Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
sábado, junho 18, 2011
Com que letras se deve cantar
A canção da vida e da melodia
Que leva consigo no tempo
A vida…dia após dia.
Com os segredos do sangue?
Com pétalas de alvorada?
Com sonhos roubados á terra
Fresca… depois de lavrada?
Mas cantem como cantarem
Cantem com todas as cores
Que o mundo das minhas canções
É um mundo de muitos amores.
Manuel F. C. Almeida.
segunda-feira, junho 13, 2011
Silencioso o impulso
Despe-se das amarras
Da paisagem,
Bebendo a vida no vento,
Num voluntarioso gesto
De invocação dos corpos
Adormecido sinto a tua
Mão percorrer-me os sentidos
E num ultimo fulgor
Ergo a vida e deleito-me
Com a candura dos teus
Olhos, que suavemente
Me devoram numa doce e
Antecipada luxúria.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 08, 2011
Nunca lamentes, nem chores
Não recordes nem prometas
Há sempre um mundo de amores
No coração dos poetas
Não chores os amigos caídos
No labor do dia a dia
Nem os amores vividos
Quando o amor te sorria
Porque o amor não é singular
Sendo fruto desta vida
Acontece sem avisar
Na pluralidade sentida
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 03, 2011
Num tempo sem tempo
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
Todos os dias se repetem
Mas chegaste sem perguntas
Nem respostas
E eu sentei-me no alto
De uma nuvem
E o prazer brilhou no teu olhar
Sem pedir nada em troca
E eu falei dos olhares perdidos
E dos sentidos por descobrir
E sem perguntas ou respostas
Ficamos quietos a olhar o horizonte
Num tempo sem tempo
Nem o horizonte amanhece
Só o presente é real
E só no presente nos descobrimos
Tudo é finito, tudo é presente
O amanhã é acidente.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/luana%20bernardo
segunda-feira, maio 30, 2011
Elegia social
Nada pode já pintar
As cores do corpo em tédio
A indolência da vontade
Ou as simples palavras
Mudas que guardas
Dentro de ti.
Longe, nada pára o desejo
Ou o momento em que tudo
É belo e as pessoas se apresentam
Como aves do novo mundo
Entre plumagens de mil cores
E o cheiro a novidade.
Então porque não falas
Ou cantas os segredos
Da alma? Não há cobranças
A fazer e o preço a pagar
É tão baixo que não merece
Os juros do silêncio.
Não! Não queiras um teatro
De marionetas como palco
De vida, um presente indolente
Em que tudo se resume a
Uma plateia de aplausos
E um objecto decorativo.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, maio 25, 2011

