
Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quinta-feira, junho 28, 2007

quarta-feira, junho 27, 2007
terça-feira, junho 26, 2007

entardecer
foto by:Alberto Viana d'Almeida
Ontem matei o universo.
Extingui o sopro de vida
Que o destino desenha
Na ausência do sonho.
Ontem o sol ao despontar
Mostrou o caminho,
Num andamento
Sem fim, até dormir
E se apagar.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, junho 25, 2007
domingo, junho 24, 2007

mais uma do sempre atento
António Barreto
in" Público" dia 24 de junho de 2007
( nao me venham dizer que este também é inimigo)
OPA sobre o país
Não. Não se trata do lançamento de mais uma OPA sobre empresa ou clube desportivo. E, simplesmente, a tentativa visível e crescente de o Governo tomar conta, orientar e vigiar. Quer saber tudo sobre todos. Quer controlar. Quando o Governo de Sócrates iniciou as suas funções, percebeu-se imediatamente que a afirmação da autoridade política era uma preocupação prioritária. Depois de anos de hesitação, de adiamentos e de muita demagogia, o novo primeiro-ministro parecia disposto a mudar os hábitos locais. Devo dizer que a intenção não era desagradável. Merecia consideração. A democracia portuguesa necessita de autoridade, sem a qual está condenada. Lentamente, o esforço foi ganhando contornos. Mas, gradualmente também, foi-se percebendo que essa afirmação de autoridade recorria a métodos que muito deixavam a desejar. Sócrates irrita-se facilmente, não gosta de ser contrariado. Ninguém gosta, pois claro, mas há quem não se importe e ache mesmo que seja inevitável. O primeiro-ministro importa-se e pensa que tal pode ser evitado. Quanto mais não seja colocando as pessoas em situação de fragilidade, de receio ou de ameaça. Vale a pena recordar, sumariamente, alguns dos instrumentos utilizados. A lei das chefias da Administração Pública, ditas de “confiança política” e cujos mandatos cessam com novas eleições, foi um gesto fundador. O bilhete de identidade “quase único” foi um sinal revelador. O Governo queria construir, paulatinamente, os mecanismos de controlo e informação. E quis significar à opinião que, nesse propósito, não brincava. A criação de um órgão de coordenação de todas as polícias parecia ser uma medida meramente técnica, mas percebeu-se que não era só isso. A colocação de tal organismo sob a tutela directa do primeiro-ministro veio esclarecer dúvidas. A revisão e reforma do estatuto do jornalista e da Entidade Reguladora para a Comunicação confirmaram um espírito. A exposição pública dos nomes de alguns devedores fiscais inscrevia-se nesta linha de conduta. Os apelos à delação de funcionários ultrapassaram as fronteiras da decência.
O processo disciplinar instaurado contra um professor que terá “desabafado” ou “insultado” o primeiro-ministro mostrou intranquilidade e crispação, o que não é particularmente grave, mas é sobretudo um aviso e, talvez, o primeiro de uma série cujo âmbito se desconhece ainda. A criação, anunciada esta semana, de um ficheiro dos funcionários públicos com cruzamento de todas as informações relativas a esses cidadãos, incluindo pormenores da vida privada dos próprios e dos seus filhos, agrava e concretiza um plano inadmissível de ingerência do Estado na vida dos cidadãos. Finalmente, o processo que Sócrates intentou agora contra um “bloguista” que, há anos, iniciou o episódio dos “diplomas” universitários do primeiro-ministro é mais um passo numa construção que ainda não tem nome. Não se trata de imperícia. Se fosse, já o rumo teria sido corrigido. Não são ventos de loucura. Se fossem, teriam sido como tal denunciados. Nem são caprichos. É uma intenção, é uma estratégia, é um plano minuciosamente preparado e meticulosamente posto em prática. Passo a passo. Com ordem de prioridades. Primeiro os instrumentos, depois as leis, a seguir as medidas práticas, finalmente os gestos. E toda a vida pública será abrangida. Não serão apenas a liberdade individual, os direitos e garantias dos cidadãos ou a liberdade de expressão que são atingidos. Serão também as políticas de toda a espécie, as financeiras e as de investimento, como as da saúde, da educação, administrativas e todas as outras. O que se passou com a Ota é bem significativo. Só o Presidente da República e as sondagens de opinião puseram termo, provisoriamente, note-se, a uma teimosia que se transformara numa pura irracionalidade. No país, já nem se discutem os méritos da questão em termos técnicos, sociais e económicos. O mesmo está em vias de acontecer com o TGV. E não se pense que o Governo não sabe explicar ou que mostra deficiências na sua política de comunicação. Não. O Governo, pelo contrário, sabe muito bem comunicar. Sabe falar com quem o ouve, gosta de informar quem o acata. Aprecia a companhia dos seus seguidores, do banqueiro de Estado e dos patrícios das empresas participadas. Só explica o que quer. Não explica o que não quer. E só informa sobre o que lhe convém, quando convém. verdade que o clima se agravou com o tempo. Nem tudo estava assim há dois anos. A aura de determinação cobria as deficiências de temperamento e as intenções de carácter. Mas dois conjuntos de factos precipitaram tudo. O caso dos diplomas e da Universidade Independente, a exibir uma extraordinária falta de maturidade. E o novo aeroporto de Lisboa, cujo atamancado processo de decisão e de informação deixou perplexo meio país. A posição angélica e imperial do primeiro-ministro determinado e firme abriu brechas. Seguiu-se o desassossego, para o qual temos agora uma moratória, não precisamente a concedida aos estudos do aeroporto, mas a indispensável ao exercício da presidência da União Europeia. De qualquer modo, nada, nem sequer este plano de tutela dos direitos e da informação, justifica que quase todos os jornais, de referência ou não, dêem a notícia de que “o professor de Sócrates” foi pronunciado ou arguido ou acusado de corrupção ou do que quer que seja. Em título, em manchete ou em primeira página, foi esta a regra seguida pela maior parte da COMUNICAÇÃO SOCIAL

