
Nos últimos dois meses escrevi quase diariamente neste local. Era o meu confessionário, o local onde deixei as minhas mágoas, as minhas lágrimas, as minhas alegrias e tristezas. Durante dois meses recebi de muitos manifestações de carinho e amizade que a todos agradeço. Mas o texto de Miguel Sousa Tavares deu-me talvez a real percepção do que sou. O texto e infelizmente a minha saúde que se agravou nas ultimas horas. Vou começar um ciclo na minha vida que se não compadece com o que a alma sente. O que me acontecer não será publicada aqui. Aliás nada mais penso publicar.
Não vou nomear nomes, os que se manifestaram de forma sincera sabem o quanto lhes agradeço. Os que o fizeram para auto justificar as suas atitudes, e foi apenas uma pessoa que o fez, não terão mais que justificar o que quer que seja. A todos liberto da minha presença por uns tempo.
Na vida tudo passa meus amigos, guardamos as mágoas em caixinhas e catalogamo-las. Guardamos tudo e em tudo colocamos um rótulo. Somos arquivistas da memória, arquivamos sentimentos, pessoas e equívocos. Muitas vezes o que nos motiva são coisas estranhas.
Eu não tenho poder, não tenho um título, não sou um misto de Zeca Afonso, nem de outra coisa qualquer. Nada sei sobre a protohistória ou sobre como gerir o que quer que seja, nem a mim mesmo eu sei gerir. Sou apenas eu, um português anónimo no meio da multidão. A minha história de vida é pobre. Nunca decidi sobre a vida dos outros, nunca movimentei interesses ou poderes quer para o bem quer para o mal. E ainda bem. Nada me pesa, e agora isso poderia ainda mais complicar a minha vida.
No fundo, como já se devem ter apercebido, não passo de alguém profundamente magoado com a vida que deitei fora, não estou magoado com mais ninguém senão comigo mesmo. Por um eldorado que nunca tinha visto, deixei uma vida, acreditei em futuros construídos de nada e pago agora, quer na saúde quer no espírito, o preço da minha ousadia em querer ser feliz. Mas se não ousarmos será que vivemos?
Ousar é talvez o que resta a todos nós, ousar amar e ousar ser amado é sem sombra de dúvida o que de mais belo podemos fazer na vida. Umas vezes perde-se, outras ganha-se mas quer numas quer noutras a frontalidade é sempre a única forma de ser honesto. Dizer amo-te e dizer já não te amo, nem sempre é simples. Muitas coisas acontecem dentro de nós, mas se o dissermos com respeito por nós mesmos e pelo outro, fazemos o que minimamente se deve fazer em nome do tempo que tivemos o outro ao nosso lado.
E quando assim não é, quando o outro deixa para que sejamos nós a descobrir a verdade, a descobrir que já não somos o centro do seu pensamento, a mágoa torna-se infinitamente maior. Afinal nem só de traições físicas vive o cérebro humano. A que mais nos atinge é a falta de verticalidade e honestidade e essa manifesta-se nas atitudes, nos silêncios e na hipocrisia com que as pessoas, a quem por vezes demos tanto, nos retribuem no fim dos ciclos. Existirá que leia este texto e saiba que eu, quando achei que era hora, as olhei nos olhos e lhes disse ser tempo de parar. Existirá quem leia ( ou se aborreça antes) e entende que parte dele lhe é dirigido. Não! Este texto é apenas um texto, se ele atingir alguém será mais pela consciência do que pela realidade.
Por fim que todos saibam que não guardo ressentimentos, mágoa sim isso guardo. E que desejo a todos, sem excepção, a maior das felicidades.
Os que sentirem a minha falta podem sempre deixar mensagens ou enviar emails.
O sagher vai deixar de existir por uns tempos, e talvez quem sabe para sempre. Este blog será o testemunho de que existi. Como dizia o Poeta “ confesso que vivi”
A todos obrigado.