quarta-feira, junho 13, 2007









foto by: X.Maya










O sabor
Almiscarado
Das tuas coxas
Avivou-me a memória
Das noites
Em que um
Olhar te levava
Ao paraíso.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 12, 2007












foto by: Alba Luna







Tanto sonho, tudo inútil
Fiz do meu caminho
Um carreiro de indiferença
Ao mundo.
Nem me dei conta
Da morte dos deuses
Indiferentes
A tudo...
Como eu.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 11, 2007















Venderam-me um dia
De fogo ao passar da alvorada
A paisagem incendiada
Cega os incautos que a miram


Venderam-me um dia
De fogo ao olhar os sete mares
Sete explosões me cegaram
Sete mortes me chegaram
Em sete flores nucleares.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 10, 2007





















Já surge no ar
Um novo dia;
Amanhece:
Há uma ave no
Horizonte a correr
E um poema que
Se abre ao bater
Das asas,
As sombras são
Mortas pela poesia.
E o horizonte vive nas
Asas da esperança.


Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 09, 2007




















Em cetim se
Recolheram os amantes
Num festim
De sabores
E de odores…
Na paisagem
Dos sentidos
Em inevitavel
procura...
viajem.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, junho 08, 2007














Na placidez da
Tua face
Percorro o teu
Corpo
Envergonhadamente
Vestido.
E o teu olhar deleita-se
À lascívia dos meus
Lábios, pousados
Em teus seios.

Imagino
O silencio vulcânico
No ventre.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, junho 07, 2007
















foto by: Nuno Abreu


Nesta ferida que
Sinto
Em mim a pulsar,
Vive o teu amor,
Em sangue
Num rio que corre
Para a luxúria dos
Corpos
Na noite
A amar.




Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, junho 06, 2007







foto by:Duarte Almeida





Em todo o poema há um rio
De aguas escritas.
Descobrir as palavras que se
Diluem,
E as imagens que se
Projectam,
É como retirar do rio
As notas de um piano
Que se renovam
E se repetem.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, junho 05, 2007



















Partitura sem tempo,
partitura hábil;
Recolhe no tempo
O espaço da
Tua seiva,
Que se liberta
Na agonia
Do êxtase
que os corpos
desenham.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, junho 04, 2007















Aqui estou…
Na procura incessante
Do teu corpo,
Faço de ti
Farol
Na tormenta dos meus dias.
E gentilmente deposito
Uma rosa nos teus lábios
Na esperança de beber-te
As pétalas que caem
Em teu ventre de menina
Mulher.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 03, 2007

















Tens nas tuas coxas
Um oceano imenso
De prazeres secretos,
E nos olhos a cor
Prateada do sol,
Ao morrer nas aguas
De um lago em flor
Onde eu mato a sede
De ti.



Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 02, 2007





vale a pena reflectir:


"O filósofo português José Gil foi considerado pela revista francesa Le Nouvel Observateur como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, ao lado de nomes como Amartya Sen, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Simon Blackburn.A edição especial do Nouvel Observateur, que assim assinalou o seu quadragésimo aniversário, pretendeu fazer um levantamento daqueles que, na sua opinião, representam a consciência do tempo actual e são percursores do futuro.Segundo o Nouvel Observateur, a ilusão de uma comunicação global está a mascarar o facto de a barreira linguística dificultar o acesso da esmagadora maioria dos cidadãos ao que se faz no mundo na área da filosofia, antropologia e disciplinas similares."
Escreve este vulto do pensamento mundial na visão:


