Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
sábado, junho 15, 2013
Conheces o frio? Aquele frio que se instala na alma
E se propaga como a luz, alagando tudo o que és?
Conheces por acaso a noite, aquele lugar onde os braços
Da escuridão te afagam os sentidos e te despem?
Conheces o som do silêncio? Aquele silêncio que
Se instala no olhar e só se resgata quando o som
Das marés te devolve à vida?
Conheces, eu sei que conheces tudo isto.
Por isso as pessoas te dão vómitos, por isso
Preferes ser como és a invés de seres como
Esperavam que fosses. Por isso nem te amam
Nem te odeiam, simplesmente te ignoram
E se julgam superiores.
Tu, tu não julgas nada e sentas-te diante do
Mar na esperança que uma onda se faça ouvir
Acima do silêncio dos sentidos.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 06, 2013
Para te ter dobrei o sonho
E descobri novos mundos
Em mim
Para te ter escavei o tempo
E encontrei tesouros
Em ti
Para te ter construí castelos
De sólidas muralhas
Em nós
E quando um dia a história
Se contar
E o tempo desgastar as pedras
Do nosso universo
Ficaremos sós
Ficaremos só nós
E o canto do outro
Na nossa voz...
Sempre.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, maio 28, 2013
quinta-feira, maio 23, 2013
Paredes brancas, casas vazias
Onde o vento se perde e se demora.
Sussurros do tempo, dias nos dias.
Nada é real é tudo ilusório
E só a madrugada nos desnuda
Na procura dos corpos, no delírio
Na luxúria dos lábios e dos ventres
Paredes brancas, casas vazias
Vidas pretensamente presentes.
Manuel F. C. Almeida
domingo, maio 19, 2013
domingo, maio 12, 2013
Nos mistérios do saber,
Escondidos em campos
Que ao por do sol
Se desnudam
Estão os seios e as coxas
Que ávidos de vida
Se oferecem ao sonho
Da luxuria.
Visitamos o mundo
E é a morte que se
Oferece em mil
Máscaras de vida.
E voltamos sempre
Aos campos de prazer
Dos corpos adiados
Que connosco
Se cruzam.
Toda a vida é uma
Encenação
Entre o desejo
De liberdade
E o nada
Tudo não passa
De uma coincidência
Sem sentido.
Manuel F. C. Almeida.
terça-feira, maio 07, 2013
Se navego num mar de duvidas
Se resisto ao canto das sereias
É porque fui tendo várias vidas
Todas bem preenchidas, cheias.
Se me perco num golpe de vento
E as minhas asas se abrem em leque
É porque fui resistindo no tempo
A quem me quis ter como cheque
Por isso quando me olharem de perto
Procurem ver quem eu sou
Porque eu não sou um projecto
Desenhado à medida de alguém
Serei sempre eu. E aqui estou
Livre. Não sou peça de ninguém.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 03, 2013
A vida passa num cósmico minuto
E rapidamente devolvemos a matéria
Que pedimos emprestada.
E nesse minuto de vida... o tudo é nada.
Arrastamos os átomos numa voragem
De loucos que vivem na ilusão
De uma importância qualquer;
E na ideia de ser mais que um outro ser.
E tudo acaba finalmente no dissolver
Da existência, no regresso ao universo
Às coisas simples da natureza
E ao principio de tudo. A beleza de
Ser apenas parte do um todo universal.
Agora, enquanto estás vivo, vive!
Sendo livre e imortal
Não há fora de ti
valor de bem ou de mal.
Manuel Almeida
domingo, abril 28, 2013
Recusa sempre o que parece óbvio
Que a verdade está sempre escondida
Dos olhos que tudo e nada desnudam
Recusa sempre o que senso te dita
Porque o seu conselho é como ópio
Que te adocica os sonhos e te adormece
A curiosidade.
Recusa sempre um amor resolvido
Um amor adormecido pela voragem
Temporal da paixão perdida e domesticada.
