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Caí em mim.
Na sedução da penumbra
A silhueta move-se
Numa dança natural.
E o meu corpo,
Numa lascívia antecipação,
Espera o encontro
Com o universo do desejo.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

Caí em mim.
Na sedução da penumbra
A silhueta move-se
Numa dança natural.
E o meu corpo,
Numa lascívia antecipação,
Espera o encontro
Com o universo do desejo.
Manuel F. C. Almeida

foto Valter Okumoto
Soltas no vento, as folhas dançam
Ao sabor dos dias de invernia
E em teus olhos as aves cantam
Canções passadas, melancolia
Não trazes flores presas no olhar
E nas mãos dissolves o ocaso
Teus lábios recordam a cantar
Aquele amor vivido por acaso
Pudesse eu esquecer o teu sabor
Seria livre, e não um escravo
Das memórias vivas, teu amor
Dos mil odores, rubro cravo
Manuel F. C. Almeida

foto:SAGHER
Os olhos. Sim
Os olhos de quem
Me escreveu
São olhos
Que me contam
Os segredos de um Outono
De folhas caídas,
De gotas que
Vivem nas teias
Da madrugada
E se escondem na
Dança obscena
Do ventre.
Manuel F. C. Almeida

foto:nuri
Perco a face
Nos limites da memória
E se as mãos
Se encontram
No respirar do ventre
Só o teu olhar
Me liberta
Do esquecimento.
Manuel F. C. Almeida

OS DEDOS
foto:angelica
Ao meu olhar,
Os teus dedos
São flechas
Hábeis
Nos jogos
Imperceptíveis
Do prazer.
Manuel F. C. Almeida



PORNO SATIRICA
FOTO:Daniel Oliveira
Mariana, brincalhona
Danada prá brincadeira
Adorava dar à cona
E rapar a pintelheira
No broche era rainha
E de nalguinhas pró ar
Dava o cú e a coninha
A quem a quisesse papar
As mamas, dois marmelos
Do melhor que há pra colher
Dava vontade come-los
E no meio deles foder
A cara ainda menina
Era um quadro pra beijar
Mas a falsa pequenina
Muito adorava mamar
Tinha nascido com ela
A arte de dar ao corpinho
Era da natureza dela
Não dar descanso ao coninho.
Manuel F. C. Almeida

foto: PauloVieira galeria de Nu
Beijei o tempo,
A memória,
O ser.
Cantei o amor,
A imagem,
O querer.
E foi assim
Que o luar de abriu
E o teu corpo
Sorriu.
Manuel F. C. Almeida

PENUMBRA
foto:Ed Ferreira
Na pele a
Língua encontra
A seda. Como
Uma nuvem branca
Entre os lábios,
Desenha a
Penumbra
Doce
Do teu cálice.
Manuel F. C. Almeida

foto: Ricardo Jorge Miguel Soares
Desejo ser
Um arco-íris
Num céu cinzento,
Sobre a esperança
Que ontem deixei
Presa na vida.
Sorriso envergonhado
A olhar o passado
Que um dia vivi.
Manuel F. C. Almeida

foto:jose ferreira
A noite
Esconde a nu
A raiz do medo.
Só na madrugada
Te descreves
Viva.
Manuel F. C. Almeida

foto:Sara Sa
Há sempre um dia
Em que os espelhos
Se quebram.
Só então se descobre
Que o amor
Significa verdade
Que as imagens baças
Também podem ser
Transparentes.
Manuel F. C. Almeida





foto:PauloVieira galeria de Nu
Nem o teu cheiro
Afasta os beijos
Nem os meus lábios
Se sobressaltam
Com o sabor
Do teu ventre.
Manuel F. C. Almeida

foto:Francisco Tico
Quando partir
Não me vou esquecer de
Fechar a porta.
Prometo!
Deixarei a chave
No sitio.
E tu… fecha as janelas
Não vá o vento
Roubar-te as memórias
Que guardas em silencio.
Manuel F. C. Almeida


foto:angelica
Nu, te dei de mim
O fogo, a água, a terra e o ar
E no arco-íris do sonho
Dei também o respirar
Dei o corpo, dei a alma
Dei os olhos e o olhar
Dei os dedos, dei os lábios
Para teu corpo beijar.
Manuel F. C. Almeida

foto:João Félix
Porque não podem dizer
Verdadeira
Mente
O que na alma se esconde.
Natural
Mente
Seria tudo mais fácil…
Simples
Mente.
Porque viver por viver
Sincera
Mente.
Só trás o eterno adiar e
Final
Mente,
Faz-nos viver dia a dia…
Aparente
Mente.
Manuel F. C. Almeida


foto :Francisco M S Botelho
Agora estou aqui
Ao lado ti, aqui
Sentado, mudo, quieto
Uma estatua, uma pedra
De adorno, silhueta que
Adormece e acorda
Ao teu cantar.
Agora serei só uma sombra de mim...
Manuel F. C. Almeida



foto :Nuno Belo
Recordo e tempo
Em que o nosso olhar
Cortava e o vento
E incendiava a planície
Agora…
Já nem as tempestades
Acordam o olhar.
Manuel F. C. Almeida

até quando?
até quando iremos assistir ao genocideo de um povo?
até quando iremos assistir ao silêncio da comunidade internacional
até quando se continuarão a matar pessoas em nome de uma bandeira, uma pátria ou uma raça?
SÓ UM MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO INTERNACIONAL, SEM RELIGIÕES OU INTERESSES ECONÓMICOS PODERÁ TRAVAR O GENOCIDEO EM MASSA DE MUITOS POVOS.
PARA QUE OS GOVERNOS SEJAM DO POVO, O POVO TEM DE OS ELIMINAR E TOMAR NAS SUAS MÃOS A RESPONSABILIDADE DE ENCONTRAR CAMINHOS QUE FAÇAM DO PLANETA UM LOCAL EM QUE A DIGNIDADE DE EXISTIR DEIXE DE SER UM DIREITO MAS SIM E APENAS ALGO COMUM A TODOS.
MANUEL F. F. ALMEIDA




foto by:Rui j Santos
E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.
Manuel F.C. Almeida
