sábado, agosto 03, 2013

















Cabisbaixo


Derrotado

De casaco esfarrapado

Deixaste roubar o futuro?



Vai á luta!

Não te entregues

Á lamurias tristes do fado

Nem ao canto dos corais

Religiosos



Tens nas mãos um

Velo de ouro

E nas veias um tesouro

És humano!

Age como tal



Levanta a cabeça

E luta

Constrói tu um mundo

Melhor, não esperes

Por heróis ou que

Outros façam

O que tens de ser tu a fazer



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 30, 2013

passo a passo














Segredos que caem
Como gotas de chuva
Num imenso lago
Que se espraia.
 Paisagem

Marcas que ficam
Gravadas na pele
Tatuagens que vincam
As dobras da alma.
Mensagem

E uma sinfonia
Teima em tocar
É a alegria
A germinar
Uma flor de liberdade


Manuel Almeida

quinta-feira, julho 25, 2013





















Acordei a amaldiçoar o mundo.
A corrida, todos os dias
A mesma merda de corrida.
O sorriso de boneco sempre em pé
E os ares das gentes que se sonham
Importantes.
-Bom dia
-Bom dia- e lá tem de sair outro sorriso.
Dinheiro, caixa, cheques e outras merdas
- E a saúde Sr. Manuel?
- Cá se vai andando….
Nunca me apetece falar de manhã.
Debito ódio pelos olhos
Sonho com o dia em que nada farei
E as gentes com ares da sua patética
Importância, desfilam à minha frente
Num corrupio imparável de figurinhas
De cera local.
Começou já o folclore eleitoral
Daqui e dali surgem candidatos
A oferecer-me o seu sorriso de merda
Convencidos que me convencem de algo
Atiro-lhes com o que penso
O sorriso desmaia e sem argumentos
Olham para mim com ódio contido
Há sempre umas gajas com belos cus
E tetas tesas. Tanto melhor.
Vejo-os partirem, ufanos das suas certezas
E da sua vontade em montar o dinheiro
Das gentes.
Esta merda só tem valor pelas gajas de
Bons cus e tesas tetas
O resto é um bando de hipócritas.
Vigaristas prontos a sugarem-me o sangue.
Mais à frente, vejo o candidato com uma criança
Ao colo. Sorriem todos até ao momento em que
Puto vomita o fato do candidato
Desvanecem-se os sorrisos.
Fico e vê-los na venda da banha da cobra
Nem sei quem são ou o que pensam
Também não sabem, ou não pensam
Ou o que pensam é na vaidade pessoal
No gosto por estarem rodeados de um séquito
Acéfalo que espera comer umas migalhas
Da mesa do rei.
No carrinho ou no lugar de bobo do Sr. Presidente.
São todos tão importantes
Que até pensam nunca morrer, nunca ir para o esgoto
Da sua vida miserável que procuram mascarar
Com uma suposta missão altruísta.
Malditos sonhos
O que me safa é não me recordar
Deles.



Manuel Almeida.

quarta-feira, julho 24, 2013






















E se o ventre te tomo
Numa orgia sem fim
Alimento-te o gozo
Num sonho de mim.

Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 20, 2013

Silêncios





















E um dia já nem a nossa
Sombra se erguerá
E em seu lugar restará apenas
O vazio e a angústia da ausência
No outro.
Os amores eternos irão terminar
(os amores nunca são eternos)
Seremos apenas memória
Doce ou acre                      
Mas unicamente memória
Silenciosa.



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 15, 2013





















Onde a lua se incendeie,


Ao encontro da pele

E do teu rosto.

Farei uma estátua de

De terra e sal,

E do teu corpo

Um areal de volúpia.



Manuel F. C. Almeida

sábado, julho 06, 2013

Sombras





















Perdi o teu corpo
Algures entre o sonho
E o tempo
Ficou o silêncio
E o caminho desenhado nas trevas
Ficou a memória do teu cheiro
E o sabor do teu corpo
Numa caixa vazia
De nós.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, julho 03, 2013

RASCUNHOS





















Nada mais tenho que o teu


Sorriso de escárnio

E a mão cheia de nada

No palco da minha vida



A peça está quase a acabar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 28, 2013



Ergo-me nas montanhas


Do néon citadino

Num exercício de

Curiosidade latente


E


Agarro a angustia de existir

Na certeza de que

Nada acontece

Para lá da morte.