Leonard Coehn
inspirou este poema
(Like a Bird on the wire)
Porque sou o que não quero
E o que quero não posso ser
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
Vivo sempre num desespero
Entre o ser e o não ser.
E o ser que na verdade
Está refém dentro de mim
Anseia pela liberdade
Com mirra, incenso, jasmim.
Mas só a minha vontade
Irá decidir o momento
Em que abraço a liberdade
E agarro uma asa de vento.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, maio 19, 2011
Eu vivo só, mas assustado
Pela multidão que me rodeia.Se falo olham para o lado
Se me calo... sou só areia.
Por tudo vivo inanimado
Preso ao mundo que fechei
É lá que sou escutado
Foi lá que me criei.
Nas margens do ser e do não ser
No único local onde existi
Faço a vida acontecer
Sei que ainda não morri
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 13, 2011
Molho os pés nas tuas águas
E rasgo as duvidas no tempo.
Planto crisântemos em vasos
Que florescem na tua voz
Com o olhar faço o teu molde
Que imprimo dentro de mim
E sopro a figura criada
Com a magia do vento
E nas flores que se desvelam
Do teu ventre feito noz
Saltam sementes de fogo
Que germinam entre nós.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, maio 09, 2011
Em 09/05/2004 escrevi este poema
Escondo-me num canto da noite
Dentro do meu pensar e sentir,Tenho o sabor dos teus lábios
Presentes, sem que os conheça
E marcam-me a alma como agulhas
Que misturam o fogo com o fogo
A agua com a agua e os corpos
Separados pela linha do tempo.
Tenho o sabor da tua pele
Sonhada no silencio das noites
E a sinfonia dos dedos
No percorrer simples
De um corpo que se ergue
Ao ritmo de compassos binários
Naquela sinfonia que sonhamos
Tocar a dois, sem linhas de tempo
Ou realidades escondidas
Escondo-me num canto da noite
E na ternura antecipada de um beijo.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/Papion
sexta-feira, maio 06, 2011
Solta o silêncio
Contido
No ruidoso silêncio
Que o silêncio que te
Habita
É o silêncio
De mim.
Abraçamos o silêncio
Que se espraia
Entre nós
Como se não houvesse
Vida
Na voz
Pouco a pouco
Devagar
Mas como bicho de traça
Vai-se o amor no olhar
E o silêncio
Já não passa.
E mesmo quando
Em silêncio
Teimamos em manter
Este fio
Burla-mos o que já
Foi amor
E que é hoje apenas
Cio.
Manuel F. C. Almeida
foto http://olhares.aeiou.pt/rodrigomolina
domingo, maio 01, 2011
Agarro o sol, que se me dá
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
Solto o espírito no vento
E o olhar nas ondas,
E nunca me perco da liberdade
Que generosamente conquisto
Devagar.
Contemplo a magia das flores
Em que água, vento e sol se
Transformam
E no verbo liberto o que sou
Sou parte de um todo que é beleza
E eternidade.
A minha morte é unicamente
Uma necessidade deste mundo.
A necessidade de tornar sempre
Mais belo o universo a que pertenço.
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, abril 27, 2011
Esta noite sonhei com um vale
Verdejante, entre versosE rimas que se subtraiam
Á poesia encoberta do olhar.
Nos penhascos das palavras,
A coberto da confusão
Dos conceitos, encontrei
Um nome. Um nome único
Como são todos os nomes
Porque os nomes, nomeiam
Pessoas e todas são únicas.
Era o nome “Amigo” e todas
As suas letras estavam bordadas
A ouro e era delas que a luz surgia
Para iluminar o meu vale de sonhos.
Manuel F. C. Almeida
foto: http://olhares.aeiou.pt/ddiarte
sábado, abril 23, 2011
Há uma solidão sinfónica entre
A alma e as gentes.Um hiato entre o corpo
E o sentir.
Uma vaga vazia entre o “ser”
E o existir.
Foi-se a magia que engalanava
A existência
E o que resta são apenas vocábulos
Mudos.
Até as aves perderam o nome
E limitam-se a perdidas imagens
Sem luz ou conhecimento.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, abril 19, 2011

Preso no limbo de momento
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
Segui o caminho que tracei
Das lágrimas fiz um unguento
E com ele me tratei
Caminhei sempre sozinho
Pese embora acompanhado
Só mostrava um brilhozinho
Quando me pensava a teu lado
E assim fui caminhando
Sem pressas ou rumo sequer
No caminho semeando
Malmequeres e bem queres
Manuel F. C. Almeida
fotoDDiArte
domingo, abril 10, 2011
A liberdade de alguns ou a confusão da posse
Criação infernal
De flores e pétalas
Douradas
A liberdade “que é minha”
Tem propriedades
Privadas
Não tem face,
Nem tem existência.
É minha!
Pronto! paciência.
Que eu luto todos os dias
Pela causa da liberdade
Neste mundo de opressão
Mas o objecto “meu”
Encondo-o na palma da mão.
Viva então a liberdade
De quem comigo caminha
Desde que a liberdade só viva
Na liberdade que é minha.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, abril 06, 2011
Teimosamente recuso
As minhas faces reais
E dentro de mim, em refugio,
Vivo dilemas morais
Quem eu sou? É meu tormento.
Tanta é a confusão
Entre o que sou quando “ sou”
E a minha existência no vento.
E lá vou, vendendo a imagem
Que prometi não vender… ~
Fujo para outra margem
Quando me quero esconder.
E só, diante de um espelho
Que parti em mil pedaços
Vejo mil imagens pequenas
No encalço dos meus passos,
Persigo-me sem me encontrar
Nunca sei a quem seguir.
Se aquele que vive o presente
Se um outro que está para vir.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, março 31, 2011
quarta-feira, março 23, 2011

