
Anexo,
Sem nexo
Ou complexo;
É só reflexo
Do tesão
Corporal
Convexo...
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ


Foi com ela que abri
As portas do paraíso,
Engalanadas com balões
E papel de embrulho
Colorido.
Foi com ela que encontrei
A imortalidade dos sentidos
Revelados nos beijos
Que animavam nossos corpos.
E foi com ela que perdi
A fé nos amores eternamente
Incertos.
Manuel F. C. Almeida
fotoJoão Camilo

Só a lua é testemunha
Do meu gesto.
Agarro o luar na ponta
Dos dedos.
E com eles encanto o
Teu ventre
Que como uma flor
Se descobre…
Para mim.
Manuel F.C. Almeida
foto:Nuno Bernardo

PORQUE HOJE É DIA DE MUDANÇA
UM POETA DO TAMANHO DO MUNDO
Segue o teu destino
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Só nós somos sempre
Iguais a nós-próprios.
Suave é viver só.
Grande e nobre é sempre
Viver simplesmente.
Deixa a dor nas aras
Como ex-voto aos deuses.
Vê de longe a vida.
Nunca a interrogues.
Ela nada pode
Dizer-te. A resposta
Está além dos deuses.
Mas serenamente
Imita o Olimpo
No teu coração.
Os deuses são deuses
Porque não se pensam.
Ricardo Reis

Escrevo
Para te escrever.
Ocaso nu.
Torso a crescer.
Centelha de vida.
Eternamente esquecida.
Manuel F. C. Almeida
foto:DDiArte

O mar
Funde-se com o olhar.
E euperco-me no labirinto
Da palavra...
Universo
Manuel F. C. Almeida
foto:Nuno Miguel Silva

Só. Estou cada dia mais só.
O mundo passa a correr por mim,
E eu parado, vejo as imagens desfilarem
Em quadros, pequenas telas
Animadas de vida.
Tudo me foge, o tempo
A música, o mar.
Aqui estou. Sentado num abismo
Que me é cada dia que passa
Mais exclusivamente meu.
Mas que se passa comigo?
Onde enterrei as orquídeas
Que me animavam?
Onde deixei as canções
Do olhar?
Talvez um dia volte a entrar
Naquele comboio voraz em que
Vejo outros deslizarem.
Mas não quero.
E ninguém se importa com isso…
Felizmente
Manuel F. C. Almeida

Afago a palavra,
O verbo.
Mergulho cego
No sentido.
Sou do conceito
Servo.
Das falácias
Foragido.
Manuel F. C. Almeida
foto:José d' Almeida & Maria Flores

foto:joaopires
E em desespero
Confundiste
A alma com o
Corpo
E a chama de
Outono
Consumiu-me
A face.
Manuel F. C. Almeida

Das sinfonias agitadas
Nos dedos
Restam os momentos
Da água nos lábios.
E a sede que matei em ti
Renova-se na tua sombra.
Manuel F. C. Almeida
foto:Mariana Bravo

Estendo no ar, o olhar
Procuro na noite o meu dia
Um rio que passa a cantar
Soletra a minha agonia
Procuro sentido prá vida
Nesta vida sem sentido
A centelha já perdida
De morto sem ter morrido
Manuel F.C. Almeida
foto:Daniel Pedrogam


É a esperança que
espalha
Um ramo no bico
de pomba.
Farei do corpo
a muralha
Do sonho
que nunca tomba.
Manuel F.C. Almeida.
foto:Fernando Baptista

foto:Nuno Bernardo
Liberto-me no andar
Pelo mundo,
Naquela centelha de tempo
Temperada na tempestade...
Nas sílabas da madrugada
Onde mora a liberdade.
Manuel F.C. Almeida