Manuel almeida

quinta-feira, junho 20, 2013
















Lanço-me à terra, ao vento, ao mundo


Agarro o tempo com as mãos

E é com ele que fecundo

Os sonhos e pesadelos,

Nos dias de solidão.



Manuel F. C. Almeida

sábado, junho 15, 2013
















Conheces o frio? Aquele frio que se instala na alma


E se propaga como a luz, alagando tudo o que és?

Conheces por acaso a noite, aquele lugar onde os braços

Da escuridão te afagam os sentidos e te despem?

Conheces o som do silêncio? Aquele silêncio que

Se instala no olhar e só se resgata quando o som

Das marés te devolve à vida?

Conheces, eu sei que conheces tudo isto.

Por isso as pessoas te dão vómitos, por isso

Preferes ser como és a invés de seres como

Esperavam que fosses. Por isso nem te amam

Nem te odeiam, simplesmente te ignoram

E se julgam superiores.

Tu, tu não julgas nada e sentas-te diante do

Mar na esperança que uma onda se faça ouvir

Acima do silêncio dos sentidos.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 06, 2013





















Para te ter dobrei o sonho
E descobri novos mundos
Em mim

Para te ter escavei o tempo
E encontrei tesouros
Em ti

Para te ter construí castelos
De sólidas muralhas
Em nós

E quando um dia a história
Se contar
E o tempo desgastar as pedras
Do nosso universo

Ficaremos sós
Ficaremos só nós
E o canto do outro
Na nossa voz...

Sempre.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 28, 2013























Trespassados os sonhos
Do crescimento
Ausentes dos dias
E do presente
Damos o corpo ao mundo
Sem consciência
Que o branco da alma
Se perdeu
Nas madrugadas incertas
Da existência.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 23, 2013





















Paredes brancas, casas vazias
Onde o vento se perde e se demora.
Sussurros do tempo, dias nos dias.
Nada é real é tudo ilusório
E só a madrugada nos desnuda
Na procura dos corpos, no delírio
Na luxúria dos lábios e dos ventres
Paredes brancas, casas vazias
Vidas pretensamente presentes.


Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 19, 2013















Em ti nada se perde


Nem o sonho, nem a ternura

Nem o desejo de quem

Ao ouvido te murmura

Um amor intemporal.



Em ti nada se encontra

Que não seja esse vazio

Dos dias intermináveis

E das horas sempre estáveis

Das tardes bucólicas de estio.



Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 12, 2013





















Nos mistérios do saber,
Escondidos em campos
Que ao por do sol
Se desnudam
Estão os seios e as coxas
Que ávidos de vida
Se oferecem ao sonho
Da luxuria.
Visitamos o mundo
E é a morte que se
Oferece em mil
Máscaras de vida.
E voltamos sempre
Aos campos de prazer
Dos corpos adiados
Que connosco
Se cruzam.
Toda a vida é uma
Encenação
Entre o desejo
De liberdade
E o nada
Tudo não passa
De uma coincidência
Sem sentido.


Manuel F. C. Almeida.

terça-feira, maio 07, 2013





















Se navego num mar de duvidas
Se resisto ao canto das sereias
É porque fui tendo várias vidas
Todas bem preenchidas, cheias.

Se me perco num golpe de vento
E as minhas asas se abrem em leque
É porque fui resistindo no tempo
A quem me quis ter como cheque

Por isso quando me olharem de perto
Procurem ver quem eu sou
Porque eu não sou um projecto

Desenhado à medida de alguém
Serei sempre eu. E aqui estou
Livre. Não sou peça de ninguém.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, maio 03, 2013

















A vida passa num cósmico minuto
E rapidamente devolvemos a matéria
Que pedimos emprestada.
E nesse minuto de vida... o tudo é nada.
Arrastamos os átomos numa voragem
De loucos que vivem na ilusão
De uma importância qualquer;
E na ideia de ser mais que um outro ser.
E tudo acaba finalmente no dissolver
Da existência, no regresso ao universo
Às coisas simples da natureza
E ao principio de tudo. A beleza de
Ser apenas parte do um todo universal.
Agora, enquanto estás vivo, vive!
Sendo livre e imortal
Não há fora de ti
valor de bem ou de mal.

