terça-feira, maio 06, 2008





memories



Foto de Manuel Gonçalves





Escondo a face com
A nudez das mãos.
Percorro mentalmente
O tempo que um dia
Me deixou nu face aos
Elementos.
O meu corpo, refém
Da memória
Já me não pertence.
Tudo é apenas tempo
Tudo é somente
Alvorada.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 04, 2008







Ilusão



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion






Não se diga que não tentei.
A verdade incompreendida do
Entardecer escondeu sempre
A face real da dor.
Um fragmento do espaço liberta-se
Em cada olhar incontido e nele
Revivemos a alegre inocência
Dos adolescentes apaixonados.
Mas o cheiro das acácias
E o sabor almiscarado do teu corpo
Mascaram a ilusória passagem
Temporal
E em cada investida que faço
É o jovem que fui
A falar presente.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 02, 2008




Plágio











E tudo o que escrevo é plágio. Exaltação
dos sentidos, repetida como um grito que
se perpetua nas margens do tempo
empurrado pela unicidade do som, e
pelas vozes dos homens que ousaram dizer:
AMO-TE.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 29, 2008



NAUFRAGO:




FOTO BY:DDiArte




Nas palavras que transpiro,
E que carrego nos meus ombros
Deixo que por vezes a solidão
Se solte e se resolva no olhar
Dos outros.
Por vezes acordo do sonho
Numa ária nocturna com cheiro
De oceano.
Sou só um náufrago perdido
Na tempestade das palavras.

Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 27, 2008






BLUE





FOTO: antonio louro







Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Feito de mil cores, perdidas
Lágrimas roladas, esquecidas
Canto o passado... distante
Num cruel silencio gritante
Canto o teu olhar ausente
No meu sofrido presente
Fomos momentos no vento
Memórias espalhadas no tempo
Dá-me a tua mão, que eu levo-te ao mundo
Nos dias de verão, teu sonho profundo
Guardo em mim a tua beleza
No meu cofre de tristeza
Teimo em me arrastar na vida
Pássaro de asa ferida
Tu foste a deusa encantada
Num sonho vivo, sonhada
Teu nome ........, é minha bênção
É rosa a florir no meu coração.
É o meu farol, meu porto de abrigo
Vás tu onde fores, estás sempre comigo.


Manuel F. C. Almeida




sexta-feira, abril 25, 2008







repetição








Já estragaram a nossa festa, pá
Destruíram nossos sonhos
Desfolharam nossos cravos
Os cravos de pétalas de liberdade.

Sei que há sonhos que não morrem
Mesmo com tanta mentira
Sei que há homens que não vergam
Mesmo quando a esperança
Lhes tiram

Sei também quando é preciso, pá
Resistir, resistir e lutar
Canto Abril, canto o mar
Canto o sonho de igualdade
Canto a minha irmã liberdade
Canto a esperança de ver o povo
Acordar.

E ouvir em todo o mundo
Um novo Abril a gritar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, abril 23, 2008









IMAGENS





FOTO BY:Caamaño Castro



No corrupio das horas
E dos dias, todo o momento
Parece dolorosamente
Fugidio.
Liberto os meus sentidos
Na placidez das horas e
Despejo nelas a angustia
Dos espelhos intemporais.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 21, 2008
















Levanto ao alto a
Espada justiceira
Das mortes adiadas
Do desemprego e da
Fatalidade económica.

Faço do meu peito
Alvo
E das minhas palavras
Balas contra a
Injustiça divina
Dos senhores do mundo.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, abril 18, 2008

















Fiz-me ao largo na espera
De uma onda que me arrancasse
Ao quadro de uma vida
Sem chama.
Das asas fiz meu sonho
Do vento meu futuro
E no rugir do oceano,
Encontrei o teu olhar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 16, 2008





















Das pátrias nada quero
Senão o sangue dos mil
Homens mortos sem sentido
Nas guerras engalanadas
Por bandeirinhas e hinos...
No altar da honra nacional.

Manuel F.C. Almeida

domingo, abril 13, 2008













A dança das mãos
Revela-se na inquietação
Ávida dos lábios.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 11, 2008














Apaguei em teus lábios
A sede que me ceifava
A vida.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 08, 2008



Sorriso















No teu sorriso há a frescura
Do rosmaninho e a alegria
Das algas.
Há a folha de um Outono
Qualquer e a cor
De sangue de uma rosa
Por nascer
No teu sorriso...
O meu sorriso
Quer crescer.

Manuel F.C. Almeida

sábado, abril 05, 2008








foto by:Graça Loureiro






Num tempo sem tempo nascidos
No esgar do gozo germinados
Passamos pela vida adormecidos
Corremos sem correr, inanimados.

Miragens perseguidas toda a vida
Levam-nos à terra novamente
A chama intensa já perdida
Esmorece no olhar suavemente.


Partimos então noutra viajem
Embalados pelo vento solar
Faz-se do passado mensagem
No tempo que está a mudar.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 03, 2008





Semáforo




foto by:ABrito







A luz vermelha acesa…
O teu corpo em espera
Peão,
Avanço
Que o meu corpo
Desespera.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 01, 2008






Existes



foto by:Luis Mendonça







Existes no meu sonho
De olhos abertos…
Despida.


Manuel F.C. Almeida

domingo, março 30, 2008


Como?

Como te meço e te não meço
Como te tomo e te não tomo
Como te vi e te não esqueço
Como te como, como te como…


Manuel F.C. almeida

quinta-feira, março 27, 2008




V





O meu caminho
Descobre-se no desenhar
Do teu ventre e no
Abrir do peito ao vento…
Como num beijo
De magia intemporal


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, março 25, 2008



IV


FOTO BY:junior Franch






No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.


Manuel F.C. aAlmeida

sábado, março 22, 2008







III





FOTO BY:
Luis Mendonça



Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.



Manuel F.C. Almeida