sexta-feira, janeiro 25, 2008






SENSIVEL



FOTO BY:n...o






Teimo em procurar nos dias que passam a chama que um dia me iluminou a alma. Deambulo pelo vazio dos meus dias, convencido que o tempo tem sentido e justiça. Sou aquele que um dia deixou apagar o fogo e que fez dos dias um inferno de gelo. Não me transformei, nem me transmutei. Sou o mesmo que fui, aquele que nunca quis ser o que foi mas que luta por ser o que não é. Suprema contradição esta procura de mim, na fuga que um dia encetei de mim. Ausente, sou uma sombra do meu “eu”. Prisioneiro nesta estatua que criei, há muito que me hipotequei à inevitabilidade do real. Não procuro rios de águas sem cor ou jardins supostamente suspensos, não procuro deuses ou deusas.
Só aspiro à transparência das palavras, e já agora a um olhar desassombrado.

(POEMA em memória do HOMEM desconhecido, ou como se implode a existência)

Manuel F. C. Almeida

1 comentário:

Paulo Vilmar disse...

Manuel!
Nestes momentos, mesmo com a existência implodida, procura-se a essência. E é uma busca tão árdua, encontrar-se...
Abraços.