O “clima”
Em vésperas de eleições intercalares para a CML, encontramo-nos perante uma situação paradoxal. Com a multiplicidade dos candidatos independentes e de pequenos partidos, parece que o sistema político-partidário ficou abalado; a esquerda não combate uma oposição coligada, nem a direita, dispersa, enfrenta uma esquerda coesa e coerente. Uma coisa é certa: opondo-se assim ao sistema, a pulverização das candidaturas enfraquece os grandes partidos e contraria a actual «deriva» autoritária do nosso regime democrático.
«Deriva» será um termo demasiado forte. Mas a verdade é que os factos se sucedem: agora, depois do processo disciplinar a um professor pela piada sobre a licenciatura do primeiro-ministro, a identificação dos funcionários que fazem greve, mas também as inúmeras disposições, instruções, despachos, regulamentos, ordens, obrigações imparáveis que emanam dos ministérios (da Saúde, da Educação, da Administração) e que induzem comportamentos subservientes e medrosos que vão envenenando pouco a pouco as relações entre as pessoas. São miríades de pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que não dão azo a notícia, mas que os médicos, os professores, os funcionários públicos vivem quotidianamente. Tudo isto gera um clima que vai fazendo bola de neve.
Um «clima» não é uma realidade vaga. É um meio contaminante que pode suscitar identificações e oportunismo. O exemplo vem de cima, não por afirmação de autoridade, mas por autoritarismo. Em geral, o chefe afirma-se autoritariamente quando não tem autoridade natural necessária para o fazer. O autoritarismo sobre compensa a a falta de autoridade, intensificando e sobre determinando os traços de poder que detém e, ultrapassando a fronteira que lhe concede o seu estatuto.
Vindo de cima, em regime democrático passivo, como o nossos, é recebido pelos patamares inferiores da hierarquia com efeito alucinatório que amplifica o poder do poder, a margem de que dispor quem manda e comanda. O impacto nos subordinados é traumático (mesmo quando bem aceite) mas provoca identificações que fazem ab-reagir (expulsar) a violência de que foram vítimas, descarregando-a sobre os patamares mais inferiores. Assim se formam pirâmides de pequenos chefes tiranetes de direcções gerais e secretarias que participam dessas mais valias de poder hierárquico (até às ultimas migalhas dos últimos postos de comando).
É lamentável que isto esteja a acontecer. Será que os portugueses não têm outro modelo de comportamento face ao poder senão a obediência passiva, a submissão e o medo? será por isso que têm saudades de Salazar? Que fez o poder socialista para promover a democracia, desenvolver a cidadania, incentivar a liberdade e a criatividade que as suas reformas deviam, necessariamente, suscitar? Foi para isto que nós votámos? É este o preço que se paga pelo equilíbrio do défice orçamental? Não chega dizer que estamos em democracia e que ela é respeitada. A liberdade e a democracia devem ser descobertas permanentes, conquistas de novos territórios interiores e exteriores.
Face a esta situação, esperemos que, durante um curto intervalo de tempo, a multiplicidade das candidaturas à câmara rompa a direcção única do discurso único, o clima único de veneração submissa ao poder, encarnados na sempiterna cassete dos grandes e de alguns pequenos partidos.


in "visão" 31-05-2007

sexta-feira, junho 01, 2007

porque hoje é dia internacional da criança convém recordar:















NÓS

Tu ai
Eu aqui
Tanto temos a fazer.
Eu aqui
Tu ai

Um mundo que teima
Em viver.
Um caminho a percorrer
Por do sol, escurecer.

Tu ai
Eu aqui
O sonho feito crescer.
Eu aqui
Tu ai.

Uma luz que se propaga
Em ondas a acontecer
Um trilho a desbravar
Alvorada, amanhecer.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 31, 2007








FOTO BY: Jovino C Batista





Lisboa das sete colinas
Perdidas no casario
Lisboa das noites estreladas
Perdidas no anonimato
Lisboa... doce selvagem
Em ti só as putas
São genuínas.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 30, 2007


obrigado http://jumento.blogspot.com/

MAS NAO ME VENHAS DIZER QUE SÃO SÓ OS COMUNISTAS A LER O QUE ISTO REPRESENTA.
PORQUE AMANHA VOU ESTAR EM LUTA AQUI FICA UMA PEÇA LINDA PARA LEREM Á VONTADE.
E A MUSICA DO ZECA QUE ILUSTRA TUDO.




EXTRACTO DO ARTIGO DE ANTÓNIO BARRETO NO PUBLICO DOMINGO 27 DE MAIO.
ENFIM, SÓ
«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.
Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
Oestilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.» [Público assinantes]
Parecer:
António Barreto faz o retrato de Sócrates

terça-feira, maio 29, 2007








FOTO BY: A.Z.




Nossas mãos
E nossos dedos
Tecem horas de luxúria
No silencio dos lençóis
Em que espraiamos
Os corpos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 28, 2007








FOTO BY: Rui's Illustrated





Tomei-te o corpo
Pelas ancas de veludo.
E no frenesim da dança
Senti o teu ventre
Desfazer-se em mil
Tentáculos
De prazer.

Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 27, 2007








FOTO BY Amanda Com







Despe o nome
Que te deram
E não escolheste.
Desnuda a alma.

Liberta os seios
Ao toque
Do meu desejo
Obsceno,
Que em silencio
Te celebra
E te afaga
O cio.

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 26, 2007

obrigado jumento