Recusa a morte antecipada e anunciada
Pela ditadura da hipócrita existência social
E nunca aceites como certa a moral
Imposta, a moral do medo, a moral imoral.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, abril 25, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
sábado, abril 13, 2013
sábado, abril 06, 2013
Nos meus olhos ávidos
P’lo teu ser
Reina a lascívia própria
Dos humanos
Feita de sonhos e escuridão
Amálgama secreta
Dos silêncios
Sem culpa ou moralidade
Sou pois um arremedo
De ave
Que nos céus se diverte
Com o vento
E olha o mundo sem
Grades
E sem barreiras à
Liberdade
Uma flor rara e selvagem
Que teima e ocupar
Os espaços livres
Das dunas,
E se protege
Dos olhares implacáveis
De quem vive com dedos
Apontados ao mundo.
E no interior de cada hora
Aspiro a ser aquele
Que chega e se
Demora.
Manuel F. C . Almeida
sábado, março 30, 2013
terça-feira, março 26, 2013
Dás o que tens, apenas e só o que tens
Como reserva de ti
O amor e os beijos a espaços não são
Dirigidos a outro, são beijos em ti.
Beijas e ao beijar, não beijas mais
Que a tua necessidade de beijar
É o teu corpo que beijas
E sorris como criança traquina
Que prega partidas sem valor
O sorris por dentro do outro
Que se detêm suspenso num limbo entre
Flores de um jardim abandonado
E a ideia do que foram dias de paixão
E amaste se é que amaste. Hoje
Tudo é um labirinto de olhares
Que se escondem dos olhares.
Toda a verdade é em ti silêncio.
Tristeza amordaçada de uma
Paixão presente de costas voltadas.
E a esperança que o passo a dar
Não seja dado por ti
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, março 21, 2013
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| DIA MUNDIAL DA POESIA 21-03-2013 |
Nada fazes que seja novo,
Nem o que escreves é importante.
Tudo o que existe, é apenas tempo.
A criação é algo ilusório,
Pois as palavras que alinhas
E que alimentam os teus sonhos
Já eram palavras vivas
Antes de as escreveres.
É tempo pois de abandonar essa
Pretensa novidade
Porque os poemas já foram
Todos escritos....
Só que alguns ainda não
Se deram a conhecer.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, março 19, 2013
terça-feira, março 12, 2013
Numa noite fria de silencio
Em que a solidão me tomou
Esperei sempre o teu gesto
Mas o teu gesto não chegou
E o tempo lá foi passando
E nada nas noites mudou
E a solidão do meu mundo
Em silencio se quedou.
E quando um dia chegaste
E disseste “ estou aqui”
O silencio dos meus olhos
Respondeu “ eu estou ali”
E tudo pareceu estar normal
Já nada disso importava
O teu chegar era hábito
Não chegar de quem amava
E a espaços e em silencio
Passamos a ser quem usava
O outro para nosso prazer
Em nada mais ele estava.
Manuel F. C. Almeida.
quinta-feira, março 07, 2013
sábado, março 02, 2013
Desço pelo teu
Corpo como
Um rio de águas
Agitadas
Á espera que
Se desbravem
Ao toque dos
Meus lábios
De seda e veludo.
Os teus seios
Erguem-se
Ao encontro
Dos céus
E o teu ventre
Agita-se como
Vento,
Como onda
Que se eleva
E se cava
Num remoinho
De prazer
Desço pelo teu
Corpo para
Nele me perder.
Manuel F. C Almeida
terça-feira, fevereiro 26, 2013
Que mais de mim direi
Que fique gravado no vento
Quando de mim nada sei
E perdi o norte no tempo
E entre o mundo que pensei
Ser possível num momento
Resta só o que sonhei
No naufrágio de um lamento.
Mas nunca me irei entregar
A quem quer que me apareça
Antes morrer a lutar
Que viver sem ter cabeça
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, fevereiro 21, 2013
E eis que descubro a tua alma
E tu ficas nua e indefesa
E só então te sentes salva
E em mim te apoias com firmeza
Soltam-se os beijos e a ternura
Em gestos prenhes de saudade
E em nossos corpos a loucura
Tem o sabor da eternidade
E cai o dia, a noite passa
E os nossos corpos extenuados
Erguem-se como uma taça
Para se tomarem encantados
E quando a fome está saciada
E os nossos sentidos dormentes
Reabre-se a porta ansiada
E renascemos como sementes.
