Já nem sei se poderei
Iluminar estas sombras
Que dentro do meu pensar
Se condensam em nuvens
De cinzas.
Já nem posso reaver
O canto das águas
Nas memórias que
Guardam as chaves
Do tempo.
Do nosso tempo.
Daquele tempo em que
Os olhares sorriam e se
Perdiam nas cascatas
Dos corpos em êxtase.
Já nem reconheço os
Cheiros, ou os recantos
Dos nossos segredos
Das nossas cumplicidades.
Ficou de tudo uma brisa suave
Uma brisa de mar
Que vai e vem ao sabor
Das marés, desencontradas.
Manuel F.C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
terça-feira, novembro 08, 2011
quinta-feira, novembro 03, 2011

Por vezes há noite, antes dos braços do sonho
Me tomarem, no seu regaço, sinto o desejo de
Pensar que o mundo é linear. Que há gente
Boa e gente má, que ao branco se opõe o negro
Que existe algures um equilíbrio racional.
É nas horas em que me descubro só, cada vez
Mais só, um eclipse humano tomou conta de mim.
Se existo ou não, jamais saberei, porque pensar
Nada prova, para além do vazio do escuro e
Da ausência. Acompanha-me nestas viagens
A incerteza dos sentidos, uma incerteza pulsante
Viva, presente. E quando os murmúrios do silencio
Se descobrem, abandono-me no sonho de que um
Dia alguém surgirá do nada para me estender a mão,
Me afagar os cabelos e me segredar doce e ternamente
Amo-te.
Mas as manhãs trazem sempre um novo dia
E o corrupio sem sentido de me encontrar
Novamente só….no meio da multidão.
Manuel F. C. Almeida
sábado, outubro 29, 2011

Nem me importa o que pensam.
Os meus poemas são sinfonias
Que se escondem em mim, para lá dos sons
E da simples existência.
Neles amo, neles odeio
Neles prometo o que não posso
Neles sonho, neles me traio
E neles construo o meu mundo
Longe dos olhares dos outros.
Na minha alma os poemas
Espelham a solidão.
domingo, outubro 23, 2011