Estamos quietos, pacientes.
Os cães comem os restos da noite
E na penumbra solta-se um poema rebelde.
As damas envelhecem no sonho da eternidade
A mirarem esbeltos corpos de jovens Adónis que elas possuem
No segredo e no silêncio da solidão.
Demoradamente afago os testículos
Num prazer animal tão criticável
Como o arrancar pelos púbicos a uma santidade.
Descerro a hipócrita lápide "Para sempre"
Num verso complicado e cheios de nomes,
Entre cantares solitários e companhias presentes.
As musas cobrem-me o sonho num festim de sexo
E máscaras de lágrimas reprimidas.
O prato principal foi servido quente
E a geometria toma conta da existência.
Todo o poema se encontra encerrado
Nas pregas vermelhas da minha loucura
E teima em se descobrir á tona da demência
Saudável dos corpos em êxtase.
Teço uma teia com as faces incógnitas
Mas vivas do passado.
E nas ruas de uma qualquer cidade já morta
Pela moral e pelos bons costumes
Os corpos nus dos homens e mulheres,
Teimam em se manter como faróis da liberdade.
Manuel F.C. Almeida
domingo, março 20, 2011

DIA MUNDIAL DA POESIA
No canto da noite
Escondem-se os poetas
E as vidas.
No canto da noite
As ondas choram
Repetidas,
No canto da noite
A tua ausência
São asas perdidas.
Manuel F. C. Almeida
foto cassio sales
quinta-feira, março 17, 2011

Solta o silencio
contido
nesse silencio
de ti
que o silencio que
te habita
é o silencio
de mim.
Abraçamos os silencio
que se espraia
entre nós
como se não houvesse
vida
na voz.
Pouco a pouco,
devagar,
mas como bicho de traça
vai-se o amor no olhar
e este silencio
não passa.
E até, quando em
em desejo,
teimamos em burlar
o silencio
Burlamos o que
já foi amor
e é hoje apenas
cio.
Manuel . C. Almeida
domingo, março 13, 2011

Era tarde na avenida da liberdade
Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.
Manuel F.C. Almeida
Artistas desconhecidos deambulavam
Na sombra secreta das árvores.
As putas percorriam a calçada
De cigarro na mão e saia curta.
Um bêbado dormitava num banco
Indiferente ao som constante dos carros.
A polícia percorria de carro a avenida
Na ânsia doentia do acontecimento
Inesperado da função.
Impecavelmente vestido o desconhecido
Percorreu a avenida, trocando olhares
Com as putas, com o bêbado e com a polícia.
Cansado, sentou-se num banco
Podre pelos dejectos dos pombos…
Como é bela a avenida da liberdade
Em part time.
Manuel F.C. Almeida
fotoIsabel Arim
terça-feira, março 08, 2011

Ao meu amigo
"MIMI" CABOZ
E
A TODOS
OS AMIGOS
QUE PARTIRAM
Já partiste
Meu amigo.
Do teu passado
Resta a tristeza
De um olhar
Ausente
E a mágoa
Presente
De te re(perder).
E foste
Caminhaste
Como todos
Os amigos
Partem um dia,
Sem tristezas
Ou promessas
Por cumprir
Simplesmente
Procuras no tempo
O teu lugar.
Manuel F.C. Almeida
fotojoao chaves
domingo, março 06, 2011

