quinta-feira, julho 26, 2007







foto by:Ricardo Jorge Miguel Soares



Ansiosos, estende-mos
O corpo contra o corpo
E aspiramos à primavera
Em prazer.
Bordamos o tempo com o
Brilho das estrelas caídas
E celebramos os dias
Com palavras só nossas,
Ditas no silêncio de um
Olhar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 24, 2007









FOTO BY angel nino










Dou ao coração o lugar do sol
Iluminando com ele o meu viver
Peço ajuda á lua, lindo vitral
E a lua ajuda-me a não morrer
Abro ao vento todo o meu peito
Dou-lhe todo o meu querer
Que me recorde de outros tempos
Momentos, horas a reviver.
Ao mar dou o meu olhar
Meu estar, meu sentir, meu ser.
É só nele que posso encontrar
Forças para não me perder.

Manuel F. C. Almeida

domingo, julho 22, 2007



















Quero mergulhar na memória
Como se fosse onda do mar
Reviver com ela as imagens
Que ela teimou em guardar
Ter os cheiros, ter as formas
Do que há pra recordar.
Brincadeiras de criança,
Coisas, que ousava inventar.
Jogos de adolescente
Segredos a desvendar.
Amizades feitas cúmplices
De quem se quer afirmar.
Quero mergulhar na memória
Apenas para me olhar...


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, julho 20, 2007












Percorro o trilho,
terra e chão.
Fico a olhar,
cismado, o firmamento.
Canto o teu nome,
doce ilusão
Tudo o que sou,
é só um lamento.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 18, 2007


recebi do lumife
a agora vou nomear.
venham buscar






FOTO BY Marcio Murilo Pilot








Á noite,

Na escuridão mais profunda
Os meus olhos são os meus ouvidos
E o meu coração é o pulsar agonizante
De uma ave multicolor.
Coloco o ombro contra o nada e o ouvido
Percorre a escuridão impregnado de receios.
Á noite,
Quando os silêncios tomam conta
Dos olhos e invadem os sentido
Somos presas fáceis de nós mesmos.
O medo acende-se bem no centro do que somos
E o seu reino estende-se por todo
O nosso espírito.
Á noite…
E algumas vezes de dia.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 16, 2007



















Pensei um dia ser folha
De terra,
Como se da terra me separasse.
Diamante retirado em dor
Ao ventre de minha mãe.
Pensei um dia ser folha
De terra,
Putrefacta na essência do tempo
Massa orgânica,
Que solta a vida após a morte
Numa ária de esperança renovada
Em folha separada
Do ventre de minha mãe

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 14, 2007














Fiz das minhas canções segredos
Roubados às noites de tormenta,
Onde dancei contigo ao som
Da voz de Circe.
E condenado, naveguei
Até ás margens do teu corpo...

Atraido pelo teu canto.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 12, 2007















Quando me beijas o beijo com que te beijo
É como a brisa que toca as ondas do mar
E as solta e liberta num andamento
Incessante de procura de ti



Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, julho 11, 2007










foto by: ABrito









Na tua barca, naveguei a corola
Dos dias em que o teu perfume
Me embriagou e me fez cativo
Das fragrâncias de que só o teu
Corpo conhece os segredos.
Mas a barca agora é minha
E é nela que cavalgo a maré
Que me leva ao farol
Do teu ser.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 10, 2007


colectivamente só


foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

Passado, presente, futuro.
Um concerto temporal
Intensamente incessante
No movimento normal
Deste conceito só nosso
Num mundo tão
Obscenamente igual.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, julho 09, 2007









foto by: Carla Salgueiro

Sinto-me eu
Na tua palma da mão.
Lá, encontro o sonho
Intemporal
Resgatado ás memórias
Do tempo que um dia
Quis "ser".

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 08, 2007
















tempos


Fecharei a memória da angústia
Antes de retornar ao teu planeta
Toquei-te a alma, vou dar-te um beijo
Irei brilhar como um cometa
Mas recorda-me na lembrança do olhar
Agora é talvez tempo de te abraçar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, julho 07, 2007



Um professor de Filosofia entra na sala de aula, põe a cadeira em cima da mesa e escreve no quadro:
"Provem-me que esta cadeira não existe".
Apressadamente, os alunos começam a escrever longas dissertações sobre o assunto.
No entanto, um dos alunos escreve apenas duas palavras na folha e entrega-a ao professor.
Este, quando a recebe, não pode deixar de sorrir depois de ler:
"Que cadeira?"
Conclusão:
Não procure chifres em cabeça de cavalo ou pêlo em ovo. Opte pela simplificação.


