sábado, fevereiro 13, 2010


















E nas nuvens que teimam em fugir
Eu vejo o teu sorrir
No encontro de amanhã
O teu cheiro, que paira sobre mim
É o cheiro de um jardim
Que visito pela manhã
E sentado eu agradeço à vida
Toda a beleza vivida
NAs telas que criei
E a pele, tão fresca e tão pura
Tão cheia com ternura
No corpo que inventei
E o tempo, o tempo que nada diz
Que é só pedra de giz
Que teima em não parar
Dá-me o sonho, deixa-me ser senhor
Ser todo o teu calor
Num mundo para cantar
E eu revejo, o sol no teu olhar
Na tua boca o mar,
Nesse teu corpo o… céu
Fecho os olhos, procuro no meu ser
O melhor que posso ter
Para melhor ser teu
E a brisa da nova madrugada
Desenha uma alvorada
E tu vens a chegar
De repente e por um breve instante
Tu és um diamante
Pedra por lapidar
E então tudo desaparece
É o mundo que acontece
Se descobre ao beijar
Finalmente eu vou ganhar coragem
Para partir em viajem
Eu sei onde parar
Vou parar nas bermas no teu ser
E ai eu vou dizer
Tu és meu cantar.


Manuel F. C. Almeida


quarta-feira, fevereiro 10, 2010












Somos produto do acaso
Vencedores de uma corrida
Só a morte nos liberta
Da ilusão que é a vida

Actores de algumas memórias
Que vivem em que nos amou
Saudades, risos, histórias
Espaços que o corpo ocupou

Átomos, moléculas, partículas
Animadas em segredo
Em nada diferentes de um rio
Que morre sem nunca ter medo

Manuel F, C, Almeida


domingo, fevereiro 07, 2010



















Descubro as folhas caídas
Em florestas perdidas
De amores naufragados.
E entre os meus dedos
Escorrem os segredos
Dos dias adiados.
E no pensamento
Beijo as memórias
De amores enterrados.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 03, 2010













Ao alto
Eu ergo esta mão.
Martelo, aço, bigorna.
Espada triste,
Espada morna
Que corta o teu corpo
Em pedaços.
No retorcer dos desejos,
Na explosão dos
Abraços.

Manuel F. C. Almeida

sábado, janeiro 30, 2010


















Só as notas mágicas
De um piano a descobrir
Me fazem descerrar
As flores de Abril,
No labirinto das sílabas
Que um dia foram
Verdade
Recordo as caras
Amigas com cores de
Liberdade
E neste jardim
Onde estou
Nesta terra sem encantos
Levanto bem alta
A saudade
Das notas daquele piano
Que gritavam
Liberdade

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 25, 2010



















Viajo no tempo
Levado pelas asas
Que a vida me deu,
E de minuto em minuto,
De pétala em pétala
Recordo o sonho
Que nunca morreu

Ter o meu corpo
Colado ao teu

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, janeiro 21, 2010



















Assim, como sou,
Questionando sempre
O teu olhar
Que por vezes se perde
Em caminhos de encantos
Perdidos.
Assim, como sou,
Reinvento-me sempre,
Primavera que se interroga
Sobre que sentidos
Segue o teu
Olhar.
Assim, como sou,
Pronto para te resgatar

Manuel F. C. Almeida



domingo, janeiro 17, 2010















Há janela namorava
O mar
Aquela imensidão de vida,
Em silêncio
Namorava.
Até descobrir um dia
Que o meu coração
Lá morava.
E não existia horizonte
Nem quartos para dormir
Tudo aquilo era o meu ser
Que se dava a descobrir
Só então entendi
O sabor dos dias a sal.
Porque gosto do azul
Porque gosto do coral
E numa brisa mais fresca
Num poema intemporal
Descobri que a minha vida
Não vale nada afinal.

