terça-feira, fevereiro 27, 2007



Suspirei ao antever o tédio que me esperava com gente a dobrar-se para um lado e para o outro, não era meu uso sociabilizar-me com muita gente, mas lá teria de ir.
Arrumei as malas a um canto do quarto, e deitei-me a descansar. A viajem e o calor estavam a fazer mossa em mim. Embora me sentisse bem, os efeitos de uma intervenção cirúrgica efectuada anos atrás faziam sentir-se. Rapidamente adormeci.
O som do telemóvel acordou-me. Era a Isabel a perguntar se estava pronto. Disse-lhe que não, que ia tomar um duche mas que em 10 minutos estaria pronto. Era estranho estar de novo perto dela. O estar só e a fragilidade emocional começavam a fazer-se sentir. E depois era a sua pessoa, a sua beleza, e a armadilha das memórias. Estava ciente de tudo isto, mas ainda assim começava a sentir-me tentado.

6 comentários:

Bartolomeu disse...

Hummmm...
telemóvel a chamar, Isabel a fazer-se sentir, através do som da voz, recordação estremunhada de "intimidades"passadas, insinuação do corpo dele nu, no duche...
Hummmmm... a "coisa" está a compôr-se. Palpita-me que vamos ter de mandar os miudos dormir mais cedo, ai vamos... até aposto que vamos.

sagher disse...

" bartolomeu" podem as crianças ler tudo o que escrevo, porque so escrevo sobre o mundo, o meu, e nao necessito de o tornar frio ou inestético. os motivos que as levariam para a cama nao cabém nos meus textos e caso sejam descritivos, procurarei dar-lhes a beleza que as comunhões devem ter. sao coisas demasiado belas para as banalizar.

Bartolomeu disse...

Humm...
Caro Sage, entendi que a sua sensibilidade e o meu sentido de humor, trilham carreiros diferentes.
Não pense que pretendo ser deseducado, ou que não respeite este seu cantinho, que é sem dúvida, um espaço onde se podem ler textos com qualidade e comentários simpáticos (excepto os meus...).
Contudo, dado talvez a virtualidade do ambiente e a consequente falta de expressão que acompanhe a intrepretação do que escrevo, sinto-me limitado na forma de me fazer entender.
Vou no entanto acompanhando os seus escritos, uma vez que não tenciona referir neles aqueles pormenores mais íntimos, peço-lhe que satisfaça a minha gula, e refira ao menos a iguarias que foram servidas lá no tal jantar.
É que por experiência, sei que no Alentejo se come invariávelmente bem. E eu sou tãããão guloso.

sagher disse...

amigo bartolomeu nao verificou, pelo que vejo, a ironia das respostas, aprecio o seu humor de sobremaneira. porque ele é provocatório, interessante. de lugares comuns acredite eu estou farto e se lhe respondo é porque nao "o" entendo como comum. das iguarias da região, sou entendido, mas nao sou provadôr. o coração isso me obriga.
e por favor nao deixe de comentar, como lhe disse os seus comentarios sao apreciados e lidos com atenção. creia nisso.
seu saggher. eu sei o significado de "sage" seria pretensiosmo aspirar a tal.

Bartolomeu disse...

:(
No meio de tudo o que ficou dito, aquilo que realmente me entristeceu, foi saber que o seu coração lhe limita as provas.
Tudo o resto, teve a faculdade de confirmar a minha máxima "todo o ser inteligente (sage) sabe entender-se no campo das opiniões"
E a propósito... ou não, mas porque é sempre grato recorda-lo, aqui fica um poemados mais belos do "homem"

Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar

Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento
Na areia
Dorme à noite
Ao relento
Do mar


E se houver
Uma praça
De gente
Madura
E uma estátua
De febre
A arder


Anda alguém
Pela noite
À procura
E não há
Quem lhe queira
Valer

Vejam bem
Daquele homem
A fraca
Figura

Desbravando
Os caminhos
Do pão


E se houver
Uma praça
De gente
Madura
Ninguém vai
Levantá-lo
Do chão


Vejam bem
Que não há
Só gaivotas
Em terra
Quando um homem
Se põe
A pensar


Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento de areia
Dorme à noite
ao relento do mar

Anónimo disse...

é tao bom ler algo que nos enviam e com quem se partilham gostos. mil obrigados pela estrofe

Quem lá vem
Dorme à noite
Ao relento de areia
Dorme à noite
ao relento do mar