terça-feira, maio 26, 2009




















Perder o tempo nos dentes e cagar-me.
Colher chatos nos tomates.
Contingências
Intemporais?
. Esta é a sublime interrogação da poesia pós modernista ou como diria o ministro:
- Isto é o expoente máximo entre o ser e o ter, uma equação infalível, um teorema matemático. A derradeira interrogação filosófica cabalista.
A reflexão ministerial, como sempre feita a preceito, levantou uma onda de protestos sem precedente. Intelectuais de todos os quadrantes resolveram protestar, eles com uma manifestação junto á assembleia da república, na qual o orador apelou à masturbação colectiva de forma a tornar as escadas escorregadias, facto não totalmente conseguido dado a avançada idade de alguns dos participantes que ao invés de se virem acabaram por se ir, elas avançaram para uma forma de protesto mais radical, mascaram-se de 1º ministro, o que lhes valeu uma noite com bebidas pagas em bares de reputação duvidosa e, pelo menos num caso, o convite para um filme gay, coisa a que a convidada acedeu tendo os participantes do filme protestado pela falta de tratamento igual.
Também nos meios académicos e estudantis a revolta foi grande. Invocaram-se argumentos retirados da suma teológica e da obra poética Pessoana para contrariar as palavras do ministro. Algumas faculdades chegaram mesmo a fazer excursões organizadas ao jardim zoológico, nas quais levavam farnel de feijoada, vinho tinto, cebola crua e arroz de polvo de forma a evitar a flatulência leve. Um caso houve de dois estudantes que chegaram a comer sopa de legumes com lentilhas e acabaram numa sinfonia anal sem precedentes na história da nação.
A revolta alastrou também aos meios operários e camponeses e aqui atingiu uma violência extrema. Em cidades fortemente marcadas pela consciência operária nada foi poupado. As ruas viraram autenticas passadeiras de preservativos tal a violência do protesto. Farto de serem fodidos, os comités operários passaram a foder tudo e todos, havendo inclusive um caso de um operário ter fodido a mulher o que revela a selvajaria do protesto.
Nos campos, a mentalidade mais conservadora levou a episódios rocambolescos nos quais se deu conta da violação de galinhas, porcos, vacas e ovelhas, coisa banal nestas bandas, mas que neste caso assumiu proporções descontroladas e a noticia de um maioral ter sido apanhado a enrabar um padre evangélico foi a gota de água que levou o exercito a intervir.
Numa 1º fase os soldados bem armados conseguiram avanços significativos na repressão à violência instalada, mas mais tarde e em face da aparição de uma prostituta de Lisboa, vestida com roupa de saldos, a parecer uma banal mãe de família, acabaram por mudar a sua posição e deram inicio a uma das mais ferozes e sanguinárias revoluções do mundo. Tudo acabou depressa com uma disseminação de gonorreia por todo o lado, tendo os membros do governo sido infectados através das axilas, um marinheiro cego e barbudo estava infectado.
Por fim o ministro lá explicou que afinal a água mineral gaseificada sempre servira para alguma coisa.
Deu o seu arroto e cagou-se como um valente. Vai ser canonizado na próxima semana devido ao milagre produzido.



Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 23, 2009



EM JUNHO















O meu caminho
É feito de terra
Crua, nua
Em guerra.
Planície pintada
No pó.
Caminho meu…
Só.

Manuel F. C. almeida



fotoSAGHER

quinta-feira, maio 21, 2009






A Alberto Pimenta.











Colhi o mundo e plantei-o no meu cérebro.
Dentro do meu cérebro está o mundo todo
Que colhi.
Mas se o mundo todo está no meu cérebro!
Puta que pariu!
Que fazes ai?


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 19, 2009





O MINISTRO

(tentar imaginar isto declamado por Mário Viegas)



Hoje o Sr. Ministro arrotou!
Inesperadamente arrotou!
Nada fazia prever tal acontecimento.
Em resultado disso o secretário do Sr. Ministro
Abriu um rigoroso inquérito
Para apurar como tinha acontecido
O ministerial arroto.
Foi criada uma comissão de inquérito
Composta por 10 membros
Responsável pela elaboração de um relatório.
O prazo é de dez dias após a tomada de posse.
Durante esse tempo
Cada membro da comissão
Terá direito a carro, subsídio de renda de casa,
Despesas de representação, subsidio para almoço
E telemóvel sem limite.
Pode ainda nomear uma secretária e contratar
Os serviços de uma call girl.

Isto porque o Sr. Ministro arrotou...
Imaginem agora se ele se tem peidado!


