Eu pertenço a um outro país que não o vosso, a um outro quarteirão, a uma outra solidão LÈO FERRÉ
quarta-feira, julho 24, 2013
sábado, julho 20, 2013
Silêncios
E um dia já nem a nossa
Sombra se erguerá
E em seu lugar restará apenas
O vazio e a angústia da ausência
No outro.
Os amores eternos irão terminar
(os amores nunca são eternos)
Seremos apenas memória
Doce ou acre
Mas unicamente memória
Silenciosa.
Manuel F. C. Almeida
segunda-feira, julho 15, 2013
sábado, julho 06, 2013
Sombras
Perdi o teu corpo
Algures entre o sonho
E o tempo
Ficou o silêncio
E o caminho desenhado nas trevas
Ficou a memória do teu cheiro
E o sabor do teu corpo
Numa caixa vazia
De nós.
quarta-feira, julho 03, 2013
RASCUNHOS
Nada mais tenho que o teu
Sorriso de escárnio
E a mão cheia de nada
No palco da minha vida
A peça está quase a acabar.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, junho 28, 2013
quinta-feira, junho 20, 2013
sábado, junho 15, 2013
Conheces o frio? Aquele frio que se instala na alma
E se propaga como a luz, alagando tudo o que és?
Conheces por acaso a noite, aquele lugar onde os braços
Da escuridão te afagam os sentidos e te despem?
Conheces o som do silêncio? Aquele silêncio que
Se instala no olhar e só se resgata quando o som
Das marés te devolve à vida?
Conheces, eu sei que conheces tudo isto.
Por isso as pessoas te dão vómitos, por isso
Preferes ser como és a invés de seres como
Esperavam que fosses. Por isso nem te amam
Nem te odeiam, simplesmente te ignoram
E se julgam superiores.
Tu, tu não julgas nada e sentas-te diante do
Mar na esperança que uma onda se faça ouvir
Acima do silêncio dos sentidos.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, junho 06, 2013
Para te ter dobrei o sonho
E descobri novos mundos
Em mim
Para te ter escavei o tempo
E encontrei tesouros
Em ti
Para te ter construí castelos
De sólidas muralhas
Em nós
E quando um dia a história
Se contar
E o tempo desgastar as pedras
Do nosso universo
Ficaremos sós
Ficaremos só nós
E o canto do outro
Na nossa voz...
Sempre.
Manuel F. C. Almeida
terça-feira, maio 28, 2013
quinta-feira, maio 23, 2013
Paredes brancas, casas vazias
Onde o vento se perde e se demora.
Sussurros do tempo, dias nos dias.
Nada é real é tudo ilusório
E só a madrugada nos desnuda
Na procura dos corpos, no delírio
Na luxúria dos lábios e dos ventres
Paredes brancas, casas vazias
Vidas pretensamente presentes.
Manuel F. C. Almeida
domingo, maio 19, 2013
domingo, maio 12, 2013
Nos mistérios do saber,
Escondidos em campos
Que ao por do sol
Se desnudam
Estão os seios e as coxas
Que ávidos de vida
Se oferecem ao sonho
Da luxuria.
Visitamos o mundo
E é a morte que se
Oferece em mil
Máscaras de vida.
E voltamos sempre
Aos campos de prazer
Dos corpos adiados
Que connosco
Se cruzam.
Toda a vida é uma
Encenação
Entre o desejo
De liberdade
E o nada
Tudo não passa
De uma coincidência
Sem sentido.
Manuel F. C. Almeida.
terça-feira, maio 07, 2013
Se navego num mar de duvidas
Se resisto ao canto das sereias
É porque fui tendo várias vidas
Todas bem preenchidas, cheias.
Se me perco num golpe de vento
E as minhas asas se abrem em leque
É porque fui resistindo no tempo
A quem me quis ter como cheque
Por isso quando me olharem de perto
Procurem ver quem eu sou
Porque eu não sou um projecto
Desenhado à medida de alguém
Serei sempre eu. E aqui estou
Livre. Não sou peça de ninguém.
Manuel F. C. Almeida
sexta-feira, maio 03, 2013
A vida passa num cósmico minuto
E rapidamente devolvemos a matéria
Que pedimos emprestada.
E nesse minuto de vida... o tudo é nada.
Arrastamos os átomos numa voragem
De loucos que vivem na ilusão
De uma importância qualquer;
E na ideia de ser mais que um outro ser.
E tudo acaba finalmente no dissolver
Da existência, no regresso ao universo
Às coisas simples da natureza
E ao principio de tudo. A beleza de
Ser apenas parte do um todo universal.
Agora, enquanto estás vivo, vive!
Sendo livre e imortal
Não há fora de ti
valor de bem ou de mal.
Manuel Almeida
domingo, abril 28, 2013
Recusa sempre o que parece óbvio
Que a verdade está sempre escondida
Dos olhos que tudo e nada desnudam
Recusa sempre o que senso te dita
Porque o seu conselho é como ópio
Que te adocica os sonhos e te adormece
A curiosidade.
Recusa sempre um amor resolvido
Um amor adormecido pela voragem
Temporal da paixão perdida e domesticada.
Recusa a morte antecipada e anunciada
Pela ditadura da hipócrita existência social
E nunca aceites como certa a moral
Imposta, a moral do medo, a moral imoral.
Manuel F. C. Almeida
quinta-feira, abril 25, 2013
sexta-feira, abril 19, 2013
sábado, abril 13, 2013
sábado, abril 06, 2013
Nos meus olhos ávidos
P’lo teu ser
Reina a lascívia própria
Dos humanos
Feita de sonhos e escuridão
Amálgama secreta
Dos silêncios
Sem culpa ou moralidade
Sou pois um arremedo
De ave
Que nos céus se diverte
Com o vento
E olha o mundo sem
Grades
E sem barreiras à
Liberdade
Uma flor rara e selvagem
Que teima e ocupar
Os espaços livres
Das dunas,
E se protege
Dos olhares implacáveis
De quem vive com dedos
Apontados ao mundo.
E no interior de cada hora
Aspiro a ser aquele
Que chega e se
Demora.
Manuel F. C . Almeida
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