Manuel Almeida

domingo, abril 28, 2013





















Recusa sempre o que parece óbvio

Que a verdade está sempre escondida

Dos olhos que tudo e nada desnudam



Recusa sempre o que senso te dita

Porque o seu conselho é como ópio

Que te adocica os sonhos e te adormece

A curiosidade.



Recusa sempre um amor resolvido

Um amor adormecido pela voragem

Temporal da paixão perdida e domesticada.



Recusa a morte antecipada e anunciada

Pela ditadura da hipócrita existência social



E nunca aceites como certa a moral

Imposta, a moral do medo, a moral imoral.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 25, 2013





















Finalmente chegaste


Às portas do meu ser,

Entre as folhagens agrestes

E o amanhecer

Dos meus pesadelos,

Mas o mesmo encanto

Que te trouxe

E que guiou os teus passos

Manteve-te as portas cerradas,

Eliminou o passado

E devolveu me luz aos espaços.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 19, 2013















Ao meu Tejo de memórias
Dedico a minha vontade.
O canto das minhas histórias
Num lamento de saudade
 Dos dias em que o abraçava
Com um olhar inda inocente
 De quem, sem saber, o amava
E o olhava de frente.
Ao meu tejo de memórias
Quero um dia ser presente.

Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 13, 2013

















De tudo o que a vida me tem dado

O que de mais belo tenho guardado

É o reflexo a luar no teu corpo

E o teu cheiro a madrugada.

Memórias que trago comigo

Nesta deserta e longa estrada.



Manuel F. C. Almeida


sábado, abril 06, 2013






















Nos meus olhos ávidos

P’lo teu ser

Reina a lascívia própria

Dos humanos

Feita de sonhos e escuridão

Amálgama secreta

Dos silêncios

Sem culpa ou moralidade

Sou pois um arremedo

De ave

Que nos céus se diverte

Com o vento

E olha o mundo sem

Grades

E sem barreiras à

Liberdade

Uma flor rara e selvagem

Que teima e ocupar

Os espaços livres

Das dunas,

E se protege

Dos olhares implacáveis

De quem vive com dedos

Apontados ao mundo.


E no interior de cada hora

Aspiro a ser aquele

Que chega e se

Demora.


Manuel F. C . Almeida

sábado, março 30, 2013


Esperei-te sentado, na alvorada dos dias

Numa praia de areia e negras pedras

Engalanada pela névoa da manhã,

E quando vieste o sol abriu-se num sorriso

E o oceano lavou-me a alma.

Finalmente a areia clareou.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 26, 2013





















Dás o que tens, apenas e só o que tens
Como reserva de ti
O amor e os beijos a espaços não são
Dirigidos a outro, são beijos em ti.
Beijas e ao beijar, não beijas mais
Que a tua necessidade de beijar
É o teu corpo que beijas
E sorris como criança traquina
Que prega partidas sem valor
O sorris por dentro do outro
Que se detêm suspenso num limbo entre
Flores de um jardim abandonado
E a ideia do que foram dias de paixão
E amaste se é que amaste. Hoje
Tudo é um labirinto de olhares
Que se escondem dos olhares.
Toda a verdade é em ti silêncio.
Tristeza amordaçada de uma
Paixão presente de costas voltadas.
E a esperança que o passo a dar
Não seja dado por ti


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 21, 2013

DIA MUNDIAL DA POESIA 21-03-2013
Nada fazes que seja novo,

Nem o que escreves é importante.

Tudo o que existe, é apenas tempo.

A criação é algo ilusório,

Pois as palavras que alinhas

E que alimentam os teus sonhos

Já eram palavras vivas

Antes de as escreveres.

É tempo pois de abandonar essa

Pretensa novidade

Porque os poemas já foram

Todos escritos....

Só que alguns ainda não

Se deram a conhecer.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 19, 2013





















E eis que o silencio


Se instala

No vento que chega

Se instala

Nas palavras ditas

Se instala

No canto do teu peito

Se instala

Nas manhãs de orvalho

Se instala



E só nos campos floridos

Do teu olhar

Se deixa ler o teu segredo

Que nunca teve o meu nome

Nem o teu amar.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 12, 2013

Numa noite fria de silencio


Em que a solidão me tomou

Esperei sempre o teu gesto

Mas o teu gesto não chegou

E o tempo lá foi passando

E nada nas noites mudou

E a solidão do meu mundo

Em silencio se quedou.



