Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quinta-feira, julho 17, 2014
quarta-feira, julho 09, 2014
sábado, julho 05, 2014
domingo, junho 29, 2014
segunda-feira, junho 16, 2014
quinta-feira, junho 05, 2014
quarta-feira, maio 28, 2014
E um dilúvio derramou-se
No meu tempo de vida
Sou o verdadeiro canibal
Da minha existência
Abri chagas nos olhos
Do tamanho dos corações
Que tomei nas mãos
Cego, cheguei à fronteira
Que separa um rio de outro rio
E tacteei as margens suavemente
Mas só nas águas e na corrente
Senti o aveludar de mil corpos
E assim deixei-me escorregar
Nas águas cálidas dos ventres em chama.
Manuel F. C. Almeida
domingo, maio 18, 2014
sexta-feira, maio 09, 2014
Cruzei-me esta manhã com a morte
Estava parada à minha esquina
Pediu-me boleia mas não lhe dei
Porque não tinha a barba feita
E cheirava a sexo. Não dou boleias
Quando cheiro a sexo.
Para a compensar pisquei-lhe o olho
Ela encolheu os ombros.
E acenou-me com os dedos
Descarnados.
Não gostei do gesto
E espetei-lhe o dedo do meio
-toma lá grande vaca.
Sorri, gosto de sorrir pela manhã
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, maio 06, 2014
Ficas com as palavras presas
Na angustia das manhãs
No silencio da revolta
Que te trás as mãos acesas.
E Alguém ali a teu lado
Num futuro sem futuro
Grita desesperado
- Nada vejo tudo está escuro!
E tu com as mãos atadas
No silencio do teu ser
Palavras amordaçadas
Já te deixaste vencer?
E se soltares essa raiva
Junto com muitos amigos
Vais descobrir a esperança
Vais derrotar inimigos
E no olhar de quem passa
Vai renascer a vontade
De lutar todos os dias
Pela vida em liberdade.
Manuel F. C. Almeida
domingo, abril 27, 2014
sexta-feira, abril 18, 2014
Encontrei a terra, o ar, a água e o fogo
E o mistério da vida a resolver
Nos meus olhos brilhavam a chamas
Da terra a arder
A minha imagem revelou-se nas águas
Que tomei nas mãos para beber
O ar encheu-me os
pulmões
E deu-me asas pra crescer
A terra era o meu corpo
Sem o saber.
Somados os elementos
Resulta vida a florescer
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, abril 11, 2014
Todos temos um local onde
Morar
As ruelas ficam escuras de tanto
Andar
E nunca sabemos o que podemos
Esperar
Um sinal
Uma luz
Uma estrada
Por desbravar
Talvez apenas o tédio
De parecer estar
Sem nunca estar
A vida é breve e sabemos
Que no mundo há sempre
Um local para sonhar
Por mim esperarei…
Até o reencontrar.
Manuel F. C. Almeida
sábado, abril 05, 2014
Percorri todos os cantos desse corpo
Em momentos que se perdem no esquecimento.
Entre o olhar e a distância,
A noite é filha do vento.
Fecho os olhos, e ali estás.
Adormeço só, num sono lento,
E quando chegas nem a mão estendes
Sou apenas só, um teu qualquer momento
Percorri todos os cantos desse corpo
Perdido que fui algures no tempo.
Manuel F. C. Almeida
domingo, março 30, 2014
segunda-feira, março 24, 2014
quarta-feira, março 19, 2014
( feito a partir da musica, Não da letra, " o cio da terra" Milton Nascimento e Chico Buarque .
No calor do estio,
Recordar o inverno
Frio.
Entregar o corpo
Ao sol do
Verão…
E erguer ao alto
A mão.
Na tela pintar,
O sonho de viver
A cantar.
Ler o poema
Parido na
Dor…
Colori-lo de
Amor
Parar o olhar,
Num corpo de mulher
A dançar.
Dança de ventre
Com cio de
Querer…
Um momento
Qualquer.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, março 12, 2014
sexta-feira, março 07, 2014
(pintura Salvador Dali)
"Resurrection of the Flesh"
"Resurrection of the Flesh"
Nesta estrada
Desenhada no centro da alma
Caminho como um louco
E nem o som dos meus passos
Se ouve
No âmago do meu ser
Irrompem vulcões
E a lava estende-se
Como um tapete
De silêncios
E corpos amalgamados
Pelo tempo
E sigo o caminho
Porque o tempo não
Se pode apagar
E ao longe há um monte
De corpos destroçados
Pela ilusória imagem
De futuro.
