sábado, junho 18, 2011



















Com que letras se deve cantar

A canção da vida e da melodia

Que leva consigo no tempo

A vida…dia após dia.

Com os segredos do sangue?

Com pétalas de alvorada?

Com sonhos roubados á terra

Fresca… depois de lavrada?



Mas cantem como cantarem

Cantem com todas as cores

Que o mundo das minhas canções

É um mundo de muitos amores.


Manuel F. C. Almeida.

segunda-feira, junho 13, 2011













Silencioso o impulso


Despe-se das amarras

Da paisagem,

Bebendo a vida no vento,

Num voluntarioso gesto

De invocação dos corpos

Adormecido sinto a tua

Mão percorrer-me os sentidos

E num ultimo fulgor

Ergo a vida e deleito-me

Com a candura dos teus

Olhos, que suavemente

Me devoram numa doce e

Antecipada luxúria.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, junho 08, 2011















Nunca lamentes, nem chores

Não recordes nem prometas

Há sempre um mundo de amores

No coração dos poetas


Não chores os amigos caídos

No labor do dia a dia

Nem os amores vividos

Quando o amor te sorria


Porque o amor não é singular

Sendo fruto desta vida

Acontece sem avisar

Na pluralidade sentida


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 03, 2011

Num tempo sem tempo


Todos os dias se repetem

Mas chegaste sem perguntas

Nem respostas

E eu sentei-me no alto

De uma nuvem

E o prazer brilhou no teu olhar

Sem pedir nada em troca


E eu falei dos olhares perdidos

E dos sentidos por descobrir

E sem perguntas ou respostas

Ficamos quietos a olhar o horizonte


Num tempo sem tempo

Nem o horizonte amanhece


Só o presente é real

E só no presente nos descobrimos

Tudo é finito, tudo é presente

O amanhã é acidente.



Manuel F. C. Almeida

foto  http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo

segunda-feira, maio 30, 2011




Elegia social



Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.

Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.

Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.

Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, maio 25, 2011








Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)





Porque sou o que não quero
E o que quero não posso ser
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.

E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.

Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, maio 19, 2011



Eu vivo só, mas assustado
Pela multidão que me rodeia.
Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri


Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, maio 13, 2011



Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz

Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento

E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, maio 09, 2011


Em 09/05/2004 escrevi este poema

Escondo-me num canto da noite
Dentro do meu pensar e sentir,
Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.

Manuel F. C. Almeida

 
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion


sexta-feira, maio 06, 2011





















Solta o silêncio
Contido
No ruidoso silêncio
De ti.
Que o silêncio que te
Habita
É o silêncio
De mim.
Abraçamos o silêncio
Que se espraia
Entre nós
Como se não houvesse
Vida
Na voz
Pouco a pouco
Devagar
Mas como bicho de traça
Vai-se o amor no olhar
E o silêncio
Já não passa.
E mesmo quando
Em silêncio
Teimamos em manter
Este fio
Burla-mos o que já
Foi amor
E que é hoje apenas
Cio.



Manuel F. C. Almeida

foto http://olhares.aeiou.pt/rodrigomolina

domingo, maio 01, 2011

Agarro o sol, que se me dá

Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade

Que generosamente conquisto
Devagar.

Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou

Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.

A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, abril 27, 2011

Esta noite sonhei com um vale
Verdejante, entre versos
E rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.

Manuel F. C. Almeida

foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte

sábado, abril 23, 2011

Há uma solidão sinfónica entre
A alma e as gentes.
Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.

Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, abril 19, 2011












Preso no limbo de momento
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei

Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado

E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres

Manuel F. C. Almeida


domingo, abril 10, 2011



A liberdade de alguns ou a confusão da posse

Criação infernal
De flores e pétalas
Douradas
A liberdade “que é minha”
Tem propriedades
Privadas

Não tem face,
Nem tem existência.
É minha!
Pronto! paciência.

Que eu luto todos os dias
Pela causa da liberdade
Neste mundo de opressão
Mas o objecto “meu”
Encondo-o na palma da mão.

Viva então a liberdade
De quem comigo caminha

Desde que a liberdade só viva
Na liberdade que é minha.


Manuel F.C. Almeida





quarta-feira, abril 06, 2011



















Teimosamente recuso
As minhas faces reais

E dentro de mim, em refugio,
Vivo dilemas morais
Quem eu sou? É meu tormento.
Tanta é a confusão
Entre o que sou quando “ sou”
E a minha existência no vento.

E lá vou, vendendo a imagem
Que prometi não vender… ~

Fujo para outra margem
Quando me quero esconder.