Manuel F.C. Almeida


foto SAGHER

quinta-feira, janeiro 14, 2010



















Caminhos,
Tenho tantos percorridos.
Tantas paisagens na alma
Que já nem todas bem recordo.
Ficaram os cheiros,
A suavidade dos corpos,
O veludo táctil da pele,
Os sabores colhidos nas paisagens
E esta inquietude que me impele
Ao encontro do futuro

Manuel F.C. Almeida


segunda-feira, janeiro 11, 2010














fotoolhares.aeiou.pt/sagher

Há o passado e o presente
O que foi e o que é
Há um futuro ausente
Em frente de cada pé
Há um sonho de vento
Em asas que querem voar
Há um tempo em que o tempo
Mais parece não andar
O que fui e já não sou
O que virá ao andar
São coisas que um vento levou
E acções do meu cantar.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 08, 2010














fotoSAGHER

Há nas nuvens que passam
Notas de piano perdido,
Uma porta que se abre.

E as notas caem como
Estrelas de magia
E a vida rejubila
Numa infindável orgia.

Na melancolia invernal
É onde nasce a alegria.

Manuel F.C. Almeida

domingo, janeiro 03, 2010


















Gosto da chuva, do cair da luz,
Da suavidade
Gosto desse teu ar, da promessa vã
Da eternidade.
Gosto só porque gosto e porque acredito
No retomar das ondas,
No ritmo alegre do crepitar da chuva.
Gosto de ti, tal como gosto
Da lua
Que dia a dia se descobre sempre
Pura, sempre nua
Gosto de pensar que te gosto
Entre um sorriso e o cheiro
Do sexo desenfreado
E entre os lençóis que nos guardam
O cheiro doce de amar.
Gosto de ti…
Meu mundo, meu sonho, meu lar.

Manuel F.C. Almeida

fotoPaulo Almeida (Pasma)

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Com a chegada do novo ano os blogues de Castro Verde comaçam a desaparecer, valha-nos a certeza de que nas próximas autárquicas voltarão. Mas para que se recordem dos dados sobre o concelho aqui deixo uma tabela roubada ao http://alvitrando.blogs.sapo.pt/

Sines e Mértola em 1º e último lugar no Ranking do IQV dos municípios alentejanos
Segundo o Índice Concelhio de Qualidade de Vida dos municípios do Continente, realizado pela Universidade da beira Interior, os municípios alentejanos classificados nos dez melhores e nos dez piores lugares foram:

MELHORES:

20º - Sines – 128,6

31º - Évora – 117,0

41º - Vila Viçosa – 107,7

57º - Beja – 103,4

66º - Portalegre – 100,1

69º - Campo Maior – 99,7

82º - Vendas Novas – 94,9

89º - Elvas – 92,9

96º - Borba – 89,8

97º - Castro Verde – 89,7

PIORES:

207º - Crato – 53,6

213º - Monforte – 51,0

219º - Marvão – 49,8

223º - Gavião – 47,9

228º - Avis – 45,6

238º - Almodôvar – 41,8

239º - Ourique – 41,7

250º - Portel – 36,5

251º - Alandroal – 36,3

255º - Mértola – 34,5

Os Municípios da AMCAL obtiveram as seguintes classificações:

124º - Viana do Alentejo – 82,0

133º - Alvito – 77,8

139 – Vidigueira – 76,5

181º - 62,4

250 – Portel – 36,5


e a todos os que gritavam aos quatro ventos o "atraso" de que esta vila padecia face aos seus vizinhos fica a interrogação:
era algo de concerto ou mera demagogia eleitoral?

Manuel Almeida ( que foi ao alvitrando buscar o texto sobre os rankings)

domingo, dezembro 27, 2009













O meu terraço é o oceano.
Entre o azul do Céu
E o prateado dos peixes.
Ali fixei o meu mundo
E me fechei no silêncio
Das sombras do passado.

Manuel F. C. Almeida


quarta-feira, dezembro 23, 2009


















Procuro o teu respirar
No interior do pensamento.
E dentro...
Encontro as margens cálidas
Da memória
E o crepitar de odores
Do teu corpo.