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 17, 2009



SEXO













O sexo,
Anexo,
Sem nexo
Ou complexo;
É só reflexo

Do tesão
Corporal
Convexo...

o sexo.


Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, maio 15, 2009













“Na Natureza nada se perde, nada se cria, mas tudo se transforma.”

"Lavoisier"

Eu sempre fui, sempre serei
Sempre existi, sempre irei estar
Sou imortal, agora que sei
Que sou só matéria sempre a mudar

Eu era presente no começo do tempo
No instante zero da existência
Meus átomos foram soprados ao vento
Até se encontrarem em coerência

Por isso não creio na vida e na morte
Não creio nos Deuses, no bem ou no mal,
Existir como “ser” é uma questão de sorte
Viver nada tem de transcendental.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 13, 2009


















Foi com ela que abri
As portas do paraíso,
Engalanadas com balões
E papel de embrulho
Colorido.
Foi com ela que encontrei
A imortalidade dos sentidos
Revelados nos beijos
Que animavam nossos corpos.

E foi com ela que perdi
A fé nos amores eternamente
Incertos.

Manuel F. C. Almeida



fotoJoão Camilo

segunda-feira, maio 11, 2009




















Só a lua é testemunha
Do meu gesto.
Agarro o luar na ponta
Dos dedos.
E com eles encanto o
Teu ventre
Que como uma flor
Se descobre…
Para mim.

Manuel F.C. Almeida


foto:Nuno Bernardo

sábado, maio 09, 2009















PORQUE HOJE É DIA DE MUDANÇA


UM POETA DO TAMANHO DO MUNDO



Segue o teu destino



Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.



A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.



Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.



Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.



Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.



Ricardo Reis

sexta-feira, maio 08, 2009














Escrevo
Para te escrever.
Ocaso nu.
Torso a crescer.
Centelha de vida.
Eternamente esquecida.

Manuel F. C. Almeida


foto:DDiArte

quarta-feira, maio 06, 2009

















Já não me ouvem
Nos becos da cidade
Nem nas avenidas perdidas
Da memória.

O regresso marcado
Nas pedras da calçada
Perdeu-se no rasto
Do tempo de uma vida
Cheia de nada.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 04, 2009














O mar
Funde-se com o olhar.
E euperco-me no labirinto
Da palavra...
Universo

Manuel F. C. Almeida


foto:Nuno Miguel Silva

sábado, maio 02, 2009














Só. Estou cada dia mais só.
O mundo passa a correr por mim,
E eu parado, vejo as imagens desfilarem
Em quadros, pequenas telas
Animadas de vida.
Tudo me foge, o tempo
A música, o mar.
Aqui estou. Sentado num abismo
Que me é cada dia que passa
Mais exclusivamente meu.
Mas que se passa comigo?
Onde enterrei as orquídeas
Que me animavam?
Onde deixei as canções
Do olhar?
Talvez um dia volte a entrar
Naquele comboio voraz em que
Vejo outros deslizarem.

Mas não quero.
E ninguém se importa com isso…
Felizmente

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 01, 2009

PORQUE HOJE É DIA DO TRABALHADOR:

CELEBRAR MAIO É MANTER VIVA A ESPERANÇA DE UM PLANETA MELHOR

quarta-feira, abril 29, 2009


















Afago a palavra,
O verbo.
Mergulho cego
No sentido.
Sou do conceito
Servo.
Das falácias
Foragido.


Manuel F. C. Almeida
foto:José d' Almeida & Maria Flores

segunda-feira, abril 27, 2009


















foto:joaopires

E em desespero
Confundiste
A alma com o
Corpo
E a chama de
Outono
Consumiu-me
A face.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 24, 2009















ABRIL

Eu sonho Abril do meu cantar
A liberdade descoberta
A esperança viva no olhar
A mordaça que liberta

Eu sonho um povo a caminhar
Na madrugada encoberta
Rubra flor em rubro andar
Porta fechada, logo aberta.

Sonho a revolução a criar

Sempre renovada e desperta.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 22, 2009



















Das sinfonias agitadas
Nos dedos
Restam os momentos
Da água nos lábios.
E a sede que matei em ti
Renova-se na tua sombra.

Manuel F. C. Almeida



foto:Mariana Bravo

segunda-feira, abril 20, 2009















Estendo no ar, o olhar
Procuro na noite o meu dia
Um rio que passa a cantar
Soletra a minha agonia
Procuro sentido prá vida
Nesta vida sem sentido
A centelha já perdida
De morto sem ter morrido


Manuel F.C. Almeida


foto:Daniel Pedrogam