Erotismo consequente
Eu quero enlaçar todo o teu corpo
Tocar-te o espírito, roubar-te a alma
Quero ter-te a ti como meu porto
Num entardecer em tarde calma.
Quero embriagar-me com teu perfume
Ficar insano, perder o nexo,
Beijar-te os seios e fazer lume
Incendiar-te o ventre, tomar-te o sexo.
Manuel F.C. Almeida
sexta-feira, junho 22, 2007

elegia III
FOTO BY:Edna Medici
Que não se calem as
Verdades.
Que nao se neguem os
Sentimentos.
Silencios ou
Meias palavras
só alimentam
Equívocos
E na vida não há
Tempo para
Miticos e falsos
Paraisos.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, junho 21, 2007

somos
foto by:Sofia Maurício
Povoas o espaço
Que o pensamento
Ocupa.
Sinto-me.
Sinto-te.
Ambos sós,
Acompanhados
De memorias...
Manuel F. C. Almeida
quarta-feira, junho 20, 2007
terça-feira, junho 19, 2007

isto sim um premio mas prefiro saber que se apropriam das minhas palavras. obrigado
premio atribuido por
http://pracadarepublica.weblog.com.pt/
um par, sim um belo par de tomates (que mais poderia ser...?) foi a oferta que me fizeram. veio directo da http://pracadarepublica.weblog.com.pt/, que diga-se em abono da verdade, nao é dos meus favoritos, mas mercê desta distinção e das belas imagens que tem passará a ser mais visitado ( graxa claro).
o prémio em si é curioso. Um par de tomates. a somar aos que me acompanham faz tempo, fará com que fique com 2 pares.
num tempo em que a produção de concentrado dos ditos começa a declinar, ter um par em reserva e novinhos em folha, vem mesmo a calhar.
as minhas nomeações sao:
http://ainfelicidadeaoalcancedetodos.blogspot.com/
http://avatares-de-desejo.blogspot.com/
http://www.riquita1303.blogspot.com/
Manuel F.C. Almeida

