sábado, maio 26, 2007









premio DREN.
Inspirado pela Musica dos trovante intitulada
A história que agora quero contar




A história que eu agora vou contar
Passou-se um dia destes lá pró porto
Onde pegou a nova moda, delatar.
Estavam dois amigos a conversar,
No recato de um singelo gabinete,
Mas um deles na vida queria singrar…
Foi dita entretanto uma brejeirada,
Qu’ envolvia o nosso primeiro-ministro;
Ambos riram no momento da piada.
fala amigo conta-me as tuas ideias
pra que te possa entalar
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa ir bufar.

Depois de a ter achado engraçada.
Um deles ficou muito incomodado
E foi a correr contar à criada.
A moça que só desejava agradar,
Ao tacho que o patrão lhe tinha dado,
Depressa se apressou a castigar,
O meliante que a tanto tinha ousado.
E Sem ouvir a versão do humorista
Depressa o mandou pra outro lado
fala amigo conta-me as tuas ideias
para que eu possa lá brilhar.
fala amigo conta-me as tuas ideias
que eu bem preciso de agradar


A coisa veio-se agora a saber
O humorista nao soube ficar calado
E o patrão já nem sabe que fazer…
Ora eu sou muito bom a dar conselhos.
Castiguem o marginal com mão de ferro.
Arranquem-lhe com uma pinça os pintelhos.

Temos pois de criar o nacional dia da escuta.
Um dia pra defender os bons costumes
De todos os que dizem “filho da puta”.
Mas como quem escuta e vai contar
Acrescenta sempre mais um pontozinho
Aos bufos pró caralho vou mandar...
Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 25, 2007





Há um poema que se espera
No deleite do teu corpo.
Escrever o poema escondido
É resgatar-te num tempo
Esquecido.
Há um poema que se espera
Em cada orgasmo vivido.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 24, 2007



foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com

O ódio alimenta-se do medo.
Aquele medo que temos
Do desconhecido.
Do diferente.
Do imprevisto.

O ódio vive do medo
bem dentro de nós.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, maio 23, 2007






foto by:Nuno Belo

Tudo me parecia magia
Naquela barca de ar
Da noite fizemos dia
A barca estava a voar

E de velas soltas ao vento
Cavalgámos o olhar.
O capitão é o tempo
O nosso destino, amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2007



















foto by: Marta Ferreira -

Quando na noite me perco
Em teus cheiros, teus favores,
É na noite que me quero
Numa overdose de sabores
E sinto no teu corpo, calor
A ele me colo e me fundo
Em ti, desperto uma flor
Em mim, descubro outro mundo.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, maio 21, 2007






FOTO BY:rosalina afonso

É! Quando amados por um dia completo
Que se diz no dia seguinte?
Que já não somos o que fomos?
Que os votos de eternidade são
Como todos os votos. Algo a renegar, a esquecer?
É isto que me irás dizer um dia?
Que tudo foi apenas e só
Um sonho, um desejo meu.
Fazemos da verdade cobardia,
Erguida no que nunca foi...
Sinceridade.
Mas eu sei que não devo perguntar
Os reais alicerces da verdade.
Não quero um dia pensar o que
Pensas. Nem pensar como tu
Pensas.

Porque eu amo a frontalidade.


Manuel F. C. Almeida



foto by: daniel camacho

Era tempo de colocar o passado atrás de nós e ser honestos. Como sempre fomos. Amizade era o melhor que tínhamos escrito a dois. E alguma loucura. Eu não era a mesma pessoa. Ela também não. Por vezes nem imaginamos as mudanças que o tempo e a distância opera em cada um de nós. Eu sentia claramente que era diferente desde há 6 meses quanto mais desde há anos.
A Elouise mantinha-se calada. Estava a leste do nosso diálogo e das minhas cogitações, mas entendia. As mulheres entendem sempre quando o seu tempo não é o nosso. Os homens são mais complicados. Acreditam sempre que a sua presença pode mudar os outros. Como se os outros existissem em função deles.
O silencio instalado era maior que o sentido por um peixe num aquário. Veio-me á memoria uma canção linda. The sound of silence. Na verdade existe. Um som que se propaga pela alma, que a inunda, que a embriaga. Não há na vida nada tão triste que ouvir o som do silêncio. Mas era a minha escolha.
Nessa noite terminei o relatório. Entreguei uma cópia à Isabel e na manhã seguinte parti. Sem glória, sem esperança, sem vida. Só o silencio se ouvia.

