
foto:nuri
Perco a face
Nos limites da memória
E se as mãos
Se encontram
No respirar do ventre
Só o teu olhar
Me liberta
Do esquecimento.
Manuel F. C. Almeida
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ

foto:nuri
Perco a face
Nos limites da memória
E se as mãos
Se encontram
No respirar do ventre
Só o teu olhar
Me liberta
Do esquecimento.
Manuel F. C. Almeida

OS DEDOS
foto:angelica
Ao meu olhar,
Os teus dedos
São flechas
Hábeis
Nos jogos
Imperceptíveis
Do prazer.
Manuel F. C. Almeida



PORNO SATIRICA
FOTO:Daniel Oliveira
Mariana, brincalhona
Danada prá brincadeira
Adorava dar à cona
E rapar a pintelheira
No broche era rainha
E de nalguinhas pró ar
Dava o cú e a coninha
A quem a quisesse papar
As mamas, dois marmelos
Do melhor que há pra colher
Dava vontade come-los
E no meio deles foder
A cara ainda menina
Era um quadro pra beijar
Mas a falsa pequenina
Muito adorava mamar
Tinha nascido com ela
A arte de dar ao corpinho
Era da natureza dela
Não dar descanso ao coninho.
Manuel F. C. Almeida

foto: PauloVieira galeria de Nu
Beijei o tempo,
A memória,
O ser.
Cantei o amor,
A imagem,
O querer.
E foi assim
Que o luar de abriu
E o teu corpo
Sorriu.
Manuel F. C. Almeida

PENUMBRA
foto:Ed Ferreira
Na pele a
Língua encontra
A seda. Como
Uma nuvem branca
Entre os lábios,
Desenha a
Penumbra
Doce
Do teu cálice.
Manuel F. C. Almeida

foto: Ricardo Jorge Miguel Soares
Desejo ser
Um arco-íris
Num céu cinzento,
Sobre a esperança
Que ontem deixei
Presa na vida.
Sorriso envergonhado
A olhar o passado
Que um dia vivi.
Manuel F. C. Almeida

foto:jose ferreira
A noite
Esconde a nu
A raiz do medo.
Só na madrugada
Te descreves
Viva.
Manuel F. C. Almeida

foto:Sara Sa
Há sempre um dia
Em que os espelhos
Se quebram.
Só então se descobre
Que o amor
Significa verdade
Que as imagens baças
Também podem ser
Transparentes.
Manuel F. C. Almeida





foto:PauloVieira galeria de Nu
Nem o teu cheiro
Afasta os beijos
Nem os meus lábios
Se sobressaltam
Com o sabor
Do teu ventre.
Manuel F. C. Almeida

foto:Francisco Tico
Quando partir
Não me vou esquecer de
Fechar a porta.
Prometo!
Deixarei a chave
No sitio.
E tu… fecha as janelas
Não vá o vento
Roubar-te as memórias
Que guardas em silencio.
Manuel F. C. Almeida


foto:angelica
Nu, te dei de mim
O fogo, a água, a terra e o ar
E no arco-íris do sonho
Dei também o respirar
Dei o corpo, dei a alma
Dei os olhos e o olhar
Dei os dedos, dei os lábios
Para teu corpo beijar.
Manuel F. C. Almeida

foto:João Félix
Porque não podem dizer
Verdadeira
Mente
O que na alma se esconde.
Natural
Mente
Seria tudo mais fácil…
Simples
Mente.
Porque viver por viver
Sincera
Mente.
Só trás o eterno adiar e
Final
Mente,
Faz-nos viver dia a dia…
Aparente
Mente.
Manuel F. C. Almeida


foto :Francisco M S Botelho
Agora estou aqui
Ao lado ti, aqui
Sentado, mudo, quieto
Uma estatua, uma pedra
De adorno, silhueta que
Adormece e acorda
Ao teu cantar.
Agora serei só uma sombra de mim...
Manuel F. C. Almeida



foto :Nuno Belo
Recordo e tempo
Em que o nosso olhar
Cortava e o vento
E incendiava a planície
Agora…
Já nem as tempestades
Acordam o olhar.
Manuel F. C. Almeida

até quando?
até quando iremos assistir ao genocideo de um povo?
até quando iremos assistir ao silêncio da comunidade internacional
até quando se continuarão a matar pessoas em nome de uma bandeira, uma pátria ou uma raça?
SÓ UM MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO INTERNACIONAL, SEM RELIGIÕES OU INTERESSES ECONÓMICOS PODERÁ TRAVAR O GENOCIDEO EM MASSA DE MUITOS POVOS.
PARA QUE OS GOVERNOS SEJAM DO POVO, O POVO TEM DE OS ELIMINAR E TOMAR NAS SUAS MÃOS A RESPONSABILIDADE DE ENCONTRAR CAMINHOS QUE FAÇAM DO PLANETA UM LOCAL EM QUE A DIGNIDADE DE EXISTIR DEIXE DE SER UM DIREITO MAS SIM E APENAS ALGO COMUM A TODOS.
MANUEL F. F. ALMEIDA




foto by:Rui j Santos
E há um silêncio que desagua
Na ausência de um beijo
Ou da palavra.
Na margem, parado, espero
Que a geografia da verdade
Desenhe enfim
Os contornos reais das margens
Em que me encontro.
Manuel F.C. Almeida


foto:Gisleine Martin
Na janela do meu quarto,
Para além dos limites,
Observo os dias passados
Na inocência da eternidade
E na estranheza do silencio.
No ocaso do olhar
Traço um desenho de vida
Peço à vida o acordar.
Manuel F. C. Almeida

foto:DDiArte
Lá fora a neve pintava de branco os campos outrora verdes e amarelos. Aninhado na minha concha olhava o brincar do vento e admirava a diversidade presente em cada floco. Esta doce loucura a que me tinha abandonado propiciava-me momentos de serenidade indescritíveis. Era possível ouvir e sentir os elementos e a vida. A porta fez-se ouvir. Com curiosidade fui ver quem era. Era algo ou alguém. Vinha reclamar o que era seu por direito e por acaso. Dei-lhe a mão e deixei de passar tempo à espera. Olhei para o lugar que tinha-mos deixado. Caído um corpo, marcava o que eu tinha sido. E nos braços de um anjo voei, finalmente liberto de mim.
Manuel F. C. Almeida
