, março 08, 2011

Ao meu amigo
"MIMI" CABOZ
E
A TODOS
OS AMIGOS
QUE PARTIRAM
Já partiste
Meu amigo.
Do teu passado
Resta a tristeza
De um olhar
Ausente
E a mágoa
Presente
De te re(perder).
E foste
Caminhaste
Como todos
Os amigos
Partem um dia,
Sem tristezas
Ou promessas
Por cumprir
Simplesmente
Procuras no tempo
O teu lugar.
Manuel F.C. Almeida
fotojoao chaves
domingo, março 06, 2011

Já se foi a inocência
Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.
Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.
Manuel F. C. Almeida
foto: SaMY
quinta-feira, março 03, 2011

Na neblina da manhã
Ergo a cabeça e olho
Para traz.
Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.
Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.
Encontro-me, onde não estou.
Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.
Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.
Manuel F. C. Almeida
Ergo a cabeça e olho
Para traz.
Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.
Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.
Encontro-me, onde não estou.
Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.
Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.
Manuel F. C. Almeida
FOTO:Marcio Murilo Pilot
domingo, fevereiro 27, 2011

Só a culpa inibe
O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.
Manuel F. C. Almeida
O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.
Manuel F. C. Almeida
fotoDDiArte
terça-feira, fevereiro 22, 2011


Cai-me o olhar, lentamente
No tempo que teimo em não deixar
Tocar-te a mão, suavemente
E recusar partir, sempre ficar
E não entendes (porque não sentes)
O sentido deste meu teimar
É nas memórias vivas e quentes
Que guardo o néctar do teu beijar
E mesmo quando passas altiva
Indiferente ao tempo e ao falar
Mantenho aqui, guardada e viva
A doce memória do nosso amar
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
sábado, fevereiro 12, 2011
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Na minha mortalha
Descanso.
Finalmente repouso
Dos dias distantes e frios
Do teu olhar,
Do vazio dos gestos
Por dizer,
E das palavras ditas
Por fazer.
Na minha mortalha
Já não caminho a tua alma
Nem aspiro a conhecer
O teu corpo.
Na minha mortalha
Revivo a minha vida,
Prestes a levantar-me
E a recusar a morte
No teu não querer.
Manuel F. C. Almeida
Descanso.
Finalmente repouso
Dos dias distantes e frios
Do teu olhar,
Do vazio dos gestos
Por dizer,
E das palavras ditas
Por fazer.
Na minha mortalha
Já não caminho a tua alma
Nem aspiro a conhecer
O teu corpo.
Na minha mortalha
Revivo a minha vida,
Prestes a levantar-me
E a recusar a morte
No teu não querer.
Manuel F. C. Almeida
fotoSAGHER
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