Já se foi a inocência
Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.
Numa barca de espuma
Levada pelas correntes
Dos dias.
Teimamos em ser crianças
Mas as marcas no olhar
E as feridas da alma
Recordam-nos sempre
A nossa condição.
Já se foi a inocência
E os sonhos…
Guardo-os na palma da mão.
Manuel F. C. Almeida
foto: SaMY
quinta-feira, março 03, 2011

Na neblina da manhã
Ergo a cabeça e olho
Para traz.
Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.
Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.
Encontro-me, onde não estou.
Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.
Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.
Manuel F. C. Almeida
Ergo a cabeça e olho
Para traz.
Foram bons os dias
E os anos.
Agora vestígios de alma
Vão caindo um a um.
Até a nudez dos sentidos
Se vinca no olhar.
E no deslumbramento
Que é existir.
Encontro-me, onde não estou.
Na neblina matinal
Recordo os olhares
As mãos, os lábios
E os cheiros
De tantas gentes.
Recusar o esquecimento é
Prova de vida que se basta.
Manuel F. C. Almeida
FOTO:Marcio Murilo Pilot
domingo, fevereiro 27, 2011

Só a culpa inibe
O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.
Manuel F. C. Almeida
O olhar da nudez
Na dança instintiva
Do desejo.
Os deuses que se ouvem
Em nós
E nos cobrem com a sua vergonha,
São os mesmos que rejubilam com
O festim da guerra santa.
Manuel F. C. Almeida
fotoDDiArte
terça-feira, fevereiro 22, 2011


Cai-me o olhar, lentamente
No tempo que teimo em não deixar
Tocar-te a mão, suavemente
E recusar partir, sempre ficar
E não entendes (porque não sentes)
O sentido deste meu teimar
É nas memórias vivas e quentes
Que guardo o néctar do teu beijar
E mesmo quando passas altiva
Indiferente ao tempo e ao falar
Mantenho aqui, guardada e viva
A doce memória do nosso amar
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, fevereiro 18, 2011
sábado, fevereiro 12, 2011
segunda-feira, fevereiro 07, 2011
Na minha mortalha
Descanso.
Finalmente repouso
Dos dias distantes e frios
Do teu olhar,
Do vazio dos gestos
Por dizer,
E das palavras ditas
Por fazer.
Na minha mortalha
Já não caminho a tua alma
Nem aspiro a conhecer
O teu corpo.
Na minha mortalha
Revivo a minha vida,
Prestes a levantar-me
E a recusar a morte
No teu não querer.
Manuel F. C. Almeida
Descanso.
Finalmente repouso
Dos dias distantes e frios
Do teu olhar,
Do vazio dos gestos
Por dizer,
E das palavras ditas
Por fazer.
Na minha mortalha
Já não caminho a tua alma
Nem aspiro a conhecer
O teu corpo.
Na minha mortalha
Revivo a minha vida,
Prestes a levantar-me
E a recusar a morte
No teu não querer.
Manuel F. C. Almeida
fotoSAGHER
quarta-feira, fevereiro 02, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011

Digo-te adeus, porque te digo
Que os silêncios são barreiras
Construídas na mente,
São vida fossilizada
Pela ausência e pelo tempo,
São horizontes num
Universo paralelo,
São olhares vazios
Sem objecto,
São palavras vivas
E não soletradas
Digo-te adeus, porque te digo
Que o amor é algo mais
Que o corpo em fogo,
É desejo de beber
O néctar de mil papoilas,
É procurar o universo
No outro olhar,
É sentir nas mãos
O aroma de mil frutos,
É ser desassossego
No ser.
Digo-te adeus, porque te digo
Que somos palavras por dizer
Que não estão apaixonadas.
Manuel F. C. Almeida
Que os silêncios são barreiras
Construídas na mente,
São vida fossilizada
Pela ausência e pelo tempo,
São horizontes num
Universo paralelo,
São olhares vazios
Sem objecto,
São palavras vivas
E não soletradas
Digo-te adeus, porque te digo
Que o amor é algo mais
Que o corpo em fogo,
É desejo de beber
O néctar de mil papoilas,
É procurar o universo
No outro olhar,
É sentir nas mãos
O aroma de mil frutos,
É ser desassossego
No ser.
Digo-te adeus, porque te digo
Que somos palavras por dizer
Que não estão apaixonadas.
Manuel F. C. Almeida
fotoMRVM
quarta-feira, janeiro 19, 2011

