sexta-feira, novembro 30, 2012
















Costumo dizer que há uma linha
Entre dois pontos, duas pessoas.
Uma linha que separa
E também une.
Costumo dizer que há linha
Há qual me encontro imune.
É a linha do olhar que se não dá
Que não se recebe
É a linha que sem nada dizer
Se percebe.
Há pois uma linha em tudo,
Em todas as nossas acções
Uma linha de esperança…
Ou uma linha de ilusões.
E sempre que encontro essa linha
No meu lento caminhar
Gosto de a percorrer
E de repente saltar.
E deixo a linha seguir
O rumo que ela escolher
Eu…desenho outra linha
Para novamente viver.

Manuel F. C. Almeida

domingo, novembro 25, 2012





















Nada existe nas contas do rosário

que guardo na raiz do meu sangue.

Só o tempo molda os deuses

E os devolve em barro

Cozido e seco, misturado com

Os gritos de muitos homens

Em sacrifícios estéreis



O bem e o mal são faces estranhas

De todos nós e do nosso medo

Para com a vida e a liberdade.



Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, novembro 22, 2012





















Eu escrevo poemas no teu ventre

E neles liberto me liberto

Das águas gélidas da existência

Amarga e vazia que todos os dias

Me persegue.

E tu… nunca saberei o que sentes

Quando me acolhes e me proteges

Sé é que me acolhes e me proteges

Ou tudo não passa de uma troca

De liberdades e existências. Sem cor

Sem ternura, sem paixão.



Eu escrevo poemas no teu ventre

Gritos de solidão.



Manuel F. C. Almeida








sábado, novembro 17, 2012


















São como frutos de Outono
Os corpos matizados de odores
E sabores que em sofreguidão
Se oferecem à nossa luxúria
E os sons que emitimos
Saídos da alma, prenhes de gozo
Empurram os ventres
Na procura dos lábios
Sabiamente tomamos
Os corpos em delírio
Ternamente acordados
Pelo nosso querer

E com beijos e urros
Tomamos o outro
Cavalgamos os corpos
E caímos inanimados de prazer.


Manuel F.C. Almeida

terça-feira, novembro 13, 2012















Toda a poesia é inócua.


Gosto de ler poesia,

Daquela poesia que fala do amor

Imaginário e que nunca acontece.

É sobre esse amor que gosto de escrever.

Delicio-me a descrever com palavras

Belas a beleza oculta e imaginária

Dos corpos, a excelência dos sentidos

O êxtase do encontro. Geralmente

Alguns leitores vestem a máscara social

E aplaudem, dizem ser belo e outras

Coisas do género. Raramente algum é honesto

Na verdade é limito-me a escrever sobre merdas

Que não existem, e a deixar escondida a

Minha real intenção.



A poesia é fodida.

Os poetas querem a alma do mundo e

Ter uma desculpa para não falar.



Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, novembro 07, 2012















Tenho finalmente o meu terreiro.
Cubram-se as casas,
Desfraldem-se as janelas
Num intenso e inabalável fogueiro
Que perdido que fui anos a fio
Reencontrei o carinho nelas.
Já nem sei como as cantar
Se com versos ou com quadras
De rimar
Se unicamente com a doçura
Das canções que se fazem
Num olhar.

E num sul agreste, vivo
Em degredo.
Numa terra seca e que
Seca as gentes
Mas teimo em manter
Vivo este segredo
Um sonho, uma luz
Que um é regresso
Ao terreiro onde as danças
Se revoltam
E onde os olhos de quem dança
Me abraçam e me confortam.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 31, 2012





















E se um dia puder
Espalhar-me pelo mar
Fundir-me no tempo
Ou soltar-me no ar
Deixarei de ser homem
Serei finalmente
Somente memória
Um sopro de sal
Que o vento carrega
Num segundo de história.

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 28, 2012





















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.


Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, outubro 24, 2012





















Não entendo, nem poderei entender
A cruel curiosidade de ser,
A luz que se vai na paisagem,
O medo da vontade. A miragem.
Não entendo as razões que a minha razão
Vai criando. O horizonte que se move
Sem que movimento se veja
Ou a mulher que me abraça. Ou me beija.
Só entendo o inevitável, a morte que me acompanha
E a areia que escorre pelos meus dedos
Lavando consigo o tempo carregado de corpos
Desejados. Meus segredos.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, outubro 19, 2012





















Porque se fecham os dedos
E se levantam os punhos?

