
Foto by: http://www.paulocesar.eu
Que fazemos nós
Da luta dos corpos no
Silencio das noites?
Quando fechamos os olhos
Ao outro
E no egoísmo dos espasmos
Reencontramos a graciosidade
Da palavra
Vivida a dois.
Manuel F.C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Foto by: http://www.paulocesar.eu
Que fazemos nós
Da luta dos corpos no
Silencio das noites?
Quando fechamos os olhos
Ao outro
E no egoísmo dos espasmos
Reencontramos a graciosidade
Da palavra
Vivida a dois.
Manuel F.C. Almeida


foto by: miguel pereira
Eu sempre te amei e não sabia
A cor do cabelo, do teu olhar,
Eras ideia que eu sempre via
No meu dormir, no meu sonhar.
Eu sempre soube que te amava
Faltava uma face, um caminhar
Mas naquele dia, que te olhava
Foste um farol a despertar.
Eu sei, tu sabes, ambos sabemos
Que nem tudo é fácil de reconstruir
Mas se sabemos o que queremos
O futuro é feito sempre a sorrir.
Manuel F.C. Almeida

FOTO BY: Miguel Delgado e Silva
Tomei-te o rosto
De um trago
Aspirei-te o perfume
De fêmea
E desfiz contigo
As nuvens
Do meu horizonte.
Manuel F. C. Almeida

foto by:Paulo Penicheiro
Entrámos num lugar rústico. Agradavelmente decorado com materiais da região. A dona de imediato cumprimentou a Isabel e a Elouise. Indicou-nos uma mesa e por artes mágicas fez surgir uma travessa com queijos e enchidos da região. Olhei para tudo e não consegui evitar uma sensação de revolta. Afinal eu não podia comer nada daquilo e o aspecto era magnífico.
- Em que pensas – perguntou a Isabel
- Em nada de especial, nas minhas limitações.
- Mas que tem? – Perguntou a Elouise.
De forma breve resumi a minha história clínica, que infelizmente não é famosa. Estava a meio da história quando, para espanto meu, a senhora me traz um bom peixe grelhado e para as senhoras umas boas migas com entrecosto de porco preto. Era injusto mas fiquei espantado. A Isabel explicou-me que tinha tomado a liberdade de encomendar peixe para mim. Era uma delícia. Aliás ambas eram uma delícia mas não mais que isso. Eu estava a viver um drama enorme. O trabalho que me propunha fazer estava feito. Era só elaborar um relatório e podia partir. No entanto apetecia-me ficar ali mais uns dias. A companhia da Isabel era tão agradável. Sabia que não era mais que isso. Mas sentia-me em casa quando estava perto dela.
http://www.paulocesar.eu homenagem aos G.N.R
Vou sonhar que te amei
Que te encontrei
Numa gruta iluminada
Vou cheirar que te amei
Que te tomei
Numa estrela abandonada
Vou cantar que te amei
E que te achei
Á boleia nesta estrada.
E sempre que te olhar
Vou-me encontrar.
Nesta vida amortalhada
E sempre que te olhar
Vou-me encontrar
Nesta vida adiada.
Vou sonhar que te amei
Que te olhei
Estavas nua, convidada
Vou sonhar que te amei
E que cheirei
Tua púbis orvalhada
Vou sonhar que te amei
Que te beijei
Numa ânsia entesada.
E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma promessa adiada.
E sempre que te olhar
Vou recordar
Uma face calculada.
Vou sonhar que te amei
Que te matei
Numa hora malfadada.
Vou sonhar que te amei
Que te deixei
A canção está terminada.
Manuel F.C. Almeida

Foto by: helena margarida pires de sousa
A teu favor tinha,
A sensação de verdade.
O querer acreditar ser possível
Nem sabia se tinha o teu amor
Impossível.
A meu favor, tinha
A honestidade do olhar
O querer estar, acreditar
E todo este amor
Pronto explodir.
A nosso favor tínhamos
Tudo e nada
E quando vislumbrámos um rochedo
Eu… fiquei só.
Tu foste... o meu olhar ganhou medo.
A meu favor só me posso ter a mim
O caminho feito só, feito segredo..
Manuel F. C. Almeida
(a partir de alexandre O'Neill)


foto by: helena margarida pires de sousa
Tenho um sonho:
Um dia vou fugir de todos vós.
Vou fugir de todas as coisas.
Das obrigações, das obrigações..
Irei em direção ao sol
Para o esquecer,
Subirei a montanha
Para a perder
Olharei o céu
Para ficar ausente.
E só,
lograrei fugir de mim
Lograrei fugir de mim………
No presente, para sempre.
Manuel F. C. Almeida.





Foto by:
Se um dia desejares juntar-te a mim, deixo-te um segredo. Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese.
E só mais uma coisa. Diz aos meus amigos, mas aos que tu sabes que o eram de verdade, que estou na estrada que escolhi, que aparentemente estarei sozinho mas que guardo sempre comigo, a voz, a imagem dos que comigo pugnaram de perto. A minha única riqueza são as memórias que tenho. E os amigos que sempre terei.
Agora chega. Nada mais há a dizer.
Até um dia………………………..
Rodrigo Almeida
“Estarei sempre ao sul. No sul de Corto Maltese”. Argentina ou algures na América do sul?. Isto ficou-me na cabeça. Ele estava a dizer-me onde estava ou poderia estar.
Não dei pelo tempo passar, a Isabel e a Elouise interromperam-me o pensamento. Era tempo de almoçar. Fomos no jipe. Eu ia em silêncio. A minha tarefa estava terminada. Rápido demais. Teria de justificar a vinda com um relatório.

foto by: carlos pereira
Vem! Surpreende-me com o teu ar
De felino na caçada.
Toma-me numa cornucópia
De luxúria insaciável.
Sacia a tua sede neste oásis
Que sempre fui em ti.
Mata a tua fome de corpo
Em mim.
Agora sabemos os dois a cor do
Frio nas noites tristes
Quando voltámos as costas ao outro.
Vamos refazer aquela tela que ambos
Pintámos de natureza.
Vamos colocar o coração no
Lugar do coração.
E fazer das nossas mãos
Minhas mãos e tuas mãos.
Manuel F.C. Almeida


foto by: www.paulocesar.
Escrevo páginas com o teu nome.
Debruado com palavras mágicas,
Aquelas palavras que tudo dizem,
E nada fazem sozinhas.
Invento assim novas frases
Sem rumo certo, antes palavras sós,
Incoerentes, inconsequentes.
Frases sem sentido, que se querem
Vivas, reais e presentes.
Manuel F. C. Almeida