
Descobre-se no desenhar
Do teu ventre e no
Abrir do peito ao vento…
Como num beijo
De magia intemporal
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ


IV
FOTO BY:junior Franch
No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.
Manuel F.C. aAlmeida

III
FOTO BY:
Luis Mendonça
Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.
Manuel F.C. Almeida

o tempo
I
FOTO BY:bruno silva
O tempo vive no olhar
Dos homens.
Eleva-se rápido de encontro
Ao tédio e á morte.
Manuel F.C. Almeida

criação
foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com
No teu cálice fecundo
faço a vida.
bebo o mundo.
Manuel F. C. Almeida






Sons
Foto by:Amanda Com
Vieste com a minha presença
Por entre o fruto vivo
das coxas
e o esplendor da língua
nos seios.
E o verbo perdia-se
Por entre os sons
Retorcidos
Dos corpos
Em espera.
Manuel F. C. Almeida

Impressão digital
FOTO: BYRafael da Silva Macedo
Uma vaga impressão digital
Pressionando o espírito.
A demência selvagem
Dos corpos putrefactos.
O catalizador
Que de olhar fixo
Exorciza o tempo
E o teu corpo
Dança numa fina
Linha de vento.
Manuel F.C. Almeida


wild side
foto by:carlos pereira
Walk on the wild side
E toma-me o corpo
Num copo de absinto
Translucido...
De azul pálido, carregado
Manuel F. C. Almeida



POUSO
FOTO BY:Fernando Bagnola
Nesta estranha acalmia dos dias, meditar um poema nas páginas de um livro qualquer, é como deixar crescer o silêncio dentro da alma sem que nada impeça o tempo de nos conduzir através do seu vector invisível. É nestes momentos que descubro a tua silhueta em contra mão e pouso o olhar na tua sombra.
Manuel F. C. Almeida

OLHAR
foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion
No fim da tarde, quando as cores se desvanecem e as aves se recolhem
Encontro enfim o teu canto, na linguagem contemplativa
De um olhar apaixonado. Mistério da existência. Corrida amarga
Contra o tempo. A teu lado o ópio entorpece-me os sentidos e a visão tolda-se ao leve toque do olhar.
Manuel F. C. Almeida

PORQUE AINDA HÁ HOMENS COM ESPINHA DORSAL
(Embora corram o risco de ser presos como o sindicalista).
ESPECTACULO:
CANÇÕES ANARQUISTAS
Não me pergunto onde vou
Os caminhos nunca acabam
Andorinhas de asa negra
Só vivem enquanto voam·
De polícia já estou farto
Civil ou republicana
De presidente de estado
Bem fardado ou à paisana·
Chapéu preto bem nos olhos
Residente em parte incerta
Trago bombinhas com mel
E os sentidos sempre alerta·
Da natureza nascemos
Vivemos com a razão
Vendo luas e não pago
Imposto de transacção.
Composição: Vitorino Salomé