Manuel F. C. Almeida

domingo, dezembro 20, 2009


















Dai-me o silêncio da alma
A nudez adocicada do olhar
E o sabor de uns lábios
Roubados ao mar

Dai-me o canto das águas
Os gestos de vento e claridade
E o abrir do coração
Nos braços da liberdade.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, dezembro 17, 2009



















Tenho-te procurado,
Na fronteira do tempo
Onde as palavras se descobrem
Em cada verso que flutua perdido.
Tenho-te procurado,
No limiar das marés
Onde os poemas se desfazem
Em rumores perdidos de espuma.
Tenho-te procurado,
Nos silêncios do anoitecer
Onde os olhares se vestem
De solidão e abandono.

Será que tenho procurado
Nos locais certos?

Manuel F. C. Almeida



fotoJosé d\' Almeida & Maria Flores

segunda-feira, dezembro 14, 2009



















Gin tónico
Caipirinha
Correr atrás
Da vidinha
Venha branco
Venha tinto
Pode até ser
Absinto.
Vem uma salada de polvo
Choco frito de seguida
E engano-me a mim
E ao mundo
Com esta merda de vida

Manuel F. C. Almeida


sexta-feira, dezembro 11, 2009



Na boa e velha tradição




da poesia pornopopular









Passo-te os lábios pelos seios
A mão pela húmida greta
Descubro então os anseios
Nessa pintelheira preta

Tu agarras o meu falo
Erecto como um menir
Com ele a boca te calo
E ponho-me então a grunhir

Em jeito de agradecimento
E para teu grande prazer
Da língua faço um tormento
Que te põe louca a gemer

E de gemido em gemido
De loucura em loucura
Sentimos o corpo dorido
Numa foda de ternura.

Manuel F. C. Almeida


fotoABrito

terça-feira, dezembro 08, 2009



















Teu corpo,
Poema de água
Complexo
Grita.
Adormecem-te os sonhos.
E o presente.
Quando acordas
É sempre em frente.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, dezembro 03, 2009















E quando um dia
As letras dançarem
Ao som do luar
Vão formar ao acaso
Os versos por dizer
Quando te amei
Em silêncio.

Manuel F. C. Almeida


domingo, novembro 29, 2009



















Com os teus dedos cegos
Tocas o rosto.
Trespassas o silêncio.
A tua alma ausenta-se;
E a beleza poética que
Vive nuns lábios anónimos
Sabe-te a sangue
E a memórias apunhaladas.

Com os teus dedos cegos
Tocas o rosto
E cego vês a
Vida que foge
Amordaçada.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 26, 2009














E sempre que á noite nos tocamos
E aos nossos dedos damos asas
É a primavera que encontramos
Escondida em nossas casas

E quando as nossas vozes enlouquecem
E nossos corpos se saciam
Há flores que brotam e que nascem
Onde em tempos idos flores jaziam

Mas manter acordada esta chama
Que brota de uma fonte que é secreta
Obriga a consciência de quem ama
A ter o outro, não como fim, mas como meta.

Manuel F. C. Almeida


segunda-feira, novembro 23, 2009


Vão-se os dias a olhar para lado nenhum,
Vão-se as horas de puro lazer
O teu corpo é agora um estranho
Para o estranho que és
Olhas-te e não te reconheces,
Pensas-te e não sabes como te pensar
A teu lado um filho homem, jovem e belo
Tão belo como tu em tempos foste
Causa-te estranheza
Uma certa inveja e revolta
Porque vivas no corpo que viveres
Tu vais pensar-te sempre
Como jovem.
E o teu filho é a medida
Da tua juventude.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 19, 2009














Canto a mingua desta vida
Feita de ilusões e de mentiras
Com pregões de verdes dias

Leiloeiros de abastança
Vendem mil paraísos
Em campos de olhos vendados

E embriagados pelo sonho
Da fortuna da sorte
Adiamos decisões, até ao dia…
Da morte.

Canto a vã e falsa esperança
De uma felicidade adiada
Porque a vida que nos vendem
Não é vida não é nada.

Manuel F. C. Almeida


fotoSAGHER

sábado, novembro 14, 2009













Olhar o mundo é
Entender
Que a fragilidade
Da vida
Se descobre
Na morte
Dos amigos.

Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, novembro 12, 2009















Viver é tão somente
Acordar todos os dias
Com o olhar no presente.
É saber ler em compasso
O espelho sempre a sorrir
E em cada segundo que passa
Ser alavanca do agir.