Manuel F. C Almeida
sexta-feira, fevereiro 15, 2013
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
As palavras que deixo no ar
São rosas e cravos de jardim
No desejo de encontrar
Em ti o que resta de mim
E se os seios te tomo nos lábios
E se o ventre te tomo nos dedos
Leio em ti o nome de sábios
Para vencer os meus medos
E num frenesim me alimento
Num festim feito de instinto
O teu corpo é o meu templo
O meu ópio e meu absinto.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
segunda-feira, janeiro 28, 2013
Ao entardecer eu ouço
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.
Os teus passos.
Percorremos o labirinto
Da vida,
Num sobressalto de medos
E segredos,
Num jardim de deuses
E mitos,
E de esquina em esquina
Procuro encontrar-te.
Mas apenas o som
Dos teus passos se houve.
Há sonhos que não passam
De sonhos.
Todo o caminho é deserto
Procurar o som de outros passos
É só o que nos resta,
E nem os deuses ou os mitos
Podem minguar
O terror de estar só
Com o som dos teus passos.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, janeiro 22, 2013
quinta-feira, janeiro 17, 2013
Passam pela vida os segundos
Que não mais irão passar
Unidas são gotas de um rio
Não voltam ao mesmo lugar
Tal a como a vida se vai
Sem que disso demos conta
O rio também vai passando
Gota a gota se faz onda
E se tudo na vida se altera
E se esta tem sempre um final
Também as águas do rio
Morrem doces, renascem sal.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, janeiro 11, 2013
Quero perder-me na estrada
Sem rumo ou direção
Sem fronteiras
Para lá do mar
Quero perder-me na vida
Sem certezas ou lugares meus
Nem saberes imperativos.
Ser quem vive a sonhar
Quero perder-me nas coxas
De mil mulheres que me tomem
Apenas por aquilo que sou
Um eterno ignorante
Que nem a si se encontrou
Quero perder-me da vida
E é à vida que me dou.
Manuel F. C. Almeida
domingo, janeiro 06, 2013
segunda-feira, dezembro 31, 2012
É preciso reinventar o amor
Nos caminhos que temos pela frente
Fazer da vida um arco-íris
Sem pote de ouro ou outras crenças
Reinventa-lo simplesmente.
Pode ser reinventado com o olhar
Que pousa em estranhos por momentos
E pinta uma tela de mil cores,
nos faz saltar o desejo
Em ternos e eróticos pensamentos.
E se uma folha de primavera se soltar
Nesse recriar da vida e do encanto
Guardemos essa folha com cuidado
Deixemos que cresça e nos e aqueça
E que reinvente o amor com o seu canto
Um amor que se renove e sempre cresça
e que nos inunde a todos com o seu manto.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, dezembro 28, 2012
Elegia para uma relação mundana
Já desceram as sombras sobre nós
E os dias de paixão e encantamento
Também foram.
Restam os silêncios que na voz
Mais não são momentos que se afloram.
Fingimos não ver o que é presente,
A ternura e o calor que é ausente,
Deixámos o tédio ser rei na vida.
E á noite, quando a vontade desperta
Deixamos por momentos a porta aberta
E usamos no outro a tesão sentida.
E quando o momento se acaba
Nem um beijo, ou carícia
Paira no ar.
Viramos o ser para outro lado
Temos o corpo saciado
E as sombras teimam em voltar.
Manuel F. C Almeida.
terça-feira, dezembro 25, 2012
Porque é natal,
um dia como outro qualquer
Vão morrer muitas pessoas
E outras pessoas nascer.
Pessoas há que nem sabem
Que neste dia dito especial
Nasceram muitos meninos
Que não conhecem o natal
Que vivem todos os dias
Apenas para sobreviver
E outros há que sem saber,
Porque nunca lhes disseram,
Estragam o muito que têm
Á custa dos que nada tiveram.
Neste dia de Natal
Um dia como outro qualquer
Os donos do capital
Continuarão a enriquecer
Não me venham pedir tréguas
Ou que me deixe iludir
O natal é mais um dia
Igual aos que se irão seguir.
E como a minha existência
É uma luta pela justiça
Só irei ter um natal
Quando acabar a injustiça.
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 22, 2012
Sinalizei o silêncio como um tratado
Entre o estar e o não estar.
Entre palavras que, de luz,
Seriam o palco onde os personagens
Se transformavam em flores ou simples
Objetos de uso comum, conformados
Com a sorte que lhes calhou.
