domingo, novembro 12, 2006

linha


na linha desenhada
de um horizonte
perdido
vejo o que sou
e o que fui,
e interrogo-me sobre
o que serei.
linha de um horizonte,
prometido
mil vezes,
nada mais resta
eu sei

Manuel F. C. Almeida

amizade versus amor


" quando alguém ama outrém, qual é que se torna amigo do outro; o que ama, do que é amado ou o que é amado do que ama?"

dialogos platónicos "lisis"

esta questão impõe-se à espécie humana desde á seculos. Afinal o que é a amizade?
o termo provém de um outro conceito: amigo. um termo algo ambiguo que implica a distinção entre amante, o que deseja, e amado, o que é desejado. mas qual deles se impõe? a questão continua sempre em aberto.
então como ja vimos amizade e amor são conceitos interligados, mas onde acaba e onde termina essa ligação?
Ninguém sabe, talvez a solução deste impasse nao resida nos conceitos em si mas nas expectativas que o outro nos cria e claro na matéria histórica de que somos feitos. Assim o amor e a amizade mais nao serão que diferentes perpectivas do mesmo sentimento, o sentimento de desejo por algo que nao seja o outro mas sim a sua representação. a amizade e o amor nao tem inicio nem fim, mas porque sao fruto da nossa projecção serão sempre conceitos condenados a serem escrutinados á luz da nossa vida passada. e neste impasse entre a resposta pessoal e a procura da universalidade impoe-se sempre algo como realidade; Os sentimentos são sempre fruto da nossa racionalidade quer sejam motivados pelo medo quer sejam motivados pela corajem de errar, porque errar faz parte de matrix humana e só a errar podemos conseguir aprender algo de util para o nosso futuro.

sábado, novembro 11, 2006

liberdade


A liberdade quer dizer responsabilidade.
É por isso que muita gente tem medo dela.

Bernard shaw
.
Ocorreu-me esta frase no momento em que procurava em mim respostas para a o desconhecido.
Pensei numa amiga de há uns anos que dizia:
- Eu sou livre. Posso ter um gajo cada noite e não ter de acordar todos os dias com a mesma face ao meu lado. Quantas mulheres mulheres nao terão ja dito ou pensado isto?
Nunca tinha especulado sobre o tema. Inclusive era para mim uma forma de vida bastante livre e assumida. Fiz em parte, parte da história daquela mulher.
Mas olhando para trás que lhe dei eu? Algumas noites de sexo nada mais. Que me deu ela?
Algumas noites de sexo nada mais. É este nada mais, que se transformou objecto do meu pensar.
Que fazemos nós humanos quando a liberdade que dizemos ter se transforma numa forma mais que clara de não assumir a responsabilidade de dar e de receber algo de alguém, de o fazer de forma voluntária e consciente, de partilhar a vida com outro sem esperar nada mais que a medida em que damos?
Questão tão difícil de responder como difícil seria procurar reduzir a espécie humana a um estereótipo. Eu mesmo durante anos segui essa prática sem me debruçar muito sobre ela. É verdade que na maior parte das vezes findo o momento, ficava comigo e embora estivesse acompanhado continuava só. Hoje pergunto-me, quando assim era será que eu estava mais triste ou mais feliz. Que fiz eu da minha liberdade quando a usei como arma contra outros?
Esta pergunta começa a perseguir-me como se fosse a derradeira etapa nas minhas questões sobre a vida. Seremos nós ainda humanos, ou clones com medo da responsabilidade de ser humanos.
Será a nossa liberdade uma coisa vazia ou implica acima de tudo respeito pelos outros e por nós mesmos? e acima de tudo será esta a liberdade de "ser" ou apenas a forma mais facil para nao olharmos para dentro de nós?