Manuel F.C. Almeida
foto:SAGHER

segunda-feira, novembro 09, 2009



















Amar-te uma, duas, três
Como se fossem sempre
A última vez

Beijar-te o pés, os lábios o ventre…
Beijar-te como se
Fora demente

Dar-te o meu corpo, a alma, o ser
Dar-te num olhar
O desejo de te ter.

Manuel F.C. Almeida

foto:Luis Mendonça

quinta-feira, novembro 05, 2009













Olhar cheio, um sorriso
Uma mão a convidar
Uma carícia na face
Um ventre para beijar

Umas coxas que se abrem
Num gesto que nos convida
A descobrir nesse corpo
O segredo para a vida

E assim se fala de amor
Daquele amor animal
Que quando acontece
Se revela natural

Tudo o resto são cantigas
Palavras que voam no vento
Máscaras de uma verdade
Que fica nua com o tempo.



Manuel F.C. Almeida



fotoVictor Melo

terça-feira, novembro 03, 2009



















E a cada dia que passa vamos ficando mais pobres.

domingo, novembro 01, 2009













Percorri vales e montes,
Campos pintados de cores.
E as faces que sempre encontrei
Vinham carregadas de flores
Eram rosas, eram lírios
Eram orquídeas selvagens
Eram mosaicos pintados
Faces nas minhas viagens
Percorri então o mundo
Com as cores do coração
E um dia quando parei
Eu tinha o mundo na mão
Tinha visto tanta coisa
Tanto lugar encantado
Tanta dor e tanta luta
Tanto homem destroçado
Só faltava olhar para mim
Revisitar o meu ser
Pintar a alma que um dia
Eu quase deixei esquecer.



Mnuel F.C. Almeida



fotoLuis Azevedo

quinta-feira, outubro 29, 2009

















Os meus versos nascem
Dos meus olhos
Da luz que os ilumina
Toda a hora

Do espanto que se descobre
Quando a vida se
Desflora.

Manuel F.C. Almeida

fotoXanadu

segunda-feira, outubro 26, 2009















Negam-te o tempo e a vida
A luz e o respirar
Negam-te o direito a sentir
O abraço do luar
Negam-te todo o direito
Que te foi dado ao nascer
O direito a ser feliz
A fragrância de viver.
Negam-te até o direito
à dignidade ao morrer.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 23, 2009














Sexo aberto,
Sexo flor
Murcham as pétalas
Vai-se o amor.
Esconde-se o tédio
No coração
Dia após dia
Vai-se o tesão.
Fica o silêncio
Reflexo alheio
Colam-se os lábios
A um outro seio
E tudo repete
O primeiro verso
Sexo flor
Aberto em reverso.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, outubro 20, 2009












Eu quero ser o teu sonho presente
O berço do teu horizonte
A madrugada dos teus dias
A água da tua fonte

Quero ser o ninho onde adormeces
O lençol do teu sonhar
A luz onde te aqueces
O ar do teu respirar

Quero ser parte da tua volúpia
A tua luxúria sem nexo
A convulsão do teu corpo
No prazer do nosso sexo.

Manuel F.C. Almeida


foto: bricehardelin

sábado, outubro 17, 2009















Sinto-me só nos olhares
Estranhos da multidão
Sinto-me só na estrada
Em contramão
Sinto-me só nos ponteiros
Imóveis do tempo
Sinto-me só nas frescas
Brisas do vento
Sinto-me só á noite
Quando adormeço
E mais só ainda
Se um beijo te peço.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 14, 2009


















Singela prece
Que me descobres
Na teia dos dedos
Entrelaçados.
Inflama-me a face
Pintada na água
Da cor da alma
Que nunca vi.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, outubro 12, 2009