E quando um dia chegaste

E disseste “ estou aqui”

O silencio dos meus olhos

Respondeu “ eu estou ali”



E tudo pareceu estar normal

Já nada disso importava

O teu chegar era hábito

Não chegar de quem amava

E a espaços e em silencio

Passamos a ser quem usava

O outro para nosso prazer

Em nada mais ele estava.



Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, março 07, 2013



Nas vagas que cavalgam o mar

Vive toda a eternidade

Espuma branca, nosso lar

Sonho acordado, saudade

Da comunhão do olhar

Nas ondas da liberdade.


E quando a morte chegar

Eu regresso à unidade.




Manuel F. C. Almeida



sábado, março 02, 2013

















Desço pelo teu


Corpo como

Um rio de águas

Agitadas

Á espera que

Se desbravem

Ao toque dos

Meus lábios

De seda e veludo.

Os teus seios

Erguem-se

Ao encontro

Dos céus

E o teu ventre

Agita-se como

Vento,

Como onda

Que se eleva

E se cava

Num remoinho

De prazer



Desço pelo teu

Corpo para

Nele me perder.



Manuel F. C Almeida

terça-feira, fevereiro 26, 2013























Que mais de mim direi
Que fique gravado no vento
Quando de mim nada sei
E perdi o norte no tempo


E entre o mundo que pensei
Ser possível num momento
Resta só o que sonhei
No naufrágio de um lamento.

Mas nunca me irei entregar
A quem quer que me apareça
Antes morrer a lutar
Que viver sem ter cabeça



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 21, 2013





















E eis que descubro a tua alma

E tu ficas nua e indefesa

E só então te sentes salva

E em mim te apoias com firmeza



Soltam-se os beijos e a ternura

Em gestos prenhes de saudade

E em nossos corpos a loucura

Tem o sabor da eternidade



E cai o dia, a noite passa

E os nossos corpos extenuados

Erguem-se como uma taça

Para se tomarem encantados



E quando a fome está saciada

E os nossos sentidos dormentes

Reabre-se a porta ansiada

E renascemos como sementes.



Manuel F. C Almeida

sexta-feira, fevereiro 15, 2013


Olhar-te encantava o


Negro. Eras silhueta sem

Sem imagem.

De onde se soltavam instintos

Animais

E tudo o resto era espelho

Da vontade em mim.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 11, 2013





















As palavras que deixo no ar


São rosas e cravos de jardim

No desejo de encontrar

Em ti o que resta de mim



E se os seios te tomo nos lábios

E se o ventre te tomo nos dedos

Leio em ti o nome de sábios

Para vencer os meus medos



E num frenesim me alimento

Num festim feito de instinto

O teu corpo é o meu templo

O meu ópio e meu absinto.





Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 01, 2013






















É tempo de mergulhar


A palavra

Nas águas límpidas

Do desespero

Que vive no interior

Do teu peito

E acender nela a tocha

Dos sentidos e da

Luxúria.



Manuel F. C. Almeida



segunda-feira, janeiro 28, 2013
















Ao entardecer eu ouço
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 22, 2013





















Nada fiz de relevante na vida


Nunca vendi a alma aos deuses

Nem a vida aos homens importantes

Sou anónimo nos anónimos

Uma singularidade estatística

Mas são muitos como eu

Que criam os homens importantes

E se imolam no alter dos deuses

Tirânicos que alimentam.



Manuel F. C. Almeida



quinta-feira, janeiro 17, 2013




Passam pela vida os segundos

Que não mais irão passar

Unidas são gotas de um rio

Não voltam ao mesmo lugar



Tal a como a vida se vai

Sem que disso demos conta

O rio também vai passando

Gota a gota se faz onda



E se tudo na vida se altera

E se esta tem sempre um final

Também as águas do rio

Morrem doces, renascem sal.



Manuel F. C. Almeida






sexta-feira, janeiro 11, 2013



Quero perder-me na estrada

Sem rumo ou direção

Sem fronteiras

Para lá do mar

Quero perder-me na vida

Sem certezas ou lugares meus

Nem saberes imperativos.