sexta-feira, novembro 10, 2006

off the wal


e lá fomos mais uma vez. a banda tocava peças dos pink floyd. e como tocava bem. o pavilhao apreciou a mestria dos executantes. nós de maos dadas ia-mos desenhando no espaço e no tempo esboços de um futuro a acontecer. e com as maos entrelaçadas no outro acariciavamos a alma, o espirito e o corpo. e quando o banda tocou o tema time ficamos suspensos no beijo terno e doce que trocamos. e nas palavras sinceras que lhe disse coloquei tudo o que sou. foi bom acreditem. muito bom. e quem gostar do album dar side of the moon, pode deixar a pagina aberta e ouvi-lo por inteiro

quinta-feira, novembro 09, 2006

amigo erótico



eu ontem fiquei a saber
uma nova realidade
que já não interessa amar
e nem tudo o que se diz é verdade

para eu tentar perceber
comportamentos neuróticos
inventaram um conceito
fomos amigos eróticos

escolhe-se então um amigo
e com um pouco de arte
dão-se umas quecas com ele
antes de o pôr de parte

sendo rapaz sempre pronto
aberto a novas experiências
vou passar a convidar
amigas pra “confidências”

e quando elas pensarem
que aquilo é coisa de amar
digo:- desculpa lá filha,
é erotismo a brincar

quarta-feira, novembro 08, 2006


sintra dos misterios e do orgone, levantava-se diante de nós. pelas suas vielas e becos mercantis, deambulamos de maos dadas com o tempo e (seria?) amor.milhares de turistas passavam e olhavam. creio que viam dois num só, tal era a força com que nos unimos. o riso, a alegria, o olhar seria só encenação?. começo a recordar hoje a minha ingenuidade, até a memória dos beijos me sabem a fel. creio ter sido mais uma estatua no jardim de medusa. devolvia-me á vida sempre que necessitava de mim. é como as crianças. quando fartas de um jogo colocam-no de lado e em frente a novo brinquedo tudo se renova e nada resta do viveram. agora feito estatua ainda resta-me aguardar que o tempo me torne á vida.

terça-feira, novembro 07, 2006

ponto de ordem á mesa














eu ja tive mil amantes
(exagero) de quase todos me recordo
umas castas, outras bacantes
com umas eu sonho , com outras acordo

agora condenado pelos deuses
a ser pouco mais que ignorado
recordo os dias em que deixei
alguém triste e magoado

nao há palavras pra expressar
o quanto te tenho pensado
como pude ser tao cego e ignorar
quão belo é ser amado

felizes sao os que amam
mais felizes os amados
perdidos estão os que esquecem
o quanto sao magoados.


a todos as mulheres que me amei peço desculpa mas sou sincero nunca amei assim e bastante me arrependo

segunda-feira, novembro 06, 2006




















Não sei quando vais ler ou se vais ler
Não sei se sem ainda pensas ou recordas
Sei que tinha de o fazer, de te dizer
Que estou ao pé de ti sempre que acordas

E quando abres os olhos para o dia
O universo volta a ter sentido
E faço do teu olhar o meu guia
Embora já seja esquecido

Talvez estejas a descobrir
Um novo caminho, uma nova paixão
Mas de ninguém iras ouvir:
- amor, beija-me o coração.

domingo, novembro 05, 2006

cold play



e em abril os cold play tocaram em portugal. e nós estivemos lá. sempre juntos, sempre como se foramos um. até quando quiseste ir mais á frente e eu, receoso por causa de algum toque que me pudesse magoar, ali ficaste, a ouvir a musica e quando tocaram for you, recordo o beijo longo que trocámos, a caricia que soltamos na alma do outro, e de maos dados com a musica assim ficamos. e como desejei ficar sempre contigo de maos dadas a deixar a musica fluir a ouvir speed of sound. não minha concubina era já amôr, nao só paixão, era mais que o fisico era o desejo de estar no outro e com o outro. e tudo parecia tão fácil.

