
Foi com o silêncio
Dos dias
Que encontrei o canto
Do tempo.
O mundo real escondia
A dimensão das coisas,
E nas letras cantadas no vento
Faltava sempre
A razão das pétalas
Caídas em desuso.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ


foto :Francisco M S Botelho
Agora estou aqui
Ao lado ti, aqui
Sentado, mudo, quieto
Uma estatua, uma pedra
De adorno, silhueta que
Adormece e acorda
Ao teu cantar.
Agora serei só uma sombra de mim...
Manuel F. C. Almeida



foto :Nuno Belo
Recordo e tempo
Em que o nosso olhar
Cortava e o vento
E incendiava a planície
Agora…
Já nem as tempestades
Acordam o olhar.
Manuel F. C. Almeida

até quando?
até quando iremos assistir ao genocideo de um povo?
até quando iremos assistir ao silêncio da comunidade internacional
até quando se continuarão a matar pessoas em nome de uma bandeira, uma pátria ou uma raça?
SÓ UM MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO INTERNACIONAL, SEM RELIGIÕES OU INTERESSES ECONÓMICOS PODERÁ TRAVAR O GENOCIDEO EM MASSA DE MUITOS POVOS.
PARA QUE OS GOVERNOS SEJAM DO POVO, O POVO TEM DE OS ELIMINAR E TOMAR NAS SUAS MÃOS A RESPONSABILIDADE DE ENCONTRAR CAMINHOS QUE FAÇAM DO PLANETA UM LOCAL EM QUE A DIGNIDADE DE EXISTIR DEIXE DE SER UM DIREITO MAS SIM E APENAS ALGO COMUM A TODOS.
MANUEL F. F. ALMEIDA




foto by:Rui j Santos
E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.
Manuel F.C. Almeida


foto:Gisleine Martin
Na janela do meu quarto,
Para além dos limites,
Observo os dias passados
Na inocência da eternidade
E na estranheza do silencio.
No ocaso do olhar
Traço um desenho de vida
Peço à vida o acordar.
Manuel F. C. Almeida

foto:DDiArte
Lá fora a neve pintava de branco os campos outrora verdes e amarelos. Aninhado na minha concha olhava o brincar do vento e admirava a diversidade presente em cada floco. Esta doce loucura a que me tinha abandonado propiciava-me momentos de serenidade indescritíveis. Era possível ouvir e sentir os elementos e a vida. A porta fez-se ouvir. Com curiosidade fui ver quem era. Era algo ou alguém. Vinha reclamar o que era seu por direito e por acaso. Dei-lhe a mão e deixei de passar tempo à espera. Olhei para o lugar que tinha-mos deixado. Caído um corpo, marcava o que eu tinha sido. E nos braços de um anjo voei, finalmente liberto de mim.
Manuel F. C. Almeida


foto: Marta Bucher
Amar a sinfonia dos lábios
Como se os instrumentos
Habitassem o espaço
Entre sabores.
Manuel F. C. Almeida