Ao dia que já passou
E o sonho que se persegue
É o que nunca se sonhou
E vêm bruxos e bruxas
Esquisitos animais
Sedutoras e alvas coxas
Corpos em mil bacanais.
E despedaçam-se as almas
Em ritos sabotadores
Deflagram-se os olhares
Em bocas de mil sabores
E tudo é como o vinho
Bebido com ansiedade
Em cada corpo acabado
Esconde-se uma verdade
E no dia que se segue
Ao dia que já passou
O sonho não se persegue
Porque o sonho terminou.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, outubro 19, 2011
quinta-feira, outubro 13, 2011
domingo, outubro 09, 2011
domingo, outubro 02, 2011
sexta-feira, setembro 23, 2011
sábado, setembro 17, 2011
segunda-feira, setembro 12, 2011
terça-feira, setembro 06, 2011
As palavras mudas
Os lábios descarnados
E os mundos escondidos
Do olhar.
Porque eu nada sei
Passo nas ruelas frias
Da cidade sem ouvir os sons
Ou olhar as casas vazias
Numa absorta e egocêntrica
Indiferença trocista.
Ai quem nos dera
A mensagem prateada
Nos lábios encantados
E os mundos prometidos
Nesse teu eterno olhar
Porque ao passar pela cidade
Aprendi a entender a cegueira
E o segredo que os prazeres
Encantados nos podem trazer
Em cada onda de solidão
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 31, 2011
Num jardim de mil flores
Que se tinge todo o ano
Com pétalas de todas as cores
Ora amores e desamores
Encantam-se então as palavras
Na beleza do jardim
E unem-se para criar
Um poema sem ter fim
Ora cantam ora dançam
No jardim dos meus poemas
Há mil pétalas, mil cores
E ainda mais teoremas
Com pétalas de todas as cores.
sábado, agosto 27, 2011
Quando te desejo, á distancia enorme
De um olhar
Não passo de uma duna, varrida pelo
Vento e pelo mar
Na angustiante degustação dos elementos
E se te toco com os dedos, numa ânsia
Desmedida e sem pensar
Derramo em ti tudo o que sou, num ardente
E único beijar
Na celebração da vida em todos os momentos
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, agosto 24, 2011
Crescemos no sonho da unidade,
Uma unidade plena e uníssona
De nos fundirmos com “um outro”
Numa peça resistente ao tempo
E às intempéries do viver.
...Crescemos e não damos conta
Que afinal a unidade por si
É unicamente negação do “eu”.
Um subsumir da existência
Nas brumas gélidas da
Tradição em que crescemos.
A unidade sonhada é arma
De arremesso contra a felicidade,
Levamos meia vida nessa procura
E outra meia vida nessa miséria
E nunca nos permitimos ver
Com olhos de ver e de sentir
Como seria o mundo sem
Propriedades privadas ou
Amores jurados para sempre
Que nunca se cumprem
Amar é liberdade, uma liberdade
De o fazer em cada momento
Como se nunca tivéssemos amado.
E isso é unicamente ser livre
E deixar livre quem nos ama.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, agosto 12, 2011
domingo, agosto 07, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
sábado, julho 23, 2011
Prisioneiros da cegueira,
Nesta procura constante
Do “eu” que um dia perdemos
Não encontramos quem fomos
E muito menos quem somos
Porque já nada sabemos.
Por vezes somos só um
De outras vezes somos tantos
Que o encontro com nós mesmos
E como chuva de verão
Que apenas dá a ilusão
De mudar sem que mudemos.
Porque a mudança dói sempre
Como um parto natural
É arrancar um pedaço
Daquilo que o mundo nos deu
E que em nós sempre cresceu
Como diamante, como aço.
Verdades “inabaláveis”,
Tradições que são seculares,
Vincadas dentro do “eu”
Que destroem o que somos
E destroem quem já fomos
E que quase já morreu
Mas é tempo de quebrar
As barras das nossas celas
Libertar a “nossa história,
Destas amarras de tempo,
Deixa-la fluir no vento
Viver em pleno e em glória.
Manuel F. c. Almeida
segunda-feira, julho 18, 2011
quinta-feira, julho 07, 2011
Correm os rios para o mar
E no teu olhar em flor
Há uma luz que nos indica
O cais que o vento perdeu
No corpo resgatado ao tempo
Das lendas e glórias perdidas
Em lugares já sem memória
Que sopram no coração,
Em campos de rubras papoilas
Onde as palavras devolvem
A magia das manhãs
As flores se oferecem
À luxúria dos insectos
E o teu corpo se abre
Sem fronteiras ou limites
Ao prazer de ver os rios
Que correm para te abraçar.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 30, 2011
domingo, junho 26, 2011
Tantos lábios, tantos sonhos,
Tantos corpos pra beijar
Tanta alegria que é vida
Tanta vida que é amar
E tudo em mim vai crescendo
Como uma onda no mar
Que quando é vida na areia
Não deixa de se espraiar
E se um dia tenho certo
Que tudo se vai acabar
E que a vida só se cumpre
No plural do verbo amar
Vou amar todos os dias
Sem fantasmas de saudade
Porque o amor só acontece
Quando amar é liberdade.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 22, 2011
Queimo em mim os restos do que sou
Devagar teimosamente sem pressas
No espaço livre desenho canteiros
Com tulipas, cravos e amores imperfeitos
A terra alimenta-se das cinzas
E as flores descobrem-se como diamantes
Faço colares de flores vivas
Que me limito a unir, sem as colher
Dos lábios soltam-se pequenas
Gotas de vida e saltam rubis do olhar
E na escuridão do universo, algures
E em segredo há uma estrela a cantar
Manuel F. C. Almeida
sábado, junho 18, 2011
Com que letras se deve cantar
A canção da vida e da melodia
Que leva consigo no tempo
A vida…dia após dia.
Com os segredos do sangue?
Com pétalas de alvorada?
Com sonhos roubados á terra
Fresca… depois de lavrada?
Mas cantem como cantarem
Cantem com todas as cores
Que o mundo das minhas canções
É um mundo de muitos amores.
Manuel F. C. Almeida.
segunda-feira, junho 13, 2011
Silencioso o impulso
Despe-se das amarras
Da paisagem,
Bebendo a vida no vento,
Num voluntarioso gesto
De invocação dos corpos
Adormecido sinto a tua
Mão percorrer-me os sentidos
E num ultimo fulgor
Ergo a vida e deleito-me
Com a candura dos teus
Olhos, que suavemente
Me devoram numa doce e
Antecipada luxúria.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 08, 2011
Nunca lamentes, nem chores
Não recordes nem prometas
Há sempre um mundo de amores
No coração dos poetas
Não chores os amigos caídos
No labor do dia a dia
Nem os amores vividos
Quando o amor te sorria
Porque o amor não é singular
Sendo fruto desta vida
Acontece sem avisar
Na pluralidade sentida
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 03, 2011
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
segunda-feira, maio 30, 2011
Elegia social
Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.
Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.
Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.
Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, maio 25, 2011

Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)
Porque sou o que não quero
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, maio 19, 2011
Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 13, 2011
Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz
Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento
E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, maio 09, 2011
Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion
sexta-feira, maio 06, 2011
Solta o silêncio
Contido
No ruidoso silêncio
Que o silêncio que te
Habita
É o silêncio
De mim.
Abraçamos o silêncio
Que se espraia
Entre nós
Como se não houvesse
Vida
Na voz
Pouco a pouco
Devagar
Mas como bicho de traça
Vai-se o amor no olhar
E o silêncio
Já não passa.
E mesmo quando
Em silêncio
Teimamos em manter
Este fio
Burla-mos o que já
Foi amor
E que é hoje apenas
Cio.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/rodrigomolina
domingo, maio 01, 2011
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, abril 27, 2011
E rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte
sábado, abril 23, 2011
Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.
Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, abril 19, 2011

Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
domingo, abril 10, 2011
Criação infernal
De flores e pétalas
Douradas
A liberdade “que é minha”
Tem propriedades
Privadas
Não tem face,
Nem tem existência.
É minha!
Pronto! paciência.
Que eu luto todos os dias
Pela causa da liberdade
Neste mundo de opressão
Mas o objecto “meu”
Encondo-o na palma da mão.
Viva então a liberdade
De quem comigo caminha
Desde que a liberdade só viva
Na liberdade que é minha.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, abril 06, 2011
Teimosamente recuso
As minhas faces reais
E dentro de mim, em refugio,
Vivo dilemas morais
Quem eu sou? É meu tormento.
Tanta é a confusão
Entre o que sou quando “ sou”
E a minha existência no vento.
E lá vou, vendendo a imagem
Que prometi não vender… ~
Fujo para outra margem
Quando me quero esconder.
E só, diante de um espelho
Que parti em mil pedaços
Vejo mil imagens pequenas
No encalço dos meus passos,
Persigo-me sem me encontrar
Nunca sei a quem seguir.
Se aquele que vive o presente
Se um outro que está para vir.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, março 31, 2011
quarta-feira, março 23, 2011

Estamos quietos, pacientes.
Os cães comem os restos da noite
E na penumbra solta-se um poema rebelde.
As damas envelhecem no sonho da eternidade
A mirarem esbeltos corpos de jovens Adónis que elas possuem
No segredo e no silêncio da solidão.
Demoradamente afago os testículos
Num prazer animal tão criticável
Como o arrancar pelos púbicos a uma santidade.
Descerro a hipócrita lápide "Para sempre"
Num verso complicado e cheios de nomes,
Entre cantares solitários e companhias presentes.
As musas cobrem-me o sonho num festim de sexo
E máscaras de lágrimas reprimidas.
O prato principal foi servido quente
E a geometria toma conta da existência.
Todo o poema se encontra encerrado
Nas pregas vermelhas da minha loucura
E teima em se descobrir á tona da demência
Saudável dos corpos em êxtase.
Teço uma teia com as faces incógnitas
Mas vivas do passado.
E nas ruas de uma qualquer cidade já morta
Pela moral e pelos bons costumes
Os corpos nus dos homens e mulheres,
Teimam em se manter como faróis da liberdade.
Manuel F.C. Almeida
domingo, março 20, 2011

DIA MUNDIAL DA POESIA
No canto da noite
Escondem-se os poetas
E as vidas.
No canto da noite
As ondas choram
Repetidas,
No canto da noite
A tua ausência
São asas perdidas.
Manuel F. C. Almeida
foto cassio sales
quinta-feira, março 17, 2011

domingo, março 13, 2011

Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, março 08, 2011

Ao meu amigo
"MIMI" CABOZ
E
A TODOS
OS AMIGOS
QUE PARTIRAM
Já partiste
Meu amigo.
Do teu passado
Resta a tristeza
De um olhar
Ausente
E a mágoa
Presente
De te re(perder).
E foste
Caminhaste
Como todos
Os amigos
Partem um dia,
Sem tristezas
Ou promessas
Por cumprir
Simplesmente
Procuras no tempo
O teu lugar.
Manuel F.C. Almeida
fotojoao chaves
domingo, março 06, 2011

Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.
quinta-feira, março 03, 2011

Ergo a cabeça e olho
Para traz.
Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.
Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.
Encontro-me, onde não estou.
Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.
Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.
Manuel F. C. Almeida
domingo, fevereiro 27, 2011

O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.
Manuel F. C. Almeida






