Ser quem vive a sonhar

Quero perder-me nas coxas

De mil mulheres que me tomem

Apenas por aquilo que sou

Um eterno ignorante

Que nem a si se encontrou



Quero perder-me da vida

E é à vida que me dou.





Manuel F. C. Almeida

 


domingo, janeiro 06, 2013




















Que nos os teus lábios

Eu morra todos os dias

Uma morte rápido e indolor

E que pela madrugada

Me levante, volte à vida

E à esperança de voltar

A morrer de amor



Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, dezembro 31, 2012
















É preciso reinventar o amor


Nos caminhos que temos pela frente

Fazer da vida um arco-íris

Sem pote de ouro ou outras crenças

Reinventa-lo simplesmente.



Pode ser reinventado com o olhar

Que pousa em estranhos por momentos

E pinta uma tela de mil cores,

nos faz saltar o desejo

Em ternos e eróticos pensamentos.



E se uma folha de primavera se soltar

Nesse recriar da vida e do encanto

Guardemos essa folha com cuidado

Deixemos que cresça e nos e aqueça

E que reinvente o amor com o seu canto

Um amor que se renove e sempre cresça

e que nos inunde a todos com o seu manto.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 28, 2012















Elegia para uma relação mundana




Já desceram as sombras sobre nós

E os dias de paixão e encantamento

Também foram.

Restam os silêncios que na voz

Mais não são momentos que se afloram.

Fingimos não ver o que é presente,

A ternura e o calor que é ausente,

Deixámos o tédio ser rei na vida.

E á noite, quando a vontade desperta

Deixamos por momentos a porta aberta

E usamos no outro a tesão sentida.



E quando o momento se acaba

Nem um beijo, ou carícia

Paira no ar.

Viramos o ser para outro lado

Temos o corpo saciado

E as sombras teimam em voltar.



Manuel F. C Almeida.

terça-feira, dezembro 25, 2012





















Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.


Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 22, 2012
















Sinalizei o silêncio como um tratado

Entre o estar e o não estar.

Entre palavras que, de luz,

Seriam o palco onde os personagens

Se transformavam em flores ou simples

Objetos de uso comum, conformados

Com a sorte que lhes calhou.

Mas sinalizei o silêncio no momento em

Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar

Mas unicamente por continuar a ser silêncio

Nos sentidos.

A meu lado o sonho esfumou-se, como a água

Das ondas se vai por entre a areia da praia.

Talvez uma nova onda seja maior e traga mais

Água, talvez a areia da praia fique impermeável

Mas o silêncio cavalga agora as ondas

E o olhar perde-se na imensidão de um oceano

De duvidas que rebentam na praia e

Nela depositam corpos… em silêncio.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, dezembro 18, 2012





















Costumo morrer todos os dias

Na solidão da madrugada

E onde alguns colhem lírios e

Alecrim, numa alegria

De vida que eu invejo.

Eu encontro apenas o silêncio

Em tudo aquilo que vejo.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, dezembro 12, 2012















Ao mundo sobrevivi


Só e sem nada ter

Mudei de rumo sempre

Que quis

Mudei de vida, mudei de querer

Sempre a mudar

Desenhei o meu caminho

Nada me impede de o fazer,

Nem amores que o tempo

Condena,

Nem falsos paraísos de prazer

Só vivo em pleno na liberdade

De amar os dias ao acordar

Não me convencem promessas

E não temo estar só

A caminhar..



Manuel F. C. Almeida

sábado, dezembro 08, 2012















 

 

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas

Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover

Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir

De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.

Manuel F. C. Almeida






terça-feira, dezembro 04, 2012





















Não escrevo para os outros


Escrevo para me libertar.

Do carcere de cada hora

Que passa e que há-de passar

Faço da escrita catárse

Desde que me levanto ao deitar.

por vezes nem sei quem fala,

Nem sei se quero falar

desta vida inconstante

De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim

para onde estou a caminhar?


respostas que sempre procuro

neste eterno dialogar

entre os varios "eus" que convivem

dentro de mim a lutar.



Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 25, 2012





















Nada existe nas contas do rosário

que guardo na raiz do meu sangue.

Só o tempo molda os deuses

E os devolve em barro

Cozido e seco, misturado com

Os gritos de muitos homens

Em sacrifícios estéreis



O bem e o mal são faces estranhas

De todos nós e do nosso medo

Para com a vida e a liberdade.



Manuel F. C. Almeida