segunda-feira, junho 04, 2007















Aqui estou…
Na procura incessante
Do teu corpo,
Faço de ti
Farol
Na tormenta dos meus dias.
E gentilmente deposito
Uma rosa nos teus lábios
Na esperança de beber-te
As pétalas que caem
Em teu ventre de menina
Mulher.


Manuel F.C. Almeida

domingo, junho 03, 2007

















Tens nas tuas coxas
Um oceano imenso
De prazeres secretos,
E nos olhos a cor
Prateada do sol,
Ao morrer nas aguas
De um lago em flor
Onde eu mato a sede
De ti.



Manuel F.C. Almeida

sábado, junho 02, 2007





vale a pena reflectir:


"O filósofo português José Gil foi considerado pela revista francesa Le Nouvel Observateur como um dos 25 grandes pensadores de todo o mundo, ao lado de nomes como Amartya Sen, Peter Sloterdijk, Toni Negri e Simon Blackburn.A edição especial do Nouvel Observateur, que assim assinalou o seu quadragésimo aniversário, pretendeu fazer um levantamento daqueles que, na sua opinião, representam a consciência do tempo actual e são percursores do futuro.Segundo o Nouvel Observateur, a ilusão de uma comunicação global está a mascarar o facto de a barreira linguística dificultar o acesso da esmagadora maioria dos cidadãos ao que se faz no mundo na área da filosofia, antropologia e disciplinas similares."
Escreve este vulto do pensamento mundial na visão:


O “clima”
Em vésperas de eleições intercalares para a CML, encontramo-nos perante uma situação paradoxal. Com a multiplicidade dos candidatos independentes e de pequenos partidos, parece que o sistema político-partidário ficou abalado; a esquerda não combate uma oposição coligada, nem a direita, dispersa, enfrenta uma esquerda coesa e coerente. Uma coisa é certa: opondo-se assim ao sistema, a pulverização das candidaturas enfraquece os grandes partidos e contraria a actual «deriva» autoritária do nosso regime democrático.
«Deriva» será um termo demasiado forte. Mas a verdade é que os factos se sucedem: agora, depois do processo disciplinar a um professor pela piada sobre a licenciatura do primeiro-ministro, a identificação dos funcionários que fazem greve, mas também as inúmeras disposições, instruções, despachos, regulamentos, ordens, obrigações imparáveis que emanam dos ministérios (da Saúde, da Educação, da Administração) e que induzem comportamentos subservientes e medrosos que vão envenenando pouco a pouco as relações entre as pessoas. São miríades de pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que não dão azo a notícia, mas que os médicos, os professores, os funcionários públicos vivem quotidianamente. Tudo isto gera um clima que vai fazendo bola de neve.
Um «clima» não é uma realidade vaga. É um meio contaminante que pode suscitar identificações e oportunismo. O exemplo vem de cima, não por afirmação de autoridade, mas por autoritarismo. Em geral, o chefe afirma-se autoritariamente quando não tem autoridade natural necessária para o fazer. O autoritarismo sobre compensa a a falta de autoridade, intensificando e sobre determinando os traços de poder que detém e, ultrapassando a fronteira que lhe concede o seu estatuto.
Vindo de cima, em regime democrático passivo, como o nossos, é recebido pelos patamares inferiores da hierarquia com efeito alucinatório que amplifica o poder do poder, a margem de que dispor quem manda e comanda. O impacto nos subordinados é traumático (mesmo quando bem aceite) mas provoca identificações que fazem ab-reagir (expulsar) a violência de que foram vítimas, descarregando-a sobre os patamares mais inferiores. Assim se formam pirâmides de pequenos chefes tiranetes de direcções gerais e secretarias que participam dessas mais valias de poder hierárquico (até às ultimas migalhas dos últimos postos de comando).
É lamentável que isto esteja a acontecer. Será que os portugueses não têm outro modelo de comportamento face ao poder senão a obediência passiva, a submissão e o medo? será por isso que têm saudades de Salazar? Que fez o poder socialista para promover a democracia, desenvolver a cidadania, incentivar a liberdade e a criatividade que as suas reformas deviam, necessariamente, suscitar? Foi para isto que nós votámos? É este o preço que se paga pelo equilíbrio do défice orçamental? Não chega dizer que estamos em democracia e que ela é respeitada. A liberdade e a democracia devem ser descobertas permanentes, conquistas de novos territórios interiores e exteriores.
Face a esta situação, esperemos que, durante um curto intervalo de tempo, a multiplicidade das candidaturas à câmara rompa a direcção única do discurso único, o clima único de veneração submissa ao poder, encarnados na sempiterna cassete dos grandes e de alguns pequenos partidos.


