Já ia alto o sol Quando me conheci. Não ouvi sons, Nem acordei as aves. Fixei-me num ponto Obscuro do horizonte E deliciei-me com A memória das memórias Coladas a mim. Em uníssono a tarde caiu E deixei de me reconhecer Só a luxúria de outros corpos Me permite resgatar quem sou.
Já não há fuga Nem esperança. Já não há passado Nem futuro E neste presente Teimosamente adiado Todos os sons Pairam sobre As águas Como punhais Que rasgam a carne No tempo E nos impelem Contra o sonho.
Só nos resta O sopro das estrelas Nas noites Sem luar.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 07, 2010
Desespero frente ao poema Por nascer. Não sei quem sou Muito menos quem fui. Perco o passado na escrita Perco a escrita no olhar. Vagueio por amores Sem face. Invento diamantes Telúricos E sinto os ventos No aconchego da alma.
No desespero dos Poemas por nascer Acabo sempre por Me encontrar E me perder.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, novembro 02, 2010
Não há espaço, nem distancia Não há principio nem fim Existir é uma constante De incertezas em mim Não procuro as respostas Onde não existem perguntas Sou apenas testemunha Da linguagem do tempo Viver é parte da história Que fica escrita no vento.
Eu já não ouço O canto das águas Nem a fonte dos Mil murmúrios. Só os poemas De brisa Coloridos de ternura Colam o teu ventre Aos meus lábios E fazem germinar Os cravos rubros Do teu peito.
Finalmente entendi a canção Que trago escondida Na palma da mão Fala da vida sem tempo, Da minha existência Grão de poeira no vento
E quando um dia me cumprir E o meu pensar se apagar Sei que irei a sorrir Sei que irei a cantar A beleza do que vi A confusão do saber E todo o prazer que senti Em ter amado viver.
Com os pés na terra Lanço este murmúrio Contraditório. As margens do rio Alagam o muro Onde me lamento. O silêncio solta uma Antiga canção de encantar. E onde o sol beija as águas Recordo o teu ser Diluido no meu olhar.
Neste silêncio me alimento De palavras ocas e olhares Inquietos. Por isso nunca soube dos amores, Nem das danças usadas No encantar dos cordeiros, E não aprendi a desvalorizar As coisas, Porque o silêncio só chega Quando a bruma se descobre Nas madrugadas do tempo E o orvalho se dissipa Nos sonhos inocentes Contados ao vento.
Quando em mim a alma sonha Numa inocência alva Mantenho os deuses cativos Num eco de pedras e pregões. E onde começa o canto E o meu peito se perde Assumo o gosto do passado E o prazer do corpo Num cálice de odores de memória.