quarta-feira, março 28, 2007


- Mas que tem o Manuel a fazer neste fim de mundo? – Perguntou.
- Trabalho de coordenação arqueológica, e você que faz aqui? – Respondi.
- Não sei, vegeto – respondeu.
- Mesmo profissionalmente?
- Sim em Portugal e especialmente neste local qualquer pessoa com ideias é segregada, vive-se no medo com medo e para o medo. É horrível – terminou
Reconhecia nas suas palavras a realidade cruel. Vivia-mos num estado de medo. o poder tinha, de alguma forma, feito regressar as pessoas ao medo do dia 24 de Abril de 74. esse medo sentia-se em tudo. Ninguém ousava levantar a voz contra um estado cada vez mais totalitário. Um totalitarismo neoliberal onde todos éramos sacrificados. Jovens, velhos crianças. O ensino era e é em Portugal mais que medíocre, a sistema de saúde, desmantelado e implodido pelos sucessivos governos, estava um caos, o desemprego alastrava em todas as classes sociais. Diria que éramos e somos um povo triste, sem esperança, governado por terroristas, aliás este é o tempo do terror. De um lado os governos, do outro grupelhos, alimentados não se sabe por quem e nem porquê, praticam actos que apenas têm como consequência a perca de liberdades dos cidadãos.

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