Manuel F.C. Almeida
Fim sem glória.

domingo, maio 20, 2007


Tínhamos a fórmula perfeita,
Eu gostava de ti e de mim.
Tu gostavas de mim e de ti.
Amava-te como se ama na juventude;
Amava-te como se não pudera amar mais.
Amava-te e amava o teu jeito de falar:
- Vem amor, faz-me viver, faz-me vibrar!
E gostava de ser quem era
Quando nos teus braços, eu era.
Tu…
Tu gostavas de ti…e de mim?

Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 19, 2007








foto by:João Viegas

Louco. Sim sei que sou louco
Uma, duas, três vezes louco
Louco por amar,
Louco por cantar,
Serei louco uma vez mais
Por dizer.
Serei louco em pretensos poemas
Que teimo em escrever.
E escrevo o flamejar dos olhos.
O crescendo das partituras
um dia feitas nome…
Criaturas.
E canto o exorcismo da minha alma
Em fusão com o verbo amar.
Mas não há poemas que me libertem
Desta loucura com nome.
Louco. Sim serei louco
Para sempre.
Por te amar e te cantar.


Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 18, 2007



foto by: marta

Nua, levitavas numa dança
Tantrica de pernas abertas
E sexo de romã.
E foi em mim que saciaste
O fruto, a sede, a cor.
Ontem, hoje, amanhã.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2007



















foto by: sgthotlips
Hoje estás nua, apetecível
Caem-te os cabelos sobre os ombros
E os seios erguem-se para os céus
O teu sexo feito lar
Abre-se em rosa ao meu desejo.
E tudo cresce em nós,
Numa tesão sem medo
E num desejo ensurdecedor
Que a ambos fala em segredo.

Manuel F.C. Almeida


foto by: Dani


E era assim mesmo. Vivia preso aos meus sonhos e aos meus fantasmas. Começar ou tentar começar, recomeçar tudo me parecia impossível. Depois o recomeço é sempre carregado de memórias, de lembranças nem sempre boas. Fica sempre presente a ultima palavra. Seja ela qual for.
Era grande a angustia que me assaltava até ao momento em que a Isabel me interrompeu
- Andas mesmo em baixo meu querido. Estes ares fazem-te mal.
- Eu sei. Termino o relatório hoje e amanhã mesmo parto.
Foi patente a tristeza no seu olhar. Mas ambos sabíamos que não deveríamos recomeçar.

quarta-feira, maio 16, 2007



foto by:http://www.paulocesar.eu

Tenho um rio feito de poesia
Que me sai do ventre
Quando se faz dia.
Um rio de vento
Que me sopra na face
Ao passar do tempo.
Um rio a sonhar
Que me vive na alma
Por tanto te amar.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, maio 15, 2007



foto by:Miguel Delgado e Silva



Ó deuses, vinde até mim
Eu bem sei que me avisaram
Mas esta paixão sem ter fim
Até os meus olhos cegaram.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 14, 2007



foto by: Eliara

Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas de revolta do meu lar
E num balão de ar quente plantei,
Corais reluzentes da cor do mar
Que se davam como mulheres
A quem os vinha cheirar
Fiz do deserto o meu refugio
Nas horas ternas de te amar.