NATUREZAS MORTAS
foto by: Paulo Madeira - www.paulomadeira.net
Silencio! A minha morte sem dor iluminou a floresta de diamantes onde tudo acontece.
Aves de um paraíso perdido copulam num frenesim floral e imaginam viver num
Planeta Errante. Astral.
Jim lamenta a morte numa Americana oração.
Em seu redor algumas mulheres de seios grandes e caídos dançam com o ventre
Junto á face lívida de Hendrix, que lhe canta foxy lady. Putas finas.
- Olá Joe, costumavas fumar erva? Perguntam em coro.
Cantam e em simultâneo esfregam o sexo na estátua de Apolo. Uma cópula Grega. Tradição ocidental.
Só Jesus nas suas vestes Judias, não pode participar.
Ainda assim transformou a água em champanhe e o peixe enlatado em caviar.
A Madalena fez streep e bebeu absinto.
A meu lado, Janis etilizada e estilizada teima em pedir a Deus um Mercedes benz.
Mercury diz-lhe: who wants to live forever?
Ao mesmo tempo que Lennon se apresenta vestido de Ghandi a açoitar uma asiática que teima em cantar:
Imagine hall the people fucking like we do.
Silencio! Estou na minha mortalha, enrolado entre os dedos trémulos de Marley e a loucura intelectual de Zappa.
Wath a bad moon rising man.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, junho 18, 2007
domingo, junho 17, 2007

Rapidinhafoto by: angelica
A ouro e prata bordado
Farei de ti meu presente
Do teu corpo o meu prado.
Manuel F.C. Almeida
sábado, junho 16, 2007

Suprimia o odor
Adocicado do teu corpo
E a candura aveludada
Dos teus lábios.
Mas as mãos vieram
Resgatar-te na memória
Do corpo
E o tempo revelou-te
Num quadro
Que vive nos rios
Das nossas muralhas.
Manuel Filipe Carvalho de Almeida
sexta-feira, junho 15, 2007

foto by:Silverio Santos
Vivo o meu canto num tempo finito
Alimento com ele a minha vontade
No alimento do tempo desenho o meu grito
E com ele cavalgo a tempestade
E na chama que voa eu teimo em mostrar
A loucura dos homens, esta insanidade
Este manto de sangue que corre pró mar
Nascido de um tempo sem humanidade.
Mnuel F.C. Almeida
quinta-feira, junho 14, 2007

Vento,
Uma folha no ar.
Escrita num
Tempo,
Num tempo de
Amar.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, junho 13, 2007

Almiscarado
Das tuas coxas
Avivou-me a memória
Das noites
Em que um
Olhar te levava
Ao paraíso.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, junho 12, 2007

Fiz do meu caminho
Um carreiro de indiferença
Ao mundo.
Nem me dei conta
Da morte dos deuses
Indiferentes
A tudo...
Como eu.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, junho 11, 2007
domingo, junho 10, 2007
sábado, junho 09, 2007
sexta-feira, junho 08, 2007
quinta-feira, junho 07, 2007

foto by: Nuno Abreu
Nesta ferida que
Sinto
Em mim a pulsar,
Vive o teu amor,
Em sangue
Num rio que corre
Para a luxúria dos
Corpos
Na noite
A amar.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, junho 06, 2007

foto by:Duarte Almeida
Em todo o poema há um rio
De aguas escritas.
Descobrir as palavras que se
Diluem,
E as imagens que se
Projectam,
É como retirar do rio
As notas de um piano
Que se renovam
E se repetem.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, junho 05, 2007
segunda-feira, junho 04, 2007
sábado, junho 02, 2007

