sexta-feira, fevereiro 29, 2008






wild side


foto by:carlos pereira


Walk on the wild side
E toma-me o corpo
Num copo de absinto
Translucido...


De azul pálido, carregado


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 27, 2008







PERDIÇÃO









Foto by:Amanda Com

Vagueio ao som adocicado
Das marés, e transporto no olhar
A ternura de um luar
Presente nos sonhos.



Manuel F.C. Almeida



segunda-feira, fevereiro 25, 2008




SUSSURRO




FOTO BY:Hugo Macedo



Desafiei o poema que bailava
Entre os meus dedos.
E as palavras que saltaram
Sussurraram-me teus segredos.


Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 23, 2008





TU





foto by:Amanda Com








Ocupas no meu corpo o universo
Que um dia quis ter conhecido
Desenho-te em cada verso,
Que nos segreda o que por nós
Já foi vivido
Cheiro, sabor, recordação
Da troca que fizemos tantos dias
Dos corpos nus, agitação
Dos mil orgasmos
Que sentias.


Manuel F.C. Almeida

quinta-feira, fevereiro 21, 2008






POUSO



FOTO BY:Fernando Bagnola







Nesta estranha acalmia dos dias, meditar um poema nas páginas de um livro qualquer, é como deixar crescer o silêncio dentro da alma sem que nada impeça o tempo de nos conduzir através do seu vector invisível. É nestes momentos que descubro a tua silhueta em contra mão e pouso o olhar na tua sombra.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 18, 2008






OLHAR



foto by:Marcos Sobral Nudes & Fashion



No fim da tarde, quando as cores se desvanecem e as aves se recolhem
Encontro enfim o teu canto, na linguagem contemplativa
De um olhar apaixonado. Mistério da existência. Corrida amarga
Contra o tempo. A teu lado o ópio entorpece-me os sentidos e a visão tolda-se ao leve toque do olhar.


Manuel F. C. Almeida

sábado, fevereiro 16, 2008








PORQUE AINDA HÁ HOMENS COM ESPINHA DORSAL

(Embora corram o risco de ser presos como o sindicalista).

ESPECTACULO:

CANÇÕES ANARQUISTAS


Não me pergunto onde vou

Os caminhos nunca acabam

Andorinhas de asa negra

Só vivem enquanto voam·

De polícia já estou farto

Civil ou republicana

De presidente de estado

Bem fardado ou à paisana·

Chapéu preto bem nos olhos

Residente em parte incerta

Trago bombinhas com mel

E os sentidos sempre alerta·

Da natureza nascemos

Vivemos com a razão

Vendo luas e não pago

Imposto de transacção.

Composição: Vitorino Salomé

quinta-feira, fevereiro 14, 2008








Descoberta

foto by:DDiArte



Não mais esqueço aquela face branca que se colocou á minha frente de lábios entreabertos no convite claro ao beijo. Recordo ter misturado os meus lábios com os dela e o sabor a canela ter tomado os meus sentidos. Beijamo-nos longa e calmamente, saboreando cada gota de saliva e desenhando com as mãos o corpo do outro. Quando acabámos deixámos os olhos falarem. Naquele dia descobri que o prazer é algo mais que um momento fugaz.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, fevereiro 12, 2008





DESERDADOS

Crianças esqueléticas deambulam
Nos montes de gordura supérflua
Da cidade,
Longe,
Dos olhos da cidade.
Dos despojos privilegiados
Da cidade.
Escondidas da cidade,
Escondidas da obscenidade
Que empesta as modas
Ricas da cidade.
E a cidade adormece devagar
Ao ritmo sacrossanto das igrejas,
Dos bares de diversão,
Dos centros comerciais e
Das consciências de avestruz, que falam
A inevitabilidade da pobreza e da fome,
E justificam as esmolas
Na nossa hipócrita existência.
As crianças esqueléticas
Um dia vão voar e exigir
O seu quinhão de humanidade.
Deixarão de ser coitados
Submissos.
Sairão dos seus lugares
Miseráveis
E virão, rumo à cidade tomar,
Com os olhos ocos de sentimentos,
A vida que lhes roubaram.
Abandonarão a inocência
Que a cidade tanto aprecia
E como DESERDADOS
Virão cobrar a herança da vida
Que lhes foi negada.
Numa raiva sem forma,
Sem história, sem nada...


