sexta-feira, julho 10, 2009



















Hoje não me apetece escrever. Não tenho temas nem ideias. O verão fode-me os neurónios todos e deixo-me levar pelo desejo pornográfico de me esticar na praia a ver todo o coname bom que vai passando. O meu filho acha-me um perigoso tarado. Teme pela minha saúde mental, especialmente quando lhe digo que o verão é convite ao sexo desenfreado e selvagem, ou quando o alerto para a necessidade de abandonar as pivias e se dedicar a usar o talo de forma digna e bem mais prazenteira. A merda do trabalho tira-me a vontade de viver. Gente e mais gente a foder-me a tola. Gente que se leva a sério, que teima em tentar ensinar-me como se vive. Como eles vivem claro. Vidinhas reles, cinzentas e hipócritas. Levam-se a sério, convenceram-se de que fazem coisas importantes e que é esse o nosso papel neste mundo fétido e podre. Do alto do seu oco saber, apregoam morais feitas de papel e comportamentos socialmente aceites. Eu finjo todos os dias ser um pouco como eles e um pouco como eu. Ou seja todos os dias me fodo um pouco mais. Faço de mim uma puta. É essa a medida exacta do que sou. Puta. Infelizmente nem sou uma puta daquelas que ganham dinheiro a vender a cona a quem mais der. Não, eu sou uma puta social. Vendo a merda da imagem num mundo cheio de gente sem alma e sem tusa. Vendo o “ser”. Aspiro, como todos os merdas deste mundo que se prostituíram de forma consciente, ao dia em que dignidade se sobreponha á ditadura social em que mergulhei. Até lá a verdade é que não me apetece escrever. Até esta merda de escrever a usar correctores, se transformou numa ditadura educacional filha da puta. Cada palavrão lá está o vermelho por baixo a dizer-me que estou a violar as regras. Ainda assim o broche lá se vai safando por via de ser usado nas lapelas das gajas. Agora minetadas, canzanadas ou uma palavra tão simples como foda, são de imediato assinaladas. Este mundo é um logro, milhares de incapacitados mentais teimam em acreditar que “um dia vão ser felizes”. Puta que os pariu. Ainda nem viram que a única felicidade a que os deixam aceder é à Morte. Porque digam o que disserem um tipo que começa a trabalhar com 17 anos, e só lhe permitem que se reforme aos 65 nunca pode ser feliz. Porque quando se reformar nem vontade tem para foder, nem as gajas boas querem foder com ele, porque e antecipo já a vossa merdelosa conclusão, para mim a felicidade passa muito pela foda. e assim com 60 e tal anos o escravo que foi contenta-se em bater ocasionalmente uma punheta e a frequentar umas massagistas no único prato q`uesta merda de processador de texto não censura: o broche. Aliás aconselho vivamente o vídeo no youtube que da pelo titulo de “brochin” com o João de César Monteiro. Uma pérola e um filho da puta de velho que nunca se vendeu a cabtão nenhum. Pelo contrario chulou uns bons milhares a gozar com a maralha toda e ainda teve a coragem de dizer:- eu quero que os portugueses se fodam. Grande homem este João, dos poucos felizes a vida inteira. Devo dizer que o invejo, é que de verão lá estava ele no príncipe real a convidar as miúdas que passavam a massajar-lhe o caralho. Gostem ou não do homem a verdade é que ele sempre se esteve cagando para todos nós.

Manuel F. C. Almeida

7 comentários:

Anónimo disse...

Porra!...saguinho!...

Olhe lá, gostei do que li, apesar
de ser pesado,é que já passei dos quarenta.
a.m.

paula disse...

para quem não tem nada para dizer disse tudo com a música a conDizer...

Moura ao Luar disse...

Foi só começar, o resto veio a seguir. Gostei do registo diferente.

Ana Camarra disse...

Ó Manel!!!!!

Todos os caminhos vão dar ao sexo?!
Todos?!
Não retiras prazer de viver com mais nada?!
Não acredito!
Mas o puto tem uma certa razão!
E tu estás num daqueles teus estados de exaltação mistica!

Beijos
(é beijos mesmo!)

Chapa disse...

Ainda bem que não te apetecia escrever. Quando não te apetece escrever, ficas mais parecido com o Manel que eu conheço, do que quando escreves os poemas lânguidos e certinhos, de métrica alinhadinha e vocabulário bem comportado.
Um grande abraço

Zica Cabral disse...

inspiradissimo no seu momentaneo desiteresse pela escrita. E que grandes verdades disse neste texto de linguagem vernaculo/gil vicentina.
Gostei. No fundo, todos nós temos que ser, a certas alturas.putas sociais. Vendend uma imagem exterior que nem sempre coincide com a nossa verdadeira essencia nem com o que pretendemos da vida. Mas o viver em sociedade assim o exige.
Ainda bem......que ja passei essa fase e a deixei para trás ha muitos anos.
Agora vivo na Paz de um paraiso onde espero morrer um dia (sem planos para o futuro e vivendo intensamente o presente......todos os dias) e onde aprendo todos os dias a olhar para as coisas que me rodeiam com olhares diferentes.
um abraço
Zica

Paula Raposo disse...

E é mesmo assim!