domingo, março 30, 2008


Como?

Como te meço e te não meço
Como te tomo e te não tomo
Como te vi e te não esqueço
Como te como, como te como…


Manuel F.C. almeida

quinta-feira, março 27, 2008




V





O meu caminho
Descobre-se no desenhar
Do teu ventre e no
Abrir do peito ao vento…
Como num beijo
De magia intemporal


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, março 25, 2008



IV


FOTO BY:junior Franch






No tempo dos jardins
Suspensos,
Engalanei o teu corpo
Com o perfume dos campos.
Á noite,
O silencio e o cheiro das
Janelas que abrias
Eram fontes encantadas
De onde fiz brotar
Uma corrente
De águas férteis.


Manuel F.C. aAlmeida

sábado, março 22, 2008







III





FOTO BY:
Luis Mendonça



Perdido no abandono
Do corpo
Descubro no outro
O desejo de parar
O tempo.



Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, março 21, 2008







II

foto by:Ricardo


No anseio húmido
Dos lábios
O tempo cavalga
O impulso da luxúria.


Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, março 19, 2008




o tempo

I

FOTO BY:bruno silva



O tempo vive no olhar
Dos homens.
Eleva-se rápido de encontro
Ao tédio e á morte.


Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, março 17, 2008






criação




foto by: Marta Ferreira - www.mfotografia.com






No teu cálice fecundo
faço a vida.
bebo o mundo.


Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, março 14, 2008





tela




Desenho os teus lábios
Com espuma viva do mar
E em teu ventre
Deposito os frutos
do meu cantar.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 12, 2008



Do nada tudo acontece

foto by:MARIAH








Vou um dia levantar os olhos ao universo e agradecer os dias de mistério que me antecederam. Prometo faze-lo no dia em que ao amar uma mulher eu ame todas as mulheres, que ao cheirar uma flor, eu cheire todas as flores ou que ao escrever um poema eu sinta a alma de todos os poemas possíveis. Vou um dia levantar os braços e abraçar o vazio como se fosse vida, porque é da vida que o universo trata. Matéria inanimada que se anima numa faísca de nada. Energia pura, sem essência, que se alimenta em si mesma como probabilidade matemática e se constrói na realidade dos tempos. Vou um dia levantar os olhos aos céus e matar os deuses dos homens, porque o universo já acontecia antes dos homens.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, março 10, 2008



ele há dias....


Ele há dias assim. Levantamo-nos e damos conta de que tudo o que se segue é igual ao dia anterior. Olhamos o espelho e quem nos olha é um estranho. Uma máquinazinha sem sentido ou objectivo. Nada importa. Arrastamo-nos num mar de tédio e de enganos. Ao nosso lado nada existe. Nem a cor acinzentada dos olhos ainda pouco habituados à luz, parece importar-nos. Estamos sós perante o que não queríamos ser. As palavras que nos dizem não passam de palavras proferidas no calor dos interesses e dos momentos. Quem somos? O que somos?
Nem para isto temos resposta. A mão que surge e nos agarra, não trás com ela nada de vivo. É a mão do hábito, a mão que teima em dar-nos cicuta que nos mantêm enlouquecidos. Até ao dia em que se descobre na sua verdadeira essência e resolve partir deixando no seu lugar um vazio ruidosamente silencioso. ..


Manuel F. C. Almeida

sábado, março 08, 2008




mulher



foto by:Amanda Com









Adormeço junto aos sabores
Do teu corpo
num cofre de cravos e
e alecrim.
E deixo o teu sorriso aplacar
o meu desejo por ti.

Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, março 06, 2008






Sons



Foto by:Amanda Com



Vieste com a minha presença
Por entre o fruto vivo
das coxas
e o esplendor da língua
nos seios.
E o verbo perdia-se
Por entre os sons
Retorcidos
Dos corpos
Em espera.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, março 04, 2008







Impressão digital



FOTO: BYRafael da Silva Macedo






Uma vaga impressão digital
Pressionando o espírito.
A demência selvagem
Dos corpos putrefactos.
O catalizador
Que de olhar fixo
Exorciza o tempo
E o teu corpo
Dança numa fina
Linha de vento.


Manuel F.C. Almeida

domingo, março 02, 2008


CONSTELAÇÃO


A suavidade das cores anuncia a chegada dos dias. Do fogo solar falam-nos os raios da madrugada. Da poesia o corpo em contra luz de uma garota de seios pequenos e vivos.
O poeta canta a letra patética e insidiosa do sexo adiado. Das suas mãos solta-se o verbo, dos olhos o desejo e o corpo exala um perfume adocicado a tédio.

Manuel F.C. Almeida