o arco iris no ar















e a seguir á tempeestade
o arco iris no ar
que traga algo de novo
que conjugue o verbo amar

morena


as palavras tendem a a apagar-se diluidas nas gotas de sal por mim ja derramadas. deixemos a musica falar pelos nossos espiritos. Mas sempre na certeza de uma coisa. é bom sentir-te por perto. E é bom para dois

sábado, novembro 04, 2006

obidos das ruelas em flor e do licor de ginja em chocolate












começou hoje em óbidos o festival anual do chocolate e também lá fomos uma vez, deambulamos pelas suas ruelas pequenas mas lindas. visitamos lugares de cheiros especiais e claro bebemos a ginja pelo copo mais saboroso do mundo. Depois um longo beijo deu-nos o sabor do chocolate no outro. e toda a magia daquele lugar brotou tão doce como doce eram os copos . e quando a noite chegou eramos meninos, amigos e amantes eramos seres humanos apaixonados.

sexta-feira, novembro 03, 2006

aos meus amigos. obrigado.


so um beijo prá viajem.

quinta-feira, novembro 02, 2006

outono


o outono faz-me recordar sempre momentos de grande carinho e intimidade. onde os nossos corpos finalmente se saciaram e os espiritos começaram a desaparecer. Revisitar memórias é como olhar o Outono, são apenas folhas caidas no chão. Mortas pelo tempo e pela alegria de ter vivido. Sonhar é preciso viver nao é preciso.

quarta-feira, novembro 01, 2006

olhar
















Olho a janela dos teus olhos
Persianas corridas
Sobre a minha existência
mas inda assim encontro
Estas palavras para te dizer;
Dou-te um pedaço de mim para amar ou
Rasgar
Dou-te uma lágrima para resgatar
O amor que não me queres dar:
Dou-te a vida que não saberei
Cumpri sem te ter
e quando um dia nascer verás
que te amei até morrer….


autor desconhecido

os outros




















Porque
Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos
Porque os outros calculam mas tu não.
Sophia de Mello Breyner

segunda-feira, outubro 30, 2006

eis-me


E aqui me encontro face a mim mesmo
Escrevendo textos que só eu entendo.
Que só eu
valorizo.
E aqui me encontro
nada mais resta
O sonho, o passado,
nada tem
Sentido.
Aqui onde me descubro e desnudo
Sou apenas eu.
Só eu me entendo.
Falo de momentos que
já foram presentes
Bebo e
despejo.
Bebo o sabor na memória.,
Despejo a mágoa e a dor.
E ainda assim só eu me entendo,
E ainda assim só eu sei a verdade.

Já não há memória que reste em mais ninguém.
Mas eu continuarei a dar-lhe vida


Manuel F.C. Almeida

Sem poesia, porque não sou poeta

















Eu queria amor libertar-me de ti,
Como qualquer escravo da saudade
E embora saiba que em ti morri
Não consigo pensar em liberdade

Eu queria amor não te ter amado
Nunca o teu rosto ter conhecido
Nunca por ti ter sido beijado
Nem pela paixão consumido

Eu queria amor … já nem sei bem
Talvez ter sido só teu confidente
Porque embora sentindo tanto desdém
Continuo a sonhar-te neste presente.


Manuel Almeida

domingo, outubro 29, 2006

Ericeira



E na ericeira com o mar ali tao perto, onde os surfistas cavalgam as ondas desenhando figuras no mar, nós cavalgavamos os nossos corações e tentavamos fazer pontes, solidificar o amor. e em tudo o que construiamos estava presente ( de forma aparente) o desejo de tocar a alma e o espirito do outro. E tudo acontecia como se nada pudesse quebrar algo tão belo e tao carinhoso. foi tao lindo este equivoco meu amôr.

Poesia, que sem ela a vida nao teria alma



´















Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim muito e amiúde,

É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Morais

sábado, outubro 28, 2006

o grande lago



ainda me recordo bem. ali estava o grande lago. olhei a imensidão de tanta água nas terras secas do alentejo. de soslaio olhei pra ela. de perfil contra as águas eu vi toda a beleza que o seu espirito tinha. ela olhou. desceu do lugar onde estava. abraçou-me e beijamo-nos longamente. como que a celebrar tanta paz e tanta vida que estavam ali presentes. e o canto das aves pareceu-me um hino ao nosso amor. afinal o canto das aves era apenas o seu canto de sereia.

sexta-feira, outubro 27, 2006

A Costa alentejana.