Manuel F.C. Almeida



foto by: Padroense

Olhei para a Elouise. Era maravilhosa. Livre e nada hipócrita. Uma senhora, noutra situação seria interessante aproximar-me dela. Mas com o espírito cheio de outra pessoa seria infame da minha parte. Ninguém merece isso. Ser uma muleta que se abandona depois de nos curar-mos. Eram estes os meus valores. A honestidade intelectual face aos outros. Muito kantiano, diriam alguns, conservador, diriam outros, poucos descortinariam na minha atitude um profundo amor pelos outros e por aquilo que são. E um profundo respeito por mim mesmo.
Mais uma vez fui interrompido nas minhas cogitações.
- Então! O peixe está bom? – Perguntou a Isabel.
- Delicioso – respondi
- está muito calado, parece que não aprecia a nossa companhia disse a Elouise.
- não pense assim, eu sou mesmo calado. Já fui diferente mas aprendi a viver dentro de mim. Não gosto de incomodar os outros com banalidades ou pensamentos meus. Vivo num mosteiro que é o meu “eu”.

domingo, maio 13, 2007



FOTO BY:Erika Assumpção

Foi numa pétala que te achei
E te recolhi no tempo.
Teu aroma embriagou-me,
Tomou-me os sentidos
E voluptuosamente
Entreguei-me á doce loucura
De te amar.


Manuel F.C. Almeida

sábado, maio 12, 2007



Foto by: http://www.paulocesar.eu

Que fazemos nós
Da luta dos corpos no
Silencio das noites?
Quando fechamos os olhos
Ao outro
E no egoísmo dos espasmos
Reencontramos a graciosidade
Da palavra
Vivida a dois.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, maio 11, 2007


Estou cada vez mais farto de tudo isto. Não vejo um único momento em que a cara das pessoas seja tingida com as cores da esperança. Agora temos uma nova técnica de exercer o poder. Chama-se a Denúncia. A denúncia ocupa nos dias de hoje um papel central na governação do País. O partido do governo, neste tempo o PS, dedica-se a convidar as pessoas a denunciarem os seus vizinhos, conhecidos e desconhecidos por tudo e por nada. Aos Funcionários Públicos, segundo dados oficiais 700 mil, estendeu essa recomendação e tornou-a numa OBRIGAÇÃO.
Isso mesmo, segundo O PARTIDO SOCIALISTA e o seu conceito de um socialismo renovado e moderno, a sociedade, o aparelho de estado e toda a vida desta comunidade miserável a que chama-mos Portugal, deve ser gerida pelo principio da denuncia, delação e suspeita. Portugal já viveu esta realidade varias vezes. Aos tempos da SANTA INQUISIÇÃO, era comum a inveja, o ódio, a cobiça e a mesquinhez serem os motivos para denunciar alguém. E para os queimar. Desde sempre o povo português teve esta propensão para a denúncia. No anterior regime, Salazar conhecendo esta realidade explorou-a de forma inteligente. As vilas e cidades operárias eram locais de luta mas também de informadores. A tortura, os maus-tratos e em alguns casos a morte, eram produto de um povo que colaborava.
O poder instalado sabe isso, sabe que nada melhor para controlar uma sociedade que o medo. O medo de perder o emprego, o medo de fumar, de contrariar o politicamente correcto, o medo tomou conta de Portugal inclusive o medo de dizer não.
Por isso, como se sentirá o poeta deputado e vice presidente da A.R, que um dia escreveu “ há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não” ao dar o seu apoio a este regresso do medo e da denuncia, quando o seu partido recusou uma proposta de lei que mandava investigar o enriquecimento ilícito? isso som motivo de suspeitas fundadas.
Eu entendo que isto da ética e da lei seja apenas para alguns, mas ao menos tenham o decoro de o não fazer tão explicitamente.

quinta-feira, maio 10, 2007



foto by: miguel pereira

Eu sempre te amei e não sabia
A cor do cabelo, do teu olhar,
Eras ideia que eu sempre via
No meu dormir, no meu sonhar.


Eu sempre soube que te amava
Faltava uma face, um caminhar
Mas naquele dia, que te olhava
Foste um farol a despertar.


Eu sei, tu sabes, ambos sabemos
Que nem tudo é fácil de reconstruir
Mas se sabemos o que queremos
O futuro é feito sempre a sorrir.


Manuel F.C. Almeida