Quando tudo o que move mundo
São os lábios!

Manuel F. C. Almeida

domingo, outubro 14, 2012



















Percorro o meu olhar
com o teu corpo
Desenho o meu desejo
em contraluz.
Espaço é um lugar onde
te encontras
Nua como oferta de
deuses aos homens.

E o desejo é um arco-íris sem barreiras.


Manuel F. C. Almeida

sábado, outubro 06, 2012
















Tenho-te guardada no coração,
No canto sofrido da alma,
No mistério das palavras
De silêncio.
Tenho-te solta em cada olhar
Em cada gesto que faço
Em cada canto e em cada passo

Tenho-te sem nunca te ter
Ó minha irmã liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, setembro 30, 2012















Procuro nos poemas
O saber que sempre foge,
O apaziguar impaciente
Do espanto.
E de palavra em palavra
Vou vislumbrando a ciclópica
Tarefa e em vão continuo
A saga de tornar translúcidos
Os conceitos.
Morrerei ao tentar, morrerei
Sem honras e sem glórias
Porque as palavras não se prendem!
São a liberdade das memórias.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 24, 2012
















Deste lugar percorro o mundo
A cavalgar palavras e sonhos,
Sem barcos ou velas
Soltas ao vento
Sem pregões ou
Vontades alheias.
Sigo só neste caminho
Que um dia desenhei
No plural,
Esquecendo por um momento
Que não histórias felizes
Ou se as há…
Eu nunca as soube encontrar.do
m
Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 19, 2012















Passeias-te pelas portas
Abertas de par em par
Em sonhos de vidas já mortas
Teimas em te encontrar.
Olhas para o lado, com medo
De nunca saber que pensar
Quem lá vive tem um segredo
Da cor da alma e do mar
Dás-te sem nunca te dares
Nunca estás se te procuram
E mesmo quando te encontram
Os encontros pouco duram.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, setembro 14, 2012

















Dia a dia, em silêncio,
Ilumino o coração
Toda a vida é uma viagem
Todo o tempo solidão.
E sem ceder à paisagem
Cruzo o sonho e a ilusão
Que nesta barca de sombras
Tudo é vida, tudo é paixão.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, setembro 10, 2012





















Os lábios
Ausência.
O olhar
Perdido.

E a lamparina
Que aviva
A doçura
Do teu ventre
Vivido.

l F. C. Almeida

quarta-feira, setembro 05, 2012
























Quando entras tatuas sempre algo.


Uma flor, uma pedra preciosa


Ou simplesmente o teu perfume.


Quando entras não há mais retorno


Ao momento em que a porta se abriu


E decidiste entrar.


Quando entras deixas sempre


A tua marca de alma na parte


Escondida da porta.


Quando entras podes sempre sair


Mas há sempre algo teu


Que teima em ficar.



Manuel F. C. Almeida


quinta-feira, agosto 30, 2012


















Bordei-te o olhar


Na ondas.
Feito de pérolas roubadas
Ao oceano.
Estátua impenetrável
de espuma e desejo
Como um poema de luz,
Um trajecto, um beijo
Na demanda da vida.



Bordei-te o olhar



Nas onda



E com elas me encantei.



Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 25, 2012


















Mudem o rosto,
Libertem o tédio.
Porque todo o hábito
É solidão.
Nada existe fora
Do mundo
E o nada é apenas
Pura ilusão
Guardem o corpo
Do olhar alheio
Porque a nudez
a todos ofende.
Soltem as velas,
Partam sem rumo.
Só em liberdade
A existência se entende
Aprendam por fim
O número mágico
A soma presente
A nossa prisão
É o número dos Deuses,
Criado pelos homens
O medo, a moral
E a tradição.
E se é meu o meu corpo
E apenas só meu
E nunca por nunca
O irei empenhar
Que a sede dos corpos
Se mata nos corpos
E é nessa sede
Que se encanta o olhar.
Chamam-lhe amor,
Os menos atentos
Outros há que lhe
Chamam paixão
Mas tirem-lhe a culpa,
E a mascara que usam
E tudo será
Apenas tesão

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, agosto 13, 2012
























E todas as noites mais não são que esquecimento.
Ao acordar só há tempo para memórias.
E tudo começa de novo no meio de uma interrogação
Temporal. E caminho sem rumo, sem destino e sem
Instante. E passo pela madrugada de gotas de orvalho
E flores que se revelam. Não há passado nem futuro
Só o presente se revela imutável. Mas a cada instante
Que passa é a morte do presente que o já não é.