Escreve este vulto do pensamento mundial na visão:
O “clima”
Em vésperas de eleições intercalares para a CML, encontramo-nos perante uma situação paradoxal. Com a multiplicidade dos candidatos independentes e de pequenos partidos, parece que o sistema político-partidário ficou abalado; a esquerda não combate uma oposição coligada, nem a direita, dispersa, enfrenta uma esquerda coesa e coerente. Uma coisa é certa: opondo-se assim ao sistema, a pulverização das candidaturas enfraquece os grandes partidos e contraria a actual «deriva» autoritária do nosso regime democrático.
«Deriva» será um termo demasiado forte. Mas a verdade é que os factos se sucedem: agora, depois do processo disciplinar a um professor pela piada sobre a licenciatura do primeiro-ministro, a identificação dos funcionários que fazem greve, mas também as inúmeras disposições, instruções, despachos, regulamentos, ordens, obrigações imparáveis que emanam dos ministérios (da Saúde, da Educação, da Administração) e que induzem comportamentos subservientes e medrosos que vão envenenando pouco a pouco as relações entre as pessoas. São miríades de pequenas coisas, aparentemente insignificantes, que não dão azo a notícia, mas que os médicos, os professores, os funcionários públicos vivem quotidianamente. Tudo isto gera um clima que vai fazendo bola de neve.
Um «clima» não é uma realidade vaga. É um meio contaminante que pode suscitar identificações e oportunismo. O exemplo vem de cima, não por afirmação de autoridade, mas por autoritarismo. Em geral, o chefe afirma-se autoritariamente quando não tem autoridade natural necessária para o fazer. O autoritarismo sobre compensa a a falta de autoridade, intensificando e sobre determinando os traços de poder que detém e, ultrapassando a fronteira que lhe concede o seu estatuto.
Vindo de cima, em regime democrático passivo, como o nossos, é recebido pelos patamares inferiores da hierarquia com efeito alucinatório que amplifica o poder do poder, a margem de que dispor quem manda e comanda. O impacto nos subordinados é traumático (mesmo quando bem aceite) mas provoca identificações que fazem ab-reagir (expulsar) a violência de que foram vítimas, descarregando-a sobre os patamares mais inferiores. Assim se formam pirâmides de pequenos chefes tiranetes de direcções gerais e secretarias que participam dessas mais valias de poder hierárquico (até às ultimas migalhas dos últimos postos de comando).
É lamentável que isto esteja a acontecer. Será que os portugueses não têm outro modelo de comportamento face ao poder senão a obediência passiva, a submissão e o medo? será por isso que têm saudades de Salazar? Que fez o poder socialista para promover a democracia, desenvolver a cidadania, incentivar a liberdade e a criatividade que as suas reformas deviam, necessariamente, suscitar? Foi para isto que nós votámos? É este o preço que se paga pelo equilíbrio do défice orçamental? Não chega dizer que estamos em democracia e que ela é respeitada. A liberdade e a democracia devem ser descobertas permanentes, conquistas de novos territórios interiores e exteriores.
Face a esta situação, esperemos que, durante um curto intervalo de tempo, a multiplicidade das candidaturas à câmara rompa a direcção única do discurso único, o clima único de veneração submissa ao poder, encarnados na sempiterna cassete dos grandes e de alguns pequenos partidos.
sexta-feira, junho 01, 2007
quinta-feira, maio 31, 2007

FOTO BY: Jovino C Batista
Lisboa das sete colinas
Perdidas no casario
Lisboa das noites estreladas
Perdidas no anonimato
Lisboa... doce selvagem
Em ti só as putas
São genuínas.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, maio 30, 2007