eis chegado o verão. A costa alentejana é linda para passear. Por lá existe sempre algo a descobrir. E quando duas pessoas apaixonadas se encontram sós em frente aos elementos Tudo parece ser simples. Tudo parece fácil. A vida toma outro valor, outros sabores. O cabelo solta-se e fica livre. Os olhos brilham de alegria. É tão bom estar contigo meu amor. Estávamos nós, o sol, a agua e o ar. Os quatro elementos primordiais. Demos as mãos. E quando as retiramos tínhamos descoberto a pedra filosofal. Transmutámos a paixão em desejo e da minha parte o desejo em amor. E o meu coração ficou dourado. Neptuno olhou e sorriu como só os deuses o sabem fazer. E Cupido divertia-se a fazer de nós os seus alvos. Beijei-a e nos seus labios, secos pelo sol e pelo sal, o sabor de ambrósia fez-me recordar o sabor de uns perceves. Suguei aquele beijo como se quisesse fundir-me na alma.
Era tão calmo estar contigo, tão bom, nunca pensei ser um dia bafejado por momentos tão doces. As nuvens da tempestade estavam ainda tão longe que nem se viam e eu habituado como sempre estive a prevenir tempestades deixei de ter esse dom.
E nem pensei que um dia poderia vir a molhar-me................

Bug ou reconhecer















ontem tive a oportunidade de trocar ideias com uma amiga, sobre os meus dois ultimos posts. no meio de uma conversa teclada, que decorre sempre bem com ela, chamou-me a atenção para um facto que eu começava a esquecer. O de que a memória vivida é memória de duas pessoas que muito se amaram( julga a minha amiga) e que expor pedaços da intimidade de um grande amôr nao deve ser feito.
A vida inteira fui feito de razoabilidade e na verdade senti que ela teria alguma razão.
E embora tenha a certeza de que nao passarei de um pequeno insecto a quem mandaram voar, qual joaninha, entendo que se entrar em pormenores muito intimos acabe por me tornar naquilo que me recuso a ser. Na natureza algumas espécies de insectos sacrificam o macho para salvar a prole. Serei um louva-a-Deus, nao quero ser um vampiro de memórias de outrens.
continuarei a postar sobre o amôr que vivi e que ainda está presente dentro de mim. Mas em nome da minha verticalidade e do amor que teima em nao se desvanecer, nao posso permitir que as minhas memórias sujem a beleza do que sinto e senti. ela é demasiado importante pra mim. Resolvi apaga-los.

quarta-feira, outubro 25, 2006

vidigueira




vidigueira. terras dos Gamas. estranho esta palavra Gamas. Nao sei porquê remete-me sempre para a palavra Gamar. ainda nao sei porquê, mas tenho a sensação de que existe um elo claro entre esta minha sensação e a perca de verticalidade na acção.talvez um dia posa explicar isto.

mas foi aqui numa das nossas muitas incursões pelo espaço dos nossos corpos e sentimentos que uma noite fiquei só. depois de a ter amado e ter sentido no meu corpo a beleza do seu. nem de baco necessitámos para livertar a sensualidade que existia entre nós. a tela que pintamos foi mais uma vez feita de milhares de cores.

será sempre bom voltar á vidigueira? nao sei. alguém o deve ter feito. um dia pergunto

terça-feira, outubro 24, 2006


Modo de amar – III
1
É bom nadar assim
em cima do teu corpo
enquanto tu mergulhas já dentro do meu
1
Ambos piscinas que a nado atravessamos
de costas tu meu amor
de bruços eu
.
by Maria Teresa Horta

alfarim, meco, cabo espichel



chegamos a alfarim. a procura do local anteriormente marcado, revelou-se divertida, como tudo o que faziamos. entramos e os nossos labios fecharam-se um no outro. tanto era o desejo. tanta era a paixão. amámo-nos, procurei fazer daquele momento um momento de magia. queria que se sentisse como uma princesa. uma princesa adormecida que eu, com os meus beijos iria despertar. e foi tanto o amôr, tanta a dedicação que o meu coração quase parava na tentativa e no desejo de parar o tempo.