E se o presente nunca é, o passado apenas tempo
E o futuro mera incógnita.
Então toda a existência é simplesmente ilusória.

Manuel F. C. Almeida

sábado, agosto 04, 2012




For a Friend










Nunca por outrem vivas os dias
Que só por ti a vida te passa.
Tu és a ave furtiva que se alimenta
De ti e em ti,
O insecto de vida que te
Fecunda em flor.

Nunca por outrem vivas os dias
Porque são teus os dias
De amor.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, julho 30, 2012

















Já me esqueci do momento último
Em que o teu corpo se enlaçou no meu
A janela do quarto estava aberta
E a sombra da lua projectava-se sobre a cama
Tínhamos inventado o amor
Naquele quarto escuro onde o cheiro
Do sexo se misturava com o tempo
Guardo na memória aquele teu sorriso
O olhar vazio do orgasmo…

E aquele lençol que tingimos
Está na arca das memórias sem rosto.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, julho 26, 2012





















No leito suado deixámos
As marcas do desejo e da paixão
E quando de manhã
Olhares cruzámos
Neles estava a solidão
E então brotou toda a verdade.
O amor que me falas, quando mo dizes…
É só necessidade, é só tesão.

Manuel F.C. Almeida

domingo, julho 22, 2012
















Há uma mulher que espera
Uma luz na madrugada…
Num canto apagada.
Olhar fixo, ausente
Olhar prenhe de nada.
Nas mãos as flores,
Estilhaços de granada
E o corpo hirto de amor
Numa verdade adiada.

É a luz da madrugada
É a luz da alvorada

E a mulher lá fica á espera
Talvez da vida, talvez de nada
Estátua que se não move
Estátua quieta, parada
Na esperança que algo mude
Mas que o algo a mudar
Seja mudança adiada.

Manuel F. C. Almeida


terça-feira, julho 17, 2012





















E foste verbo e foste mundo
Foste paisagem sem ter fim
Num movimento profundo
Saído de dentro de mim
E seguiram-se descobertas
Plantas com cheiro a jasmim
As janelas ficaram abertas
A paisagem era um jardim

E quando a noite chegou
Por entre abraços e beijos
A escuridão acordou
E os corpos encaixaram-se
como eixos.


Manuel F. C. Almeida.

quinta-feira, julho 12, 2012



















Escondemos o sexo com pudor
E uma moral obscena
É mais aceitável a guerra
E os corpos dilacerados
Que a imagem do amor
Em corpos enamorados.
Tão estranho é este mundo
Que não tolera o prazer
E nos mostra todos os dias
Pilhas de corpos a arder
Numa orgia imoral
Em loucuras pelo poder

Por isso nunca entendi
E nunca irei entender
O heroísmo da guerra
E a vergonha do foder.

Manuel F.C. Almeida

sexta-feira, julho 06, 2012





















Disseste que me amavas
Naquela tarde em que o sol
Me iluminava os olhos
E os lábios se tocaram
Como plumas ao vento.
Disseste que me amavas
Como se ama uma paisagem
Que se mostra novidade.

E nunca mais falaste de amor

Porque falar não é ser
Quantas vezes as palavras
São apenas manifestações
De espanto dos sentido?
Amar é muito mais que
Palavras de ocasião
Amar é ter prazer
Na entrega ao outro

E nunca mais falaste de prazer

Falas de coisas banais
Da vida que corre
E te consome
Não há plural do acontecer
Não há plural no agir.
Tudo existe como é
No interior da tua
Vida solitária.

E por vezes sabe-te bem a companhia.

Manuel F. C. Almeida

terça-feira, julho 03, 2012
















Pedem-te tanto, e tanto dás
Pedem-te o tempo e a tua vida
E quando olhas para trás
A tua vida está perdida.
Nas tuas mãos estão sonhos feitos
Construídos dentro de ti
No teu olhar dias desfeitos
Saltam se ao vento agora aqui

E tu já não sabes
E nem deste por isso
No interior cruzas-te sabres
E hoje és resultado disso

Pedem-te tanto e tanto dás
Pedem-te a vida entre os dedos
Querem te pôr onde não estás
Querem que vivas outros medos
Mas dentro de ti está a resposta
Amar também é ter saudade
E quem te ama assim te gosta
Amar é sempre liberdade

E agora sabes
Todo o caminho é só teu
E no final das tuas as tardes
Já não há medo. Ele morreu








Manuel F.C. Almeida

Para ouvir só com a música

http://youtu.be/hSnuyoo_RCU




quarta-feira, junho 27, 2012




















Algures entre o sonho
E o passado
É o teu lugar.
Mais que um navio
No deserto das almas
Tu és um círculo de fogo
Num melodia sem
Compasso.