E de repente com as mãos
Rasgaste a vontade
E esqueceste o sonho.
Esculpiste o coração
E colocaste-o numa caixinha
Escondida dos olhares do mundo.
Olhaste e recuperaste o passado
Mas sem coração não há magia
E tudo transparece um dia,
Como um vidro.
Então o que vês é o que queres,
O que escolheste.
E nunca o que o coração
Pintou com as cores
Da vontade.
Esse quadro será sempre
Só teu. Guardado num recanto
Da alma.
Manuel F. C. Almeida
Rasgaste a vontade
E esqueceste o sonho.
Esculpiste o coração
E colocaste-o numa caixinha
Escondida dos olhares do mundo.
Olhaste e recuperaste o passado
Mas sem coração não há magia
E tudo transparece um dia,
Como um vidro.
Então o que vês é o que queres,
O que escolheste.
E nunca o que o coração
Pintou com as cores
Da vontade.
Esse quadro será sempre
Só teu. Guardado num recanto
Da alma.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, janeiro 14, 2011

É nestes dias em que chuva
Diz presente, que me cubro
Com o mistério da ausência
E procuro entender a vida.
Então olho para dentro de mim
E tacteio os amores do tempo
Na ânsia de reencontrar
O calor das almas esquecidas.
Porque em cada corpo possuído,
Em cada olhar que deixei cair
Teima em vibrar uma corda
Que me une a todos eles.
E sinto o mundo comprimido
No silêncio estéril do passado.
Manuel F. C. Almeida
Diz presente, que me cubro
Com o mistério da ausência
E procuro entender a vida.
Então olho para dentro de mim
E tacteio os amores do tempo
Na ânsia de reencontrar
O calor das almas esquecidas.
Porque em cada corpo possuído,
Em cada olhar que deixei cair
Teima em vibrar uma corda
Que me une a todos eles.
E sinto o mundo comprimido
No silêncio estéril do passado.
Manuel F. C. Almeida
fotoAndré Luiz Pires
domingo, janeiro 09, 2011
Com garras de vida
Rasgo o pensamento
E dilacero-o em mil pedaços
Que teimo em lançar
Aos deuses.
Um poema,
Uma estrada,
Um caminho sem sentido
Uma pergunta de espanto
Que margens terá
O meu rio?
Manuel F. C. Almeida
Rasgo o pensamento
E dilacero-o em mil pedaços
Que teimo em lançar
Aos deuses.
Um poema,
Uma estrada,
Um caminho sem sentido
Uma pergunta de espanto
Que margens terá
O meu rio?
Manuel F. C. Almeida
foto: SAGHER
quarta-feira, janeiro 05, 2011

E a olhar o teu olhar eu não me via
No reflexo vivo dos teus olhos
E a seguir-te os passos eu não seguia
O estranho mundo dos teus sonhos
E assim desbravámos este caminho
Estranhos no ser, estranhos no estar
E na nudez dos corpos bordámos a linho
As letras do verbo que se diz amar
Mas os olhos e o verbo sempre revelam
A verdade que se teima em esconder
E os dias que passam sempre desvelam
Os segredos guardados dentro do ser.
Manuel F. C. Almeida
foto Alexandre Grand
sábado, janeiro 01, 2011
segunda-feira, dezembro 27, 2010

A visão do futuro
Massacrado contra
A vida
É a última esperança
Que resta
Nos dias sitiados
Do presente.
Manuel F. C. Almeida
Massacrado contra
A vida
É a última esperança
Que resta
Nos dias sitiados
Do presente.
Manuel F. C. Almeida
foto:JET ...
terça-feira, dezembro 21, 2010
quarta-feira, dezembro 15, 2010