obrigado http://jumento.blogspot.com/
MAS NAO ME VENHAS DIZER QUE SÃO SÓ OS COMUNISTAS A LER O QUE ISTO REPRESENTA.
PORQUE AMANHA VOU ESTAR EM LUTA AQUI FICA UMA PEÇA LINDA PARA LEREM Á VONTADE.
E A MUSICA DO ZECA QUE ILUSTRA TUDO.
EXTRACTO DO ARTIGO DE ANTÓNIO BARRETO NO PUBLICO DOMINGO 27 DE MAIO.
ENFIM, SÓ
«A saída de António Costa para a Câmara de Lisboa pode ser interpretada de muitas maneiras. Mas, se as intenções podem ser interessantes, os resultados é que contam. Entre estes, está o facto de o candidato à autarquia se ter afastado do governo e do partido, o que deixa Sócrates praticamente sozinho à frente de um e de outro. Único senhor a bordo tem um mestre e uma inspiração. Com Guterres, o primeiro-ministro aprendeu a ambição pessoal, mas, contra ele, percebeu que a indecisão pode ser fatal. A ponto de, com zelo, se exceder: prefere decidir mal, mas rapidamente, do que adiar para estudar. Em Cavaco, colheu o desdém pelo seu partido. Com os dois e com a sua própria intuição autoritária, compreendeu que se pode governar sem políticos.
Onde estão os políticos socialistas? Aqueles que conhecemos, cujas ideias pesaram alguma coisa e que são responsáveis pelo seu passado? Uns saneados, outros afastados. Uns reformaram-se da política, outros foram encostados. Uns foram promovidos ao céu, outros mudaram de profissão. Uns foram viajar, outros ganhar dinheiro. Uns desapareceram sem deixar vestígios, outros estão empregados nas empresas que dependem do Governo. Manuel Alegre resiste, mas já não conta. Medeiros Ferreira ensina e escreve. Jaime Gama preside sem poderes. João Cravinho emigrou. Jorge Coelho está a milhas de distância e vai dizendo, sem convicção, que o socialismo ainda existe. António Vitorino, eterno desejado, exerce a sua profissão. Almeida Santos justifica tudo. Freitas do Amaral reformou-se. Alberto Martins apagou-se. Mário Soares ocupa-se da globalização. Carlos César limitou-se definitivamente aos Açores. João Soares espera. Helena Roseta foi à sua vida independente. Os grandes autarcas do partido estão reduzidos à insignificância. O Grupo Parlamentar parece um jardim-escola sedado. Os sindicalistas quase não existem. O actual pensamento dos socialistas resume-se a uma lengalenga pragmática, justificativa e repetitiva sobre a inevitabilidade do governo e da luta contra o défice. O ideário contemporâneo dos socialistas portugueses é mais silencioso do que a meditação budista. Ainda por cima, Sócrates percebeu depressa que nunca o sentimento público esteve, como hoje, tão adverso e tão farto da política e dos políticos. Sem hesitar, apanhou a onda.
Desengane-se quem pensa que as gafes dos ministros incomodam Sócrates. Não mais do que picadas de mosquito. As gafes entretêm a opinião, mobilizam a imprensa, distraem a oposição e ocupam o Parlamento. Mas nada de essencial está em causa. Os disparates de Manuel Pinho fazem rir toda a gente. As tontarias e a prestidigitação estatística de Mário Lino são pura diversão. E não se pense que a irrelevância da maior parte dos ministros, que nada têm a dizer para além dos seus assuntos técnicos, perturba o primeiro-ministro. É assim que ele os quer, como se fossem directores-gerais. Só o problema da Universidade Independente e dos seus diplomas o incomodou realmente. Mas tratava-se, politicamente, de questão menor. Percebeu que as suas fragilidades podiam ser expostas e que nem tudo estava sob controlo. Mas nada de semelhante se repetirá.
Oestilo de Sócrates consolida-se. Autoritário. Crispado. Despótico. Irritado. Enervado. Detesta ser contrariado. Não admite perguntas que não estavam previstas. Pretende saber, sobre as pessoas, o que há para saber. Deseja ter tudo quanto vive sob controlo. Tem os seus sermões preparados todos os dias. Só ele faz política, ajudado por uma máquina poderosa de recolha de informações, de manipulação da imprensa, de propaganda e de encenação. O verdadeiro Sócrates está presente nos novos bilhetes de identidade, nas tentativas de Augusto Santos Silva de tutelar a imprensa livre, na teimosia descabelada de Mário Lino, na concentração das polícias sob seu mando e no processo que o Ministério da Educação abriu contra um funcionário que se exprimiu em privado. O estilo de Sócrates está vivo, por inteiro, no ambiente que se vive, feito já de medo e apreensão. A austeridade administrativa e orçamental ameaça a tranquilidade de cidadãos que sentem que a sua liberdade de expressão pode ser onerosa. A imprensa sabe o que tem de pagar para aceder à informação. As empresas conhecem as iras do Governo e fazem as contas ao que têm de fazer para ter acesso aos fundos e às autorizações.
Sem partido que o incomode, sem ministros politicamente competentes e sem oposição à altura, Sócrates trata de si. Rodeado de adjuntos dispostos a tudo e com a benevolência de alguns interesses económicos, Sócrates governa. Com uma maioria dócil, uma oposição desorientada e um rol de secretários de Estado zelosos, ocupa eficientemente, como nunca nas últimas décadas, a Administração Pública e os cargos dirigentes do Estado. Nomeia e saneia a bel-prazer. Há quem diga que o vamos ter durante mais uns anos. É possível. Mas não é boa notícia. É sinal da impotência da oposição. De incompetência da sociedade. De fraqueza das organizações. E da falta de carinho dos portugueses pela liberdade.» [Público assinantes]
Parecer:
António Barreto faz o retrato de Sócrates
terça-feira, maio 29, 2007