Manuel F. C. Almeida
sábado, março 01, 2014
sexta-feira, fevereiro 21, 2014
Nunca escrevo poemas de despedida
Porque todos os poemas são lugares
De chegada e de partida
Lamentos de almas que se quedam sós
Palavras e rimas que desatam
Nós
Nunca escrevo poemas de despedida
Porque as palavras nunca dançam sozinhas
E porque as frases são espelhos de vida
Retratos fixados nas linhas do tempo
Momentos parados, gritos de
Lamento
Nunca escrevo poemas de despedida
Mas todos os dias, desenho em poemas
O caminho, ignorado, da inevitável partida.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, fevereiro 18, 2014
quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Na mesa, o lugar
Do afeto e do prazer
O teu corpo encantado
Ergue-se numa dança
Imortal,
Há séculos repetida
Na solidão do pensar
E no engano da partilha.
Eu assisto ao festim
Do teu corpo
E quando me tomas
Sou apenas a folha
Que um vento te trouxe,
Um perfume na vida
Que abandonas
Quando os tambores
Se calam.
E o teu ventre se cobre
Em mil espasmos.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, fevereiro 04, 2014
quarta-feira, janeiro 29, 2014
Cruzei-me esta manhã com a morte
Estava parada à minha esquina
Pediu-me boleia mas não lhe dei
Porque não tinha a barba feita
E cheirava a sexo. Não dou boleias
Quando cheiro a sexo.
Para a compensar pisquei-lhe o olho
Ela encolheu os ombros.
E acenou-me com os dedos
Descarnados.
Não gostei do gesto
E espetei-lhe o dedo do meio
-toma lá grande vaca.
Sorri, gosto de sorrir pela manhã
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, janeiro 24, 2014
quinta-feira, janeiro 16, 2014
Nunca chores um amor que partiu
Porque outros amores irão surgir
E se alguém de ti fugiu
Outro alguém te fará sorrir
Viver é um encandear de acasos,
Um enfrentar de esquinas ao virar
Uma surpresa em todos os passos
Que damos neste caminhar
Por isso não chores o passado
São só pétalas de eternidade,
Faz da vida um poema, um fado
E abraça sempre a liberdade.
Manuel F. C. Almeida
domingo, janeiro 12, 2014
sábado, janeiro 04, 2014
sábado, dezembro 28, 2013
O desejo não é feito de palavras
Nem de intenções que se criem
Nos olhos
É algo que cresce ao som da pele
E se reclama nos dedos e nos lábios.
Aspiramos no outro,
A vontade que se dá em crescendo
Às aguas de um rio que
Em nada se detém
O desejo é uma fonte de águas
Límpidas e turbulentas
Do qual a razão está refém.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 24, 2013
Musica
Conhecer as notas
De dó a dó e todas
As outras.
Ouvi-las vezes sem conta,
Em milhares de tempos
E variações
Retomá-las, dá-las
Ao mundo.
E que o mundo crie
Novos tempos
Novas canções.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 21, 2013
Tudo se passou num corredor sem fim
De um lado vidros, do outro
Imagens passadas.
De um lado o tempo presente
Do outro o tempo passado.
Ao fundo duas portas
Meio abertas
Ou meio fechadas.
E nós caminhávamos
Lado a lado
Com o olhar preso em frente
E os dedos das mãos entrelaçados
Num anuncio de amor que não
Se explica.
E parámos junto às portas
E olhámos nos olhos do outro
E escolhemos cada um a sua porta
Hesitámos um pouco mais
Tudo o que se seguiria seria
Para sempre
E eu nunca gostei de nada
Para sempre
É sempre tempo demais
E as imagens começaram a perder-se
E pelos vidros vi o temporal lá fora
Beijei-te as mãos
E segui o meu caminho
Para sempre
Sabendo que só a morte é para sempre.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, dezembro 11, 2013
sexta-feira, dezembro 06, 2013
sábado, novembro 30, 2013
terça-feira, novembro 26, 2013
domingo, novembro 17, 2013
quarta-feira, novembro 13, 2013
INTERLUDIO POÉTICO
Regresso a ti
Neste desejo que me impele
Na procura dos teus lábios
No encanto dos teus seios
No espasmo do teu ventre
No perfume do teu sexo
Regresso a ti
Em cada canção escrita
No vento.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 07, 2013
O segundo da série não aconselhável
Ode às gajas boas e de boas mamas.
Sentei-me e pedi algo para beber. Uma tipa boa e de mamas tesudas trouxe-me uma cerveja. Bebi-a de um trago. E a tipa boa e de mamas tesudas sempre a olhar para mim. Gostei da atitude dela. Um gajo gosta sempre de ser o centro das atenções de gajas. Em especial se tiverem tetas grandes. E não me venham com conversas de merda, sobre o machismo e o meu modo de avaliar as gajas. Porque quase todos pensam como eu. Salvam-se os paneleiros, os papa-hóstias ( e não são todos) e aqueles jovens a quem a educação maternal limitou a honestidade animal e mesmo esses acabam por se libertar e um dia olhar para uma gaja e dizer ou pensar
- Que belo par de mamas.
