
- Chegámos – disse ela. Saltei do jipe, estava cansado mas gostava da companhia dela. Era alguém que me entendia tão bem, e sentia um carinho algo especial por ela.Entrámos no bar, bem decorado. Cor predominante o preto. Bom gosto, pensei. Um grupo de jovens estagiários aproximou-se. Eram conhecidos da Isabel que fez gala em me apresentar a todos. Mas não estava mesmo nada sociável, assim remeti-me a um silêncio que revelava cansaço e pouca paciência. Pedi uma água tónica, vi alguns dos jovens sorrir. Também já tinha feito como eles. Estava sentado a olhar a forma como rodeavam a Isabel quando ouvi aquela música linda que sempre tinha ouvido, Avec le Temps. Leo Férre no seu melhor. O cansaço deu lugar à nostalgia e fui invadido por uma tristeza enorme. Sentia a Fernanda perto de mim. Na minha tristeza não me dei conta da entrada de uma jovem. Só quando me pediu desculpa ao passar me apercebi. Vestia como eu, tinha um cabelo preto e avolumado, olhos azuis como nunca tinha visto, ou parecia-me nunca ter visto, fisicamente agradável, a voz permitia descobrir uma pessoa decidida.
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