
- vamos? Está a fazer-se tarde – disse.
- sim claro, estou cansado da viajem, a minha saúde é frágil – rematei.
Feitas as despedidas guardei a ultima para a pessoa certa. Esperava a minha passagem perto da porta. Enfrentei-a com o cansaço espelhado no olhar, mas ainda assim com um sorriso na cara. Era um porto de abrigo. Que estranho isto tudo. Sentia que poderia precipitar-me numa loucura, caso ela enviasse algum sinal mais explícito. Felizmente, ou não, o marido e a comitiva seguiam-me assim foi com algum cuidado que lhe peguei nas mãos, a olhei nos olhos e lhe agradeci a companhia. As minhas mãos suavam um pouco e as dela estavam a tremer. Uma fracção de segundos. O suficiente para entender.Despedi-me de todos, alguns já a denotar a presença de vapores etílicos em excesso. Mas e sempre um bando de abutres hierarquizados. Que nojo me davam. Entrámos no jipe e seguimos
14 comentários:
A sorte foi o jeep ter pegado, senão tinhas de ficar lá em casa, e com tantos vapores etilicos espalhados pelo ar, ainda te embriagavas e acabavas a assaltar o quarto da anfitreã.
o busilis era se o preledizente da câmbra, custava a adormecer.
hehehehe
bartolo os teus comentarios sao sempre fantasticos. mas sinto alguma mágoa no ar. porque será?
taçvez a minha deformação pessoal seja mesmo isso deformação e cometa o pecado da generalização.
Falta muito para saber se foi felizmente, ou não?
O seu conto, apresentado assim em pequenos textos, e embora eu tenha começado a acompanhar apenas há poucos dias, fica muito interessante. Temos oportunidade de nos determos nos pormenores e de os apreciar.
anonimo sabe como se salvou sherezade? entao nada pode ser claro antes do momento exacto.
Ok, eu espero. E de prémio por estar atento, comento outra frase sua: «Feitas as despedidas guardei a ultima para a pessoa certa.»
Porque tantas vezes guardamos "as últimas" para alguém especial?
seria a certa naquele lugar. porque é sempre alguém diferente, especial aos nossos olhos. que se destaca da mediania.
Porque assim guardamos a nossa atenção para um determinado e especial momento e mesmo quando esse momento acaba queremos ficar concentrados nele, que nada mais nos distraia, queremos preservá-lo intacto tanto tempo quanto possível.
brilhante forma de sintetizar . estou impressionado. mas uma coisa ja sei. tem uma sensibilidade algo diferente do usual.
E há mais uma razão, pelo menos: aumenta-se o tempo de expectativa. E nessas circunstâncias, quanto mais se prolonga, com mais intensidade se sente. E quem não gosta de sentir a intensidade desses momentos?
É provável que para algumas coisa eu tenha uma sensibilidade diferente da usual. Às vezes dizem por aí que sim :)
anonimo talvez todos apreciemos sim mas talvez alguns fujamos desses momentos de intensidade. isto de viver ensina alguma coisa nao acha?
acima de tudo se, como é o caso do personagem, ainda nao tiver mudado. ou nao o desejar fazer.
Isto de viver ensina alguma coisa, sim, e por isso lhe digo que não se pode fugir de momentos de intensidade, apenas mudar o cenário da intensidade: trocar a presença pela ausência, o ir ao encontro pelo partir. Mas´tudo isto é igualmente intenso.
Ó h meu amigo Sage...
digo amigo com alguma propriedade, para mim, quem se dá ao incomodo de escrever para prazer do alheio (mesmo que, também para o seu), merece no mínimo a amizade do alheio, por esse esforço.
Dizia eu... óh meu amigo Sage, não ha mágua alguma no ar (o que havia eram vapores etílicos, hehehe)
A sério, vou para com a galhofa e vou fazer uma declaração solene.
O meu amigo sage merece toda a minha consideração, não só pelo motivo atrás exposto, mas também pelo que transparece da sua personalidade. Eu que provavelmente não mereça a consideração de me permitir visitar o seu blog. Porque, apesar de apreciar o que escreve e a forma como o faz, ou seja: a forma e o conteúdo, não sou capaz de resistir a uma serta sátira e um determinado espicaçar, no intúito de o levar a escrever "barbaridades" sexuais. Já percebi que não é o seu estilo, mas a minha máxima é "vencê-los pelo cansaço" hehehehe
Perdão Sage, sou completamente tolo, mas... quéquesepodefazer? Actualmente até os tolos têm direito a existir...
amigo bartolo,. creia que é sempre um prazer ler os seus comentarios. as tao almejadas barbaridades dificilmente surgirão, e quando surgirem acredite que serão apenas e só cerejas da alma.
aprecio muito a sua forma de colocar as questões. apareça sempre. e se alguém se sente indigno sou eu, que sendo um mediocre me atrevo a chamar isso aos outros. coisas da vida. um abraço
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