quarta-feira, setembro 30, 2009

















Encontro
Desencontro
Encanto
Desencanto

E em tudo o mais
Apenas um tempo
Bordado de ilusões
E iluminado
Pela vaidade
Humana.

Manuel F.C. Almeida

domingo, setembro 27, 2009












Já me fartam os lusíadas
De monstros epicos
E cantos nacionalistas

Gosto mais dos lábios
pintados das coristas.

Manuel F. C. Almeida


foto Luiz Alvim

quinta-feira, setembro 24, 2009






Conselhos a um
jovem poeta





Paneleiro.
Punheteiro.
Mineteiro.
Palavras que não deves usar.

Brochistas
Fodilhões
Colhões
São todas para evitar.

Caralhos
Tetas
Gretas
São difíceis de rimar

Resta-te pois
Adocicar o verbo
Com o lirismo imaginário
De um vate
Não ordinário

Porque Bocage
Só se admitiu
Porque o povinho
Gostou dele...
E sorriu

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 21, 2009



A joão de César Monteiro



(Que morreu a 3 de Fevereiro de 2003)









A pátria dita, cantada
A pátria inventada

Uma bandeira, ilusão
A bandeira, divisão

Um hino, gritado no vento
Orgulho, partilha, excremento

Uma língua, cultura que se herda
É tudo história, é tudo merda.


Manuel F C. Almeida

sexta-feira, setembro 18, 2009



















Em mim, há uma mão
Misteriosa e distante
Que parece indicar
O caminho certo;
O caminho que não conhece
Fronteiras ou a cor da
Minha alma.

O caminho que não conhece
A verdade ou as palavras
Escondidas e impuras.

Em mim há uma mão
Que não sente o sopro
Do vento
Nem a corrente fria
Das águas
Que deslizam no
Pensamento.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 15, 2009













Inconsequente procura
Das palavras .
Cíclica rotina
Das lavras.
O teu corpo em suor
O cavas
O sexo institivo
Lavas
Na impassível moral
Das larvas
E da merda de vida
Que escavas.

Não escapas.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 12, 2009













A morte dos homens
É espera, terror,
Angustia antecipada.
Temor,
Da presença perdida...
Nos homens, a morte
É a consciencia da vida.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, setembro 10, 2009


















Na primavera beijei
Um caminho novo
Com alegria gritei
-não vão mais calar o povo
Mas o céu limpo de Abril
Depressa escureceu
E o grito juvenil
Calou-se e um dia morreu.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 07, 2009






Católicismo







Gosto de fazer caridade
Com ela sinto que ganhei
Um lugar na claridade…e
Ao lado de deus me sentarei.
Gosto pois da minha terra
De misérias nunca farta
Distribuo esmolas aos pobres
Vestido com peles de marta.
Mas só dou aos que agradecem
Esta minha dedicação
Poque os pobres e a miséria
São a nossa salvação.

Manuel F.C. Almeida


sexta-feira, setembro 04, 2009



















Foi em Maio que nasci
Num dia como outro qualquer
Mas ao nascer, logo morri
Sem disso dar conta sequer


Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 01, 2009



















Um momento eterno, já distante
Um desejo presente, no cantar
Um corpo amado, bem brilhante
Um farol de amor, à beira-mar

Uma paixão viva, palpitante
Uma porta aberta, para entrar
Um doce recordar, o teu semblante
Uma memória que voa, meu luar

E escondido dentro do meu ser
Vive um segredo cor de amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, agosto 29, 2009



















O pai
Que todos procuram
No sofrimento do
Filho

O espírito
Que se diz santo
No emprenhar
De uma virgem

Trio de cantos, louvores
Trio de imagens humanas
Para uns trio de amores
Para outros figuras insanas


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, agosto 26, 2009



















Juventude que animas os meus dias
Que fazes do teu o meu olhar
Não deixes de lembrar o que querias
Quando nos espraiávamos ao luar

E na luz e nos sonhos em que vivias
Retirava delas poemas para cantar
E mesmo quando em nuvens te perdias
Era nas nuvens que te deixavas resgatar

Juventude que és minha no sentir,
Que caminhas junto a mim sempre a sorrir
Não apagues do meu estar a tua chama.

E se um dia fores forçada a partir
Na inevitável existência de um devir
Partirei contigo, eterna dama.

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 23, 2009
















Despertamos
Quando o corpo
Se impele
De encontro
À pele
Do corpo.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, agosto 20, 2009







FADO POR UM PAIS ADIADO





Eu imagino caminhos
Um chão pejado de linhos
Num lugarejo isolado.
Vivo a vida a acreditar
Que um dia vou encontrar
Esse lugar encantado.
Onde corram as ribeiras
E floresçam cameleiras
Num coração imaculado.
Onde cantem verdelhões
Com um coro de cisões
A letra deste meu fado.
Fado feito fantasia
Numa ingénua alegria
De quem vive alienado.
Faço como a avestruz
Uso na cabeça um capuz
Sou feliz mas estou vendado
Por nada quero lutar
Nada desejo mudar
Adoro ser explorado.
E embora com consciência
Vivo na santa inocência
De quem quer ser enganado
Estou num beco sem saída
Tenho a cachola moída
Mas dei o fado acabado.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, agosto 17, 2009



















Não sabia
Se era dia
Só sabia
Que trazia
Um olhar
Que me sorria
Por um motivo
Qualquer

A pele cheirava
A canela
Eu dançava
Com ela.
Barca solta
Livre vela
Luxúria que se alimenta
No corpo de uma mulher.

Manuel F. C. Almeida



fotoAntonio Carlos Kern (ACKern)

sábado, agosto 15, 2009

HÁ 40 ANOS O MUNDO MUDOU





sexta-feira, agosto 14, 2009















AOS INTERESSASDOS (SE É QUE OS HÁ)


a obra está disponivel na contracapa (passe a publicidade), também em almodôvar se pode encontrar e pode ser requisitada nas bibliotecas de Castro Verde e Almodôvar às quais fiz a doação de um exemplar.

encontra-se à venda nas seguintes livrarias:
Clube Literário do Porto (Porto)-
Loja 107 Livraria (Caldas da Rainha)-
Arquivo Livraria (Leiria)-
Livraria Caravana (Loulé)
Pode também ser comprado em qualquer FNAC (sob encomenda). Chamamos a atenção que até à compra do primeiro artigo numa FNAC o artigo não estará aberto na central. Terão de dar a referência do nome da editora, livro e autor para que a mesma seja aberta.O livro está já disponível no site: www.corposeditora.com. Em principio para a semana estará à venda na WAFStore (em formato ebook).

quarta-feira, agosto 12, 2009













Recordo com saudade aqueles dias
Quando ao madrugar no teu olhar
Me mostravas mundo em que vivias
E me convidavas para nele entrar.

E eu, cego pelas tuas fantasias
Seguia-te de mãos dadas até ao mar
Onde invocavas mil maresias
E em silêncio te entregavas a beijar

E passado que foi já tanto tempo
Recordar com ternura esse momento
É recordar um pouco o meu viver

Porque noutros olhos hoje presentes
Descobri mil alvoradas, mil poentes
E neles me desfaço de prazer


Manuel F. C. Almeida


domingo, agosto 09, 2009
















Rasgo o céu, desnudo a terra.
Acendo uma fogueira.
Transformo os rios em guerra
Abro a garganta à lareira.
Roubo um poema às palavras
Com o meu sémen as cubro.
Conceitos são como larvas
Em todo o lado os descubro.

Manuel F.C. Almeida