 E só, diante de um espelho
Que parti em mil pedaços
Vejo mil imagens pequenas
No encalço dos meus passos,

Persigo-me sem me encontrar
Nunca sei a quem seguir.

Se aquele que vive o presente
Se um outro que está para vir.


Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, março 31, 2011




















Encontro o meu espaço

No local em que me perco.

Agito os cabelos

Ao vento e ao

Esquecimento.

Mas se odor do teu corpo

Te anuncia,

Retomo o vento

Na palma da mão,

E iço bem alta

A bandeira da ternura.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 23, 2011
















Estamos quietos, pacientes.
Os cães comem os restos da noite
E na penumbra solta-se um poema rebelde.
As damas envelhecem no sonho da eternidade
A mirarem esbeltos corpos de jovens Adónis que elas possuem
No segredo e no silêncio da solidão.
Demoradamente afago os testículos
Num prazer animal tão criticável
Como o arrancar pelos púbicos a uma santidade.

Descerro a hipócrita lápide "Para sempre"
Num verso complicado e cheios de nomes,
Entre cantares solitários e companhias presentes.
As musas cobrem-me o sonho num festim de sexo
E máscaras de lágrimas reprimidas.
O prato principal foi servido quente
E a geometria toma conta da existência.

Todo o poema se encontra encerrado
Nas pregas vermelhas da minha loucura
E teima em se descobrir á tona da demência
Saudável dos corpos em êxtase.
Teço uma teia com as faces incógnitas
Mas vivas do passado.
E nas ruas de uma qualquer cidade já morta
Pela moral e pelos bons costumes
Os corpos nus dos homens e mulheres,
Teimam em se manter como faróis da liberdade.

Manuel F.C. Almeida

domingo, março 20, 2011





DIA MUNDIAL DA POESIA











No canto da noite
Escondem-se os poetas
E as vidas.

No canto da noite
As ondas choram
Repetidas,

No canto da noite
A tua ausência
São asas perdidas.



Manuel F. C. Almeida


foto cassio sales

quinta-feira, março 17, 2011


Solta o silencio
contido
nesse silencio
de ti
que o silencio que
te habita
é o silencio
de mim.
Abraçamos os silencio
que se espraia
entre nós
como se não houvesse
vida
na voz.
Pouco a pouco,
devagar,
mas como bicho de traça
vai-se o amor no olhar
e este silencio
não passa.
E até, quando em
em desejo,
teimamos em burlar
o silencio
Burlamos o que
já foi amor
e é hoje apenas
cio.
Manuel . C. Almeida

domingo, março 13, 2011
















Era tarde na avenida da liberdade
Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.

Manuel F.C. Almeida


terça-feira, março 08, 2011


Ao meu amigo
"MIMI" CABOZ
E
A TODOS
OS AMIGOS
QUE PARTIRAM




Já partiste
Meu amigo.
Do teu passado
Resta a tristeza
De um olhar
Ausente
E a mágoa
Presente
De te re(perder).
E foste
Caminhaste
Como todos
Os amigos
Partem um dia,
Sem tristezas
Ou promessas
Por cumprir
Simplesmente
Procuras no tempo
O teu lugar.



Manuel F.C. Almeida



fotojoao chaves

domingo, março 06, 2011





















Já se foi a inocência
Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.


Manuel F. C. Almeida


foto: SaMY

quinta-feira, março 03, 2011





















Na neblina da manhã
Ergo a cabeça e olho
Para traz.

Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.

Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.

Encontro-me, onde não estou.

Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.

Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.

Manuel F. C. Almeida


domingo, fevereiro 27, 2011




















Só a culpa inibe
O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, fevereiro 22, 2011














Cai-me o olhar, lentamente
No tempo que teimo em não deixar
Tocar-te a mão, suavemente
E recusar partir, sempre ficar

E não entendes (porque não sentes)
O sentido deste meu teimar
É nas memórias vivas e quentes
Que guardo o néctar do teu beijar

E mesmo quando passas altiva
Indiferente ao tempo e ao falar
Mantenho aqui, guardada e viva
A doce memória do nosso amar

Manuel F. C. Almeida

fotoCaroline Buranelli

sexta-feira, fevereiro 18, 2011


Homem me fiz,
Corpo e razão

Alimento o meu ser
De sonhos e vento

Sou escravo de mim
Sou escravo do tempo

Mas escravo que sabe
A sua condição

É sempre homem livre!