FOTO BY: A.Z.
Nossas mãos
E nossos dedos
Tecem horas de luxúria
No silencio dos lençóis
Em que espraiamos
Os corpos.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, maio 28, 2007

FOTO BY: Rui's Illustrated
Tomei-te o corpo
Pelas ancas de veludo.
E no frenesim da dança
Senti o teu ventre
Desfazer-se em mil
Tentáculos
De prazer.
Manuel F.C. Almeida
domingo, maio 27, 2007

FOTO BY Amanda Com
Despe o nome
Que te deram
E não escolheste.
Desnuda a alma.
Liberta os seios
Ao toque
Do meu desejo
Obsceno,
Que em silencio
Te celebra
E te afaga
O cio.
Manuel F.C. Almeida
sábado, maio 26, 2007

A história que agora quero contar
A história que eu agora vou contar
Passou-se um dia destes lá pró porto
Onde pegou a nova moda, delatar.
Estavam dois amigos a conversar,
No recato de um singelo gabinete,
Mas um deles na vida queria singrar…
Foi dita entretanto uma brejeirada,
Qu’ envolvia o nosso primeiro-ministro;
Ambos riram no momento da piada.
Depois de a ter achado engraçada.
Um deles ficou muito incomodado
E foi a correr contar à criada.
A moça que só desejava agradar,
Ao tacho que o patrão lhe tinha dado,
Depressa se apressou a castigar,
O meliante que a tanto tinha ousado.
E Sem ouvir a versão do humorista
Depressa o mandou pra outro lado
A coisa veio-se agora a saber
O humorista nao soube ficar calado
E o patrão já nem sabe que fazer…
Ora eu sou muito bom a dar conselhos.
Castiguem o marginal com mão de ferro.
Arranquem-lhe com uma pinça os pintelhos.
Temos pois de criar o nacional dia da escuta.
Um dia pra defender os bons costumes
De todos os que dizem “filho da puta”.
Mas como quem escuta e vai contar
Acrescenta sempre mais um pontozinho
sexta-feira, maio 25, 2007
quinta-feira, maio 24, 2007

foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com
O ódio alimenta-se do medo.
Aquele medo que temos
Do desconhecido.
Do diferente.
Do imprevisto.
O ódio vive do medo
bem dentro de nós.
Manuel F.C. Almeida
quarta-feira, maio 23, 2007

foto by:Nuno Belo
Tudo me parecia magia
Naquela barca de ar
Da noite fizemos dia
A barca estava a voar
E de velas soltas ao vento
Cavalgámos o olhar.
O capitão é o tempo
O nosso destino, amar.
Manuel F.C. Almeida
terça-feira, maio 22, 2007

foto by: Marta Ferreira -
Quando na noite me perco
Em teus cheiros, teus favores,
É na noite que me quero
Numa overdose de sabores
E sinto no teu corpo, calor
A ele me colo e me fundo
Em ti, desperto uma flor
Em mim, descubro outro mundo.
Manuel F.C. Almeida
segunda-feira, maio 21, 2007