A CRÍTICA COMO MOTOR DA HISTÓRIA
MUITO RARAMENTE COLOQUEI AQUI TEXTOS SOBRE A POLITICA NACIONAL E SOBRE OS PARTIDOS POLITICOS, MAS DESTA VEZ NÃO POSSO DEIXAR DE REFLECTIR SOBRE AS REALIDADES MUNDANAS.
Beja, Sines, Marinha Grande, Vila Viçosa e Aljustrel. Cinco municípios emblemáticos para as cores do PCP. Em Beja nunca as diferentes coligações do PCP tinham perdido a direcção da câmara municipal. Aljustrel, terra de mineiros, de luta e de resistência, onde a CDU ganhou as legislativas agora caiu nas mãos do PS. Uma vitória do ex-ministro Manuel Pinho ou uma derrota do mau trabalho feito depois da saída de José Godinho?
A verdade é que a perca de 400 votos em relação a 2005 ditou que um bastião do operariado português tenha caído nas mãos de populistas e demagogos que o PS tem arregimentado a troco de lugares e benesses em organismos tutelados pela administração central. Mas só isto e a deslocação do voto útil do PPD/PSD para o PS não chegam para explicar a hecatombe da CDU e do PCP no distrito de Beja.
Desde há anos que afirmo ser a organização do PCP de Beja caracterizada pela tomada do poder, internamente no partido, pelos funcionários. Gente sem qualquer ligação às realidades locais que são enviados para os concelhos com orientações que visam apenas e só dar resposta ás suas visões sobre a realidade, incapazes de fazer qualquer tipo de autocrítica, unicamente interessados em procurar colunáveis concelhios. Gente com afirmação académica em nada ligados ao partido ou ao ideário comunista antes e só gente pragmática capaz de saltar de partido na primeira vez que lhes acenem com poder ou lugar distinto. Assim caiu Beja nas mãos de quem há muitos anos andou de braço dado com a DORB, assim têm caído outras câmaras por todo o lado. A intransigência da direcção do PCP em fazer a tão necessária autocrítica, e uma análise dialéctica das coisas tem colocado fora do partido centenas de militantes por processos enviusados e pouco claros e ao mesmo tempo tem promovido localmente gente que à primeira contrariedade não se inibe em virar costas ao partido e procurar safar a vidinha por outro lado. Tudo isto o PS agradece. Com lugares para distribuir nas mais diversas áreas da administração central, estende os seus tentáculos a toda a sociedade portuguesa.
No fundo a vitória do PS nas zonas de influência histórica do PCP deve-se exclusivamente ao facto do PCP ter hipotecado a sua vertente Marxista e ter cedido ás teses defendidas pelos funcionários. Alguns deles poderiam estar num outro qualquer partido. As suas práticas nas células onde estão colocados, há muito que deixaram de ser
Dignas de comunistas, e a análise que as populações fazem dos seus comportamentos e das suas actuações resultam em derrotas eleitorais que só a visão distorcida desses mesmos funcionários procura transformar em vitórias.
Num momento particularmente difícil para o PCP com a queda de 3 autarquias marcadamente operárias como são os casos de Sines, Aljustrel e Marinha Grande, aliado à queda da capital do Baixo Alentejo, Beja, julgo ser tempo do partido ouvir todos os militantes, debruçar-se sobre as razões que levaram a isso e tirar conclusões. Mas conclusões que não estejam marcadas pelos vícios dos responsáveis por estes recuos.
É tempo do PCP honrar a sua génese marxista.
Como curiosidade vejam-se o numero de eleitos locais eleitos nas listas do PS e PSD que em tempos militavam ou davam o seu contributo ao PCP e à CDU.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 11, 2009















Quantos meses se perderam no olhar?
O tempo no seu movimento
Teima em nunca parar.

E longe das multidões, dentro de mim escondido
Teimo em me procurar
De um tempo em que sou foragido.

Fujo de mim, do passado
Mais por hábito que por gosto
Sou ave de arribação, sou filho de todo o lado.

E faço a viagem sózinho
Com gente que me rodeia
Mas ninguém me ouve andar, é só meu este caminho.

Cruzo vales e montanhas
Riachos, ribeiras e rios,
Faces de que me recordo mas sempre faces estranhas

E quando regresso ao meu cais
E agarro as minhas memórias
O tempo tratou de fazer todas as horas iguais.