Algures entre o sonho
E o passado
Tu foste uma orquídea
Nos jardins suspensos
Da minha memória
Onde tudo se apaga
E onde só a musica
Não se acaba.

Porque a vida é algo mais
Que frases e intenções
Temporais.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, junho 21, 2012

















E quando te despes, eu vejo
Em silêncio, o que os deuses
Criaram com tanto ruido

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 15, 2012
















Tudo passa velozmente
E nem damos conta disso
E um dia de repente
A vida levou sumiço.


Vivem-se todos os dias
A correr e nunca pensar
Raras são as alegrias
Raro o tempo pra sonhar


E um dia ao levantar
Olhamos o espelho e pensamos
-Que a vida se está a acabar
E em silencio ficamos


Pensamos no tempo já ido
Nos sonhos abandonados
Nas razões de não ter seguido
Os refrões em tempos cantados.


E assim termina a vida
A pensar nestas traições
Numa agonia sentida
Por tantas contradições


ManuelF. C. Almeida

domingo, junho 10, 2012





















Dia a dia e em silêncio,

Ilumino o coração

Tudo na vida é miragem

Todo o tempo solidão.

E sem vender a minha’lma

Cruzo o sonho e a ilusão

E cruzo a luxuria que anima

O teu corpo nesta mão.

E tendo sempre presente

Que amar não é prisão

Faço da minha miragem

Um poema e uma canção

Onde habite a liberdade

O saber e a paixão.



Manuel F. C. Almeida

terça-feira, junho 05, 2012
















Receber-te como dádiva
Num amor
De flores e 
De tempo
Num cálice de ternura
E beijos de prazer.
É como o recomeçar da
Viajem
Da vida, do olhar e do
Ser.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, junho 01, 2012

















Com um leve toque se ilumina
O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em se mostrar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 27, 2012

















E quando me dizes:- amo-te
É como se um jardim
Florescesse nos teus lábios
E uma gota de vida
Iluminasse o meu olhar
E renascidos pela tua voz
Os cravos da liberdade
Cumprem-se no acto
De amar.


Manuel F. C. Almeida

terça-feira, maio 22, 2012





















Estou cansado.
Sim…cansado
Cansado de uma luta desigual
Onde o olhar se perdeu e a verdade
Se cala.
Estou cansado. Cansado de mim
Cansado de tudo aquilo, que nunca
Se fala.
Estou cansado. Cansado da espera
De um grito de uma
Bala..

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 17, 2012


















Como descrever os caminhos
As escolhas feitas com o coração,
O perfume de ser e estar na solidão
A viajem sem destino ou identidade?
Como descrever a penumbra
Em que mergulham os que não existem
Os que são úteis na batalha ocasional
Dos interesses do pudor.
Como descrever a omissão
Soletrada nas palavras silencio
Na ausência do tacto e dos dedos
No frio e no desdém do sorriso.
Como descrever a normalidade
De viver em liberdade?

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 10, 2012













Acabou de anoitecer
Em mim
Nada peço, nada quero
Nada tenho
Tudo tem um preço.
Dizem.
Existo numa equação
Irresolúvel:

Ser social/ liberdade.

Manuel F. C. Almeida

domingo, maio 06, 2012





















É pelos olhos que descubro
O rosto para lá do rosto
Aquela orquídea escondida
No ventre da madrugada
O assinalar do teu corpo
Na escuridão desta noite.

E com estes lábios nus
Tomo-te o corpo
Num cálice de ternura.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, maio 03, 2012

















Toda a gente que me lê
Lê outro mas não lê
Aquele outro que eu sou

Porque cada um de nós ao ler
Liberta aquilo que lê
Das garras de quem escreveu
E dá a cada palavra
Um sentir de novidade,
Um sentir que é só seu.

Assim, tu que me lês,
Nada vais saber de mim
Porque tudo aquilo que lês
Não é nada do que sou
Mas é tudo o que projectas de ti.

Manuel F. C. Almeida

sábado, abril 28, 2012



















Derramo a existência na flor
Que em teu ventre germinou.
Existo para o amor
Que em ti se reencontrou

E nos teus seios, frutos naturais,
Arranco pedaços de prazer
Que se soltam no ar como ais
Quando na hora de ter
Se espetam nos meus lábios
Como punhais.