Manuel F.C. Almeida

sábado, fevereiro 12, 2011





















Sem pressas procuro
A constância
Nesta paixão feita
De sombras.
Linhas de tempo
Que se cruzam
Na memória viva
Do silêncio
Que me chega á noite
Quando cerro os olhos
E o sonho
Me ocupa a vida.
Difuso, o corpo
Que não conheço,
É um raio de luz
Quando adormeço.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, fevereiro 07, 2011
















Na minha mortalha
Descanso.
Finalmente repouso
Dos dias distantes e frios
Do teu olhar,
Do vazio dos gestos
Por dizer,
E das palavras ditas
Por fazer.
Na minha mortalha
Já não caminho a tua alma
Nem aspiro a conhecer
O teu corpo.
Na minha mortalha
Revivo a minha vida,
Prestes a levantar-me
E a recusar a morte
No teu não querer.

Manuel F. C. Almeida


fotoSAGHER

quarta-feira, fevereiro 02, 2011





















Deixei que a bruma se encerrasse
Numa arquitectura encantada.
Toda a beleza se resguarda
Na eternidade do nada.
Perdida a palavra nos rios
De sal e fel, leitos de alma
Não traz o eco dos tempos
Nem com os ventos se acalma.


Manuel F. C. Almeida


foto Tuca

segunda-feira, janeiro 24, 2011





















Digo-te adeus, porque te digo
Que os silêncios são barreiras
Construídas na mente,
São vida fossilizada
Pela ausência e pelo tempo,
São horizontes num
Universo paralelo,
São olhares vazios
Sem objecto,
São palavras vivas
E não soletradas

Digo-te adeus, porque te digo
Que o amor é algo mais
Que o corpo em fogo,
É desejo de beber
O néctar de mil papoilas,
É procurar o universo
No outro olhar,
É sentir nas mãos
O aroma de mil frutos,
É ser desassossego
No ser.

Digo-te adeus, porque te digo
Que somos palavras por dizer
Que não estão apaixonadas.

Manuel F. C. Almeida



fotoMRVM





quarta-feira, janeiro 19, 2011
















E de repente com as mãos
Rasgaste a vontade
E esqueceste o sonho.
Esculpiste o coração
E colocaste-o numa caixinha
Escondida dos olhares do mundo.

Olhaste e recuperaste o passado
Mas sem coração não há magia
E tudo transparece um dia,
Como um vidro.
Então o que vês é o que queres,
O que escolheste.
E nunca o que o coração
Pintou com as cores
Da vontade.
Esse quadro será sempre
Só teu. Guardado num recanto
Da alma.

Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, janeiro 14, 2011





















É nestes dias em que chuva
Diz presente, que me cubro
Com o mistério da ausência
E procuro entender a vida.
Então olho para dentro de mim
E tacteio os amores do tempo
Na ânsia de reencontrar
O calor das almas esquecidas.
Porque em cada corpo possuído,
Em cada olhar que deixei cair
Teima em vibrar uma corda
Que me une a todos eles.

E sinto o mundo comprimido
No silêncio estéril do passado.

Manuel F. C. Almeida


domingo, janeiro 09, 2011
















Com garras de vida
Rasgo o pensamento
E dilacero-o em mil pedaços
Que teimo em lançar
Aos deuses.
Um poema,
Uma estrada,
Um caminho sem sentido
Uma pergunta de espanto
Que margens terá
O meu rio?

Manuel F. C. Almeida


foto: SAGHER

quarta-feira, janeiro 05, 2011















E a olhar o teu olhar eu não me via
No reflexo vivo dos teus olhos
E a seguir-te os passos eu não seguia
O estranho mundo dos teus sonhos

E assim desbravámos este caminho
Estranhos no ser, estranhos no estar
E na nudez dos corpos bordámos a linho
As letras do verbo que se diz amar

Mas os olhos e o verbo sempre revelam
A verdade que se teima em esconder
E os dias que passam sempre desvelam
Os segredos guardados dentro do ser.

Manuel F. C. Almeida

foto Alexandre Grand

sábado, janeiro 01, 2011















Tudo passa num lampejo,
Na tardia descoberta
Do que fomos.
Entendemos finalmente
Que já nada existe,
Para lá da memória
Dos corpos possuídos.

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, dezembro 27, 2010


















A visão do futuro
Massacrado contra
A vida
É a última esperança
Que resta
Nos dias sitiados
Do presente.

Manuel F. C. Almeida


foto:JET ...

terça-feira, dezembro 21, 2010
















Cortámos o segredo


para além dos espelhos


e descobrimos os lugares


proibidos na alma,


junto a um velho rio


esquecido.


Nas margens prenhes


de imutáveis paisagens


esquecidas


Só o eco do teu corpo


me acorda deste sonho.