Caminhas pelo horizonte dos meus sonhos
Com o passo delicado de uma história
No mais reprimido mapa da memória
Esconde-se o teu corpo dos meus olhos
Caminhas devagar e sem o saber
Percorres as páginas da minha existência
Meus braços abraçam a tua ausência
Meus lábios cantam-te no meu viver
Prisioneiros somos neste universo
De estrelas que brilham como diamantes
De poemas escritos, jóias de amantes
Que descrevem a vida, verso ante verso.
Manuel F. C. Almeida
Com o passo delicado de uma história
No mais reprimido mapa da memória
Esconde-se o teu corpo dos meus olhos
Caminhas devagar e sem o saber
Percorres as páginas da minha existência
Meus braços abraçam a tua ausência
Meus lábios cantam-te no meu viver
Prisioneiros somos neste universo
De estrelas que brilham como diamantes
De poemas escritos, jóias de amantes
Que descrevem a vida, verso ante verso.
Manuel F. C. Almeida
fotoJoão de Castro
sábado, dezembro 11, 2010

E consome-se o tempo
Com o tempo que nos consome
A alma.
Os sons, simples segundos
De passagem, são uma quimera,
Uma miragem;
Borboletas na paisagem.
E os olhos que encontram olhos
Para neles se perderem
Fixam a máscara do que foi
E nunca “é”
Porque o agora
Não se desvenda sem a soma
Do tempo que há-de vir.
Só o passado é existência.
Só o meu sonhar existir.
Com o tempo que nos consome
A alma.
Os sons, simples segundos
De passagem, são uma quimera,
Uma miragem;
Borboletas na paisagem.
E os olhos que encontram olhos
Para neles se perderem
Fixam a máscara do que foi
E nunca “é”
Porque o agora
Não se desvenda sem a soma
Do tempo que há-de vir.
Só o passado é existência.
Só o meu sonhar existir.
Manuel F.C. Almeida
fotoPost Scriptum
segunda-feira, dezembro 06, 2010

Sim, eu sei que me fascinam
As folhas perdidas no tempo
E as aves que voam sem rumo.
Sei também que os elementos
Me fascinam, tal como me
Fascinam as pessoas. No fundo
Tudo me deixa fascinado.
Da organização marcial dos
Formigueiros,
À existência de perguntas
Por fazer.
Sim eu sei que tudo me fascina
Especialmente a estranha
Diversidade das coisas
As folhas, as aves, as gotas de água
De todos os oceanos.
Mas o que mais me fascina é esta
Incessante procura de dar sentido
À vida humana,
Acaso o oceano procura
Explicar-se?
Ou uma folha de Outono
Se recorda de como foi a primavera?
Ou as aves explicam os motivos
Da sua aparente vivência caótica?
A vida é tão simples,
Como pudemos destrui-la?
As folhas perdidas no tempo
E as aves que voam sem rumo.
Sei também que os elementos
Me fascinam, tal como me
Fascinam as pessoas. No fundo
Tudo me deixa fascinado.
Da organização marcial dos
Formigueiros,
À existência de perguntas
Por fazer.
Sim eu sei que tudo me fascina
Especialmente a estranha
Diversidade das coisas
As folhas, as aves, as gotas de água
De todos os oceanos.
Mas o que mais me fascina é esta
Incessante procura de dar sentido
À vida humana,
Acaso o oceano procura
Explicar-se?
Ou uma folha de Outono
Se recorda de como foi a primavera?
Ou as aves explicam os motivos
Da sua aparente vivência caótica?
A vida é tão simples,
Como pudemos destrui-la?
Manuel F. C. Almeida
fotoFernando Bagnola
sexta-feira, dezembro 03, 2010