in "visão" 31-05-2007

sexta-feira, junho 01, 2007

porque hoje é dia internacional da criança convém recordar:















NÓS

Tu ai
Eu aqui
Tanto temos a fazer.
Eu aqui
Tu ai

Um mundo que teima
Em viver.
Um caminho a percorrer
Por do sol, escurecer.

Tu ai
Eu aqui
O sonho feito crescer.
Eu aqui
Tu ai.

Uma luz que se propaga
Em ondas a acontecer
Um trilho a desbravar
Alvorada, amanhecer.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 31, 2007








FOTO BY: Jovino C Batista





Lisboa das sete colinas
Perdidas no casario
Lisboa das noites estreladas
Perdidas no anonimato
Lisboa... doce selvagem
Em ti só as putas
São genuínas.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 30, 2007


obrigado http://jumento.blogspot.com/

MAS NAO ME VENHAS DIZER QUE SÃO SÓ OS COMUNISTAS A LER O QUE ISTO REPRESENTA.
PORQUE AMANHA VOU ESTAR EM LUTA AQUI FICA UMA PEÇA LINDA PARA LEREM Á VONTADE.
E A MUSICA DO ZECA QUE ILUSTRA TUDO.




EXTRACTO DO ARTIGO DE ANTÓNIO BARRETO NO PUBLICO DOMINGO 27 DE MAIO.
ENFIM, SÓ
«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.
Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
Oestilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.» [Público assinantes]
Parecer:
António Barreto faz o retrato de Sócrates

terça-feira, maio 29, 2007








FOTO BY: A.Z.




Nossas mãos
E nossos dedos
Tecem horas de luxúria
No silencio dos lençóis
Em que espraiamos
Os corpos.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 28, 2007








FOTO BY: Rui's Illustrated





Tomei-te o corpo
Pelas ancas de veludo.
E no frenesim da dança
Senti o teu ventre
Desfazer-se em mil
Tentáculos
De prazer.

Manuel F.C. Almeida

domingo, maio 27, 2007








FOTO BY Amanda Com







Despe o nome
Que te deram
E não escolheste.
Desnuda a alma.

Liberta os seios
Ao toque
Do meu desejo
Obsceno,
Que em silencio
Te celebra
E te afaga
O cio.

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 26, 2007

obrigado jumento









premio DREN.
Inspirado pela Musica dos trovante intitulada
A história que agora quero contar




A história que eu agora vou contar
Passou-se um dia destes lá pró porto
Onde pegou a nova moda, delatar.
Estavam dois amigos a conversar,
No recato de um singelo gabinete,
Mas um deles na vida queria singrar…
Foi dita entretanto uma brejeirada,
Qu’ envolvia o nosso primeiro-ministro;
Ambos riram no momento da piada.
fala amigo conta-me as tuas ideias
pra que te possa entalar
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa ir bufar.

Depois de a ter achado engraçada.
Um deles ficou muito incomodado
E foi a correr contar à criada.
A moça que só desejava agradar,
Ao tacho que o patrão lhe tinha dado,
Depressa se apressou a castigar,
O meliante que a tanto tinha ousado.
E Sem ouvir a versão do humorista
Depressa o mandou pra outro lado
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa lá brilhar.
fala amigo conta-me as tuas ideias
que eu bem preciso de agradar


A coisa veio-se agora a saber
O humorista nao soube ficar calado
E o patrão já nem sabe que fazer…
Ora eu sou muito bom a dar conselhos.
Castiguem o marginal com mão de ferro.
Arranquem-lhe com uma pinça os pintelhos.