FOTO BY:rosalina afonso
É! Quando amados por um dia completo
Que se diz no dia seguinte?
Que já não somos o que fomos?
Que os votos de eternidade são
Como todos os votos. Algo a renegar, a esquecer?
É isto que me irás dizer um dia?
Que tudo foi apenas e só
Um sonho, um desejo meu.
Fazemos da verdade cobardia,
Erguida no que nunca foi...
Sinceridade.
Mas eu sei que não devo perguntar
Os reais alicerces da verdade.
Não quero um dia pensar o que
Pensas. Nem pensar como tu
Pensas.
Porque eu amo a frontalidade.
Manuel F. C. Almeida

foto by: daniel camacho
Era tempo de colocar o passado atrás de nós e ser honestos. Como sempre fomos. Amizade era o melhor que tínhamos escrito a dois. E alguma loucura. Eu não era a mesma pessoa. Ela também não. Por vezes nem imaginamos as mudanças que o tempo e a distância opera em cada um de nós. Eu sentia claramente que era diferente desde há 6 meses quanto mais desde há anos.
A Elouise mantinha-se calada. Estava a leste do nosso diálogo e das minhas cogitações, mas entendia. As mulheres entendem sempre quando o seu tempo não é o nosso. Os homens são mais complicados. Acreditam sempre que a sua presença pode mudar os outros. Como se os outros existissem em função deles.
O silencio instalado era maior que o sentido por um peixe num aquário. Veio-me á memoria uma canção linda. The sound of silence. Na verdade existe. Um som que se propaga pela alma, que a inunda, que a embriaga. Não há na vida nada tão triste que ouvir o som do silêncio. Mas era a minha escolha.
Nessa noite terminei o relatório. Entreguei uma cópia à Isabel e na manhã seguinte parti. Sem glória, sem esperança, sem vida. Só o silencio se ouvia.
Manuel F.C. Almeida
Fim sem glória.
domingo, maio 20, 2007

Eu gostava de ti e de mim.
Tu gostavas de mim e de ti.
Amava-te como se ama na juventude;
Amava-te como se não pudera amar mais.
Amava-te e amava o teu jeito de falar:
- Vem amor, faz-me viver, faz-me vibrar!
E gostava de ser quem era
Quando nos teus braços, eu era.
Tu…
Tu gostavas de ti…e de mim?
Manuel F.C. Almeida
sábado, maio 19, 2007

foto by:João Viegas
Louco. Sim sei que sou louco
Uma, duas, três vezes louco
Louco por amar,
Louco por cantar,
Serei louco uma vez mais
Por dizer.
Serei louco em pretensos poemas
Que teimo em escrever.
E escrevo o flamejar dos olhos.
O crescendo das partituras
um dia feitas nome…
Criaturas.
E canto o exorcismo da minha alma
Em fusão com o verbo amar.
Mas não há poemas que me libertem
Desta loucura com nome.
Louco. Sim serei louco
Para sempre.
Por te amar e te cantar.
Manuel F.C. Almeida
sexta-feira, maio 18, 2007

foto by: marta
Nua, levitavas numa dança
Tantrica de pernas abertas
E sexo de romã.
E foi em mim que saciaste
O fruto, a sede, a cor.
Ontem, hoje, amanhã.
Manuel F.C. Almeida
quinta-feira, maio 17, 2007

Caem-te os cabelos sobre os ombros
E os seios erguem-se para os céus
O teu sexo feito lar
Abre-se em rosa ao meu desejo.
E tudo cresce em nós,
Numa tesão sem medo
E num desejo ensurdecedor
Que a ambos fala em segredo.
Manuel F.C. Almeida

foto by: Dani
E era assim mesmo. Vivia preso aos meus sonhos e aos meus fantasmas. Começar ou tentar começar, recomeçar tudo me parecia impossível. Depois o recomeço é sempre carregado de memórias, de lembranças nem sempre boas. Fica sempre presente a ultima palavra. Seja ela qual for.
Era grande a angustia que me assaltava até ao momento em que a Isabel me interrompeu
- Andas mesmo em baixo meu querido. Estes ares fazem-te mal.
- Eu sei. Termino o relatório hoje e amanhã mesmo parto.
Foi patente a tristeza no seu olhar. Mas ambos sabíamos que não deveríamos recomeçar.