Sinto que o tempo se acaba
Aqui
Nesta alegórica existência
Sem sentido
Na procura do poema perdido
Em mim
Que cante a minha verdadeira
Face
Na margem em que a coragem era
Vida
E o coração uma arma apontada
À esperança
Mas é tempo de silenciar
Os sonhos
E deixar de pintar as palavras
Com o teu nome.
Manuel F.C. Almeida
Aqui
Nesta alegórica existência
Sem sentido
Na procura do poema perdido
Em mim
Que cante a minha verdadeira
Face
Na margem em que a coragem era
Vida
E o coração uma arma apontada
À esperança
Mas é tempo de silenciar
Os sonhos
E deixar de pintar as palavras
Com o teu nome.
Manuel F.C. Almeida
fotoDiogo Pereira
segunda-feira, novembro 29, 2010
E quando nada acontecer
Vou escrever um poema
Com letras de prata
E pontuação dourada
Vou escrever um poema
Com letras de prata
E pontuação dourada
Onde me leva esta estrada.
Manuel F. C. Almeida
fotoSAGHER
sábado, novembro 27, 2010

Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer
Nem o paraíso dos meus olhos
Ou a alegria incontida
Dos sonhos,
Podem resumir o que se não vê.
Como é difícil escrever
O que não se lê,
O que não se sente…
Ou o que se sente
Mas não se quer escrever
Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer.
Manuel F.C. Almeida
Sem nada ter para dizer
Nem o paraíso dos meus olhos
Ou a alegria incontida
Dos sonhos,
Podem resumir o que se não vê.
Como é difícil escrever
O que não se lê,
O que não se sente…
Ou o que se sente
Mas não se quer escrever
Como é difícil escrever
Sem nada ter para dizer.
Manuel F.C. Almeida
fotozul-photo
quinta-feira, novembro 25, 2010

Consome-se o tempo
Com um futuro esperado
E esquecemos que a vida
É somente um grão de areia
No universo encrespado
Manuel F. C. Almeida
fotoJET ...
domingo, novembro 21, 2010

Canto no tempo
Agarro o firmamento no horizonte
ancorado no olhar,
os sentidos percorrem o espaço
e a imaginação solta-se
na dança incessantedas águas.
Sou uma crisálida de palavras
Ocas, um cálice sem néctar
Ou fogo sagrado,
Sou homem,
Sou história,
Sou fado.
Só no canto liberto
Esta chama
Do meu pesadelo
Acordado
Manuel F. C. Almeida
foto:João de Castro
quarta-feira, novembro 17, 2010

Já ia alto o sol
Quando me conheci.
Não ouvi sons,
Nem acordei as aves.
Fixei-me num ponto
Obscuro do horizonte
E deliciei-me com
A memória das memórias
Coladas a mim.
Em uníssono a tarde caiu
E deixei de me reconhecer
Só a luxúria de outros corpos
Me permite resgatar quem sou.
Manuel F.C. Almeida
Quando me conheci.
Não ouvi sons,
Nem acordei as aves.
Fixei-me num ponto
Obscuro do horizonte
E deliciei-me com
A memória das memórias
Coladas a mim.
Em uníssono a tarde caiu
E deixei de me reconhecer
Só a luxúria de outros corpos
Me permite resgatar quem sou.
Manuel F.C. Almeida
fotoABrito
sexta-feira, novembro 12, 2010
domingo, novembro 07, 2010

Desespero frente ao poema
Por nascer.
Não sei quem sou
Muito menos quem fui.
Perco o passado na escrita
Perco a escrita no olhar.
Vagueio por amores
Sem face.
Invento diamantes
Telúricos
E sinto os ventos
No aconchego da alma.
No desespero dos
Poemas por nascer
Acabo sempre por
Me encontrar
E me perder.
Manuel F. C. Almeida
Por nascer.
Não sei quem sou
Muito menos quem fui.
Perco o passado na escrita
Perco a escrita no olhar.
Vagueio por amores
Sem face.
Invento diamantes
Telúricos
E sinto os ventos
No aconchego da alma.
No desespero dos
Poemas por nascer
Acabo sempre por
Me encontrar
E me perder.
Manuel F. C. Almeida
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