Manuel F.C. Almeida





foto: luis miguel inês

quarta-feira, dezembro 15, 2010
















Caminhas pelo horizonte dos meus sonhos
Com o passo delicado de uma história
No mais reprimido mapa da memória
Esconde-se o teu corpo dos meus olhos

Caminhas devagar e sem o saber
Percorres as páginas da minha existência
Meus braços abraçam a tua ausência
Meus lábios cantam-te no meu viver

Prisioneiros somos neste universo
De estrelas que brilham como diamantes
De poemas escritos, jóias de amantes
Que descrevem a vida, verso ante verso.

Manuel F. C. Almeida


sábado, dezembro 11, 2010





















E consome-se o tempo
Com o tempo que nos consome
A alma.
Os sons, simples segundos
De passagem, são uma quimera,
Uma miragem;
Borboletas na paisagem.
E os olhos que encontram olhos
Para neles se perderem
Fixam a máscara do que foi
E nunca “é”
Porque o agora
Não se desvenda sem a soma
Do tempo que há-de vir.
Só o passado é existência.
Só o meu sonhar existir.


Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, dezembro 06, 2010





















Sim, eu sei que me fascinam
As folhas perdidas no tempo
E as aves que voam sem rumo.
Sei também que os elementos
Me fascinam, tal como me
Fascinam as pessoas. No fundo
Tudo me deixa fascinado.
Da organização marcial dos
Formigueiros,
À existência de perguntas
Por fazer.
Sim eu sei que tudo me fascina
Especialmente a estranha
Diversidade das coisas
As folhas, as aves, as gotas de água
De todos os oceanos.
Mas o que mais me fascina é esta
Incessante procura de dar sentido
À vida humana,
Acaso o oceano procura
Explicar-se?
Ou uma folha de Outono
Se recorda de como foi a primavera?
Ou as aves explicam os motivos
Da sua aparente vivência caótica?
A vida é tão simples,
Como pudemos destrui-la?

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, dezembro 03, 2010















Sinto que o tempo se acaba
Aqui
Nesta alegórica existência
Sem sentido

Na procura do poema perdido
Em mim
Que cante a minha verdadeira
Face

Na margem em que a coragem era
Vida
E o coração uma arma apontada
À esperança

Mas é tempo de silenciar
Os sonhos
E deixar de pintar as palavras
Com o teu nome.

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, novembro 29, 2010
















E quando nada acontecer
Vou escrever um poema
Com letras de prata
E pontuação dourada


Onde me leva esta estrada.


Manuel F. C. Almeida


fotoSAGHER

sábado, novembro 27, 2010





















Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer
Nem o paraíso dos meus olhos
Ou a alegria incontida
Dos sonhos,
Podem resumir o que se não vê.
Como é difícil escrever
O que não se lê,
O que não se sente…
Ou o que se sente
Mas não se quer escrever

Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer.

Manuel F.C. Almeida


quinta-feira, novembro 25, 2010





















Consome-se o tempo
Com um futuro esperado
E esquecemos que a vida
É somente um grão de areia
No universo encrespado

Manuel F. C. Almeida



fotoJET ...

domingo, novembro 21, 2010



Canto no tempo

















Agarro o firmamento no horizonte


ancorado no olhar,


os sentidos percorrem o espaço


e a imaginação solta-se


na dança incessantedas águas.


Sou uma crisálida de palavras


Ocas, um cálice sem néctar


Ou fogo sagrado,


Sou homem,


Sou história,


Sou fado.


Só no canto liberto


Esta chama


Do meu pesadelo


Acordado





Manuel F. C. Almeida





foto:João de Castro

quarta-feira, novembro 17, 2010


Já ia alto o sol
Quando me conheci.
Não ouvi sons,
Nem acordei as aves.
Fixei-me num ponto
Obscuro do horizonte
E deliciei-me com
A memória das memórias
Coladas a mim.
Em uníssono a tarde caiu
E deixei de me reconhecer
Só a luxúria de outros corpos
Me permite resgatar quem sou.

Manuel F.C. Almeida
fotoABrito

sexta-feira, novembro 12, 2010





















Já não há fuga
Nem esperança.
Já não há passado
Nem futuro
E neste presente
Teimosamente adiado
Todos os sons
Pairam sobre
As águas
Como punhais
Que rasgam a carne
No tempo
E nos impelem
Contra o sonho.

Só nos resta
O sopro das estrelas
Nas noites
Sem luar.

Manuel F. C. Almeida


domingo, novembro 07, 2010





















Desespero frente ao poema
Por nascer.
Não sei quem sou
Muito menos quem fui.
Perco o passado na escrita
Perco a escrita no olhar.
Vagueio por amores
Sem face.
Invento diamantes
Telúricos
E sinto os ventos
No aconchego da alma.

No desespero dos
Poemas por nascer
Acabo sempre por
Me encontrar
E me perder.

Manuel F. C. Almeida