"anónimo"













foto by : ABrito



Quis voar com as asas presas
E os meus dedos nos teus dedos
Numa dança estática de mãos,
Desenhando assim uma
Constelação oceânica
Na procura incessante
Do sentido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, julho 05, 2007


















À sombra das acácias
O rubor das faces
Desfaz o nó
Dos sexos cativos,
Nos corpos em
Turbilhão.
E o portal do amor
Enche as ânforas
Do desejo,
Com a ambrósia
Que o nirvana
Nos promete.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2007





foto by: António Manuel Pinto da Silva









Imagina-me no teu tempo;
Quando te dei um anel de jade
E te pintei as mãos com incenso
De mar.
Eu descia sozinho as escadas
Do rio e tu...
Tu surgiste vinda do nada
Com um leve caminhar
Difuso e a altivez das aves
Selvagens.
Não te pude ver o olhar,
Encerrado que estava num castelo.
Mas apreciei o teu gesto de filigrana,
Quando me tugiste a alma
Com o espelho dos teus olhos,
E me deste um motivo
Para voltar a sentir a centelha
Do caminho.
Um caminho que de tão longo
Me parecia não ser caminho.
E no tempo que vive um olhar,
Uma luz incendiou-me
O espaço e o tempo, numa explosão
De cor, onde os flamingos se espraiaram
E se entregaram aos deuses.
É!.. foi o tempo de perder memórias,
De despir o fato pesado da aparência
E me transfigurar na minha pessoa.


Manuel F.C. almeida

segunda-feira, julho 02, 2007









Palavras





foto by: Tiago Estima




O poema procura-se na mistificação das palavras
Que escolhemos e no abandono das que deixamos
Cair.
Que dizer dos sentidos escondidos ou da ilusão
De um conceito subtil?
A palavra é uma negação do silêncio
Que os deuses reservaram para si.
O poema é o assumir da condição finita dos homens
E da imortalidade humana dos deuses
Vivos nas palavras.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 01, 2007



foto by:ABrito - Beauty

Esquece as brumas
E o vento norte
É tempo de celebrar
O dia que se faz luz
Do nascer
Ao terminar
Esquece as noites
E a penumbra
É tempo de acordar
A alegria dos corpos
E o prazer
A se entregar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 29, 2007



olhares




foto by:bart






Crianças. Sempre belas, sempre puras, transparentes. Hoje fui testemunha de um comportamento absolutamente humano em qualquer idade, mas que nas crianças se revela no seu estado de pureza mais genuína. Sem hipocrisias.
Num dos raros convites que recebi para almoçar em casa de amigos fui presenteado com a presença de um outro casal e com a presença de duas maravilhosas crianças de 3 anos de idade. Um, filho do dono da casa e o filho do outro casal. Dois meninos lindos. No decorrer da preparação da sardinhada foram as crianças colocadas num recinto onde poderiam brincar á vontade. As saudades dos tempos em que o meu filho tinha a idade daqueles petizes e a curiosidade levaram-me a estar atento ao comportamento dos mesmos. Inicialmente desconfiados, rapidamente se sociabilizaram e normalmente brincaram como quaisquer crianças. Passados os primeiros momentos de espanto e de prazer, lá voltaram a um registo mais pessoal onde cada um se focou nos objectos que mais interesse lhe despertavam. Ao canto do recinto, um velho boneco há muito abandonado pelo dono, jazia num abandono atroz. Por motivos que só ele deverá saber, eis que a criança visitante se interessa pelo mesmo. Foi o início de um momento genuinamente humano e de rara beleza. No preciso momento em que o visitante pegava no brinquedo e sem ter tido tempo para mais nada que não fosse pegar-lhe, o legitimo proprietário levanta-se e zangado arranca-lhe o boneco das mãos, gritando que o Yuri era dele. Era enorme a sensação de posse que a criança experimentava em relação ao objecto. A luta era inevitável e só a atenção que eu tinha dedicado a ambos impediu que algo de grave ou desagradável acontecesse. Separadas as crianças não esmoreceu a minha atenção sobre os mesmos. O visitante continuou radiante, embora mais distante, a experimentar e a matar a curiosidade que a novidade da casa e do jardim lhe propiciavam. O dono do lugar, ganha que foi a guerra pela posse do seu objecto, rapidamente se cansou do mesmo e o voltou a colocar no devido lugar, ou seja abandonado a um canto. Dei comigo a sorrir e a pensar que no fundo no fundo somos sempre crianças, apenas mais hipócritas. Quantas vezes só fazemos valer a nossa presença junto de outro, quando olhamos e verificamos que esse outro está prestes a partir. Nesses momentos redobramos a atenção e o nosso ego ordena-nos que façamos valer o nosso estatuto de forma a garantir que a presença em causa não deixe de ser presença. E, quantas vezes, depois de termos feito isto, não volta-mos a olhar esse outro com o mesmo tédio e desprendimento que olhávamos antes. Quantas vezes nos arrependemos de ter feito o que fizemos e quantas vezes somos sinceros no assumir destes comportamentos?
Fiquei a pensar em tudo isto durante algum tempo.
Lugares comuns apenas.


Manuel F. C. de Almeida