sábado, agosto 08, 2015


















À MINHA CIDADE

Enlutados pela saudade
Os meus olhos ganham cores
Quando na minha cidade
Sinto o perfume de mil flores

E em transe vou percorrendo
As ruas que ecoam um passado
Dos tempos em que correndo
Eu era versos de um fado

E só eu sei que os versos cantam
Ser essa a minha casa, o meu lugar
É nela que meus olhos se encantam
A ela morto ou vivo hei-de voltar.


Manuel F. C. Almeida.

domingo, agosto 02, 2015





















Ficaram comigo,
Os sons
Dos corpos que
Em surdina
Caminharam pelo meu,
E se realizaram no acontecer,
Em mil movimentos de maré,
No universo dos sentidos,
Na ilusão do prazer.
Ficaram e sempre estarão
Como um apelo do tempo
E da memória;
Na penumbra dos dias
Passados, no canto alegre
Das cigarras, no calor do estio
Corporal em glória
E sempre que o tempo acorda
Este desejo de fuga constante
Os olhos abrem-se ao mundo
E fazem do presente um instante.

Vivo então cada momento
Com redobrada emoção
E em cada momento que vivo
Coloco toda a minha paixão.


Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 25, 2015
























Passam por mim
As águas de um rio
Verdejante e incansável
Um rio que tudo vence
Até o vento que sopra
Em sentido contrario.

Que eu seja gota de orvalho
No teu caminho


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 13, 2015





















Costumo falar
De poemas criados
Nos corpos em suor
E no olhar ávido
Dos amantes,
Quando desenham
O riso e a loucura
No cântico
Dos sonhos saciados
Na imensidão do tempo.
É disso que costumo
Falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 01, 2015
























Vivo no teu corpo
Os dias da existência
E o florir das acácias

Celebro os seios
Numa avidez
Infernal

E no ventre que se
Oferece ansioso
Resolvo o enigma
Do bem e do mal

Onde o meu corpo
Se dissolve
Na fragância das
Acácias


Manuel F. C.  Almeida

domingo, junho 21, 2015

















Tenho na boca o sabor a um poema.
Um poema diferente dos que
Costumo escrever
Um poema sem outro,
Sem lábios ou seios,
Sem coxas,
Ou ventres de perfume,
Sem tempo e sem sonho
Sem chama e sem vento
Um poema sem plantas
Ou flores de muitas cores
Um poema sem tristezas
Ou alegrias,
Um poema sem moral,
Um poema sem amor,
Um poema sem noite,
Um poema sem dia…
 Um poema sem poesia


Manuel F. C. Almeida

sábado, junho 13, 2015
























Os dedos que me incendeiam
Os sentidos
Vivem nas tuas mãos

Que o fogo não morra
No tédio dos dias
Que se eternizam

Que o silencio não instale
A repetição dos
Hábitos

E que os teus dedos
Não deixem de trazer
A magia que os corpos
Celebram


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 03, 2015






















Vi-a crescer nos meus olhos.
Só nos meus olhos
Criou raízes.
E cresceu também dentro de mim,
Com folhas e flores e frutos
De varias matizes.
Verdes, violetas e sombras.
Assim floriu no pensamento
Do nascer ao por do sol
E na noite do corpo
Fez-se mulher

E nos seus ramos
Me embalei.


Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 23, 2015


















Gente estranha
Mundo meu
Um sentimento
Roeu
A confiança
No teu
Agora só resta
O momento
Em que
Tudo  no mundo
Morreu.

Manuel F. C. Almeida

sábado, maio 09, 2015

















Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
Duvidas que não têm fim
Perguntas com muitas estradas.
Duvido que existam respostas
Nos caminhos a escolher.
Carreiros em frente e nas costas
Eu ali sem me mover.
Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir
De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Em todos encontrarei pedras,
Angustias e campos em flor.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 01, 2015























Eu conto
Da vida uma promessa
Nos limites sombreados
Da claridade que me cega
E me encontra assim…despido
Como árvores no Outono.

E cego fico, porque não vejo
Mais que o querem que veja
Neste emaranhado de túneis
Putrefactos
Em que mergulharam a vida.

E deixo que as horas se percam
Nos dias que acontecem
Iguais
No silêncio do desespero
Amordaçado, num ímpeto
Que não se ergue nem se altera
Antes se queda derrotado
Com o olhar vazio de esperança.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 14, 2015



















Porquê a existência?
Porquê as lutas e o amor
Porquê o ser que se não é
Ou o sonho que nos amansa

Porquê o medo da vida?


Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 04, 2015






















Ficou preso na madrugada
O cheiro a estevas e loendros.
O poema morre, perdido que foi
No nevoeiro.
O silêncio retoma a existência
Junto à margem de um rio.
A paixão morreu no horizonte
Das águas
E renasceu no poema
Quando o sol rompeu
a bruma das tuas memórias.


Manuel F. C. almeida


sábado, março 28, 2015
















Toda a memória
Se explica
Pelo princípio
Dos tempos!
“ Nos braços da minha mãe”
E tudo o mais é
A soma
Até ao dia em que
A memória se renova
E o teu filho repousar
Nos teus braços.


 Manuel F. C. Almeida

sábado, março 21, 2015






















E sinto nos dias o vazio das carícias
Que nunca aprendeste a dar
O estar só numa vivência mascarada
De sombras a dois.
A sinfonia ausente numa leitura
Perdida no tempo e no olhar

Não me peçam pois sonhos de eternidade
Que os meus dias se arrastam entre
A ignorada presença de quem existe
Até ao momento em que teu olhar se
Volte a encantar numa outra coluna
De mármore que ornamente o teu palácio.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 05, 2015





















Sonhei-te como diamante
De brilho e faces perfeitas
Em minhas mãos despidas

Sonhei-te como mundo, sem tempo
Nem cores. Sonhei-te a preto e branco
Tudo ou nada

E assim te fiz parte de sonho
Que se perdia nas brumas do meu olhar
E se construía como um amor indestrutível

Sonhei-te numa existência possível.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 27, 2015






















Nas minhas mãos brilham
As cores da solidão.
Caminhando encontro enfim
A morte a cada passo
E quando os ventos
Me arrancam deste abraço
Soam em mim sinfonias
Sem destino.
E se caminho só
Sobre a campa de mil sábios
É na procura incessante
Do néctar dos teus lábios.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 09, 2015














Pois…a poesia
Brisa sem tempo
Num respirar
De sentidos
Que se escondem

Dos olhares.


Manuel Almeida

quarta-feira, janeiro 14, 2015



















De que servem as palavras
Se já não há rosmaninho
Se as frases vindas de outro
São lianas no caminho
Se mesmo acompanhado
Te sentes sempre sozinho?

De que servem as palavras
Se a tua língua é diferente
Se tudo o que acreditas
Deixou de estar presente
Se até no mesmo local
Te fazem sentir ausente?

Caminha sim! Caminha!
Não pares de caminhar
Porque afirmar aquilo que és
Nunca se faz sem lutar



Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 04, 2015














Os lábios, meu mel,
Num tempo de esquecimento
Eram rios de sangue e vida
Flores de um deserto presente
Que rapidamente nasciam
E rapidamente morriam
Flores que faziam o deserto viver
Quando se pensava estar morto.
Abeirava-me dele quando podia
E via o pintado de cores nas mil
Flores que lá cresciam. No deserto
Da minha alma sem nome,
Onde costumo espreitar
Vive o animal e o homem
Que nunca consegui encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 31, 2014




Sorriam que tempo
passa depressa















Deste-me as mãos, os braços
O corpo
Deste-me os lábios, os seios
O ventre
E num momento sem tempo
Num jogo difuso de espelhos

Amarrei-te de pés e mãos
E arranquei-te os pintelhos

Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, dezembro 25, 2014



Tremo pelo frio que vai passando
No corpo nu, despido e transparente
Que dei de modo livre a um sonho
Que foi só sonho, nunca presente

E ao acordar olhei-me assustado
Tudo não passava de fresca ilusão
E atrás de mim, num leito de rio
Nem águas vivas, nem sol de verão

Apenas areia e seixos perdidos
Pedaços de vida aqui e ali
Momentos que o tempo comeu
Ausência de mim, ausência de ti.

E nesta lenta morte em vida
Neste silencio de gritos instalado
Vamos morrendo pouco a pouco
Cada dia mais sós, lado a lado.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 20, 2014


















Há um tempo de partir
Há um tempo de ficar
Há um tempo de sorrir
Há um tempo de parar

Mas este é o tempo
Que me aconselha a pensar.



Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 14, 2014

















Despojado acendo uma vela
No centro do todo o meu querer
E com cuidado cuido que ela
Não se recuse a arder
Ilumino o meu caminho
Com a luz que ela me dá
Vejo pouco, vou sozinho
O que tiver de ser…será

Desta forma sem amarras
Vou desbravando o meu tempo
No caminho cantam cigarras
Dançam andorinhas no vento
Espantado com o mundo
Que a todo o tempo se altera
Pinto uma tela sem fundo
No mundo que sempre me espera.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 10, 2014


Estilhaçá-mos
O nosso mundo
Num encontro
De corpos
Inflamados.
Por testemunhas,
O tempo
E a voragem
Dos instintos
Saciados

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 05, 2014

















Não há nome no caminho
Nem melodias no vento
O som da chuva ao cair
É apenas um momento
Bebo todo o esquecimento
Numa garrafa de tédio
Tomo o meu corpo esquecido
Pelo absinto remédio
E sem nome para me guiar
Vagueio pelo mundo à deriva
E sento-me a beira da estrada
E de vazio encho a vida


Manuel Almeida

sábado, novembro 29, 2014


Sonhei com um corpo a chegar

Numa manhã de puros sentidos

Num prado que teima em soltar

O perfume dos dias perdidos

Em que abraçados no olhar

Sentíamos ambos, estar vivos


Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, novembro 25, 2014





















Ditamos palavras aos outros
Reflexões sobre reflexões
Obscuras ideias da vontade
Estilhaçadas em mil faces
E mil corpos
Que reluzem na luxúria
Do pensar e do sonhar

Num encontro cósmico
Belo e de sentimentais
Desejos egoístas.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 14, 2014


















POEMA DE UM AMOR TRISTE


Este frio de Outono, esta chuva que anuncia
Os dias tristes e pequenos em que vivemos
Traz-me á memória os sons de um corpo
Que não conheci. E com eles uma canção
Que se esbate no rochedo da minha existência
E se espraia pela alma como uma nuvem sem
Esperança e sem futuro.
Uma canção feita de letras mascaradas,
Letras que magoam não pelo que dizem, mas
Pelo que não dizem, pelo que ficou no ar, suspenso
Num tempo matizado de cinzento.
E no meio de tudo, que se salvem as flores.
Aquelas flores que simbolizam as mãos
Estendidas e o crescer de pontes entre mundos.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 06, 2014















E ainda assim
Dizemos que amamos
E soltamos suspiros.
Olhamos o tecto
E acendemos cigarros.
Lavamos os sexos
E os dentes
Vestimos roupas
E saímos rua fora
Como se o que de
Mais belo a vida tem
Fosse motivo
De culpa.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 31, 2014

















Ao rasgar do dia
A aurora ganha asas
E a escuridão abandona
O olhar.
A pele treme,
Numa embriaguez de vida,
Que os olhos escondem
Os segredos dos sonhos.
A natureza és tu e
Eu, num abraço sem fim.
A vida ergue-se devagar
E brilha na voz
De quem a
Teima em cantar.


Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 26, 2014





















 O TEMPO

Ontem!
As memórias já impressas.

 Hoje!
A marca insolúvel do presente

Amanhã!
Um sonho feito maré.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 17, 2014





















Foi a convite do teu corpo
No doce perfume que germina
Na pérola que escondes nos lábios
Que o meu querer desabou
Como um castelo de pedra
E se reergueu como uma flor
Ao raiar da primavera.


Manuel F. C. Almeida





























sábado, outubro 11, 2014



















Que seja o sol a salvar-me
E que o vento me leve
Como folha morta
E me entregue no
Ramos da vida

E lá no alto
Farei o meu posto
De vigia
No dançar dos sonhos
Entre ramos selvagens.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 25, 2014





















Tacteio em ti
O sorriso
No olhar,
Ponte cega
Em que caminho.
No tempo,
Em que o sabor
A sal
Se ofertava
No teu ventre:
Vivo e
Faminto
De mim.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, setembro 18, 2014






















Debruei o teu corpo com grinaldas
De mil flores e mil odores
Numa intensa transparência de amar
Onde só o eco do olhar nos trazia o outro
E o timbre das melodias dos lábios
Nos dava o nome frágil do desejo.
E o tempo foi construindo o hábito
Mas as nossas mãos continuam
A tecer uma teia equilibrada
De ternura e segredos
Sussurrados ao luar da vida.


Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 06, 2014















Abro o teu corpo
Como se fossem paginas
De um livro em branco
Ou como se desfolha
Um malmequer
Na procura das palavras
Certas
Para te escrever
E aspirar o teu perfume
Abro o teu corpo
Como se ouve uma sinfonia
Ou se aprecia o canto
Das cigarras
Numa noite de estio
Abro o teu corpo
Como se fossem ondas
Num rio de águas revoltas 



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, agosto 27, 2014


















Foste um dia o início de tudo
Ficaste preso a mim com algemas invisíveis
Debruadas a ouro e prata com
Diamantes sempre a brilhar
E fomos crescendo juntos,
E juntos separámos o tempo
Passaste a ter o teu tempo e eu o meu
Nada mais quis ter na vida
Um par de algemas cravadas na pele
Indestrutíveis aos tempos e às intempéries

Inevitavelmente um dia serão cortadas
Mas iremos tê-las sempre presentes.


Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 23, 2014


No meu mundo ilusório
Feito de abandono e de vazio
Só os meus sonhos se projectam
De encontro ao azul dos céus
Na espera incerta de um futuro

Sem tempo.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, agosto 15, 2014




time to sleep
















Apaguem a luz,
A noite acontece ao rasgar
Da esperança e do silencio
Quando o olhar se petrifica
No leito de um rio de águas
Pintadas.
Apaguem o tempo,
O sol deixará de morrer e
O horizonte será apenas
Uma linha muda
Numa tela a convidar
Ao sonho
Apaguem os conceitos
Chega de palavras vãs
Cheias de intenções
Coloridas e prenhes
De interrogações sobre
Nada
Apaguem tudo,
E deixem que o silencio
Nos abrace.


Manuel F. C. Almeida

domingo, agosto 10, 2014

















Há dentro de mim
Um oceano, um deserto
Uma floresta tropical
Uma dor que nunca se alcança
Uma gesto, uma estatua de sal,
Uma eterna procura de ser
Apenas um sonho
Pronto a morrer

Há dentro de mim
Mil imagens escondidas
Mil faces feitas ruína
Mil ventres despedaçados
Mil fantasmas encantados
Pelo canto de mil almas
Que um dia aprisionei

Há dentro de mim
Mil odores e mil sabores
De quem amei

Manuel F.C. Almeida

domingo, agosto 03, 2014





















O luar é nossa testemunha
Daquela noite em que sem pensar
Voltamos ao ponto suspenso
Do nosso olhar.

O luar é nossa testemunha
De um momento único, ímpar
Em que a força dos instintos
Fez o desejo falar

O luar é nossa testemunha
Que um erro de teimar
Não deixa de ser um erro
A reparar.

Manuel F. C. Almeida

















Procuro nas coisas
A simplicidade
Sem mistérios ou verdades
Etéreas
O que é, basta-se
Para se descrever,
Numa tela, num espelho
Ou no reflexo das águas
De um charco.

Simples é o modo de olhar
A complexidade do todo.


Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, julho 29, 2014






















No calor do estio,
Recordar o inverno
Frio.
Entregar o corpo
Ao sol do
Verão…

E erguer ao alto
A mão

Na tela pintar,
O sonho de viver
A cantar.
Ler o poema
Parido na
Dor…

Colori-lo de
Amor.

Parar o olhar,
Num corpo de mulher
A dançar.
Dança de ventre
Com cio de
Querer…

Um momento
Qualquer.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 23, 2014


















Guardo no segredo dos dedos
A ternura que me deixaste pintar
No silêncio do deserto
Na distância do olhar

E na nostalgia dos tempos
Esculpida em mil em segredos
Guardo o canto dos ventos
E a face de todos os medos

E sempre neste silencio
Nesta angustia enfeitiçada
Olho a tua face na lua…pintada

E quando despido de mim
E sem telas pra pintar
Fico só com a memória…do teu beijar


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 17, 2014





















Só o cantar das aves
O sol da madrugada
E o espelho das águas
Me devolvem
A frescura do teu corpo
Tomado
Entre tempos
E dias sem fim.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 09, 2014

















Olhar nas águas paradas
Um reflexo de luar
Uma gota que se solta da face
Pequenas ondas de mar
O caminho desbravado
E encontro a caminhar
Nesse enlaçar apertado
De um tempo sem lugar.

E bebemos nos lábios do outro

O desejo a desertar.

Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 05, 2014












A PARTIR DE ALLAN PARKER

Toco-te ao amanhecer
No silêncio de um olhar
Nos lábios onde se pinta
O sonho
E se bebe a eternidade
De um universo criado
Nas asas da liberdade.



 Manuel F. C. Almeida.

domingo, junho 29, 2014











Decifrar o corpo
Devorar o medo.
É esse o trabalho
Do tempo

Aos homens
Resta  ser
A fragrância
Consumida
No acontecer.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, junho 16, 2014





















E ainda assim
Dizemos que amamos
E soltamos suspiros.
Olhamos o tecto
E acendemos cigarros.
Lavamos os sexos
E os dentes
Vestimos roupas
E saímos rua fora
Como se o que de
Mais belo a vida tem
Fosse motivo
De culpa.

Manuel F. C. Almeida