domingo, dezembro 27, 2009













O meu terraço é o oceano.
Entre o azul do Céu
E o prateado dos peixes.
Ali fixei o meu mundo
E me fechei no silêncio
Das sombras do passado.

Manuel F. C. Almeida


quarta-feira, dezembro 23, 2009


















Procuro o teu respirar
No interior do pensamento.
E dentro...
Encontro as margens cálidas
Da memória
E o crepitar de odores
Do teu corpo.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 20, 2009


















Dai-me o silêncio da alma
A nudez adocicada do olhar
E o sabor de uns lábios
Roubados ao mar

Dai-me o canto das águas
Os gestos de vento e claridade
E o abrir do coração
Nos braços da liberdade.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, dezembro 17, 2009



















Tenho-te procurado,
Na fronteira do tempo
Onde as palavras se descobrem
Em cada verso que flutua perdido.
Tenho-te procurado,
No limiar das marés
Onde os poemas se desfazem
Em rumores perdidos de espuma.
Tenho-te procurado,
Nos silêncios do anoitecer
Onde os olhares se vestem
De solidão e abandono.

Será que tenho procurado
Nos locais certos?

Manuel F. C. Almeida



fotoJosé d\' Almeida & Maria Flores

segunda-feira, dezembro 14, 2009



















Gin tónico
Caipirinha
Correr atrás
Da vidinha
Venha branco
Venha tinto
Pode até ser
Absinto.
Vem uma salada de polvo
Choco frito de seguida
E engano-me a mim
E ao mundo
Com esta merda de vida

Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, dezembro 11, 2009



Na boa e velha tradição




da poesia pornopopular









Passo-te os lábios pelos seios
A mão pela húmida greta
Descubro então os anseios
Nessa pintelheira preta

Tu agarras o meu falo
Erecto como um menir
Com ele a boca te calo
E ponho-me então a grunhir

Em jeito de agradecimento
E para teu grande prazer
Da língua faço um tormento
Que te põe louca a gemer

E de gemido em gemido
De loucura em loucura
Sentimos o corpo dorido
Numa foda de ternura.

Manuel F. C. Almeida


fotoABrito

terça-feira, dezembro 08, 2009



















Teu corpo,
Poema de água
Complexo
Grita.
Adormecem-te os sonhos.
E o presente.
Quando acordas
É sempre em frente.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, dezembro 03, 2009















E quando um dia
As letras dançarem
Ao som do luar
Vão formar ao acaso
Os versos por dizer
Quando te amei
Em silêncio.

Manuel F. C. Almeida


domingo, novembro 29, 2009



















Com os teus dedos cegos
Tocas o rosto.
Trespassas o silêncio.
A tua alma ausenta-se;
E a beleza poética que
Vive nuns lábios anónimos
Sabe-te a sangue
E a memórias apunhaladas.

Com os teus dedos cegos
Tocas o rosto
E cego vês a
Vida que foge
Amordaçada.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 26, 2009














E sempre que á noite nos tocamos
E aos nossos dedos damos asas
É a primavera que encontramos
Escondida em nossas casas

E quando as nossas vozes enlouquecem
E nossos corpos se saciam
Há flores que brotam e que nascem
Onde em tempos idos flores jaziam

Mas manter acordada esta chama
Que brota de uma fonte que é secreta
Obriga a consciência de quem ama
A ter o outro, não como fim, mas como meta.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, novembro 23, 2009


Vão-se os dias a olhar para lado nenhum,
Vão-se as horas de puro lazer
O teu corpo é agora um estranho
Para o estranho que és
Olhas-te e não te reconheces,
Pensas-te e não sabes como te pensar
A teu lado um filho homem, jovem e belo
Tão belo como tu em tempos foste
Causa-te estranheza
Uma certa inveja e revolta
Porque vivas no corpo que viveres
Tu vais pensar-te sempre
Como jovem.
E o teu filho é a medida
Da tua juventude.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 19, 2009














Canto a mingua desta vida
Feita de ilusões e de mentiras
Com pregões de verdes dias

Leiloeiros de abastança
Vendem mil paraísos
Em campos de olhos vendados

E embriagados pelo sonho
Da fortuna da sorte
Adiamos decisões, até ao dia…
Da morte.

Canto a vã e falsa esperança
De uma felicidade adiada
Porque a vida que nos vendem
Não é vida não é nada.

Manuel F. C. Almeida


fotoSAGHER

sábado, novembro 14, 2009













Olhar o mundo é
Entender
Que a fragilidade
Da vida
Se descobre
Na morte
Dos amigos.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 12, 2009















Viver é tão somente
Acordar todos os dias
Com o olhar no presente.
É saber ler em compasso
O espelho sempre a sorrir
E em cada segundo que passa
Ser alavanca do agir.

Manuel F.C. Almeida
foto:SAGHER

segunda-feira, novembro 09, 2009



















Amar-te uma, duas, três
Como se fossem sempre
A última vez

Beijar-te o pés, os lábios o ventre…
Beijar-te como se
Fora demente

Dar-te o meu corpo, a alma, o ser
Dar-te num olhar
O desejo de te ter.

Manuel F.C. Almeida

foto:Luis Mendonça

quinta-feira, novembro 05, 2009













Olhar cheio, um sorriso
Uma mão a convidar
Uma carícia na face
Um ventre para beijar

Umas coxas que se abrem
Num gesto que nos convida
A descobrir nesse corpo
O segredo para a vida

E assim se fala de amor
Daquele amor animal
Que quando acontece
Se revela natural

Tudo o resto são cantigas
Palavras que voam no vento
Máscaras de uma verdade
Que fica nua com o tempo.



Manuel F.C. Almeida



fotoVictor Melo

terça-feira, novembro 03, 2009



















E a cada dia que passa vamos ficando mais pobres.

domingo, novembro 01, 2009













Percorri vales e montes,
Campos pintados de cores.
E as faces que sempre encontrei
Vinham carregadas de flores
Eram rosas, eram lírios
Eram orquídeas selvagens
Eram mosaicos pintados
Faces nas minhas viagens
Percorri então o mundo
Com as cores do coração
E um dia quando parei
Eu tinha o mundo na mão
Tinha visto tanta coisa
Tanto lugar encantado
Tanta dor e tanta luta
Tanto homem destroçado
Só faltava olhar para mim
Revisitar o meu ser
Pintar a alma que um dia
Eu quase deixei esquecer.



Mnuel F.C. Almeida



fotoLuis Azevedo

quinta-feira, outubro 29, 2009

















Os meus versos nascem
Dos meus olhos
Da luz que os ilumina
Toda a hora

Do espanto que se descobre
Quando a vida se
Desflora.

Manuel F.C. Almeida

fotoXanadu

segunda-feira, outubro 26, 2009















Negam-te o tempo e a vida
A luz e o respirar
Negam-te o direito a sentir
O abraço do luar
Negam-te todo o direito
Que te foi dado ao nascer
O direito a ser feliz
A fragrância de viver.
Negam-te até o direito
à dignidade ao morrer.

Manuel F. C. Almeida