Mas sinalizei o silêncio no momento em
Que o silêncio se quebrou, não por se quebrar
Mas unicamente por continuar a ser silêncio
Nos sentidos.
A meu lado o sonho esfumou-se, como a água
Das ondas se vai por entre a areia da praia.
Talvez uma nova onda seja maior e traga mais
Água, talvez a areia da praia fique impermeável
Mas o silêncio cavalga agora as ondas
E o olhar perde-se na imensidão de um oceano
De duvidas que rebentam na praia e
Nela depositam corpos… em silêncio.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 18, 2012
quarta-feira, dezembro 12, 2012
Ao mundo sobrevivi
Só e sem nada ter
Mudei de rumo sempre
Que quis
Mudei de vida, mudei de querer
Sempre a mudar
Desenhei o meu caminho
Nada me impede de o fazer,
Nem amores que o tempo
Condena,
Nem falsos paraísos de prazer
Só vivo em pleno na liberdade
De amar os dias ao acordar
Não me convencem promessas
E não temo estar só
A caminhar..
Manuel F. C. Almeida
sábado, dezembro 08, 2012

Estou preso dentro de mim
De um mundo de encruzilhadas
De dúvidas que não têm fim
Mas todas com muitas estradas
Não creio que existam respostas
Nos caminhos a escolher
Carreiros em frente e nas costas
E eu quieto sem me mover
Espero em vão um sinal
Que me ajude a decidir
De como escolher afinal
Qual o caminho a seguir
De algo tenho a certeza
Não há caminhos sem dor
Que em todos existem tristezas,
Angustias e campos em flor.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, dezembro 04, 2012
Não escrevo para os outros
Escrevo para me libertar.
Do carcere de cada hora
Que passa e que há-de passar
Faço da escrita catárse
Desde que me levanto ao deitar.
por vezes nem sei quem fala,
Nem sei se quero falar
desta vida inconstante
De quem se esta a interrogar:
Quem sou, de onde vim
para onde estou a caminhar?
respostas que sempre procuro
neste eterno dialogar
entre os varios "eus" que convivem
dentro de mim a lutar.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, novembro 30, 2012
Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.
Manuel F. C. Almeida
domingo, novembro 25, 2012
Nada existe nas contas do rosário
que guardo na raiz do meu sangue.
Só o tempo molda os deuses
E os devolve em barro
Cozido e seco, misturado com
Os gritos de muitos homens
Em sacrifícios estéreis
O bem e o mal são faces estranhas
De todos nós e do nosso medo
Para com a vida e a liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, novembro 22, 2012
Eu escrevo poemas no teu ventre
E neles liberto me liberto
Das águas gélidas da existência
Amarga e vazia que todos os dias
Me persegue.
E tu… nunca saberei o que sentes
Quando me acolhes e me proteges
Sé é que me acolhes e me proteges
Ou tudo não passa de uma troca
De liberdades e existências. Sem cor
Sem ternura, sem paixão.
Eu escrevo poemas no teu ventre
Gritos de solidão.
Manuel F. C. Almeida
sábado, novembro 17, 2012
São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer
E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, novembro 13, 2012
Toda a poesia é inócua.
Gosto de ler poesia,
Daquela poesia que fala do amor
Imaginário e que nunca acontece.
É sobre esse amor que gosto de escrever.
Delicio-me a descrever com palavras
Belas a beleza oculta e imaginária
Dos corpos, a excelência dos sentidos
O êxtase do encontro. Geralmente
Alguns leitores vestem a máscara social
E aplaudem, dizem ser belo e outras
Coisas do género. Raramente algum é honesto
Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas
Que não existem, e a deixar escondida a
Minha real intenção.
A poesia é fodida.
Os poetas querem a alma do mundo e
Ter uma desculpa para não falar.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, novembro 07, 2012

Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.
E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 31, 2012
domingo, outubro 28, 2012
quarta-feira, outubro 24, 2012
Não entendo, nem poderei entender
A
cruel curiosidade de ser,
A
luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não
entendo as razões que a minha razão
Vai
criando. O horizonte que se move
Sem
que movimento se veja
Ou
a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só
entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E
a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando
consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.
Desejados. Meus segredos.
Manuel
F. C. Almeida
sexta-feira, outubro 19, 2012
domingo, outubro 14, 2012
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