quinta-feira, março 01, 2007


Era quase sempre assim. Quando chegava o poder tentava aliciar-me. Era, norma geral, uma tentativa de me condicionar. De norte a sul tinha vivido muitos momentos semelhantes. Sabia o que me esperava, ou pensava que sabia.
A viajem foi curta. Quase que não tinha tempo de acabar o meu cigarro. Um dos prazeres que não tinha deixado. Nesses tempos de radicalismos, fumar tinha-se tornado um “crime” em termos sociais. A velha Europa havia descoberto que ganhava milhões em impostos sobre o tabaco e que gastava ainda mais milhões para tratar de doenças provocadas pelo mesmo. No balanço de tudo isso, os governos tinham decidido contra os que fumavam. Fizeram dos fumadores criminosos. Pura hipocrisia, a industria nada sofreu, e um pouco por toda a parte os fumadores começaram a ser ostracizados.
Tempos negros de um moralismo abjecto. Tudo começou a ser contabilizado em termos de custos. Pessoalmente estava a atingir um ponto de saturação face à pequenez do País.
Não a pequenez geográfica, mas sim a pequenez cultural, social, mental. Sufocava-me pensar nisso. Estava a ficar com claustrofobia.

3 comentários:

Bartolomeu disse...

Amigo Sage...
uma análise sociológica, ou um olhar aleatório sobre a realidade das contrariedades?
Eu, não-fumador, confesso que não nutro qualquer antipatia por quem fuma, confesso ainda que me incomoda receber o fumo expelido por quem fuma. Acima de tudo incomoda-me quem inicia o consumo de um cigarro num espaço onde eu, não fumador, me encontrava préviamente. Mas, não faço disso uma tragédia, para que assim fosse, iria antes refilar com as industrias poluidoras, e com esses não me meto, são maiores que eu. Chiçaaaa!

Bartolomeu disse...

Ah, quase me esquecia...
aqui deixo mais uma das canções emblemáticas de Zeca Afonso

Dorme meu menino a estrela dàlva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar


Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor


Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é muito menina
Deixa-a vir também adormecer

Anónimo disse...

amigo bartolomeu. eu tb nao fumo. deixei isso por força da necessidade. mas nao suporto as atitudes de perseguição de que sao alvos os fumadores. e basta ver a legislação que na velha europa e nos novos estados unidos se está a produzir. é aviltante. agradeço a canção do zeca. é linda de cantar e de entender. obrigado