Manuel F.C. Almeida

domingo, fevereiro 10, 2008






I



Foto by:Vinicius Andre Rodrigues Parente







Nos gestos com que te desenho
Esconjuro a escuridão do abandono
E do luar em que te descubro
Erguem-se os desejos
Dos lábios em comunhão.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, fevereiro 08, 2008





JÁ!



FOTO BY:Fernando Figueiredo

Com licença! Com licença!
Tenho pressa em comprar;
O voar de uma gaivota,
Uma flor de encantar,
Um planeta de ar puro,
Um prado pra dormitar,
As areias de uma praia,
Um lugar pra descansar.
Tenho pressa! Tenho pressa!
De um mundo novo criar.

Manuel F.C. Almeida

quarta-feira, fevereiro 06, 2008







ilusions
foto by:António Louro


Não tenho sonho maior
Nem ilusão que se compare
Que ver-te contra o luar,
E querer adivinhar-te
Envolta na bruma da noite
Para na noite te amar.

Manuel F.C. Almeida

segunda-feira, fevereiro 04, 2008









Maré








Guardo a linha do teu espaço
No jardim do meu olhar
E percorro com as mãos
O mistério que te trouxe à orla

Do meu amar.

Manuel F.C. Almeida

sábado, fevereiro 02, 2008



Pensar-te









foto by:Amanda Com



Da escuridão da alma
Que posso dizer?
Sente-se em cada interrogação
Do olhar
E entre o vai e vem
Do desejo
Liberta-se a luxúria
Do pensar.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, janeiro 31, 2008







Abrigo







Foto by:grENDel



Vou percorrer na madrugada
O caminho da bruma
E abrigar-me nos teus lábios
Até o sol raiar.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, janeiro 29, 2008





saudade



foto by:TIAGOXAVIER





Foi no tempo
Perdido,
Em que estavas
Ausente
Que sem nunca te ver,
Sentia
Que eras sempre
Presente.

Manuel F. C. Almeida

domingo, janeiro 27, 2008












ANDAMENTO





Não te me mostres
Deixa que te descubra nos
Teus silêncios e segredos.
O amor não se resolve
Em palavras, mas na procura
Dos lábios e no ritmar
Dos corpos enlaçados.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, janeiro 25, 2008






SENSIVEL



FOTO BY:n...o






Teimo em procurar nos dias que passam a chama que um dia me iluminou a alma. Deambulo pelo vazio dos meus dias, convencido que o tempo tem sentido e justiça. Sou aquele que um dia deixou apagar o fogo e que fez dos dias um inferno de gelo. Não me transformei, nem me transmutei. Sou o mesmo que fui, aquele que nunca quis ser o que foi mas que luta por ser o que não é. Suprema contradição esta procura de mim, na fuga que um dia encetei de mim. Ausente, sou uma sombra do meu “eu”. Prisioneiro nesta estatua que criei, há muito que me hipotequei à inevitabilidade do real. Não procuro rios de águas sem cor ou jardins supostamente suspensos, não procuro deuses ou deusas.
Só aspiro à transparência das palavras, e já agora a um olhar desassombrado.

(POEMA em memória do HOMEM desconhecido, ou como se implode a existência)

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, janeiro 23, 2008



TO LEONARD










Foi como ave num fio que te conheci.
Tentavas ser livre à tua maneira,
E eu escutava a tua voz nascida
Do fundo da alma.
Fui ouvindo a poesia que te brotava
Do peito como fonte. Foi assim que
Contigo aprendi a amar as mulheres
Na madrugada,
A beija-las de forma terna e a apreciar
Os seus cabelos caídos sobre os seios.
Contigo chorei os amores perdidos
E aprendi a lutar pela liberdade,
Com palavras nas mãos,
E o charme nos gestos e no olhar.


Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, janeiro 21, 2008





AQUI



FOTO BY:Olga










Já não quero fugir deste lugar.
Aqui, cativo do enigma da paixão
Navego as ondas da planície
Que se perdem na linha do olhar,
Angustiosamente repetida.
Aqui, celebro a tempestade
Redentora, a vida renovada
Numa centelha de fogo.
Aqui, encontro o meu caminho
Por entre pedras perdidas
E veredas escondidas
Engalanadas de urze e rosmaninho.


Manuel F. C. Almeida