Manuel F. C. Almeida


foto: SAGHER

quinta-feira, outubro 08, 2009

















A primavera abria-se
Em mil vitrais coloridos.
Sentado num jardim
Eu escutava o riso
Cadenciado das crianças.
E sonhava
Com o doce sabor
Do teu corpo,
No tempo em que
O teu corpo
Se descobria no meu
E nos perdíamos por
Entre as giestas
E o alecrim do ventre.
Agora o Outono
Levou o riso das
Crianças e dissipou
O encantamento dos
Corpos.
As giestas e o alecrim
Já se apresentam sem
Vida…secos pelo calor
De um verão tórrido
Demais.

Manuel F. C. Almeida


foto Maria Salvador

terça-feira, outubro 06, 2009
















Cada dia que olho as estrelas
Na sua vida milenar, entendo um pouco
Mais o pó
E a vacuidade da existência.
Lá longe, tão longe que os meus olhos
Não conseguem ver o presente,
Milhares de pontos dançam e pulsam
Como se fossem pequenas velas
Plantadas ali
Pela mão dos homens.
E na escuridão que me toma a alma
Só essas pequenas velas
Me fazem sentir vivo
E recordar que a terra que piso
(e também eu)
É apenas parte de um todo
A que chamo universo.

Manuel F.C. Almeida

sábado, outubro 03, 2009














Se um dia descobrir o
Nome das coisas
Terei encontrado o berço
Do mundo.
Esconde-se onde as palavras
Nasceram e se ouviram
Pela primeira vez.
Algures, num universo
Orgânico e silencioso
Repousa o real sentido
Dos conceitos convencionados.
Nesse lugar tudo é
Como é
Tudo se descobre na nudez
De um universo que se existe
Sem se incomodar como o pensam.
Nesse lugar tudo “é” apenas o que "é"
E não como a razão o pensa.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 30, 2009

















Encontro
Desencontro
Encanto
Desencanto

E em tudo o mais
Apenas um tempo
Bordado de ilusões
E iluminado
Pela vaidade
Humana.

Manuel F.C. Almeida

domingo, setembro 27, 2009












Já me fartam os lusíadas
De monstros epicos
E cantos nacionalistas

Gosto mais dos lábios
pintados das coristas.

Manuel F. C. Almeida


foto Luiz Alvim

quinta-feira, setembro 24, 2009






Conselhos a um
jovem poeta





Paneleiro.
Punheteiro.
Mineteiro.
Palavras que não deves usar.

Brochistas
Fodilhões
Colhões
São todas para evitar.

Caralhos
Tetas
Gretas
São difíceis de rimar

Resta-te pois
Adocicar o verbo
Com o lirismo imaginário
De um vate
Não ordinário

Porque Bocage
Só se admitiu
Porque o povinho
Gostou dele...
E sorriu

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, setembro 21, 2009



A joão de César Monteiro



(Que morreu a 3 de Fevereiro de 2003)









A pátria dita, cantada
A pátria inventada

Uma bandeira, ilusão
A bandeira, divisão

Um hino, gritado no vento
Orgulho, partilha, excremento

Uma língua, cultura que se herda
É tudo história, é tudo merda.


Manuel F C. Almeida

sexta-feira, setembro 18, 2009



















Em mim, há uma mão
Misteriosa e distante
Que parece indicar
O caminho certo;
O caminho que não conhece
Fronteiras ou a cor da
Minha alma.

O caminho que não conhece
A verdade ou as palavras
Escondidas e impuras.

Em mim há uma mão
Que não sente o sopro
Do vento
Nem a corrente fria
Das águas
Que deslizam no
Pensamento.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, setembro 15, 2009













Inconsequente procura
Das palavras .
Cíclica rotina
Das lavras.
O teu corpo em suor
O cavas
O sexo institivo
Lavas
Na impassível moral
Das larvas
E da merda de vida
Que escavas.

Não escapas.

Manuel F. C. Almeida

sábado, setembro 12, 2009













A morte dos homens
É espera, terror,
Angustia antecipada.
Temor,
Da presença perdida...
Nos homens, a morte
É a consciencia da vida.

Manuel F.C. Almeida