Manuel F.C. Almeida

terça-feira, abril 24, 2012

EM ABRIL


EM ABRIL...

Com um leve toque se ilumina

O tempo que é física, nada mais
E é ao mover as mãos que se elimina
Certezas e duvidas sempre iguais.
Nas margens deste ser sem nada ser
Nas janelas abertas sobre o mar
Abro os braços neste meu querer
De abraçar o mundo sem o amarrar.
Porque a vida é luz na escuridão
É flor que teima em encantar
É ter a consciência numa mão
E a liberdade em chama no olhar.


Manuel F. C. Almeida



sexta-feira, abril 20, 2012















Atento vejo o teu andar
O sentido prenhe do olhar
E desespéro por um canto
Que me resgate o desencanto.
Mas tudo tarda em chegar.
Há uma barca no mar.

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

Já não há flores neste jardim
Onde o meu sonho não tem fim
Na monotonia destes dias
Nunca entendi o que sentias
E o tempo no o seu trabalho
Fez do oceano gota de orvalho

Sinto que já não estamos
Com dedos entrelaçados
E só no ar é que encontramos
Os sonhos que despedaçámos

E volto a ver o teu andar
Não encontro o teu olhar
Do desespero fiz um canto
Que resolveu o desencanto
Já nada mais há a esperar
Há tanto mundo para abraçar


Manuel F. C. Almeida

domingo, abril 15, 2012



















E aqui, no conforto de um quarto
Com a voz de Léo Férre em fundo
Não consigo deixar de pensar
No vazio de tudo isto, isto! aquela
Vida sem vida, aquele falar do nada
Que se instala na alma e do qual
Tememos sair.
E não deixa de ser estranho este ser
Sem nada ser. Esta espera amordaçada
Que se tatua no silêncio da verdade,
Este sonho de ser parte de algo
Que não existe. Um livro lido
E algures esquecido, porque é
Da natureza humana silenciar
O medo.

Manuel F. C. Almeida

quinta-feira, abril 12, 2012





















Quiseram um dia entender-me
Como se eu fora diferente
Como se fosse possível ler
O que se constrói dentro da gente
O Certo, errado, o bem e o mal
A alegria a tristeza, o júbilo, a dor
As razões, os equívocos, são de tal
Modo estranhos, como estranho
É querer entender o outro
Sem nos entendermos a nós.

Manuel F. C. Almeida

sexta-feira, abril 06, 2012
















Abre a porta
e as janelas
Algures lá fora
alguém olha
Liberta o que és
a nada te prendas
A vida é só uma não
há tempo a perder
Desfralda as
tuas velas
Faz do teu tempo
a tua escolha
Não sejas cordeiro
de oferendas
Não há deuses ou
deusas, só há viver.

Firme na tarde
de um dia sem tempo
Faz do ser livre
o mote da vida
Faz do olhar uma
obra de arte
Faz da paixão uma
luz que te guia
E como um rochedo
moldado pelo vento
Desfaz-te em mil
pedaços e de seguida
Reinventa tudo
e livre parte
Só na liberdade
pode existir alegria.

Manuel F. C. Almeida

segunda-feira, abril 02, 2012














AO MEU FILHO






Tu és uma folha solta num dia de inverno

Uma colina sólida no meu olhar

Moldas-te em mim e tua presença

Como a noite que se repete e se renova

Como o rio que se precipita até ao mar.

Tu és a força da vida,

presente no meu pensar


Manuel Almeida




28-03-2012

terça-feira, março 27, 2012

























Pinto as palavras
Com a cor da musica,
Soletro-as com harmonia,
E faço com elas
Um hino à alegria
De viver,
Desenho-as no espaço
Dos sons falados,
De hinos de amor,
Ou ódio cantados,
Em tardes quentes
Ou manhãs frias
E com as palavras
Desenho no céu...


Poesias.

Manuel F. C. Almeida

quarta-feira, março 21, 2012






















Nesta minha ordem distraída
Entre dias de inverno
E um desejo animal
Sinto o teu abrir de pernas
Como diamantes e esmeraldas
Que se ofertam aos deuses
E ao toque dos teus dedos
Tomo-te o ventre entre os lábios,
Os seios entre os mãos
E deixo a vida pairar,
Em ondas de aluvião.

Manuel F. C. Almeida