terça-feira, junho 19, 2007






NATUREZAS MORTAS








foto by: Paulo Madeira - www.paulomadeira.net


Silencio! A minha morte sem dor iluminou a floresta de diamantes onde tudo acontece.
Aves de um paraíso perdido copulam num frenesim floral e imaginam viver num
Planeta Errante. Astral.
Jim lamenta a morte numa Americana oração.
Em seu redor algumas mulheres de seios grandes e caídos dançam com o ventre
Junto á face lívida de Hendrix, que lhe canta foxy lady. Putas finas.
- Olá Joe, costumavas fumar erva? Perguntam em coro.
Cantam e em simultâneo esfregam o sexo na estátua de Apolo. Uma cópula Grega. Tradição ocidental.
Só Jesus nas suas vestes Judias, não pode participar.
Ainda assim transformou a água em champanhe e o peixe enlatado em caviar.
A Madalena fez streep e bebeu absinto.
A meu lado, Janis etilizada e estilizada teima em pedir a Deus um Mercedes benz.
Mercury diz-lhe: who wants to live forever?
Ao mesmo tempo que Lennon se apresenta vestido de Ghandi a açoitar uma asiática que teima em cantar:
Imagine hall the people fucking like we do.

Silencio! Estou na minha mortalha, enrolado entre os dedos trémulos de Marley e a loucura intelectual de Zappa.
Wath a bad moon rising man.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, junho 18, 2007





















Teluricamente manifesto
O meu desejo adiado.
Um corpo, um cálice,
Um texto;
Um olhar envergonhado,
Um momento do presente,
Um entender o passado,
Uma porta pró futuro
Um orgasmo conquistado.


Ao teu corpo, que é o meu fado.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 17, 2007



Rapidinha








foto by: angelica








Que me sirvam um banquete
A ouro e prata bordado
Farei de ti meu presente
Do teu corpo o meu prado.


Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 16, 2007

















Quase que o tempo
Suprimia o odor
Adocicado do teu corpo
E a candura aveludada
Dos teus lábios.
Mas as mãos vieram
Resgatar-te na memória
Do corpo
E o tempo revelou-te
Num quadro
Que vive nos rios
Das nossas muralhas.

Manuel Filipe Carvalho de Almeida

sexta-feira, junho 15, 2007


TODOS OS DIAS FAZ ANOS















foto by:Silverio Santos


Vivo o meu canto num tempo finito
Alimento com ele a minha vontade
No alimento do tempo desenho o meu grito
E com ele cavalgo a tempestade
E na chama que voa eu teimo em mostrar
A loucura dos homens, esta insanidade
Este manto de sangue que corre pró mar
Nascido de um tempo sem humanidade.

Mnuel F.C. Almeida





quinta-feira, junho 14, 2007










foto by:ABrito








Num golpe de
Vento,
Uma folha no ar.
Escrita num
Tempo,
Num tempo de
Amar.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, junho 13, 2007









foto by: X.Maya










O sabor
Almiscarado
Das tuas coxas
Avivou-me a memória
Das noites
Em que um
Olhar te levava
Ao paraíso.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 12, 2007












foto by: Alba Luna







Tanto sonho, tudo inútil
Fiz do meu caminho
Um carreiro de indiferença
Ao mundo.
Nem me dei conta
Da morte dos deuses
Indiferentes
A tudo...
Como eu.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 11, 2007















Venderam-me um dia
De fogo ao passar da alvorada
A paisagem incendiada
Cega os incautos que a miram


Venderam-me um dia
De fogo ao olhar os sete mares
Sete explosões me cegaram
Sete mortes me chegaram
Em sete flores nucleares.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 10, 2007





















Já surge no ar
Um novo dia;
Amanhece:
Há uma ave no
Horizonte a correr
E um poema que
Se abre ao bater
Das asas,
As sombras são
Mortas pela poesia.
E o horizonte vive nas
Asas da esperança.


Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 09, 2007




















Em cetim se
Recolheram os amantes
Num festim
De sabores
E de odores…
Na paisagem
Dos sentidos
Em inevitavel
procura...
viajem.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 08, 2007














Na placidez da
Tua face
Percorro o teu
Corpo
Envergonhadamente
Vestido.
E o teu olhar deleita-se
À lascívia dos meus
Lábios, pousados
Em teus seios.

Imagino
O silencio vulcânico
No ventre.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, junho 07, 2007
















foto by: Nuno Abreu


Nesta ferida que
Sinto
Em mim a pulsar,
Vive o teu amor,
Em sangue
Num rio que corre
Para a luxúria dos
Corpos
Na noite
A amar.




Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, junho 06, 2007







foto by:Duarte Almeida





Em todo o poema há um rio
De aguas escritas.
Descobrir as palavras que se
Diluem,
E as imagens que se
Projectam,
É como retirar do rio
As notas de um piano
Que se renovam
E se repetem.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 05, 2007



















Partitura sem tempo,
partitura hábil;
Recolhe no tempo
O espaço da
Tua seiva,
Que se liberta
Na agonia
Do êxtase
que os corpos
desenham.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 04, 2007















Aqui estou…
Na procura incessante
Do teu corpo,
Faço de ti
Farol
Na tormenta dos meus dias.
E gentilmente deposito
Uma rosa nos teus lábios
Na esperança de beber-te
As pétalas que caem
Em teu ventre de menina
Mulher.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 03, 2007

















Tens nas tuas coxas
Um oceano imenso
De prazeres secretos,
E nos olhos a cor
Prateada do sol,
Ao morrer nas aguas
De um lago em flor
Onde eu mato a sede
De ti.



Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 02, 2007





vale a pena reflectir:


"O filósofo português José Gil foi considerado pela revista francesa Le Nouvel Observateur como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, ao lado de nomes como Amartya Sen, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Simon Blackburn.A edição especial do Nouvel Observateur, que assim assinalou o seu quadragésimo aniversário, pretendeu fazer um levantamento daqueles que, na sua opinião, representam a consciência do tempo actual e são percursores do futuro.Segundo o Nouvel Observateur, a ilusão de uma comunicação global está a mascarar o facto de a barreira linguística dificultar o acesso da esmagadora maioria dos cidadãos ao que se faz no mundo na área da filosofia, antropologia e disciplinas similares."
Escreve este vulto do pensamento mundial na visão:


O “clima”
Em vésperas de eleições intercalares para a CML, encontramo-nos perante uma situação paradoxal. Com a multiplicidade dos candidatos independentes e de pequenos partidos, parece que o sistema político-partidário ficou abalado; a esquerda não combate uma oposição coligada, nem a direita, dispersa, enfrenta uma esquerda coesa e coerente. Uma coisa é certa: opondo-se assim ao sistema, a pulverização das candidaturas enfraquece os grandes partidos e contraria a actual «deriva» autoritária do nosso regime democrático.
«Deriva» será um termo demasiado forte. Mas a verdade é que os factos se sucedem: agora, depois do processo disciplinar a um professor pela piada sobre a licenciatura do primeiro-ministro, a identificação dos funcionários que fazem greve, mas também as inúmeras disposições, instruções, despachos, regulamentos, ordens, obrigações imparáveis que emanam dos ministérios (da Saúde, da Educação, da Administração) e que induzem comportamentos subservientes e medrosos que vão envenenando pouco a pouco as relações entre as pessoas. São miríades de pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que não dão azo a notícia, mas que os médicos, os professores, os funcionários públicos vivem quotidianamente. Tudo isto gera um clima que vai fazendo bola de neve.
Um «clima» não é uma realidade vaga. É um meio contaminante que pode suscitar identificações e oportunismo. O exemplo vem de cima, não por afirmação de autoridade, mas por autoritarismo. Em geral, o chefe afirma-se autoritariamente quando não tem autoridade natural necessária para o fazer. O autoritarismo sobre compensa a a falta de autoridade, intensificando e sobre determinando os traços de poder que detém e, ultrapassando a fronteira que lhe concede o seu estatuto.
Vindo de cima, em regime democrático passivo, como o nossos, é recebido pelos patamares inferiores da hierarquia com efeito alucinatório que amplifica o poder do poder, a margem de que dispor quem manda e comanda. O impacto nos subordinados é traumático (mesmo quando bem aceite) mas provoca identificações que fazem ab-reagir (expulsar) a violência de que foram vítimas, descarregando-a sobre os patamares mais inferiores. Assim se formam pirâmides de pequenos chefes tiranetes de direcções gerais e secretarias que participam dessas mais valias de poder hierárquico (até às ultimas migalhas dos últimos postos de comando).
É lamentável que isto esteja a acontecer. Será que os portugueses não têm outro modelo de comportamento face ao poder senão a obediência passiva, a submissão e o medo? será por isso que têm saudades de Salazar? Que fez o poder socialista para promover a democracia, desenvolver a cidadania, incentivar a liberdade e a criatividade que as suas reformas deviam, necessariamente, suscitar? Foi para isto que nós votámos? É este o preço que se paga pelo equilíbrio do défice orçamental? Não chega dizer que estamos em democracia e que ela é respeitada. A liberdade e a democracia devem ser descobertas permanentes, conquistas de novos territórios interiores e exteriores.
Face a esta situação, esperemos que, durante um curto intervalo de tempo, a multiplicidade das candidaturas à câmara rompa a direcção única do discurso único, o clima único de veneração submissa ao poder, encarnados na sempiterna cassete dos grandes e de alguns pequenos partidos.


in "visão" 31-05-2007

sexta-feira, junho 01, 2007

porque hoje é dia internacional da criança convém recordar:















NÓS

Tu ai
Eu aqui
Tanto temos a fazer.
Eu aqui
Tu ai

Um mundo que teima
Em viver.
Um caminho a percorrer
Por do sol, escurecer.

Tu ai
Eu aqui
O sonho feito crescer.
Eu aqui
Tu ai.

Uma luz que se propaga
Em ondas a acontecer
Um trilho a desbravar
Alvorada, amanhecer.

Manuel F.C. Almeida