Eu sei que as gajas não gostam de ser olhadas assim. Querem que as tomem por algo sério. Mas existe algo mais sério que a honestidade dos instintos? Ou acaso não pensam elas o mesmo quando olham um gajo que lhes enche o olho e as medidas?
Pois nós agora somos “ seres sociais” empenhámos o que somos a troco da vida miserável que nos dão, cheia de leis e regras de comportamento. Porque a espécie tem de obedecer às regras da vivência em grandes comunidades chamadas nações. Mas no segredo do seu pensamento só a castração cultural nos impede a liberdade. E eu gosto de gajas boas e de mamas tesudas a olharem para mim. Dão-me tesão. E a elas que lhes dará tesão?
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, novembro 01, 2013
1º Poema ( ou tentativa) de uma série pouco recomendada a seres muito sensiveis
Outra face, outra viagem
Outro corpo, outra massagem
Casa de banho, chinelos
Um pijama, um roupão
Uma cona com cabelos.
Outra mão.
Uma cama preparada
Uma mulher desvairada
Um toque nas mamas
Um sexo molhado
-diz que me amas…
-Só o quero entalado
Perdi o tesão
Não fazia sentido
Ser um vibrador
Privativo.
Olhei-a de lado
E sem nada a dizer
Agarrei-lhe a cabeça
E pu-la a lamber.
Afaguei-lhe os cabelos
Apertei-lhe os mamilos
Olhou para mim
Enquanto chupava.
Quase me vim
Enquanto a deixava.
Virei-a de costas
Apontei-lhe o sardão
- nem penses nisso
Meu grande cabrão.
Mal ela falou e sem piedade
Empurrei o pilão cheio de vontade
Ouvia-a gritar;
- meu filho da puta agora não pares.
Dei-lhe umas estocadas
E sem me deter
Ouvia gritar
- tu pões-me a arder.
E num arrepio que não tinha fim
Disse-lhe ao ouvido
- já me vim.
Limpei o caralho ao lençol.
Olhei a janela.
Lá fora
Estava um dia lindo de sol.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, outubro 28, 2013
domingo, outubro 20, 2013
domingo, outubro 13, 2013
quarta-feira, outubro 09, 2013
domingo, setembro 29, 2013
Solta o medo
Não o cales
Não deixes que
Ocupe os espaços
Da alma.
Esse é o teu território
O teu segredo.
Não deixes que o tomem
De assalto
E grita, grita sempre
Bem alto
Que um homem só
Se faz homem
Quando levanta a cabeça
E num grito de coragem
Liberta o medo
E solta no mundo
A liberdade.
Manuel almeida
domingo, setembro 22, 2013
domingo, setembro 15, 2013
Sentir os tempo ocos
O prenhe dos campos
E adormecer na manhã fria
As mãos e as palavras
Quatro pontos cardeais
Quatro cardeais perdidos
A esperança que se não tem
Nem nos campos mais floridos
Olho as plantas que despidas
Não têm moral ou pudor
É assim que são sentidas
Num sentimento sem dor
E nuas se dão vestidas
Os lábios roubaram-lhe a cor
Num qualquer corpo que se perde,
Um desejo multicor
E o querer que se reprime
Descobre um dia por fim
A liberdade em valor
Manuel F. C. Almeida
domingo, setembro 08, 2013
Que terei de tirar mais de mim
Para indicar que nada sei
Se as duvidas nunca terminam
Que será de mim, que farei?
Olho em frente e o que vejo
São tantas gentes diferentes
A apontar-me horizontes
De futuros e de presentes
Sempre inflamados pelas certezas
Dos seus infalíveis caminhos
E eu na duvida que me consome
Lá vou dando os meus passinhos
Porque o sol não vai morrer
Nos anos de vida que espero
Deixai-me ser como sou
Pensar aquilo que quero
Lutar se for tempo de agir
Amar se for tempo de amar
Mas não me apontem caminhos
Não me queiram doutrinar.
Porque aceitar como certo
Qualquer que seja a razão
É transformar o pensar
Em simples religião.
Manuel Almeida
segunda-feira, setembro 02, 2013
quarta-feira, agosto 28, 2013
Não tenho o eterno
por verdade
Muito menos como certo
o imutável
Nos meus olhos paira
sempre a liberdade
Numa vida que é
mudança inevitável.
Negar esta razão que
se faz vida
É negar o real
de acontecer
É esconder a universalidade
sentida
A mola mestra do
que é viver.
Mudar é algo sempre
presente
Em todo o universo
temporal
E só quem da vida
está ausente
Constrói cadeias
de moral.
Então se nada na vida
é eterno
Se tudo na vida
é mudança
Saibamos manter o
olhar terno
E abraçar o mundo
com esperança.
Manuel F. C. Almeida
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