Temos pois de criar o nacional dia da escuta.
Um dia pra defender os bons costumes
De todos os que dizem “filho da puta”.
Mas como quem escuta e vai contar
Acrescenta sempre mais um pontozinho
Aos bufos pró caralho vou mandar...
Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 25, 2007





Há um poema que se espera
No deleite do teu corpo.
Escrever o poema escondido
É resgatar-te num tempo
Esquecido.
Há um poema que se espera
Em cada orgasmo vivido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 24, 2007



foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O ódio alimenta-se do medo.
Aquele medo que temos
Do desconhecido.
Do diferente.
Do imprevisto.

O ódio vive do medo
bem dentro de nós.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 23, 2007






foto by:Nuno Belo

Tudo me parecia magia
Naquela barca de ar
Da noite fizemos dia
A barca estava a voar

E de velas soltas ao vento
Cavalgámos o olhar.
O capitão é o tempo
O nosso destino, amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2007



















foto by: Marta Ferreira -

Quando na noite me perco
Em teus cheiros, teus favores,
É na noite que me quero
Numa overdose de sabores
E sinto no teu corpo, calor
A ele me colo e me fundo
Em ti, desperto uma flor
Em mim, descubro outro mundo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 21, 2007






FOTO BY:rosalina afonso

É! Quando amados por um dia completo
Que se diz no dia seguinte?
Que já não somos o que fomos?
Que os votos de eternidade são
Como todos os votos. Algo a renegar, a esquecer?
É isto que me irás dizer um dia?
Que tudo foi apenas e só
Um sonho, um desejo meu.
Fazemos da verdade cobardia,
Erguida no que nunca foi...
Sinceridade.
Mas eu sei que não devo perguntar
Os reais alicerces da verdade.
Não quero um dia pensar o que
Pensas. Nem pensar como tu
Pensas.

Porque eu amo a frontalidade.


Manuel F. C. Almeida



foto by: daniel camacho

Era tempo de colocar o passado atrás de nós e ser honestos. Como sempre fomos. Amizade era o melhor que tínhamos escrito a dois. E alguma loucura. Eu não era a mesma pessoa. Ela também não. Por vezes nem imaginamos as mudanças que o tempo e a distância opera em cada um de nós. Eu sentia claramente que era diferente desde há 6 meses quanto mais desde há anos.
A Elouise mantinha-se calada. Estava a leste do nosso diálogo e das minhas cogitações, mas entendia. As mulheres entendem sempre quando o seu tempo não é o nosso. Os homens são mais complicados. Acreditam sempre que a sua presença pode mudar os outros. Como se os outros existissem em função deles.
O silencio instalado era maior que o sentido por um peixe num aquário. Veio-me á memoria uma canção linda. The sound of silence. Na verdade existe. Um som que se propaga pela alma, que a inunda, que a embriaga. Não há na vida nada tão triste que ouvir o som do silêncio. Mas era a minha escolha.
Nessa noite terminei o relatório. Entreguei uma cópia à Isabel e na manhã seguinte parti. Sem glória, sem esperança, sem vida. Só o silencio se ouvia.

Manuel F.C. Almeida
Fim sem glória.

domingo, maio 20, 2007


Tínhamos a fórmula perfeita,
Eu gostava de ti e de mim.
Tu gostavas de mim e de ti.
Amava-te como se ama na juventude;
Amava-te como se não pudera amar mais.
Amava-te e amava o teu jeito de falar:
- Vem amor, faz-me viver, faz-me vibrar!
E gostava de ser quem era
Quando nos teus braços, eu era.
Tu…
Tu gostavas de ti…e de mim?

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 19, 2007








foto by:João Viegas

Louco. Sim sei que sou louco
Uma, duas, três vezes louco
Louco por amar,
Louco por cantar,
Serei louco uma vez mais
Por dizer.
Serei louco em pretensos poemas
Que teimo em escrever.
E escrevo o flamejar dos olhos.
O crescendo das partituras
um dia feitas nome…
Criaturas.
E canto o exorcismo da minha alma
Em fusão com o verbo amar.
Mas não há poemas que me libertem
Desta loucura com nome.
Louco. Sim serei louco
Para sempre.
Por te amar e te cantar.


Manuel F.C. Almeida